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Alcides da Rocha Miranda

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BIOGRAFIA

Alcides da Rocha Miranda (Rio de Janeiro RJ 1909 - idem 2001)

Arquiteto, pintor, desenhista, professor, pesquisador e conservador do patrimônio.

Em 1925, inscreve-se no curso livre da Escola Nacional de Belas Artes - Enba, e se forma em arquitetura em 1932. Inicia sua carreira profissional no escritório Costa & Warchavchik, 1931-1933, e transfere-se, em 1933, para o escritório do engenheiro Emílio Baumgart, onde permanece até os anos 1950. Organiza o 1º Salão de Arquitetura Tropical, em 1933, ao lado dos estagiários João Lourenço da Silva e Adhemar Portugal, do escritório Costa & Warchavchik, e do arquiteto alemão Alexandre Altberg. Concomitantemente, investe na carreira de pintor, tem aulas com Candido Portinari, no Instituto de Artes da Universidade do Distrito Federal, 1935-1937, com Guignard e André Lhote. Participa do 2º Salão de Maio de São Paulo, em 1938, da exposição do Grupo Guignard, 1943, e da mostra itinerante 20 Artistas Brasileños, em 1945. Ingressa no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Sphan, como chefe da seção de arte da Divisão de Estudos e Tombamentos, em 1940, e aposenta-se em 1978. Em 1950, pede transferência para a delegacia paulista do Sphan em virtude do convite de Luiz Ignácio Romeiro de Anhaia Mello para integrar o quadro de professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP, e assume a cadeira de plástica até 1955, quando retorna ao Rio de Janeiro. Cinco anos depois, em 1960, transfere-se para Brasília, a nova capital, participa do conselho diretor da fundação da Universidade de Brasília - UnB, da criação do Instituto Central de Artes - ICA, do qual é coordenador e professor titular entre 1963 e 1967, e da fundação do núcleo regional do Sphan. Entre as décadas de 1940 e 1980, desenvolve projetos com o escultor italiano Lélio Landucci e os arquitetos José de Sousa Reis, Fernando Cabral, Elvin Mackay Dubugras e Ana Luisa Dias Leite. Integra o 4º Congresso Pan-Americano de Arquitetos, em 1949 como membro da comissão organizadora da participação brasileira, e do Congresso de Museus, em 1956, em Ouro Preto, Minas Gerais, onde organiza com Acácio Gil Borsoi uma exposição sobre o tema. Em 1973, recebe o título de notório saber da USP e é condecorado pela organização do Museu Santos Dumont com a Medalha Mérito Santos Dumont do Ministério da Aeronáutica e a Medalha Santos Dumont do governo do estado de Minas Gerais. Em 1987 é homenageado com a medalha comemorativa dos 50 anos do Sphan.

Comentário crítico

Definido como um arquiteto discreto e avesso à celebração, Alcides da Rocha Miranda realiza uma obra de qualidade, coerente com sua trajetória e seu discurso. Formado num período de grande efervescência cultural, em que se realizam as conferências de Le Corbusier, a reforma de ensino de Lucio Costa, o Salão Revolucionário, 1931, e a exposição da Casa Modernista, 1930/1931, Rocha Miranda inicia sua carreira já convertido ao moderno.

Os anos 1930 e o início dos anos 1940 são ainda um período de formação, em que se dedica principalmente à pintura. Por isso, suas obras de destaque são Moça em Dia de Chuva, ca.1930, Camponeses e Fazendeiro, 1938, e Tiradentes, 1942, as primeiras realizadas sob inspiração de Candido Portinari e a última inspirada em Guignard, seus professores na época.

O trabalho como arquiteto só ganha corpo no fim da década de 1940. Colabora para isso o aprendizado com o engenheiro Emílio Baumgart, Le Corbusier, Frank Lloyd Wright, Gregori Warchavchik, mas, sobretudo, com Lucio Costa, no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Sphan. Antes de sua transferência para São Paulo, os projetos que mais se destacam são o Centro Educativo de Arte Teatral, 1947 (não construído), a Fábrica de Relógios, 1948, e o Museu das Moldagens, 1954 (não construído). Em todos eles existe o domínio da técnica do concreto armado e o interesse por suas possibilidades plásticas, o que se evidencia no desenho da cobertura de concreto armado maciço em forma de parábola do centro educativo - calculada com o auxílio do engenheiro e poeta Joaquim Cardozo -, da marquise em abóbadas da fábrica e dos pilares esculturais do museu. Encomendado por Anísio Teixeira, o centro educativo aprofunda o diálogo entre o educador e o arquiteto iniciado nos anos 1930 no Instituto de Artes da Universidade do Distrito Federal, no Rio de Janeiro. Inspirado pelas propostas de Teixeira, assim que assume o posto de professor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP, Rocha Miranda propõe um ensino integrando todas as artes. Frustrada sua proposta, dedica-se à cadeira de plástica, apontando a importância do desenho - para ele não só um meio de expressão, mas de conhecimento e proposição -, e da construção de modelos na formação do arquiteto. Para isso conta com o apoio de Zanine Caldas, diretor da oficina de maquetes. No Instituto Central de Artes da Universidade de Brasília - ICA/UnB, o arquiteto aprofunda a proposta realizada na FAU/USP e cria um curso integrado de arquitetura, cinema, música e artes gráficas, que prevê a confluência entre artesanato e indústria, tal como é proposto anos antes na Bauhaus.

Em Brasília, projeta a Faculdade de Educação da Universidade e o Auditório Dois Candangos, em 1962, trabalho em que assimila elementos tradicionais da arquitetura brasileira, como o azulejo, o pátio e a treliça, de maneira muito distinta da realizada no Grupo Escolar do Serro, ca.1940, e em suas últimas obras. Longe do aspecto nativista que confere a esses projetos, os elementos são utilizados segundo um raciocínio eminentemente funcional que dá aos edifícios um caráter abstrato e internacionalista. A horizontalidade, contudo, é uma constante na obra do arquiteto, ganhando dramaticidade em projetos em que discute a relação entre arquitetura e natureza, como o altar do 36º Congresso Eucarístico Internacional, 1955 (demolido), cujo risco original de Lucio Costa é desenvolvido por Rocha Miranda, em colaboração com os arquitetos Elvin Mackay Dubugras e Fernando Cabral. Se na Residência Celso da Rocha Miranda, 1942/1959, e na Igreja-Abrigo e Restaurante na Serra da Piedade, 1956/1976, em Petrópolis, no Rio de Janeiro, e Caeté, em Minas Gerais, respectivamente, essa discussão aparece na integração do edifício à paisagem natural, que no último caso serve de inspiração para o desenho pontiagudo da cobertura de concreto armado, na Capela da Residência Maria do Carmo e José Nabuco, 1957/1958, assim como no altar de 1955, a natureza é enquadrada funcionando como um retábulo.

Outro tema recorrente em sua trajetória é a relação entre tradição e modernidade. Presente na elaboração da história da arquitetura do Brasil, que valoriza o passado colonial e afirma a arquitetura moderna como uma renovação conectada simultaneamente com esse passado e as vanguardas internacionais levada a cabo por Lucio Costa com a colaboração de Rocha Miranda no Sphan, esse tema é bem desenvolvido em seus últimos projetos. Na Companhia Internacional de Seguros, 1976, Rocha Miranda reforma uma antiga residência neogótica, revelando e valorizando o sistema construtivo com a retirada da ornamentação e dos revestimentos das paredes. Na Fundação Universitária José Bonifácio, 1981, no Rio de Janeiro, ele investe na adaptação do antigo Hospício Pedro II, inserindo equipamentos de infraestrutura modernos, como o sistema de ar condicionado, e uma construção de estrutura metálica, destacada da antiga, que com divisórias baixas abrigam o novo programa, garantindo a leitura do espaço original e seu sistema construtivo, revelado como no projeto anterior. A Residência Sylvia Nabuco, 1987/1989, por sua vez, é a expressão máxima de sua leitura aguda da morfologia das cidades históricas mineiras e da capacidade de integrar o novo ao antigo. Identificando a definição da rua pelo conjunto das edificações e a alternância entre renques de telhados e quintais arborizados, como características principais dessas cidades, Rocha Miranda recupera a fachada e o telhado da residência original, adotando uma cobertura de laje ajardinada para a nova construção, que se integra perfeitamente à paisagem urbana.

Exposições Individuais

1999 - Petrópolis RJ - O passado pela frente: a arquitetura de Alcides da Rocha Miranda, no Museu Imperial

Exposições Coletivas

1938 - São Paulo SP - 2º Salão de Maio
1943 - Rio de Janeiro RJ - Mostra, na Enba
1944 - Belo Horizonte MG - Exposição de Arte Moderna, no Edifício Mariana
1944 - Londres (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Royal Academy of Arts
1944 - Norwich (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Norwich Castle and Museum
1945 - Bath (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Victory Art Gallery
1945 - Bristol (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Bristol City Museum & Art Gallery
1945 - Buenos Aires (Argentina) - 20 Artistas Brasileños, nas Salas Nacionales de Exposición
1945 - Edimburgo (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na National Gallery
1945 - Glasgow (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Kelingrove Art Gallery
1945 - La Plata (Argentina) - 20 Artistas Brasileños, no Museo Provincial de Bellas Artes
1945 - Manchester (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Manchester Art Gallery
1945 - Montevidéu (Uruguai) - 20 Artistas Brasileños, na Comisión Municipal de Cultura
1956 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Belas Artes - medalha de prata
1972 - Rio de Janeiro RJ - Memória da Independência, no MNBA
1985 - Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1986 - Rio de Janeiro RJ - A Nova Flor de Abacate, Grupo Guignard-1943 e Os Dissidentes-1942, na Galeria de Arte Banerj
1998 - Rio de Janeiro RJ - O Rio Jamais Visto, no CCBB
2000 - Rio de Janeiro RJ - Quando o Brasil era Moderno: artes plásticas no Rio de Janeiro de 1905 a 1960, no Paço Imperial

Fonte: Itaú Cultural

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