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Estrigas

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BIOGRAFIA

Estrigas (Fortaleza CE 1919)

Crítico de arte, pintor, ilustrador.

Nilo de Brito Firmeza adota o apelido de Estrigas desde os tempos de estudante do Liceu do Ceará. Formado em odontologia, passa a frequentar a Sociedade Cearense de Artes Plásticas - SCAP, em 1950, onde realiza seus primeiros cursos de pintura e desenho, e torna-se membro da diretoria, em 1953. Exerce a odontologia e leciona nessa área por aproximadamente 15 anos e, em paralelo, atua como colaborador de revistas especializadas e jornais de grande circulação da cidade de Fortaleza, publicando textos sobre artes plásticas. Trabalha também como ilustrador em publicações de prosa e poesia de diversos autores cearenses, como Milton Dias, Otacílio Colares e Manuel Coelho Raposo. Participa do Salão dos Novos em 1952 e 1953 e, em 1954, é premiado com medalha de prata quando expõe pela primeira vez no Salão de Abril, mostra de que participa em diversas ocasiões de sua carreira, até a década de 1990.  Em 1969, funda o Mini-Museu Firmeza, em Mandubim, no sítio em que reside próximo à capital cearense. Dois anos depois, realiza exposição no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará - Mauc, com sua mulher Nice Firmeza. Escreve os livros Contribuição ao Reconhecimento de Raimundo Cela e A Saga do Pintor Francisco Domingos da Silva, ambos em 1988; Arte: Aspectos Pré-Históricos no Ceará (Uma Contribuição ao Estudo das Artes Plásticas no Ceará), 1989, e Barrica: O Alquimista da Arte, 1993. Em 2007, é homenageado pela Universidade Federal do Ceará - UFC com a Medalha do Mérito Cultural, em reconhecimento a sua contribuição à cultura e à arte, ocasião em que o Mauc realiza a exposição Nice e Estrigas, Pinturas e Desenhos, reunindo cerca de 50 trabalhos do casal.

Comentário crítico

A atuação de Nilo de Brito Firmeza, o Estrigas, no meio artístico cearense se inicia nos primeiros anos da década de 1950 na Sociedade Cearense de Artes Plásticas - SCAP, da qual é aluno dos cursos livres, membro da diretoria e incentivador.

No início da década de 1940, Estrigas conhece os artistas Antonio Bandeira e Aldemir Martins, em almoço oferecido em homenagem ao escritor Antônio Girão Barroso, que volta de sua estada no Rio de Janeiro. O evento reúne importantes nomes da literatura cearense que posteriormente fundam o Grupo Clã. Juntos, Estrigas, Antonio Bandeira e Aldemir Martins participam mais tarde da SCAP. No período em que está à frente da entidade, Estrigas cria a Escola de Belas Artes do Ceará, no mesmo padrão da existente no Rio de Janeiro, projeto que é interrompido após dois anos.

É nesse período e ambiente que conhece a pintora Nice Firmeza, com quem se casa. Juntos, participam de diversas exposições coletivas e montam, em 1969, o Mini-Museu Firmeza, que funciona na residência do casal. O acervo apresenta um panorama das diversas manifestações da arte cearense, e é composto de pinturas e esculturas originais e reproduções. Na coleção, há obras de Raimundo Cela, Barrica, Mário Baratta, Aldemir Martins e de vários artistas plásticos atuantes em Fortaleza, além de trabalhos do próprio Estrigas e Nice. O museu reúne também livros, catálogos e recortes de jornais.

Pesquisador das artes cearenses, Estrigas publica, em 1969, livro Arte: Aspectos Pré-Históricos no Ceará, no qual aborda as pinturas primitivas das grutas da Serra de Uruburetama, em Itapipoca, e a arte indígena de caráter utilitário e decorativo. No livro Fase Renovadora na Arte Cearense, publicado pela Universidade Federal do Ceará - UFC, em 1983, retoma o período de criação das primeiras instituições de artes plásticas do Estado e acompanha a repercussão das transformações no meio cultural local na imprensa da época. Lança, em 1988, duas outras publicações, A Saga do Pintor Francisco Domingos da Silva e Contribuição ao Reconhecimento de Raimundo Cela. Admirador de Cela, Estrigas considera-o o maior artista do Ceará. Em 1993, publica Barrica: o Alquimista da Arte, sobre o pintor e ceramista cearense Guilherme Clidenor de Moura Capibaribe, considerado por Estrigas um dos mais fecundos e originais artistas plásticos do Ceará. Por ocasião do cinquentenário de fundação da SCAP, publica em 1994 o livro O Salão de Abril.

Sua produção plástica compõe-se de paisagens, cenas urbanas e obras em que figuram cangaceiros, casais, pássaros e outros animais. Como técnicas, vale-se frequentemente da aquarela e do desenho, além da pintura a óleo. Em obras recentes, explora também a natureza-morta, realçando as propriedades formais dos objetos.

Acervos

Centro de Artes Visuais da Casa Raimundo Cela -  Fortaleza CE
Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará - Fortaleza CE
Museu Jaguaribano - Aracati CE

Exposições Individuais

1971 - Fortaleza CE - Individual, no MAUC

Exposições Coletivas

1954 - Fortaleza CE - 10º Salão de Abril
1956 - Fortaleza CE - Salão de Abril, s.l.
1958 - Fortaleza CE - Salão de Abril, s.l.
1959 - São Paulo SP - 8º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia
1960 - Fortaleza CE - 1ª Mostra de Arte de Vanguarda
1960 - São Paulo SP - 9º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia
1961 - São Paulo SP - 10º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia
1963 - Salvador BA - Oito Artistas do Ceará, no MAM/BA
1963 - Fortaleza CE - A Paisagem Cearense, no MAUC
1963 - Fortaleza CE - Oito Artistas, s.l.
1976 - São Paulo SP - 8º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1990 - Fortaleza CE - 41º Salão de Abril, no Centro de Artes Visuais Raimundo Cela
1991 - Fortaleza CE - Scap: 50 anos, no Imperial Othon Palace Hotel
1992 - Brasília DF - 43º Salão de Abril, na ECT Galeria de Arte
1992 - Fortaleza CE - 43º Salão de Abril, no Museu de Arte da UFC
1992 - Recife PE - 43º Salão de Abril, na Galeria Metropolitana de Arte
1992 - São Paulo SP - 43º Salão de Abril, na Casa das Rosas
2003 - São Paulo SP - A Arte Atrás da Arte: onde ficam e como viaja
1998 - Fortaleza CE - Jangada, no Museu do Ceará
1999 - Fortaleza CE - 50º Salão de Abril, no Centro Cultural da Abolição
2003 - São Paulo SP - A Arte Atrás da Arte: onde ficam e como viajam as obras de arte, no MAM/SP

Fonte: Itaú Cultural

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