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Fernanda Gomes

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BIOGRAFIA

Fernanda Gomes (Rio de Janeiro RJ 1960)

Maria Fernanda Corrêa Gomes estuda na Escola Superior de Desenho Industrial - Esdi da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, entre 1977 e 1978. A partir de 1984, atua como designer de projetos gráficos. Apresenta sua primeira exposição individual na Galeria Macunaíma, no Rio de Janeiro, em 1988. A artista realiza suas obras com objetos de uso cotidiano e trabalha constantemente com elementos frágeis e transitórios. Cria principalmente instalações, explorando em seus trabalhos as propriedades dos materiais que as compõem e seus significados afetivos. Participa, entre outros, do evento Arte Cidade: a Cidade e Suas Histórias, ocorrido em São Paulo, em 1997. Desde o fim da década de 1990, sua obra tem repercussão no exterior, sendo objeto de análise em artigos publicados em periódicos especializados como Art News, Artforum,  ArtNexus e Art in America. Em 2000, recebe o 4º Prêmio Scipione, em Macerata, na Itália. Em exposição ocorrida em 2002 na Adam Art Gallery, Wellington, na Nova Zelândia, realiza intervenções e explora características do espaço expositivo, como por exemplo, os tons criados pela incidência da luz natural. Em trabalhos recentes, como o realizado numa capela do século XV, no Museo de Arte Contemporáneo Español, em Valladolid, na Espanha, em 2005, utiliza pequenos objetos cotidianos, pedras e materiais orgânicos para intervir no espaço expositivo.

Comentário Crítico

Fernanda Gomes realiza trabalhos com objetos de uso cotidiano, como garrafas, fios, papéis de cigarro, jornal, arames, pedras, travesseiros ou páginas de livros. Sua produção caracteriza-se pela exploração das propriedades dos materiais, que são reunidos, colados ou amarrados para compor suas peças, e de seus significados afetivos.

Já em obra de 1991, a artista une duas moedas com fio de seda. Uma vez destituídas de seu valor monetário, a elas é conferido um sentido poético. Em obra de 1992, apresenta uma estrutura composta por papéis colados, fios e pregos, a qual, por sua forma, alude a uma ratoeira. Em um trabalho de 1993, estende fios por toda a piscina vazia da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, revelando afinidade com a produção de Wladimir Tatlin (1885 - 1956). Mais tarde, realiza obras em que apresenta uma saturação do branco, mantendo também ampla relação com o espaço expositivo.

Na opinião do crítico de arte Paulo Venâncio Filho, Fernanda Gomes recolhe objetos considerados insignificantes, irrisórios ou quase imperceptíveis na sociedade contemporânea, os quais, agregados em sua produção, adquirem novos significados, embora permaneçam ainda com um ar indefinido, gerando certa perplexidade no espectador.

Críticas

"Creio que as ações de Fernanda Gomes atuam no sentido de restituir, até mesmo e principalmente aos materiais mais frágeis e precários, um vínculo possível com a esfera cada vez mais fragmentada e volátil, quando não banalizada, do afeto cotidiano. Ela deseja experimentar uma nova convivência significativa com as coisas no atual estado da impermanência, quer voltar a dirigir uma atenção demorada e intensa a seu redor. (...)
Suas ações procuram encontrar aquele quantum perdido necessário à constituição significativa das coisas que são usadas, consumidas, desgastadas e esquecidas. O excesso ou a insuficiência podem desfigurar o resultado. No momento em que prevalecem os trabalhos de grandes dimensões, os objetos de Fernanda poderiam ser vistos como desatualizados. Na verdade eles surpreendem pela deliberada desproporção antagônica dos valores: tão insignificantes e desprezíveis materialmente e tão preciosos imaginária e simbolicamente. De fato, não é um lugar físico que pretendem reivindicar. Querem vincular, ainda que através de fragmentos, exterior e interior. (...)
O ser humano é um acumulador de coisas, ora arbitrário, ora seletivo. O sentido acumulativo do trabalho da artista resulta num singular e obsessivo universo, criteriosamente escolhido e significativamente preservado. No mundo do consumo e do desperdício, representa uma atitude de resistência. (...)
Poderia ser visto como retrógrado, nostálgico ou antimoderno. E, no entanto, esses pequenos objetos, tão contemporâneos, são uma crítica não só sentimental, mas lúcida e original ao desaparecimento de uma dimensão da experiência humana, similar àquela notada por Walter Benjamin em 1936; a 'crise do narrador', onde 'são cada vez mais raras as pessoas que sabem narrar devidamente'. Hoje, o homem não solicita mais o comparecimento das coisas à sua interioridade. Então, entende-se a dimensão, até agora mínima, dos objetos de Fernanda Gomes. Aumentar a escala seria ultrapassar aquela experiência existencial que ainda está relacionada à posse significativa das coisas; à situação de se ter algo na mão, na gaveta, nos bolsos".
Paulo Venâncio Filho
Venâncio Filho, Paulo. A dimensão da aura. In: Gomes, Fernanda. Fernanda Gomes. n. p.

"Fernanda Gomes dá atenção a eventos minúsculos, efetuando um percurso inverso ao do minimalismo, que tem seu eixo na crítica à profusão. Parte do nada, do que não freqüenta os gabinetes de maravilhas. Nada a ver também com a Arte Povera, que pende para o lado dos elementos naturais ou do artefato a meio caminho da finalidade. Sua matéria provém de ninhos, de fios perdidos, de anotação em papel, de barbantes. Fernanda, por ter estudado na Escola de Desenho Industrial, distingue com pertinência o funcional do sem serventia e esposa o último. As paredes de suas exposições têm o encanto do que sempre esteve lá, pátina prezada por testemunhar o tempo vivido. Dentro dessa sintonia, intervêm em alturas mais diversas para contestar ficções arquitetônicas como a de Le Corbusier, do tipo modular".
Nelson Aguilar
Aguilar, Nelson. Ruptura como suporte. In: Bienal Internacional de São Paulo, 22. , 1994. [Catálogo geral de participantes]. p. 25.

"Fernanda Gomes dirige sua atenção para os pequenos formatos. Escolhe os objetos cuja 'insignificância' seja tão óbvia que acabe por realçar ou promover a níveis máximos a sua redenção no âmbito da arte. Objetos pequenos, por vezes minúsculos, gastos e usados, despersonalizados por um consumo mecânico e desatento, tornam-se, no universo da preservação fantástica e imaginária da artista, verdadeiras relíquias. E o próprio termo relíquia confere um senso de raridade e preciosidade ao objeto 'apropriado', originalmente desprovido de qualquer interesse, gerando aí o grande paradoxo do trabalho".
Ligia Canongia
Canongia, Ligia. Apropriações. In: Apropriações. n. p.

Exposições Individuais

1988 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Funarte. Galeria Macunaíma
1990 - São Paulo SP - Individual, no CCSP
1990 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria 110 Arte Contemporânea
1993 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria do Espaço Cultural Sérgio Porto
1993 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria do Ibeu
1993 - Rio de Janeiro RJ - Projeto Experimental, na EAV/Parque Lage
1994 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
1998 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
2001 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Espaço Agora/Capacete
2002 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
2004 - Belo Horizonte MG - Individual, no MAP

Exposições Coletivas

1988 - Rio de Janeiro RJ - Projeto Macunaíma, na Funarte. Centro de Artes
1989 - Rio de Janeiro RJ - 11º Salão Nacional de Artes Plásticas
1989 - Rio de Janeiro RJ - A Ordem Desfeita, na Galeria 110 Arte Contemporânea
1989 - Rio de Janeiro RJ - Rio Hoje, no MAM/RJ
1989 - São Paulo SP - O Pequeno Infinito e o Grande Circunscrito, na Galeria Bruno Musatti-Arco
1990 - Rio de Janeiro RJ - Projetos Arqueos, na Fundição Progresso
1990 - São Paulo SP - 21ª Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1990 - São Paulo SP - Programa Anual de Exposições de Artes Plásticas, no CCSP
1991 - Düsseldorf (Alemanha) - Projekt Little Akademie
1991 - Rio de Janeiro RJ - 7 x Ar, no MAM/RJ
1992 - Maastricht (Holanda) - Ohne Rosen geht es nicht, na Galerie Wanda Reiff
1992 - Paris (França) - Diversité Latino-Américaine, na Galerie 1900/2000
1993 - Brasília DF - Um Olhar sobre Joseph Beuys, na Fundação Athos Bulcão
1993 - Rio de Janeiro RJ - 17º Salão Carioca de Arte, na EAV/Parque Lage
1993 - Veneza (Itália) - Brasil: Segni d'Arte, no Querini Stampalia
1993 - Florença (Itália) - Brasil: Segni d'Arte, na Biblioteca Braidense
1993 - Milão (Itália) - Brasil: Segni d'Arte, na Biblioteca Nazionale
1993 - Roma (Itália) - Brasil: Segni d'Arte, no Palazzo Pamphili
1994 - Rio de Janeiro RJ - As Potências do Orgânico, no Museu do Açude
1994 - Rio de Janeiro RJ - Escultura Carioca, no Paço Imperial
1994 - Rio de Janeiro RJ - Livro-Objeto: a fronteira dos vazios, no CCBB
1994 - Rio de Janeiro RJ - Diário, no MAM/RJ
1994 - Colônia (Alemanha) - Diário, na Galerie Hohenthal und Bergen
1994 - São Paulo SP - 22ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1995 - São Paulo SP - Livro-Objeto: a fronteira dos vazios, no MAM/SP
1995 - Istambul (Turquia) - 4ª Bienal Internacional de Istambul
1995 - Nova York (Estados Unidos) - Chocolate!, no The Swiss Institute
1995 - Nova York (Estados Unidos) - The Education of the Five Senses, White Columns
1996 - Buenos Aires (Argentina) - América Latina 96, no Museo Nacional de Bellas Artes
1996 - Rio de Janeiro RJ - Transparências, no MAM/RJ
1997 - Bogotá (Colômbia) - Sueños Concretos, na Biblioteca Luis Angel Arango
1997 - Boras (Suécia) - Around Us Inside Us
1997 - Cidade do México (México) - Así Está la Cosa, no Centro Cultural Arte Contemporáneo
1997 - Sydney (Austrália) - Material Immaterial, na Art Gallery of New South Wales
1997 - Madri (Espanha) - Arco'97, organizada pela Galeria Luisa Strina
1997 - Rio de Janeiro RJ - Apropriações, na Joel Edelstein Arte Contemporânea
1997 - Rio de Janeiro RJ - Coleção Gilberto Chateaubriand, no MAM/RJ
1997 - São Paulo SP - Arte Cidade: a cidade e suas histórias
1998 - Japão - This is Art?, no Toyota Municipal Museum of Art
1998 - Japão - This is Art?, no Kawamura Memorial Museum of Art
1998 - Japão - This is Art?, no Art Tower Mito
1998 - Londres (Inglaterra) - Loose Threads, no Serpentine Gallery
1998 - São Paulo SP - Teoria dos Valores, no MAM/SP
1998 - Sydney (Austrália) - 11ª Bienal de Sydney
1999 - Bonn (Alemanha) - Zeitwender, no Kunstmuseum Bonn
1999 - Viena (Áustria) - Zeitwender, no Museum Moderne Kunst Stiftung Ludwig
1999 - Rio de Janeiro RJ - Cotidiano/Arte. Objeto Anos 60/90, no MAM/RJ
1999 - São Paulo SP - Cotidiano/Arte. O Objeto Anos 60/90, no Itaú Cultural
2000 - Kassel (Alemanha) - Das Lied von der Erde, no Fredericianum Museum
2000 - Kraichtal (Alemanha) - Em Busca da Identidade, na Ursula Blickle Stiftung
2000 - Macerata (Itália) - 4º Premio Scipione, na Galeria Galeotti
2001 - Bolonha (Itália) - Em Busca da Identidade, na Galleria d'Arte Moderna di Bologna
2001 - Paris (França) - Da Adversidade Vivemos, no Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris
2001 - Salzburgo (Áustria) - Em Busca da Identidade, na Rupertinum
2001 - São Paulo SP - Trajetória da Luz na Arte Brasileira, no Itaú Cultural
2002 - Barra Mansa RJ - Sidaids, na Galeria de Arte Sesc Barra Mansa
2002 - Londres (Inglaterra) - Vivências: dialogues between the works of Brazilian artists from the 1960s to 2002, na New Art Gallery Walsall  
2002 - Rio de Janeiro RJ - A Cultura em Tempos de Aids, no MNBA
2002 - Rio de Janeiro RJ - Morro/Labirinto, no Paço Imperial
2002 - São Gonçalo RJ - Sidaids, no Sesc São Gonçalo
2002 - São Paulo SP - 20 Artistas / 20 Anos, no CCSP
2003 - Niterói RJ - Sidaids, na Galeria de Arte Sesc
2003 - Rio de Janeiro RJ - Infantil, na A Gentil Carioca
2003 - Rio de Janeiro RJ - Palavras Mais, na Galeria Sesc Copacabana
2003 - São Paulo SP - Acervo 2003 / 2004, na Galeria Luisa Strina
2003 - São Paulo SP - Galeria Luisa Strina: artistas representados, na Galeria Luisa Strina
2003 - São Paulo SP - Panorama de Arte Brasileira, no MAM/SP
2003 - Veneza (Itália) - Bienal de Veneza, na Arsenale e Giardini della Biennale
2004 - Belo Horizonte MG - Pampulha, Obra Colecionada: 1943-2003, no MAP
2004 - Rio de Janeiro RJ - 30 Artistas, na Mercedes Viegas Escritório de Arte
2004 - Rio de Janeiro RJ - Arte Contemporânea Brasileira nas Coleções do Rio, no MAM/RJ
2004 - Rio de Janeiro RJ - 28º Panorama de Arte Brasileira, no Paço Imperial

Fonte: Itaú Cultural

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