Rufino Tamayo

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Biografia

Rufino Tamayo (Oaxaca, México 1899 - Cidade do México, México 1991)

Rufino Tamayo atingiu em sua pintura uma dimensão poética bastante profunda. Nas entonações e recursos expressivos, ela aparece como uma elaborada e interior revivescência do antigo mito, mais acentuadamente nutrida, todavia, pelas experiências da arte moderna.

Tamayo nasceu em Oaxaca, no México, em 1899. De ascendência indígena (zapoteca), mudou-se para a cidade do México em 1911 para viver com uma tia sua, após perder os pais. Quatro anos mais tarde começou a tomar aulas de desenho.

Frequentou a Escola de Artes Plásticas (Academia de San Carlos), na Cidade do México, entre 1917 e 1921. Foi nomeado diretor do Departamento de Desenhos Etnográficos do Museu Nacional de Arqueologia, na Cidade do México. Desde então, nota-se em suas obras a influência da arte popular mexicana e pré-colombiana.

Passou dois anos em Nova York, 1926 a 1928, onde viu a arte europeia em museus e galerias. Conheceu Stuart Davis e viu a exposição de Henri Matisse no Museu do Brooklyn em 1928.

De volta ao México, deu aulas de pintura na Escola de Artes Plásticas (Academia de San Carlos), entre 1928 e 1929. Assim como María Izquierdo, com quem repartiu estúdio de 1929 a 1934, produziu obras figurativas e naturezas-mortas, às vezes à base de frutas tropicais, cujos registros cromáticos eram amplos e intensos. Em uma época em que se celebrava a arte comprometida dos muralistas, a sensibilidade modernista de Tamayo, assim como sua estética não utilitária, seu neutralismo político e perspectiva internacional, iam contra a corrente. Em 1929, expôs na Galeria de Arte Moderna do Teatro Nacional, Cidade do México. Três anos mais tarde foi nomeado diretor do Departamento de Artes Plásticas da Secretaria de Educação. Em 1933 pintou um mural na Escola Nacional de Música e, em seguida, no Museu de Antropologia da cidade do México. Nestes murais ele desenvolve os temas da história pátria em uma interpretação de atmosfera alucinante, na qual formas e cores inquietantes se agitam, distendem-se em luminosa matéria de pesadelo, alcançando os tons mais secretos, fusões profundas das figuras no enigmático grito extinto do colorido.

Voltou a Nova York em 1936 como delegado da Liga de Escritores e Artistas Revolucionários no Congresso de Artistas Americanos. Ficou nos Estados Unidos uns doze anos, dando aulas na Dalton School, de 1938 a 1947. A exposição de Picasso no Museu de Arte Moderna, Nova York, em 1939, deixou-o muito impressionado. Uma série de pinturas sobre animais violentos em meados dos anos quarenta tinha suas raízes na arte popular mexicana, porém não deixava de refletir as preocupações ocasionadas pela Segunda Guerra Mundial. Pintou um mural no Smith College, em Northampton, Massachusetts, em 1943. Estabeleceu o Taller Tamayo na escola de arte do Museu do Brooklyn em 1946. Sua exposição retrospectiva de 1948 no Palacio de Bellas Artes, na Cidade do México, foi atacada na imprensa por David Alfaro Siqueiros, por seu alto grau de abstração. Ao final dos anos quarenta e começo dos cinquenta, pintou uma série de quadros em que figuras humanas se confrontam com infinitos espaços celestiais.

Mudou-se para Paris em 1949. Expôs na Bienal de Veneza desse ano e na de 1968. Expôs no Instituto de Arte Moderna de Buenos Aires em 1951. No ano seguinte realizou um mural no Palácio de Belas Artes, na Cidade do México. Expôs nas Bienais de São Paulo de 1953 e 1977. Realizou outro mural no edifício da Unesco, em Paris, em 1958. Nos anos cinquenta suas figuras eram mais planas e esquemáticas ao passo que suas cores tendiam a explorar as intensas harmonias de um só tom.

Voltou ao México em 1964 e pintou um mural no novo Museu Nacional de Antropologia na Cidade do México. Foram realizadas exposições retrospectivas de sua obra no Palácio de Belas Artes da capital do México em 1967 e 1987, no Phoenix Art Museum em 1968 e, nesse mesmo ano, no Museu Nacional de Belgrado. Em 1973, começou a trabalhar em mixografia, uma técnica nova de gravar em relevo. No ano seguinte, doou sua coleção de arte pré-colombiana à cidade de Oaxaca, que deu origem ao Museu de Arte Pré-Hispânica do México Rufino Tamayo. Expôs no Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris e no Museu de Arte Moderna da Cidade do México, em 1974; no Museum of Modern Art, em Tóquio, em 1976; na Fundación Museo de Bellas Artes, em Caracas, em 1977; na The Phillips Collection, em Washington, D.C., em 1978; e no Solomon R. Guggenheim Museum, em Nova York, em 1979. O Museu de Arte Contemporânea Internacional Rufino Tamayo foi inaugurado em 1981 na Cidade do México; ali foi realizada uma exposição retrospectiva da obra do artista em 1987, e outra no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri, em 1988.

Rufino Tamayo reviveu poeticamente, com o ardor de uma íntegra e aguda imaginação, as misteriosas divindades, os guerreiros, os ecos noturnos, os músicos, as sombras de homens e lugares da sua terra, exprimindo sobretudo uma imensa solidão, como se caísse sobre os domínios e sobre os soberanos do Povo do Sol a treva de uma desesperada melancolia.

Tamayo continuou trabalhando até os últimos dias de sua vida, vindo a falecer em 24 de junho de 1991, de um ataque cardíaco, na Cidade do México.

Prêmios

Tamayo é considerado um dos principais artistas da história do México, em pé de igualdade com nomes como Diego Rivera e José Clemente Orozco, embora seu trabalho não tenha uma abordagem política como o destes. Tamayo recebeu diversos prêmios e honrarias, entre eles:

2º Prêmio da Exposição Internacional de Pittsburgh
Grande Prêmio de Pintura na 2ª Bienal de São Paulo
Prêmio Nacional de Artes do México, em 1964
Prêmio Calouste Gulbenkian do Instituto de Artes de Paris
Oficial da Ordem da Legião de Honra da França
Comendador da República Italiana
Título de Filho Predileto, concedido pelo governo de Oaxaca
Florence Gold Cup
Medalha Albert Einstein do Technion - Israel Institute of Technology
Medalha de Mérito em Belas Artes do rei Juan Carlos I da Espanha
Medalha Belisario Domínguez do Senado da República
Membro honorário da Faculdade Nacional, em 21 de maio de 1991

Fonte:
SULLIVAN, Edward J. Artistas Latino-Americanos del Siglo XX. Madrid: Ed. Nerea, 1992.
ROBLES, Luiz G. FEZZI, Elda. Pintores Americanos. In: Galeria Delta da Pintura Universal. Rio de Janeiro: Ed. Delta S.A., 1972
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Veja também