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Albert Frisch

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BIOGRAFIA

Albert Frisch (Alemanha ca.1840 - s.l. ca.1905)

Fotógrafo.

Pouco se sabe a seu respeito. Ativo no Brasil durante a década de 1860. Fotografou na região do Alto Amazonas em torno de 1865, quando lá esteve em companhia do engenheiro, fotógrafo e desenhista Franz Keller-Leuzinger. Foi o primeiro a registrar aspectos da paisagem, da fauna e da flora locais, fotografando ainda pela primeira vez os índios brasileiros e os barqueiros de origem boliviana que atuavam como comerciantes itinerantes nos rios da região. Retratou os Umauás com suas armas e paramentos típicos; registrou aspectos das malocas originais, dos ranchos de pesca ao pirarucu e das habitações híbridas dos Tapuias (índios destribalizados sediados nas cercanias de Manaus). Essa documentação obteve menção honrosa na Exposição Universal de Paris (França) em 1867, e foi veiculada através da Casa Leuzinger, do Rio de Janeiro (RJ), propriedade do sogro de Franz Keller-Leuzinger, George Leuzinger, quem possivelmente deve tê-la encomendado a Frisch.

Críticas

"Apesar de desvanecida sua biografia, o nome de Frisch ficou gravado de forma indelével na história da fotografia brasileira, com um estupendo trabalho de antecipação antropológica. Notável foi o esforço envolvido na produção dessas imagens, em meio ao que Ferdinand Dennis chamou de 'vastas florestas inúteis, que o machado ainda não derrubou', onde 'vinte quatro horas escoam-se às vezes sem avistarmos sequer uma choça', segundo testemunho do casal Agassiz que visitou a região na mesma época. 
As dificuldades enfrentadas por Frisch foram tanto de ordem técnica quanto de ordem cultural. Entre as de ordem técnica destacam-se as limitações do processo de colódio úmido, que o obrigaram a improvisar um estúdio num barco para poder preparar as chapas que deviam ser emulsionadas momentos antes de utilizadas. Entre as culturais, alinha-se o que Agassiz qualificou de 'preconceitos populares', a crença dos índios de que ´um retrato absorve alguma coisa da vitalidade do indivíduo nele representado e que está em perigo de morte próxima quem se deixa retratar´. Dificuldade que deve ter sido decuplicada no caso dos índios Amaúas, considerados antropófagos. 
Frisch recebeu um prêmio na Exposição Internacional de Paris em 1867, por este conjunto de fotografias que correspondia perfeitamente a dois anseios básicos de seu tempo: a avidez pelo alargamento das fronteiras do conhecimento científico e a sede de exotismo que culminaria na voga do turismo organizado do fim do período - prenunciada em 1872 por Jules Verne em 'Volta ao Mundo em Oitenta Dias'".
Pedro Vasquez
Vasquez, Pedro. A. Frisch: ladrão de almas na Amazônia Imperial. Piracema, Rio de Janeiro: Funarte, ano 1, n. 1, 1993. p. 92.

"É provável que Frisch, fotógrafo de biografia nebulosa, tenha integrado uma das diversas expedições estrangeiras que percorreram o interior durante o século passado, observando, medindo, catalogando e estudando com o mesmo afã espécimes da fauna e da flora, tipos humanos e acidentes geográficos. É bem possível igualmente que ele tenha tido contato com o trabalho de seu compatriota Johan Moritz Rugendas, através da versão compacta em alemão (publicada na Suíça em 1836) de sua célebre Voyage Pittoresque dans le Brésil, inicialmente editada por Engelman em Paris em fins dos anos vinte. Seja como for, Frisch tentou executar um inventário igualmente abrangente da vida indígena, sem poder almejar no entanto o dinamismo característico de Rugendas, visto que operava com o trabalhoso processo de colódio úmido, que o obrigou inclusive a transformar uma pequena embarcação em laboratório de fortuna".
Pedro Vasquez
Vasquez, Pedro. Luminescências: imagens da idade de ouro da fotografia brasileira. Texto inédito preparado para a Secretaria da Cultura de São Paulo, 1994.

Acervos

Coleção Gilberto Ferrez - Rio de Janeiro RJ
Acervo Biblioteca Municipal de Manaus - Manaus AM
Acervo Biblioteca Nacional - Rio de Janeiro RJ
Acervo MAM/RJ - Rio de Janeiro RJ
Acervo Instituto Moreira Salles - São Paulo SP
Coleção Ana Maria Mesquita - Petrópolis RJ

Exposições Coletivas

1867 - Paris (França) - Exposição Internacional de Paris - menção honrosa

Exposições Póstumas

1976 - Nova York (Estados Unidos) - Pioneer Photographers of Brazil 1840/1920, no The Center for Inter-American Relations
1981 - Zurique (Suíça) - Fotografie Lateinamerika von 1860 bis Heute, na Kunsthaus Zürich
1982 - Berlim (Alemanha) - Fotografie Lateinamerika von 1860 bis Heute
1982 - Madri (Espanha) - Fotografie Lateinamerika von 1860 bis Heute
1982 - Rotterdã (Holanda) - Fotografie Lateinamerika von 1860 bis Heute
1985 - Rio de Janeiro RJ - Dom Pedro II e a Fotografia no Brasil, na Casa do Bispo
1986 - Paris (França) - La Photographie Bresilienne au Dix-Neuvieme Siecle, na Mairie du XIV e Arrondissement
1987 - Rio de Janeiro RJ - Fotografias. Collecção D. Thereza Christina Maria, na Biblioteca Nacional
1988 - Novo México (Estados Unidos) - Brazilian Photography in the Nineteenth Century, no Maxwell Museum of Anthropology
1988 - Texas (Estados Unidos) - Brazilian Photography in the Nineteenth Century, no Houston Foto Fest
1992 - Zurique (Suíça) - Brasilien: entdeckung und selbstentdeckung, na Kunsthaus Zürich
1993 - Madri (Espanha) - Canto a la Realidad. Fotografía Latinoamericana, 1860-1993, na Casa da América
1993 - Petrópolis RJ - Poses e Trejeitos na Era do Espetáculo: a fotografia e as exposições universais no século XIX, no Museu Imperial
1993 - Rio de Janeiro RJ - Poses e Trejeitos na Era do Espetáculo: a fotografia e as exposições universais no século XIX, no Museu Casa de Benjamin Constant
1993 - São Paulo SP - A Fotografia no Brasil do Século XIX: 150 anos do fotógrafo Marc Ferrez 1843/1993, na Pinacoteca do Estado
1993 - São Paulo SP - Poses e Trejeitos na Era do Espetáculo: a fotografia e as exposições universais no século XIX, na Casa da Fotografia Fuji
1995 - Rio de Janeiro RJ - Mestres da Fotografia no Brasil: Coleção Gilberto Ferrez, no CCBB
1997 - Buenos Aires (Argentina) - A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX, no Museo Nacional de Bellas Artes
1997 - Campinas SP - O Brasil na Máquina do Tempo: coleção referencial da história da fotografia, no Itaú Cultural
1997 - Penápolis SP - O Brasil na Máquina do Tempo: coleção referencial da história da fotografia, na Galeria Itaú Cultural
1997 - Rio de Janeiro RJ - A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX, no CCBB
1997 - São Paulo SP - A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX, na Pinacoteca do Estado
1997 - São Paulo SP - O Brasil na Máquina do Tempo: coleção referencial da história da fotografia, no Itaú Cultural
1998 - Belo Horizonte MG - O Brasil na Máquina do Tempo: coleção referencial da história da fotografia, no Itaú Cultural 
1998 - Brasília DF - O Brasil na Máquina do Tempo: coleção referencial da história da fotografia, na Galeria Itaú Cultural 
1999 - Rio de Janeiro RJ - O Brasil Redescoberto, no Paço Imperial
2000 - Brasília DF - O Século XIX na Fotografia Brasileira: coleção Pedro Corrêa do Lago, no Palácio do Itamaraty
2000 - Porto (Portugal) - A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX, no Centro Português de Fotografia
2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento, na Fundação Bienal

Fonte: Itaú Cultural

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