Instituto Inhotim (MG) ganha novos pavilhões e obras

24 de setembro de 2010

Instalação da francesa Dominique Gonzalez-Foerster no Instituto Inhotim (MG)

A partir desta quinta-feira (23) o Instituto Inhotim, complexo museológico situado em Brumadinho (MG), ganha novos pavilhões e trabalhos criados especialmente para o local. A obra do fotógrafo Miguel Rio Branco, assim como cinco Cosmococas — série de Hélio Oiticica (1937 – 1980) e Neville D´Almeida — são novidades, ao lado de uma instalação da francesa Dominique Gonzalez-Foerster e do “Palm Pavillion” de Rirkrit Tiravanija, artista argentina residente em Nova York.

O pavilhão dedicado à obra de Miguel Rio Branco se destaca entre as novidades. O projeto do escritório mineiro Arquitetos Associados tira partido do terreno íngreme e cria bela estrutura feita em aço corten, o mesmo usado por Amilcar de Castro em suas esculturas, e tem uma estrutura labiríntica em seu interior. “Ele meio se esconde, meio que força sua visibilidade”, resume o alemão Jochen Volz, um dos curadores de Inhotim e cocurador da mais recente edição da Bienal de Veneza, transcorrida no ano passado

Para Volz, o centro mineiro tem como objetivo criar projetos específicos para o diálogo entre o grande jardim botânico presente e a escala generosa de obras de arte contemporânea do acervo local. “Sempre pensamos: o que os outros não podem fazer?”, afirma ele. “Temos de refletir bem sobre o contexto de arte e natureza tão próprio daqui, além de dar visibilidade e recortes a obras representativas dentro do nosso acervo, caso bem claro de Rio Branco.”

O pavilhão dedicado ao artista nascido em Las Palmas e radicado no Rio coroa bom momento de sua trajetória. Ele tem exposição em cartaz atualmente no MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo) e é um dos participantes da 29ª Bienal de São Paulo, com o filme “Nada Levarei Qundo Morrer Aqueles que Mim Deve Cobrarei no Inferno”, realizado nos anos 70 no Pelourinho, Salvador, antes da reforma. O pavilhão privilegia filme e videoinstalações, como “Diálogos com Amaú”, de 1983, e “Entre os Olhos”, algumas delas menos conhecidas na carreira do artista.

Outro projeto dos Arquitetos Associados é o pavilhão dedicado às cinco Cosmococas, de Hélio Oiticica e Neville D´Almeida. Também labiríntica em seu interior, está planejada para ser um espaço tal qual os artistas imaginaram, onde o público pode entrar numa piscina e “participar” da obra de arte, descansar em redes e fazer outras atividades propostas pelos trabalhos ambientais.

Visitantes observam fotografias de Miguel Rio Branco no Instituto Inhotim (MG)

A francesa Dominique Gonzalez-Foerster concebeu uma obra, “Desert Park”, especificamente para Inhotim, onde fica localizada atrás do pavilhão de Adriana Varejão. Decorrência de experiências anteriores da artista na Documenta e em Münster, compila variados tipos de ponto de ônibus em uma grande área de areia branca. O ambiente quase lunar ajuda a compor uma paisagem de um certo modernismo, presente na arquitetura dos pontos, típico das áreas urbanas brasileiras. “Promenade”, obra presente anteriormente em Inhotim, continua a ser exibido na galeria Mata, no centro do complexo. Rirkrit Tiravanija remonta próximo à “Beam Drop”, obra de Chris Burden, seu “Palm Pavillion”, peça que foi exibida na 27ª Bienal de São Paulo, em 2006.

Nas galerias, com exceção do cubano Diango Hernández, artistas brasileiros são os contemplados com obras novas em exibição. Alexandre da Cunha, Laura Vinci, Marcius Galan e Marcellvs L têm trabalhos expostos. O carioca Ernesto Neto também ganha espaço com um remontagem histórica de “Copulônia”, de 1989, primeira peça na qual lida com materiais têxteis junto de outros mais rígidos, expandindo o conceito de escultura e criando uma tensão entre as diferenças do que foi construído. “Inhotim também tem a preocupação de exibir obras que foram pouco vistas ou montadas e que são importantes no desenvolvimento da arte contemporânea do país”, diz Rodrigo Moura, um dos curadores do centro. “Copulônia” somente foi exposta no Espaço Macunaíma, no Rio, no ano de sua criação.

Acervo de ponta
A abertura das novas obras consolida Inhotim como um dos centros de arte contemporânea mais importantes do Brasil, ratificando o bom momento da arte brasileira em âmbito externo. Nomes prestigiados do circuito estiveram recentemente ou irão especialmente para o centro, como as curadoras das próximas edições da mostra alemã Documenta, Carolyn Christov-Bakargiev, e da Bienal de Veneza, Bice Curiger, entre outros.

Inaugurado em 2004, Inhotim é referência em arte contemporânea no Brasil por dar a chance de o público ver obras de nomes centrais na cena atual, como Steve McQueen, Matthew Barney, Doug Aitken, Janet Cardiff, Doris Salcedo e Olafur Eliasson, entre vários outros, lado a lado de artistas brasileiros de trajetória estabelecida, como Cildo Meireles, Tunga, Varejão e Valeska Soares.

O centro planeja novas expansões, como pavilhões e obras específicas de Pipilotti Rist, Cristina Iglesias e Eliasson, além de um grande edifício destinado a expor obras do acervo. “Vai ser quase como um museu. Precisamos de um espaço maior para exibir o que adquirimos, as galerias que temos já não dão conta disso”, conta Volz.

Fonte: UOL Entretenimento – Últimas notícias

Postado por: Blog Escritório de Arte
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