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Eneida Serrano

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BIOGRAFIA

Eneida Serrano (Porto Alegre RS 1952)

Fotógrafa.

Maria Eneida Serrano Levitan estudou jornalismo na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, formando-se em 1974, ano em que começa a fotografar para o jornal Zero Hora. Passa por diversos outros órgãos da imprensa local, antes de integrar a Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre (1977/1978), de trabalhar na sucursal gaúcha das revistas IstoÉ (1982/1988), e Veja (1988/1991), e de montar seu próprio estúdio em 1992. Dedica-se, com inegável talento, aos ensaios documentais de cunho pessoal, como aqueles incluídos nos livros coletivos Santa Soja (1979) e Ponto de Vista (1980), ou nas exposições individuais Respeitável Circo (1979), Japão: Impressões Visuais (1991), e Terra' Vista (1992). Dedica-se também à pesquisa sobre história da fotografia, sendo responsável pelo resgate da contribuição do pioneiro da fotografia gaúcha, Lunara (1864-1937).

Críticas

"A fotógrafa Eneida Serrano é tão exigente com ela mesma que, não fossem os prazos obrigatórios que o jornalismo impõe, seria capaz de passar dias e noites pensando em como fazer uma foto que normalmente outros resolveriam em minutos. Ela quer fugir do comum e consegue".
Veja RS
Veja RS, 2 de janeiro de 1991

"Se por um lado as boas fotos realmente exigem essa intimidade, por outro a curiosidade e uma espécie de voyeurismo têm tudo a ver com a atividade dos fotógrafos e faz com que essas pessoas andem por aí com suas câmeras bisbilhotando do útero materno às profundezas do infinito. Eneida Serrano é uma delas. Há mais ou menos quinze anos sua lente ilumina coisas e caminhos como se fosse uma lanterna. De posse desse poderoso facho de luz, cada vez mais ela distingue melhor o que se vê. Bom, para ela, melhor para nós que pegamos uma carona. Publicando ou expondo suas fotos, Eneida gentilmente nos permite compartilhar suas experiências. Mais que isso, possibilita que viajemos em reflexões sobre o nosso tempo.

(...) Solidária e sem preconceitos, Eneida passeia pelo mundo. Não faz turismo. Cautelosa e delicada, não atropela, absorve. Vê com a mesma curiosidade um morador de Kyoto ou Granado. Cada um tem seu espaço, cada um seu fotograma. Reunidos, são passageiros da mesma viagem. As distâncias são encurtadas, basta cultivar afinidades..."
Ricardo Chaves
Editor de fotografia do jornal Zero Hora, ex-editor de IstoÉ, quando Eneida trabalhava na revista. Texto de apresentação da exposição Terra´Vista, no espaço Cultural Yázigi - agosto de 1993.

Depoimentos

"A história é bem comum: dou o trabalho por encerrado e, já saindo, deparo com outra imagem, que é, quase sempre, a possibilidade de melhor foto, aquela que ainda não foi feita. Como responder com indiferença àquele apelo, se a satisfação da descoberta de ver é muito superior ao cansaço ou a qualquer outro motivo?

Assim foi na Praia de Kushadasi, na Turquia, depois de doze dias de intensa correria pelo país para uma matéria para ´Marie Claire´. Era o último e o único fim de tarde destinado a um merecido descanso, quando, numa caminhada pelo hotel, avisto aquele céu pesado de chuva, o mar parado, o silêncio e a rigorosa organização das cadeiras na praia deserta. Impossível não tentar registrar a eloqüência do visual. Retornei, então, com a câmera, todas as lentes, filtros, tripé, tudo enfim. O descanso, mais uma vez, ficou para depois.

A fotografia é o resultado do prazer de ver e de estar presente. Ao contrário do desenhista, que parte do papel em branco, o fotógrafo tem, à sua disposição, todos os elementos do mundo. O desafio é organizá-los, achar a ordem do caos, selecionando as cores, as luzes e a harmonia. É descobrir a emoção de recortar o mundo e de recontá-lo à sua maneira. O fotógrafo é capaz de ficar horas à espera de uma foto planejada, assim como pode ser obrigado a registrar, em fração de segundo, a imagem que lhe salta aos olhos, pois o momento não se repete. É um trabalho muitas vezes exaustivo, mas sempre prazeroso.

Considero qualquer lugar ´fotogênico´. Basta transformá-lo em tema a ser interpretado com envolvimento e dedicação. Em viagem, sintonizo com o sol e me encanto com as diferenças de luzes de cada início de manhã e fim de tarde. Quero mostrar mais que o que vejo com olhos e câmera. Quero fotografar o silêncio, os aromas, as texturas, as histórias das pessoas.

Fragmento de tempo e espaço, a fotografia pode documentar uma viagem e ser também ponto de partida para muitas outras, verdadeiras ou imaginárias. Realidade e ficção, registro e interpretação do espetáculo do mundo, a fotografia tem seu fascínio justamente nessa ambigüidade. Ela é depoimento subjetivo, sem, no entanto, abandonar seu vínculo com o real. Sempre me perguntam ´onde´ eu fiz tal foto. Reconheço que o que atrai a todos nós é saber que aquela imagem teve sua origem em lugar e momento determinados.

Cheguei à fotografia através do jornalismo. Diário, semanal, mensal, assim evoluiu o meu trabalho, sempre tentando ganhar um tempo mais amplo para elaborar um pouco melhor a foto e fazê-la mais perene, menos factual. De qualquer modo, trago da prática do jornalismo a agilidade e a capacidade de improvisação de que muitas vezes necessito. Sou incansável na busca de uma idéia, mas nunca gostei, no exercício da profissão, de depender da força física, do empurra-empurra no meio da multidão para obter uma foto, muitas vezes ´roubada´.

Fotografando pessoas, por exemplo, prefiro trabalhar com o consentimento e a participação dos fotografados e considero a foto o resultado de uma criação conjunta. Descobrirem-se personagens de si mesmas e valorizarem seu próprio universo, isso é o que me entusiasma quando retrato gente.

Meu trabalho me possibilita fotografar lugares de difícil acesso e tenho por todos, seja no interior do Rio Grande do Sul ou no Japão, a mesma curiosidade e o mesmo envolvimento. Essas fotos conversam umas com as outras no meu arquivo, pois, por mais diferentes que sejam as suas origens, acho que elas se atraem por contrastes e semelhanças ".
Eneida Serrano
Porto Alegre, 6 de abril de 1998

Acervos

Centro Georges Pompidou - Paris (França)

Exposições Individuais

1979 - Porto Alegre RS - Respeitável Circo!, sobre a vida nos bastidores do circo, no Centro Municipal de Cultura de Porto Alegre
1991 - Porto Alegre RS - Japão: Impressões Visuais, na Galeria de Fotografias Theatro São Pedro - itinerante por cidades do Estado
1991 - Florianópolis SC - Japão: Impressões Visuais, no Palácio Cruz e Souza, que itinera por cidades do Estado
1992 - Porto Alegre RS - Terra´Vista, edição de fotos que comparam diferenças e semelhanças de países, na Galeria de Fotografia Theatro São Pedro
1993 - Porto Alegre RS - Terra´Vista, edição de fotos comparando diferenças e semelhanças de diversos países, no Espaço Cultural Yázigi

Exposições Coletivas

1975 - Porto Alegre RS - Fotógrafos Gaúchos, no Instituto Cultural Brasileiro Alemão
1977 - Porto Alegre RS - Fotojornalismo, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul
1980 - Brasília DF, Porto Alegre e interior RS - Ponto de Vista
1983 - Paris (França) - Brésil des Brésiliens, Centro Georges Pompidou
1983 - Porto Alegre RS - A Presença do Imigrante na Região Sul, promoção INFoto/Funarte, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, que itinera por outras capitais
1986 - Porto Alegre RS - Fotografia Gaúcha Contemporânea, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul
1986 - Porto Alegre RS - Artistas Plásticos e a Constituinte, no Centro Municipal de Cultura e no Espaço IAB
1986 - Porto Alegre RS - Fotógrafos Gaúchos, na Galeria Bamerindus
1986 - Curitiba PR - Fotografia Gaúcha Contemporânea, no Teatro Guaíra
1986 - Manágua (Nicarágua) - Diez Fotógrafos del Sur de Brasil
1988 - Brasil, Cenários e Personagens, organizada pelo INFoto/Funarte, para divulgação internacional pelo Itamaraty
1988 - Porto Alegre RS - Antônio Prado, sobre o tombamento da cidade, patrocínio da Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
1990 - São Paulo SP - Fotojornalistas Brasileiros, Anos 40, 50, 60 e 70, no MIS/SP
1991 - Porto Alegre RS - Quatro Fotógrafos Gaúchos, inauguração da Galeria de Fotografia Theatro São Pedro
1993 - Porto Alegre RS - Vivendo Registros, agências do Banco do Brasil
1997 - Porto Alegre RS - Um Olhar sobre o Hospital, comemorativa dos 70 anos do Hospital Moinhos de Vento, no Theatro São Pedro
2004 - Porto Alegre RS  - Olho Vivo: a arte da fotografia, no Santander Cultural

Fonte: Itaú Cultural

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