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Rosana Paulino

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BIOGRAFIA

Rosana Paulino (São Paulo SP 1967)

Gravadora.

Entre 1993 e 1995, faz estágio no ateliê de restauro de obras de arte do MAC/USP. Em 1994, freqüenta curso livre de gravura no ateliê do Museu Lasar Segall. Cursa artes plásticas na ECA/USP e torna-se bacharel em gravura em 1995. Na Inglaterra, faz estágio de aprimoramento em técnicas de gravuras, no London Print Workshop - LPW, com bolsa concedida pela Apartes/Capes em 1998. Possui obras nos acervos do MAM/SP, da Pinacoteca Municipal/Centro Cultural São Paulo e da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, São José dos Campos.

Críticas

"Suas imagens de meninas, associadas a vários objetos de sedução e acompanhadas de títulos que evocam a retórica das revisas femininas, remetem a uma representação estereotipada da mulher, na qual o protótipo acaba por tomar o lugar do sujeito. Se a Rosana Paulino não interessa a gravura enquanto possibilidade lingüística, esta, no entanto, é fundamental em sua estratégia imagética, pois lhe permite disseminar o estereótipo, apresentando a singularidade como a construção por adição, como uma verdadeira montagem física e psicológica".
Annateresa Fabris
GRAVURA paulista. Curadoria Evandro Carlos Jardim; projeto gráfico José Roberto Freire; fotografia Romulo Fialdini; texto Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli. São Paulo: Galeria de Arte São Paulo, 1995.

"No início de sua carreira, nos anos 90, Rosana Paulino realizava trabalhos que utilizavam imagens de mulheres e crianças negras. Serigrafados, pintados, recortados, costurados, os trabalhos se inserem numa discussão em que arte se articula com a política, raça e cultura, questões que, naquele começo de década, ainda não freqüentavam a produção artística jovem de modo tão contundente. Manipulando a diferença na arte, Paulino expandiu suas 'retratospectivas', que trabalhavam com antigos retratos familiares, falando de um universo negro e feminino, para lidar com novas instalações utilizando suportes originais. Uma de suas séries utiliza patuás, inserindo comentários sobre a condição feminina dentro da ligação pessoal de sua família com o candomblé. Outra série mostra bastidores de costuras, usados para bordar, que esticam imagens de mulheres com bocas e mãos costuradas por cima, contrapondo radicalmente o lado bucólico e delicado do bordado com a violência doméstica contra as mulheres. Encarando e tratando com intensa honestidade temas como violência, racismo, sexo e feminilidade, através da construção de objetos e instalações que formam um idiossincrático relicário, Paulino nunca deixou de trabalhar o desenho. Através dele, criou séries de trabalhos que dão contornos a imagens humanas suspensas pelo terror, pervertidas na impossibilidade de uma plenitude de suas formas. Cria seres que parecem incompletos, deformados, doentes. Sugerem fetos deixados em UTIs, bonecas mal costuradas e arrebentadas pela perversidade infantil, imagens de abortos".
Katia Canton
CANTON, Katia. Novíssima arte brasileira um guia de tendências. São Paulo, 198 p., 2001, pp. 89-90.

Depoimentos

"Sempre pensei em arte como um sistema que devesse ser sincero. Para mim, a arte deve servir às necessidades profundas de quem a produz, senão corre o risco de tornar-se superficial. O artista deve sempre trabalhar com as coisas que o tocam profundamente. Se lhe toca o azul, trabalhe, pois, com o azul. Se lhe tocam os problemas relacionados com a sua condição no mundo, trabalhe, então, com esses problemas.
No meu caso, tocaram-me sempre as questões referentes à minha condição de mulher e negra. Olhar no espelho e me localizar em um mundo que muitas vezes se mostra preconceituoso e hostil é um desafio diário. Aceitar as regras impostas por um padrão de beleza ou de comportamento que traz muito preconceito, velado ou não, ou discutir esses padrões, eis a questão. 
Dentro desse pensar, faz parte do meu fazer artístico apropriar-me de objetos do cotidiano ou elementos pouco valorizados para produzir meus trabalhos. Objetos banais, sem importância. utilizar-me de objetos do domínio quase exclusivo das mulheres. Utilizar-me de tecidos e linhas. Linhas que modificam o sentido, costurando novos significados, transformando um objeto banal, ridículo, alterando-o, tornando-o um elemento de violência, de repressão. O fio que torce, puxa, modifica o formato do rosto, produzindo bocas que não gritam, dando nós na garganta. Olhos costurados, fechados para o mundo e, principalmente, para sua condição de mundo.
Apropriar-me do que é malvisto. Cabelos. Cabelo 'ruim', 'pixaim', 'duro'. Cabelo que dá nó. Cabelos longe da maciez da seda, longe dos comerciais de shampoo. Cabelos de negra. Cabelos desvalorizados. Cabelos vistos aqui como elementos classificatórios, que distinguem entre o bom e o ruim, o bonito e o feio.
Pensar em minha condição no mundo por intermédio do meu trabalho. Pensar sobre as questões de ser mulher, sobre as questões da minha origem, gravadas na cor da minha pele, na forma dos meus cabelos. Gritar, mesmo que por outras bocas estampadas no tecido ou outros nomes na parede. Ele tem sido meu fazer, meu desafio, minha busca."
Rosana Paulino, 1997
COCCHIARALE, Fernando. Panorama de arte atual brasileira/97. Texto crítico Tadeu Chiarelli; comentário Rejane Cintrão; apresentação Milú Villela. São Paulo: MAM, 1997, p. 114.

Acervos

Fundação Cultural Cassiano Ricardo - São José dos Campos SP
Museu de Arte Moderna do São Paulo - MAM/SP - São Paulo SP
Pinacoteca Municipal/Centro Cultural São Paulo - CCSP - São Paulo SP

Exposições Individuais

1994 - São Paulo SP - Individual, no CCSP
1995 - São Paulo SP - A New Face in Hell, na Adriana Penteado Arte Contemporânea
1997 - São Paulo SP - Rosana Paulino: álbum de desenho, na Adriana Penteado Arte Contemporânea
2000 - São Paulo SP - Rosana Paulino: desenhos, no CCSP
2003 - São Paulo SP - Observações Sobre o Espaço e o Tempo, na Unicsul

Exposições Coletivas

1992 - São Paulo SP - 4ª Semana de Arte da Poli, na USP. Escola Politécnica
1993 - Curitiba PR - 50º Salão de Arte Contemporânea de Curitiba
1993 - Santo André SP - 21º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1994 - São José dos Campos SP - 1ª Bienal Nacional de São José dos Campos - premiada
1994 - São Paulo SP - A Fotografia Contaminada, no CCSP
1994 - São Paulo SP - Visualidade Nascente 3, no MAC/USP - premiada
1994 - São Paulo SP - Programa Anual de Exposições de Artes Plásticas, no CCSP
1994 - Belo Horizonte MG - Os Herdeiros da Noite: fragmentos do imaginário negro, no Centro de Cultura de Belo Horizonte
1994 - Brasília DF - Os Herdeiros da Noite: fragmentos do imaginário negro, no Espaço Cultural 508 Sul
1994 - São Paulo SP - Os Herdeiros da Noite: fragmentos do imaginário negro, na Pinacoteca do Estado
1995 - Curitiba PR - 11ª Mostra Gravura Cidade de Curitiba, na Fundação Cultural de Curitiba. Solar do Barão
1995 - Santo André SP - 23º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1995 - São Paulo SP - Coletiva 34, na Adriana Penteado Arte Contemporânea
1995 - São Paulo SP - Gravura Paulista, na Adriana Penteado Arte Contemporânea
1995 - São Paulo SP - Novíssimos, a Produção dos 90, na Galeria Fotóptica
1995 - Rio de Janeiro RJ - Novíssimos, a Produção dos 90, na Funarte
1996 - Jacareí SP - Salão de Artes de Jacarei 96, na Fundação Cultural de Jacareí
1996 - São Paulo SP - Avesso do Avesso, no Paço das Artes
1997 - Cali (Colômbia) - Salão Iemanjá, na Universidade del Vale
1997 - São José do Rio Pardo SP - Imaginário Religioso, no Museu Rio Pardense
1997 - São Paulo SP - 10 Anos de Trabalho , na Adriana Penteado Arte Contemporânea
1997 - São Paulo SP - 25º Panorama de Arte Brasileira, no MAM/SP
1997 - São Paulo SP - A Rota da Arte Sobre a Rota dos Escravos, no Sesc Pompéia
1997 - São Paulo SP - Intervalos, no Paço das Artes
1998 - Brasília DF - Brasileiro que nem Eu, que nem Quem?, no Ministério das Relações Exteriores
1998 - Niterói RJ - 25º Panorama de Arte Brasileira, no MAC/Niterói
1998 - Recife PE - 25º Panorama de Arte Brasileira, no Mamam
1998 - Salvador BA - 25º Panorama de Arte Brasileira, no MAM/BA
1998 - São Paulo SP - Heranças Contemporâneas 2, no MAC/USP
1999 - São Paulo SP - Brasileiro que nem Eu, que nem Quem?, no MAB. Salão Cultural
1999 - São Paulo SP - Dezenove Cabeças, na Adriana Penteado Arte Contemporânea
1999 - São Paulo SP - Fotógrafos e Fotoartistas na Coleção do Museu de Arte Moderna de São Paulo: fotografia contemporânea brasileira, no Espaço Porto Seguro de Fotografia
2000 - Belo Horizonte MG - Investigações. São ou Não São Gravuras?, no Itaú Cultural
2000 - Cidade do México (México) - 1ª Bienal Internacional de Fotografia do México, no Centro de La Imagen
2000 - Curitiba PR - 12ª Mostra da Gravura de Curitiba. Marcas do Corpo, Dobras da Alma, no Museu da Gravura
2000 - Guadalajara (México) - Fotografia Não Fotografia, no Museo de las Artes de la Universidad de Guadalajara
2000 - Guadalajara (México) - America Foto Latina: la fotografia en el arte contemporáneo, no Museo de Las Artes de La Universidad de Guadalajara
2000 - Lisboa (Portugal) - Século 20: arte do Brasil, na Fundação Calouste Gulbenkian. Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão
2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento, na Fundação Bienal
2001 - São Paulo SP - Fotografia/Não Fotografia, no MAM/SP
2001 - São Paulo SP - 27º Panorama de Arte Brasileira, no MAM/SP
2001 - Washington D. C. (Estados Unidos) - Virgin Territory: women, gender, and history in contemporary brazilian art, no National Museum of Women in the Arts 2002 - Londrina PR - São ou Não São Gravuras?, no Museu de Arte de Londrina
2002 - Rio de Janeiro RJ - 27º Panorama de Arte Brasileira, no MAM/RJ
2002 - Salvador BA - 27º Panorama de Arte Brasileira, no MAM/BA
2003 - Porto Alegre RS - 4ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul, no Cais do Porto
2003 - São Paulo SP - A Gravura Vai Bem, Obrigado: a gravura histórica e contemporânea brasileira, na Galeria Virgílio
2003 - São Paulo SP - Arte e Sociedade: uma relação polêmica, no Itaú Cultural 
2004 - São Paulo SP - Arte Contemporânea no Acervo Municipal, no CCSP
2004 - São Paulo SP - BR 2004, na Galeria Virgílio
2005 - São Paulo SP - BR 2005, na Galeria Virgílio

Fonte: Itaú Cultural

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