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Gretta Alegre Sarfaty

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BIOGRAFIA

Gretta Alegre Sarfaty (Atenas Grécia 1947)

Pintora, desenhista, gravadora, fotógrafa e artista multimídia. Muda-se com a família para São Paulo em 1954 e naturaliza-se brasileira no mesmo ano. Em 1970, participa do Grupo de Vanguarda, no Rio de Janeiro, com Cildo Meireles, Artur Barrio e Rubens Gerchman, entre outros. Em 1972, de volta a São Paulo, é aluna de Ivald Granato e Walter Lewy. Em 1973, inicia-se em gravura em metal sob orientação de Mário Gruber e Savério (1934) e edita suas próprias gravuras. Cursa a escola de arte Documenta, em 1973. Muda-se para a Europa em 1976, onde vive até 1982. Nesse período, participa de exposições envolvendo vídeo e performance em diversos países, como Itália, França, Bélgica e Alemanha. Em 1983, deixa a Europa e passa a viver em Nova York. Possui obras nos acervos do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP), Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) e Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), entre outros.

Comentário crítico

O tema básico da obra de Gretta é a figura humana. Ela começa a pintar profissionalmente em 1973, quando ainda reside no Brasil. Seu trabalho de então se dedica a uma crítica satírica da sociedade, com alguma influência da gráfica expressionista. Entre 1976 e 1982, dedica-se à realização de autorretratos, com as séries Transformações, Diário de uma Mulher e Reminiscências Evocativas. Em Transformações, Gretta fotografa seu próprio rosto e, com a revelação dos negativos, cria imagens distorcidas ao movimentar o papel fotográfico de várias formas durante o processo. Na série Reminiscências Evocativas, a artista usa seu próprio corpo para abordar o tema da condição feminina. Ela o pinta nu, para em seguida cobrir a tela com um véu de renda, que conota, ao mesmo tempo, proteção e prisão. No início da década de 1980, no contexto de suas viagens pela Europa, realiza a série Auto-Retrato do Brasil, que procura explorar artisticamente a história e a cultura do país. Nessa série, Gretta pinta o retrato de 50 homens e mulheres considerados personagens históricos brasileiros. No início da década de 1990, já vivendo em Nova York, a multidão de anônimos e pessoas aparentemente insignificantes torna-se tema de sua produção.

Críticas

"Gretta Sarfaty faz o registro permanente do seu corpo e de seu psiquismo. Ela utiliza para estes registros todos os suportes e mídias disponíveis, tais como telas, pinturas, papel, desenhos, fotografias, vídeos, holografias, performances etc. Gretta faz igualmente o registro de suas fantasias e de seus relacionamentos. Desta maneira, ela aparece deformada, envolta em rendas negras, deitada na cama, em movimento, misturada com outros personagens. Ela realiza estes trabalhos individualmente e, em alguns casos, através da junção e esforço de vários artistas e técnicos. Gretta Sarfaty é, desta maneira, o ego mais registrado da história da arte ocidental e oriental. Não há notícia de outro artista que tenha sido de tal maneira esmiuçado, revirado ao avesso, deformado, reencarnado e submetido às mais variadas possibilidades da mídia do que a brasileira Gretta Sarfaty. (...) A base inicial deste trabalho é a figura humana, representada de maneira expressionista. Depois, dentro do mesmo espírito, a artista permite-se a liberdade de elaborar esta figura e transformá-la, com o objetivo de tornar explícitos os seus estados de ansiedade, morbidez, desgosto, esperanças e, finalmente, as percepções que teve de vidas pregressas e funções carmáticas. Amiga de novidades, Gretta procurou conhecer todos os instrumentos à sua disposição, desde a simples pintura até a utilização do computador, do vídeo e da holografia".
Jacob Klintowitz
KLINTOWITZ, Jacob. Uma viagem pelo ego de Gretta Sarfaty. Jornal da Tarde, São Paulo, 14 mar. 1988.

"Durante o verão de 1987, Greta mudou seu ateliê do Battery Park City para o Upper East Side de Nova York. Essa mudança não apenas resultou em um estilo de vida diferente como também desencadeou uma nova fase de trabalho, com pinturas que ressaltam uma crença 'holística' crescente de que o universo e tudo mais nele (nós, inclusive) operam de acordo com uma ordem dinâmica oculta. Há muito atraída pelo mundo espiritual - Mãe Menininha do Gantois, a mais famosa mãe-de-santo da Bahia, e Chico Xavier, líder espiritual e seguidor de Allan Kardec, constituem 1/25 de AUTO-RETRATO DO BRASIL - Gretta colocou-se à disposição do movimento da New Age. Cabala, parapsicologia, tarô, ESP, cristais, bioritmo e pirâmides tornaram-se objetos de estudo e fontes de inspiração para seu novo trabalho. Passou a integrar o Brotherhood of Light e a interessar-se por conscientização Chaos, e pelo 'Universo Holográfico'".
Willoughby Sharp
SHARP, Willoughby. In: GRETTA. Europa, França & Bahia. São Paulo: MIS : Paço das Artes, 1988.

Acervos

Coleção Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP - São Paulo SP

Exposições Individuais

1974 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie
1978 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Bonfiglioli
1979 - Milão (Itália) - Individual, na Galeria Diagramma
1979 - Paris (França) - Individual, no Centre Georges Pompidou
1980 - Milão (Itália) - Individual, na Galleria La Filanda, Verano-Brianza
1980 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria A. M. Niemeyer
1980 - São Paulo SP - Individual, no MAC/USP
1980 - Stuttgart (Alemanha) - Individual, na Galeria B-14
1981 - Brescia (Itália) - Individual, na Galleria Multimedia
1981 - Caracas (Venezuela) - Individual, no Euro-American Art Center
1981 - Porto Alegre RS - Individual, na Galeria Singular
1983 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria A. M. Niemeyer
1983 - Rio de Janeiro RJ - Auto-Retrato do Brasil, no MNBA
1983 - São Paulo SP - Auto-Retrato do Brasil, no Masp
1988 - Nova York (Estados Unidos) - Individual, na Keith Green Gallery
1988 - São Paulo SP - Europa, França & Bahia, no Paço das Artes
1989 - Nova York (Estados Unidos) - Hommage to Goya, na Willoughby Sharp Gallery
1992 - Nova York (Estados Unidos) - Individual, na Pindar Gallery
1993 - Los Angeles (Estados Unidos) - Individual, na Jansen Perez Gallery
1993 - Nova York (Estados Unidos) - Individual, na Foster Goldstrom Gallery
1993 - San Antonio (Estados Unidos) - Individual, na Jasen Perez Gallery
1993 - São Paulo SP - Soho Scenes, no Renato Magalhães Gouvêa Escritório de Arte
1994 - Washington (Estados Unidos) - The Brazilian, no Americam Cultural Institute

Exposições Coletivas

1973 - Sorocaba SP - 1º Salão de Artes - premiada
1974 - Rio de Janeiro RJ - Coletiva, na Petite Galerie
1974 - Santo André SP - 7º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal 
1975 - Santo André SP - 8º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal 
1975 - São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Bonfiglioli
1975 - São Paulo SP - 13ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1976 - Rio de Janeiro RJ - Coletiva, na Petite Galerie
1976 - São Paulo SP - Bienal Nacional 76, na Fundação Bienal
1976 - São Paulo SP - Aquisições e Doações Recentes, no MAC/USP
1976 - São Paulo SP - 8º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1977 - Berlim (Alemanha) - International Woman in Arts, no Schloss Charlottenburg
1977 - São Paulo SP - 9º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1977 - São Paulo SP - Poéticas Visuais, no MAC/USP
1978 - Paris (França) - Images et Méssages d'Amérique Latine, no Centre Culturel de Villeparisi
1980 - Stuttgart (Alemanha) - Coletiva, na Galeria B-14
1982 - Bilbao (Espanha) - Arteder 82 - Muestra Internacional de Artes Gráficas
1982 - São Paulo SP - 1º Festival da Mulher nas Artes, no Teatro Ruth Escobar
1985 - Nova York (Estados Unidos) - Multimídia Arte-Ópera Plexus Art Opera 1 e Plexus Purgatório Show, La Maja in Yoya Time, Quando
1985 - Nova York (Estados Unidos) - Re-Presenting the Self, na 22 Wooster Gallery
1985 - São Paulo SP - Tendências do Livro de Artista no Brasil, no CCSP
1986 - Cidade do México (México) - Bienal del Autoretrato, no Instituto Cultural Domecq
1986 - Nova York (Estados Unidos) - Fire, Water and Steel, na A Gallery
1986 - Nova York (Estados Unidos) - Creativity Exhibit of Art, no Explorers Institute
1986 - Nova York (Estados Unidos) - The Second Coming, no Hiro Cafe
1987 - Nova York (Estados Unidos) - The Honeymoon, no Tompkins Square Arts Festival
1987 - Cuenca (Equador) - 1ª Bienal Internacional de Pintura, no Museo de Arte Moderno
1988 - Pequim (China) - 1ª Exposição Brasil-China, na Galeria de Belas Artes da China
1989 - Nova York (Estados Unidos) - The Prisoners of Art, na Police Building
1990 - Nova York (Estados Unidos) - Coletiva, na Slater-Price Gallery
1991 - Nova Orleans (Estados Unidos) - West Bank Art Guild's Premier National Exhibit
1991 - Nova York (Estados Unidos) - Coletiva, na Pindar Gallery
1993 - Nova York (Estados Unidos) - Art Frankfurt 1993
2000 - São Paulo SP - Arte Conceitual e Conceitualismos: anos 70 no acervo do MAC/USP, na Galeria de Arte do Sesi

Fonte: Itaú Cultural

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