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Leandro Joaquim

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BIOGRAFIA

Leandro Joaquim (Rio de Janeiro ca.1738 - idem ca.1798)

Pintor, cenógrafo, arquiteto.

Considerado pelo crítico Mário de Andrade (1893 - 1945) como um dos mais destacados artistas da segunda metade do século XVIII que trabalham de maneira inovadora a tradição artística portuguesa. É aluno do pintor João de Sousa (17--? - 17--?), no Rio de Janeiro. Alguns estudiosos o apontam como responsável por um projeto, não realizado, para a reconstrução do prédio do Recolhimento de Nossa Senhora do Parto. Trabalha com o escultor Mestre Valentim (ca.1745 - 1813) em desenhos e projetos urbanos. É considerado pelo estudioso Teixeira Leite um dos melhores pintores da Escola Fluminense, tanto na técnica quanto no estilo, destacando-se pelo desenho fluente e pelo colorido harmonioso. São consideradas pinturas suas as cópias de duas obras de João Francisco Muzzi (séc. XVIII-1802): Incêndio e Reedificação do Recolhimento de Nossa Senhora do Parto, para a igreja de mesmo nome, no Rio de Janeiro. Realiza ainda três painéis laterais para a capela-mor da Igreja de São Sebastião do Castelo e a pintura Nossa Senhora da Boa Morte para a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte. São também atribuídos ao artista seis painéis ovais executados no final do século XVIII para figurar em um dos pavilhões do Passeio Público do Rio de Janeiro - Cena Marítima, Pesca da Baleia na Baía de Guanabara, Procissão ou Romaria Marítima ao Hospital dos Lázaros, Revista Militar no Largo do Paço - e duas vistas da cidade - Vista da Igreja da Glória e Vista da Lagoa do Boqueirão e dos Arcos da Carioca. Também são de sua autoria os retratos do vice-rei Dom Luís de Vasconcelos e Sousa (1740 - 1807), do Conde de Rezende e do Capitão-mor Gregório Francisco de Miranda, que atualmente integram o acervo do Museu Histórico Nacional - MHN. Suas pinturas impressionam pelo colorido e estão entre as primeiras paisagens, marinhas e vistas de cidade realizadas no país por brasileiros.

Comentário Crítico

O mulato Leandro Joaquim, destaca-se, para o crítico Mário de Andrade (1893 - 1945), entre os artistas da segunda metade do século XVIII que trabalham de maneira inovadora a tradição artística portuguesa. Nesse período, é aluno do pintor João de Sousa (17--? - 17--?), no Rio de Janeiro. Alguns estudiosos o apontam como responsável por um projeto, não realizado, de reconstrução do prédio do Recolhimento de Nossa Senhora do Parto. Ele realiza cenários para o teatro de Manuel Luís, uma das primeiras casas de espetáculo do Brasil, criada em cerca de 1769, cujo dono, português, fora ator, músico e dançarino em sua pátria. Trabalha com o artista Mestre Valentim (ca.1745 - 1813) em desenhos e projetos urbanos.

Leandro Joaquim, para o estudioso Teixeira Leite, é um dos melhores pintores da Escola Fluminense, tanto na técnica quanto no estilo, destacando-se pelo desenho fluente e pelo colorido harmonioso. São consideradas pinturas suas as cópias de duas obras de João Francisco Muzzi (séc. XVIII - 1802): Incêndio e Reedificação do Recolhimento de Nossa Senhora do Parto, para a igreja de mesmo nome, no Rio de Janeiro. Realiza três painéis laterais para a capela-mor da Igreja de São Sebastião do Castelo e a pintura Nossa Senhora da Boa Morte para a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte. São também atribuídos a ele seis painéis ovais, executados, no fim do século XVIII, para figurar em um dos pavilhões do Passeio Público do Rio de Janeiro: Vista de uma Esquadra Inglesa na Baía de Guanabara, que representaria a chegada ao Rio de Janeiro de uma frota inglesa a caminho da Austrália, em 1787; Pesca da Baleia na Baía de Guanabara, sobre esta atividade econômica; Procissão Marítima, que lembra as festas marítimas venezianas; Revista Militar no Largo do Paço, registro de uma parada militar realizada na inauguração do Largo do Paço; Vista da Igreja e Praia da Glória; e Vista da Lagoa do Boqueirão e do Aqueduto Santa Teresa. As pinturas impressionam pelo colorido e estão entre as primeiras paisagens, marinhas e vistas de cidade realizadas no país por brasileiros. Nessas telas, Leandro Joaquim mostrra diversos aspectos da vida cotidiana no Rio de Janeiro e fixa com cuidado os personagens e tipos humanos e os detalhes das construções: balcões, alpendres, torres e campanários, rodas d'água, fortalezas e fábricas. Para o historiador Luciano Migliaccio, os painéis correspondem ao programa de urbanização da cidade do Rio de Janeiro, promovido pelo vice-rei para dotar a nova capital de estruturas adequadas. Colocados em lugar de divertimento público, têm a finalidade didática de exaltar os produtos e a paisagem nacionais.

Leandro Joaquim pinta também retratos de importantes figuras históricas, como o do conde de Bobadela e do capitão-mor Gregório Francisco de Miranda. Para o crítico carioca Gonzaga Duque (1863 - 1911), o retrato que faz do vice-rei Dom Luís de Vasconcelos e Sousa (1740 - 1807), de quem é amigo, é realizado com traço preciso e delicado que alcança representar a personalidade do retratado, homem simples que incentiva as artes do seu tempo. Para o crítico, o artista, que em suas primeiras obras não sabe utilizar os tons e iluminar os quadros, aos poucos consegue mais domínio técnico, como em Nossa Senhora da Boa Morte (final do século XVIII), que se destaca entre as produções contemporâneas pela unidade de ação, expressividade dos personagens e harmonia de cor.

Críticas

"No autor das telas elípticas do Passeio Público se percebe, num relance, um artista falho na perspectiva, que ainda não domina a arte da pintura paisagística, especialmente quanto à luz, mas que está, em compensação, como todos os primitivos, preocupado em fixar os mínimos detalhes da nossa construção como sejam: balcões, alpendres com suas colunas típicas, forma de torres e campanários de igrejas, rodas d´água, fortalezas, fábricas, etc. , estejam eles nos primeiros ou últimos planos. Porém, onde seu talento pictórico é mais aperfeiçoado é ao retratar fielmente os personagens e tipos humanos que povoam em profusão estas deliciosas telas, verdadeiros primitivos da arte brasileira, ao libertar-se da pintura puramente religiosa para a paisagística".
Gilberto Ferrez
FERREZ, Gilberto. As primeiras telas paisagísticas da cidade. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, n. 17, p. 219-237, 1969.

"Mas a prova mais importante de que havia um surto coletivo de racialidade brasileira, está na imposição do mulato. A Colônia, por força das suas circunstâncias econômicas unicamente, e sem a mais mínima intervenção política de Portugal, fazia dois séculos que vinha se enriquecendo de algumas realizações artísticas. (...) principiam nascendo na Colônia, artistas novos que deformam sem sistematização possível a lição ultramarina. E entre esses artistas brilha o mulato muito.
Caldas Barbosa e Mestre Valentim são mulatos. Leandro Joaquim, da mesma época e dos melhores pintores do Rio, é mestiço também. O padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), mulatíssimo e o mais notável dos nossos músicos coloniais. (...) E o Aleijadinho é mais outro mulato. Bastam estes exemplos para se compreender este lado, não dominante, mas intensamente visível, de como a raça brasileira se impunha no momento".
Mário de Andrade
ANDRADE, MÁRIO DE. Aspectos das artes plásticas no Brasil. 3.ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1984. 96 p. (Obras completas de Mário de Andrade, 12). p. 13. [Texto escrito originalmente em 1928 e publicado no livro O Aleijadinho e Álvares de Azevedo. Rio de Janeiro: R. A. Editora, 1935.].

Exposições Póstumas

1965 - Rio de Janeiro RJ - Exposição Retrospectiva de Arte Sacra Brasileira
1988 - São Paulo SP - A Mão Afro-Brasileira, no MAM/SP
1994 - São Paulo SP - Um Olhar Crítico sobre o Acervo do Século XIX , na Pinacoteca do Estado
1998 - São Paulo SP -  O Universo Mágico do Barroco Brasileiro, na Galeria de Arte do Sesi
2000 - Rio de Janeiro RJ - A Paisagem Carioca, no MAM/RJ

Fonte: Itaú Cultural

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