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Félix Alejandro Barrenechea Avilez

OBRAS DO ARTISTA

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BIOGRAFIA

Félix Alejandro Barrenechea Avilez (1921 - 2013)

1921 - Huanta (Peru) / 2013 - Brasil

Poucas exposições recentes foram tão ansiosamente esperadas do que a primeira retrospectiva do artista brasileiro Cildo Meireles; artista internacionalmente aclamado, realizada em Nova Iorque, no The New Museum, em 19 de novembro do ano passado. Este espetáculo principal, o primeiro na história do museu a ocupar todos os três pisos de suas dependências, no baixo Broadway, composto de cinco instalações, em escala ambiente para as salas e com a possibilidade de se poder caminhar por dentre elas, possuindo, ainda, mais treze esculturas grandes e vários desenhos, dos muitos criados por Meireles durante as últimas três décadas. 

Para muitos de nós o maior tesouro desse grande espetáculo foi uma única pintura ali exposta, de autoria do antigo mestre e professor de Meireles, Félix Alejandro Barrenechea Avilez, incluído na retrospectiva como uma justa homenagem ao homem que ele venera acima de todos os outros, cujo nome encabeça a lista de agradecimentos contidos no extenso catálogo da exposição; esta modesta tela, composta de formas retangulares simples, em um vermelho terra vibrante, não poderia ser mais do que uma representante da antítese entre as extensas instalações pelas quais Meireles é conhecido mundialmente. Não só para Meireles, que estudou com ele durante sete anos, quando ainda era muito jovem e se refere a ele como "meu mestre", mas também para muitos outros que conhecem o trabalho e se inspiram no exemplo de Barrenechea, que tem vivido e trabalhado, silenciosamente e espartanamente na Cidade de Nova Iorque durante vários anos; como um homem que encarna duplamente, na sua pessoa e nas suas pinturas, os mais altos padrões e aspirações de empenho artístico abnegado. 

Nascido em 1921 em Huanta, uma pequena aldeia no alto das montanhas da Cordilheira dos Andes, Barrenechea se formou com louvor na Escola Nacional de Belas Artes do Perú, seu país natal, em 1946. Em 1953 graduou-se pela segunda vez na Escola de Belas Artes de Buenos Aires, Argentina, antes de se mudar, quatro anos depois, para o Brasil. Lá, como escreveu em uma importante monografia sobre o pintor a escritora Ana Sanchez, “ele logo se tornou um pilar da vida artística, pintando e ensinando durante muitos anos, inclusive colaborando na construção de uma cidade nova, Brasília". 

Durante estes anos Barrenechea realizou mais de cinqüenta exposições no Perú, Argentina, Brasil, Japão e Estados Unidos, onde dois de seus principais trabalhos estão no acervo das Nações Unidas. Desde 1990, ele e sua dedicada esposa Lola Azra, também pintora de consideráveis dotes, fizeram da Cidade de Nova Iorque a sua casa. Vivendo e trabalhando em um estúdio no baixo Manhattan, que poderia até ser considerado minúsculo pelos padrões da maioria dos artistas contemporâneos, mas que parece servir aos propósitos dele perfeitamente (da mesma maneira que Alberto Giacometti, que durante a maior parte de sua carreira, quando encontrou um atelier similarmente modesto em Paris, mas suficiente para as suas necessidades), Barrenechea, agora nos seus atuais setenta anos, continua pintando prolificamente. O trabalho realizado nos últimos anos sem dúvida conclui o coroamento de uma vida. 

As pinturas de Felix Barrenechea evoluem através de várias fases por sua longa carreira, desde os antigos trabalhos figurativos, que mostram uma clara influência de Picasso, através da abstração orgânica, até as suas mais recentes composições geométricas. A constante de seu trabalho, desta forma, pode agora alinhá-lo tardiamente com a germinação do movimento multiculturalista‚ do qual ele tirou constantemente inspiração, através de sua herança étnica, com a criação de composições que atravessam o aparente buraco intransponível entre a antiga cultura dos Incas e o moderno e sofisticado abstrato. 

Nas suas mais recentes pinturas, Barrenechea criou formas geométricas e circulares, as quais arredondou com golpes táteis de pigmento para criar uma sensação de planos elevados, apresentando-se alternadamente, avançando e se retirando no espaço. Áreas salpicadas de luz e de cor criaram uma sensação constante de movimento e fluxo, com referências figurativas veladas que emergem de pontos de intervalos sombreados, que nos lembram Rico Lebrun em suas criações, derivadas de Goya. Diferente de Lebrun, cuja forma residiu somente no seu traço e de quem a paleta era prioritariamente monocromática, Barrenechea é primeiramente e principalmente um pintor e um colorista. Realmente, até mesmo as suas telas mais representativas, na sua maioria são quase destituídas de linearidade, construídas por um processo de formação de cor, com a imagem que emerge de uma concentração de níveis de golpes, que culminam em um vislumbre cromático deslumbrante. O uso que faz das nuances de cores o aproxima da transcendente “Vapor Tingido” de Turner; tal qual uma das pinturas de Barrenechea, um pequeno óleo de 1992, intitulado de Cavalo e Cavaleiro, engolfados por um esplendor na entrada para uma floresta, que estou apreciando agora, enquanto escrevo este artigo. 

Embora este primoroso pequeno quadro, consangüíneo no estilo de certos trabalhos do excêntrico romântico americano Albert Pinkham Ryder, poderia ser considerado uma excursão figurativa secundária em um ambiente dominado por telas abstratas grandes, demonstrando de uma forma reduzida todos os elementos que fazem de Barrenechea um pintor consumado e notável: não só a misteriosa e delicada alquimia pela qual a substância material de pigmento pode fazer evocar as qualidades etéreas de luz e, além desta, a mesma metamorfose mística pela qual a luz pode ser usada para significados espirituais; mas também possui os sutis equilíbrios formais necessários para fazer estes componentes amorfos coerentes em uma composição compelida e forte. 

Realmente, em conjunto com a forma e a cor, a luz é um canal de conteúdo para Felix Barrenechea, que declara que "o olho capta a luz que viaja na superfície da tela e equaciona o magnético fluxo de espaços velados; isto proporciona ao espectador uma captação visual que conduz a mente a perceber as formas abstratas. Isto é necessário para o vital campo de visão do espectador, como presságio de que o ser humano deverá começar a ter o seu significado mais primordial”.

Mesmo levando em conta a sintaxe formal, que resulta quando um homem de ótima inteligência, cujo inglês é ainda incipiente‚ tal como uma criança, com suas tentativas para carrear idéias complexas para um tradutor, Felix Barrenechea pode ser, todavia, bastante eloqüente, explicando suas motivações e métodos estéticos. Realmente, a pessoa discerne a voz autorizada do grande teorista e professor, claramente no mesmo nível que Hans Hofmann e começa a entender pelo menos alguma coisa do impacto que Barrenechea deve ter tido nos estudantes, tais como Cildo Meireles, em pronunciamentos estéticos como o seguinte: "Esta é uma tela virgem. Como a imagem vai ser projetada? Através de uma equação, a mente usa o mesmo procedimento dos astronautas e calculando as distancias… ao mesmo tempo, a pessoa mede as emoções por matemática proporcional, dimensão, intensidade e duração de tempo. A mente neste ponto filtra uma imagem. Esta imagem filtrada nunca se repete e cria assim variações infinitas. Esta é a fonte de natureza. Eu domino estes espaços na tela como 'moradas'. Eles trabalham como uma árvore, um repouso, um contraste; nós vivemos em um mundo maravilhoso de formas geométricas”. 

Barrenechea empregou a figura como um ponto de partida em muitos dos seus trabalhos através dos anos (e, ainda, ocasionalmente retorna a isso para refrescar sua conexão com o atual); a forma humana serviu freqüentemente como um ponto de partida para as suas explorações de pura forma e cor. Em muitos de seus trabalhos mais recentes, encurvou contornos e arredondou formas, tingidas em cores mornas, carregando uma sensação de fertilidade feminina da terra. Porém, mais recentemente na série denominada “Wari", Barrenechea se move além da ilusão figurativa em um reino de pura geometria, criando composições que em suas combinações de austeridade formal e riqueza de cores nos convida a prestar atenção aos motivos retangulares de bordados peruanos antigos, como também as paredes de pedra construídas pelos Incas, nos Andes. 

O termo "Wari" deriva do Huari, uma sociedade de guerreiros cujo império pós um fim para regionalismo peruano entre os anos DC 750 e 1000, preparando para a unificação cultural do período inca. O Huari foi conhecido pela sua fina arte e seus motivos, particularmente nos tecidos usados para os seus ponchos, que eram abstrações dos motivos pintados em cerâmica de Tiahuanacu. Embora menos refinada que a cerâmica de Tiahuanacu, a cerâmica de Huari acentuou construções sólidas, desígnio corajoso e um rico uso de qualidades policromáticas, que notadamente inspirou a mais recente série de pinturas de Felix Barrenechea. 

O relacionamento com motivos antigos, na série “Wari" se torna mais evidente nos matizes dourados, sugerindo a pedra queimada pelo sol, que figura proeminentemente em muitas das recentes pinturas acrílicas de Barrenechea, assim como, também, na recente tela de um pássaro pictográfico e formas de animais cinzelados em volta de um sol radiante, formas de montanhas angulares e outros, ritualisticamente estilizados em referências da natureza; na superfície da tela. Ao mesmo tempo, todas estas referências para o passado ancestral e para o orgulho da herança cultural do artista, as telas de Felix Barrenechea são possuídas de um frescor e de uma poderosa modernidade. Invariavelmente, elementos etnicamente alusivos, por mais que significativos pessoalmente, ressonantes espiritualmente e integrados aos intentos e propósitos do artista, estão subordinados a uma escrita estética que se declara completamente contemporânea. Isto‚ realizado pela partilha audaciosa do espaço por Barrenechea, com campos verticais e horizontais de cor brilhante que emprestam para as telas um impacto comparável com as mais estritas dissecações espaciais de Barnett Newman. Estes campos coloridos, criados com azul vibrante, amarelo, vermelho e com polidos matizes alaranjados, sobrepostos verticalmente e horizontalmente, cruzando para criar divisões como as de uma janela, que intervalam as imagens gravadas levemente da forma impelida da composição. Assim Barrenechea, até mesmo enquanto comemora a sua herança cultural, subverte a nostalgia e faz do imediatismo visual, em lugar de referências culturais, o ponto principal das suas mais recentes telas. 

Como Ana Sanchez destacou, Barrenechea acredita que nós estamos experimentando uma mudança na física moderna; “da terceira para uma quarta dimensão". O artista "percebe a mente humana como a quarta dimensão, que reproduz a experiência histórica de todo ser humano". Assim, Barrenechea mantém "a arte na quarta dimensão‚ composta pelo tempo e pelo espaço”. A trajetória de um ato e as imagens que emergem na sucessão de tempo, pululando este espaço dimensional. Este processo coloca a mente em seu próprio espaço histórico e provoca luta para transcender. 

Para toda a complexidade metafísica das teorias que sustentam e as informam, as pinturas de Felix Barrenechea possuem uma simplicidade dinâmica que‚ expressada em uma das suas declarações mais diretas: "o idioma de artes aplicadas é uma sucessão de imagens abstratas que se desenvolvem no espaço dimensional. Isto permite o despertar do espectador no mundo sensorial. Este mundo pertence ao passado e desenvolve um futuro projetado em rotações contínuas. Então nossas mentes enfocam atenção e prevêem idéias abstratas. Isto não é definitivo, mas flutuante, permitindo o desenvolvimento". 

Assim como se aproxima de suas oito décadas de vida, fica claro que a arte de Felix Barrenechea permanecerá ainda fluindo muito e constantemente em desenvolvimento. Enquanto os artistas mais jovens como Cildo Meireles o veneram bastante como mestre, estudiosos internacionais e críticos como Gianni Agostinelli e Hideki Kawahara exaltam "a clássica sobriedade do maestro Barrenechea e sua maturidade artística” e o comemoram por criar "estruturas de cor solenemente executadas que desenham a sua jornada interior"; o artista permanece inabalável pela sua própria eminência. Felix Barrenechea continua explorando, experimenta e procura os meios mais imediatos para se conectar com o legado ancestral fértil que o tem inspirado desde a sua juventude nos Andes até o seu presente, em um estúdio térreo na Cidade de Nova Iorque. 

VOL. 2 NO.3 - JANUARY/FEBRUARY 2000 
Gallery&Studio é um jornal internacional de arte, em formato tablóide, publicado por EYE LEVEL, LTD. 2000, all rights reserved, 217 East 85th Street, PMB 228, New York, NY 10028, (212) 861-6814, E-mail: galleryandstudio@mindspring.com, Editor and Publisher: Jeannie McCormack, Managing Editor: Ed McCormack, Special Editorial Advisor: Margot Palmer-Poroner, Design and Production: Gary K. Lai, Distribuition: John DeAngelis.
Traduzido do artigo original, de Gallery&Studio por Cláudio Azra.

Formação

1946 - Peru - Forma-se em desenho e pintura pela Escola Nacional de Belas Artes do Peru 
1953 - Buenos Aires (Argentina) - Forma-se em desenho e pintura pela Escola Superior de Belas Artes de Buenos Aires

Cronologia

Pintor, ceramista, professor

1955 - Brasil - Muda-se para o Brasil
1958 - Brasília DF - É o primeiro pintor a se estabelecer em Brasília
1959 - Brasília DF - Abre uma escola-ateliê experimental
1961/1963 - Brasília DF - Colabora com a Fundação Cultural do Distrito Federal, montando uma escola experimental e mantendo um grupo dinâmico de alunos

Exposições Individuais

1954 - Buenos Aires (Argentina) - Individual, na Galeria Kraid
1970 - Brasília DF - Individual, no Hotel Nacional
1976 - Brasília DF - Mostra retrospectiva, no Touring Club do Brasil, promovida pela Embaixada do Peru e pela Fundação Cultural do Distrito Federal
1978 - Lima (Peru) - Individual, na Galeria Associação Peruana de Artistas Plásticos
1978 - Lima (Peru) - Individual, no Mitaflores
1979 - Brasília DF - Individual, no Salão Negro do Senado Federal
1982 - Brasília DF - Individual, na Fundação Cultural
1984 - São Paulo SP - Individual, no Clube Atlético Paulistano
1985 - Brasília DF - Individual, no Parkshopping
1985 - Brasília DF - Individual, na Itaugaleria
1985 - Ribeirão Preto SP - Individual, na Itaugaleria
1985 - São Paulo SP - Individual, na Itaugaleria

Exposições Coletivas

1946 - Lima (Peru) - Salão da Primavera, na Sociedade de Belas Artes
1947 - Ancón (Peru) - Salão de Verão - 2º prêmio
1952 - Ancón (Peru) - Salão de Verão
1952 - Buenos Aires (Argentina) - Salão dos Estudantes de Artes Plásticas da República Argentina - prêmio de honra
1953 - Buenos Aires (Argentina) - 43º Salão de Artes Plásticas, promovido pelo Ministério da Educação - prêmio para artista estrangeiro
1955 - Belo Horizonte MG - 10º Salão Municipal de Belas Artes
1955 - Belo Horizonte MG - 4º Festival Universitário de Artes - 1º 9rêmio
1956 - São Paulo SP - 5º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia
1957 - São Paulo SP - 6º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia 
1957 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Arte Moderna
1973 - Brasília DF - 1º Salão Global da Primavera
1973 - Goiânia GO - 1º Salão Global da Primavera 
1974 - Goiânia GO - 1º Caixego
1975 - Goiânia GO - 2º Caixego
1976 - Brasília DF - 5 Pintores Ibero-Americanos, no Instituto de Cultura Hispano-Americano
1976 - Brasília DF - 3º Encontro dos Artistas Plásticos de Brasília, na Fundação Cultural do Distrito Federal
1976 - Goiânia GO - 3º Caixego
1977 - Goiânia GO - 4º Caixego
1977 - São Paulo SP - 14ª Bienal Intenacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1978 - Lima (Peru) - 6º Salão Anual de Artistas Plásticos - ASPAP, no Museu de Arte Italiana
1978 - São Paulo SP - Bienal Latino-Americana, na Fundação Bienal 
1981 - Brasília DF - 1º Salão de Artes Plásticas da Aeronáutica
1981 - Brasília DF - Salão da Marinha, no Clube Naval - menção honrosa
1981 - Brasília DF - Salão Naval de Artes Plásticas, no Salão Riachuelo
1983 - Brasília DF - Coletiva, no Teatro Nacional
1984 - Japão - Coletiva, na Embaixada do Peru

Fonte: Pagina do Artista no Facebook, Itaú Cultural

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