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José dos Reis Carvalho

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BIOGRAFIA

José dos Reis Carvalho (Ceará 1800 - Rio de Janeiro RJ 1872)

Pintor, ilustrador, professor e fotógrafo.

Aluno do pintor Jean-Baptiste Debret (1768 - 1848) desde 1816. Está na primeira turma (1826) da Academia Imperial de Belas Artes (Aiba). É colega de August Muller (1815-c.1883), José Correia de Lima (1814-57), Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879) e Francisco Souza Lobo (ca.1800- ca.1855), entre outros.
Em 1828, torna-se professor substituto de desenho na Escola Militar. É titular em 1831, sendo jubilado em 1865. Participa da 1ª Exposição da Classe de Pintura Histórica da Academia de Belas Artes, em 1829, e, no ano seguinte, da 2ª Exposição. Em meados dos anos 1840, auxilia Porto-Alegre na produção de quadro sobre a Independência do Brasil. Nos anos 1850, realiza séries de aquarelas sobre costumes do Rio de Janeiro. Entre 1859 e 1861, é artista membro da seção de botânica e zoologia da Comissão Científica de Exploração, enviada ao Ceará¹.
Está nas Exposições Gerais de Belas Artes de 1843 (medalha de ouro), 1844 (menção de louvor em segundo grau), 1848 (benemérito da Ordem da Rosa), 1849, 1865 (medalha de ouro) e 1872. Nesse ano, já se apresenta como professor honorário da Academia.
Exerce comercialmente a fotografia e a fotopintura entre 1867 e 1870 (pelo menos), sucedendo o estúdio Chaise². Em 1879, juntamente com Zeferino da Costa (1840 - 1915) e Maximiano Mafra (1823 - 1908), estipula o valor de compra da tela A Batalha dos Guararapes, de Victor Meirelles (1832 - 1903). Estudos recentes mostram que continua a trabalhar até fins de 1880 ou início de 1890, data aproximada da sua morte, contrariando dados mais antigos, que apontavam 1872 como o ano de seu falecimento.

Comentário crítico

José dos Reis Carvalho desempenha atividade artística e científica (esta por pouco tempo), ambas ligadas ao seu interesse por um elemento comum: a natureza.

Desde cedo, durante os primeiros anos como aluno de Debret, destaca-se como pintor de naturezas-mortas. O êxito que obtém nesse gênero o leva a ser convidado a participar, como desenhista, da Comissão Científica de Exploração: primeiro intento genuinamente brasileiro nesse campo, no século XIX, sucedendo explorações estrangeiras das quais participaram artistas como Thomas Ender (1793 - 1875) e Charles Landseer (1799 - 1879), entre outros. 

A despeito dessa importante, mas rápida produção, e das raras incursões na pintura de retratos, Reis Carvalho consolida-se, de fato, por sua mestria na produção de naturezas-mortas.

Já na década de 1840, seu colega de trabalho e geração, Manuel de Araújo Porto-Alegre, encontra em sua obra um dos caminhos para a fundação de uma verdadeira "escola brasileira" de pintura. Isso parece ser possível pela fusão visual que, nas suas telas, o pintor faz de elementos naturais (flores e frutos), tidos como a grande riqueza do país, com outros derivados da cultura universal e considerados então representantes das nações mais desenvolvidas (objetos manufaturados como estatuetas, vasos, taças etc.). 

Notas
¹ Conforme o historiador Cláudio José Alves "é possível que Manoel de Araújo Porto-Alegre tenha influenciado na escolha de Reis Carvalho como 'desenhador' da Comissão Científica, pois era secretário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro quando, na 8ª sessão de 25 de julho de 1856, os chefes das seções foram incumbidos da indicação de um artista para a expedição". Essa hipótese pode ser reforçada quando se considera que, segundo Dirceu Pinho França, José Carvalho dos Reis teria auxiliado Porto-Alegre na produção do seu quadro sobre a Independência do Brasil, produzido na década de 1840. Ambos, Porto-Alegre e Carvalho, também lecionaram na Escola Militar, no mesmo período.
² Ou Chaix.

Acervos

Acervo da Biblioteca Municipal Mário de Andrade (São Paulo SP)
Acervo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (São Paulo SP)
Acervo Instituto Itaú Cultural (São Paulo SP)
Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo
Coleção de Artes Visuais do Instituto de Estudos Brasileiros - USP

Exposições Coletivas

1829 - Rio de Janeiro RJ - 1ª Exposição da Classe de Pintura Histórica da Imperial Academia das Bellas Artes, na Aiba
1830 - Rio de Janeiro RJ - 2ª Exposição da Classe de Pintura Histórica da Imperial Academia das Bellas Artes, na Aiba - medalha de ouro
1843 - Rio de Janeiro RJ - 4ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba - medalha de ouro
1844 - Rio de Janeiro RJ - 5ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba - menção de louvor e 2º grau
1848 - Rio de Janeiro RJ - 9ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba - Cavaleiro da Ordem da Rosa
1849 - Rio de Janeiro RJ - 10ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1865 - Rio de Janeiro RJ - 17ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba - medalha de ouro
1872 - Rio de Janeiro RJ - 22ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba

Exposições Póstumas

1984 - Rio de Janeiro RJ - Reis Carvalho: de Debret à Missão Francesa
1999 - Rio de Janeiro RJ - O Brasil Redescoberto, no Paço Imperial
2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento, na Fundação Bienal
2001 - Rio de Janeiro RJ - Aquarela Brasileira, no Centro Cultural Light
2001 - São Paulo SP - Trajetória da Luz na Arte Brasileira, no Itaú Cultural

Fonte: Itaú Cultural

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