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José Rodrigues Nunes

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BIOGRAFIA

José Rodrigues Nunes (Salvador, BA, 1800 - idem, 1881)

Pintor e professor.

Inicia sua formação com Franco Velasco (1780-1833). Entre 1818 e 1820, ajuda Velasco nas pinturas da Igreja do Senhor Bom Jesus do Bonfim, em Salvador. Em 1834, com a morte do seu mestre, conclui o teto da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência. Em 1834, produz dez pinturas para a mesma igreja. Entre 1837 e 1859, dá aulas no Liceu Provincial da Bahia. É professor de Francisco Rodrigues Nunes (seu filho), Francisco Silva Romão, João Francisco Lopes Rodrigues (1825-1893), Macário José da Rocha e Olímpio Pereira da Mata.

De 1839 a 1842, executa trabalhos para a Irmandade do Santíssimo Sacramento da Matriz de São Pedro. Em 1855, é contratado para renovar a pintura da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Matriz de Santana. Em 1858, trabalha na reparação de pinturas na Irmandade do Santíssimo Sacramento da Matriz do Paço, além dois painéis sobre a Transfiguração de Jesus e a Santa Ceia. Ainda para essa igreja, pinta, entre 1860 e 1861, o retrato do vigário Vicente Ferreira de Oliveira. Em 1870, volta a realizar trabalhos para a Sacristia da Ordem Terceira de São Francisco. Uma série de pinturas de Nunes integra o acervo pessoal de Jonathan Abbot, médico e colecionador de arte da Bahia no século XIX.1 Ao longo de sua carreira, produz diversos retratos de personalidades baianas, políticas e religiosas.

Comentário crítico

José Rodrigues Nunes faz parte da última geração de artistas da chamada Escola Baiana de Pintura. Não tendo frequentado qualquer academia de arte (inexistente na sua província até então), segue o exemplo da maioria dos pintores conterrâneos até a metade do século XIX: forma-se na prática contínua do seu ofício, tendo como escola a orientação próxima de um pintor mais velho (no seu caso, Franco Velasco), a quem desde jovem ajuda em diversas obras.

Nunes insere-se no vasto mercado de pinturas religiosas que impera na Bahia desde o período colonial, dele se distanciando apenas em eventuais produções de retratos de personalidades locais e figuras do clero. Sua produção, mais do que obras autorais, é marcada, de um lado, pela manutenção e retoques de pinturas já existentes em igrejas e, de outro, pela produção de "cópias" de pinturas religiosas de mestres europeus.

A seu respeito, a bibliografia é, recorrentemente, bastante crítica. Cobra-se das obras do artista "ilusão" e "correção de desenho", quando, no seu contexto original, devido tanto à formação que teve quanto às exigências do mercado para o qual vende, não são as características primordiais requeridas. Ainda que o trabalho de Nunes não tenha, do ponto de vista mimético, grande qualidade, interessa mais ao pintor e a seus encomendadores a contínua difusão dos ídolos cristãos na Bahia.Não fosse assim, Nunes não teria tido uma atividade profissional tão ativa durante os seus mais de 50 anos de carreira.

Nota
1 São as obras: Retrato do padre Vieira, cópia; Velho escrevendo, cópia; Nossa Senhora dos Quarenta Mártires; Bahia em 1840, cópia; Sócrates e Santipa, cópia; A Santa Família; São João, Santa Isabel e São Zacarias; A Santa Família, cópia de Anibal Carracci; e Jovem mendigo, cópia de Murilo.

Acervos

Faculdade de Medicina da Bahia
Instituto Histórico e Geográfico da Bahia
Irmandade do Santíssimo Sacramento da Matriz do Paço
Museu de Arte da Bahia

Fonte: Itaú Cultural

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