Valério Pennacchi em um bate papo fala sobre a coleção de livros que será leiloado por James Lisboa

13 de setembro de 2013

Valério Pennacchi

 

“Quem compra livros antigos ou raros? Um bibliófilo! E quem é um bibliófilo? É alguém que gosta de livros, é um amante ou colecionador de livros raros e preciosos, ou de boas edições. Os grandes colecionadores brasileiros de livros que eu conheci eram, além de bibliófilos, pessoas de grande cultura que preferiam passar as noites no silêncio de suas bibliotecas numa atmosfera de “ócio criativo”, pensando meditando e contemplando longe do barulho infernal da humanidade bulhenta.

Não sei se será necessário que tal personagem leia um determinado livro de “cabo a rabo”, não o fazendo pode representar uma perda de informação, mas, por outro lado, muitas vezes um livro é comprado porque ele detalha em um ou mais capítulos uma informação recolhida de outro livro… e assim por diante! Creio que acontece com todo e qualquer assunto que V. queira se dedicar com maior profundidade em qualquer assunto a Criação.

Neste próximo leilão não estamos apresentando um fato inédito – as boas livrarias antiquarias de São Paulo e do mundo já o fazem “desde sempre” – mas estamos disponibilizando um lote de livros, mapas, brasões e até um bem encadernado conjunto de cartas de condolências – vide lote nº. 27: conjunto de carta de condolências enviadas à SM Dna. Maria Anna di Savoia, recém-viúva, em 1875, de D. Ferdinando I do Sacro Império Romano Germânico.  A quem pode interessar o lote nº. 28 que trata dos valorosos feitos de SM D. João II de Portugual? Mais adiante chega a vez de Hans Stadem numa edição de 1660 contando seu naufrágio nas costas brasileiras de 1552, etc., etc.

É claro que muitas vezes, possuir um exemplar de uma “única edição” escrito por intelectuais em épocas próximas do descobrimento do Brasil já torna o livro mais interessante.

Essa coleção de livros tem a característica necessária e suficiente para uma biblioteca pública aonde, os títulos em pregão venham a preencher lacunas de outros já existentes… . A função da biblioteca é, além de disponibilizar o conhecimento, guardar como um registro uma parte da criação humana de determinada época.

A grande diferença de uma biblioteca é a grande variedade de assuntos, temas, datas, edições e etc. como, por exemplo, o livro de lote 29 é a primeira tradução para o inglês feita pelo Richard Fanshaw do clássico português “Os Lusíadas de Luís de Camões”, isso é um fato histórico que registra a disseminação de conhecimento poético em 1655, raridade, “objeto/elemento de biblioteca”.

Pensando em aumentar o acervo de uma biblioteca podemos lembrar-nos da figura que foi Mário de Andrade e sua relação com a biblioteca homônima. Na época Mário comprava bibliotecas para constituir a biblioteca Mário de Andrade, podemos até pensar em metalinguagem das bibliotecas. Mas isso é um fenômeno brasileiro porque na Europa é costume uma biblioteca receber doação de coleção de livros que foi uma herança deixara por antepassado para um sucessor, e lá a quantidade de livros produzidos é muito maior do que os que foram produzidos aqui no Brasil, ou seja, o incentivo a leitura e colação de livros é maior e mais praticada.

Com isso é possível perceber a importância tradicional que um livro tem, seja ele raro ou atual, e também podemos dizer que esse leilão contribui com as pessoas que se encaixam nesse perfil, é uma questão de oportunidade e feliz daquele que pode aproveitar esse fugidio momento!”

Postado por: Blog Escritório de Arte