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Austero Penteado

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BIOGRAFIA

Austero Penteado (Campinas SP 1859 - idem 1949)

Fotógrafo amador.

Penteado é herdeiro de uma família de tradicionais proprietários rurais. Quando jovem, é aluno de desenho de Hercule Florence (1804-1879) . Durante a sua vida, coleciona fotografias carte-de-visite e obras de arte, sobretudo pinturas. Suas atividades fotográficas compreendem o período de 1900 e 1915. Não se sabe como se deu seu aprendizado em fotografia, embora imagina-se que tenha ocorrido após 1885, data de início da fabricação do equipamento que utiliza.

A partir de 1902, corresponde-se com A. Leterre, dono do estúdio Photographia Leterre, no Rio de Janeiro, responsável pelas primeiras mostras de fotografia amadora do Brasil. Suas fotografias captam especialmente cenas rurais de Campinas (pesca, caça, pastos e paisagens), embora também retratem o lado urbano da cidade. Entre elas, destacam-se Galinhada da Leonor, Caçadas de Patos de Madrugada, Que Não Escape, Um Caçador de Porcos de Mais de 80 Anos e Rio Atibaia.

Tem uma de suas imagens publicada na Revista Kosmos, no segundo semestre de 1906, sem indicação de crédito. Na velhice, tendo já abandonado a fotografia, contrata o pintor Matias Aires para pintar vistas em passeios ao redor da sua cidade. Suas fotografias e correspondências encontram-se em duas coleções: no Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas e na Coleção Margarida Cintra Gordinho, na mesma cidade.

Comentário Crítico

A produção de Austero Penteado compreende um conjunto de pouco mais de 300 negativos em vidro, produzidos aproximadamente entre 1900 e 1915. Como a maioria dos fotógrafos amadores do início do século XX, dispõe de situação financeira confortável, dedicando-se à fotografia nas horas vagas.

Em Campinas, São Paulo, estabelece contato com um nascente ambiente fotoclubista carioca, de orientação pictorialista, que precede a formação do primeiro grande fotoclube brasileiro, o Photo Club do Rio de Janeiro, por volta de 19041, conforme sugere sua correspondência com a Photographia Leterre, datada de 1902.

Sua produção permite identificar filiações formais com o universo da pintura realista e naturalista, como é comum na fotografia pictorialista, muito embora não pareça estar de fato inserida nos debates acerca desse tipo de produção. Penteado expõe poucas fotografias, e não parece intervir nelas após a captação. Sua ligação com o pictorialismo , portanto, está mais próxima de uma visualidade pictórica do que de uma reivindicação da fotografia como obra de arte.

Imagens como Que Não Escape e Um Caçador de Porcos com Mais de 80 Anos estabelecem vinculo direto com as obras Caipiras Negaceando (1888) e Caipira Picando Fumo (1893), do pintor Almeida Júnior (1850 - 1899) , todas alinhadas ao surgimento de uma iconografia do interior paulista em fins do século XIX, início do XX.

Embora ainda não existam apreciações críticas recentes sobre a relação da sua produção com o universo artístico, Penteado tem sido tema de exposições e pesquisas desde 2000, quando é possível acessar novamente seu acervo - há muito tempo esquecido. As fotografias revelam sua sensibilidade num período de mudanças por qual passa o estado de São Paulo, na virada do século XIX.

Notas
1 A bibliografia sobre o pictorialismo e o fotoclubismo no Brasil indica, até então, que a fundação do Photo-Club do Rio de Janeiro ocorre em 1910. Todavia, há indícios que isso tenha ocorrido por volta de 1902. Para uma consulta mais detalhada, ver o verbete Pictorialismo no Brasil.

Exposições Individuais

2000 - Campinas SP - Austero Penteado: um pioneiro da fotografia em Campinas, Itaú Cultural
2009 - Campinas SP - Austero, Museu da Cidade de Campinas

Fonte: Itaú Cultural

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