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Chanina Luwisz Szejnbejn

OBRAS DO ARTISTA

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BIOGRAFIA

Chanina Luwisz Szejnbejn (Zofjowce, Polônia 1927 - Belo Horizonte MG 2012)

Pintor, desenhista, gravador, ilustrador e professor.

Emigra para o Brasil com seus pais, aos nove anos de idade, estabelecendo-se em Belo Horizonte. Cursa gravura em metal com Anna Letycia (1929), litografia com João Quaglia (1928) e composição com Fayga Ostrower (1920-2001), na mesma cidade, em meados de 1940. Em 1946, estuda pintura e desenho com Guignard (1896-1962) e escultura com Franz Weissmann (1921), no Instituto de Belas Artes de Belo Horizonte, hoje Escola Guignard. Naquele mesmo ano, ingressa no curso de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), formando-se em 1955. Paralelamente ao exercício da medicina, dedica-se às atividades artísticas e ao ensino, tornando-se professor de pintura na Escola Guignard. Faz capas de livros e ilustrações, especialmente para o Suplemento Literário do Diário Oficial de Minas Gerais. Em 1984, é laureado com a medalha da Inconfidência, comenda concedida pelo governo de Minas Gerais a personalidades que contribuem para a projeção da cultura mineira.

Comentário Crítico

A obra pictórica de Chanina caracteriza-se por intenso colorismo e apoia-se numa abordagem em que a fantasia é a tônica dominante. Os temas de suas pinturas são os mais variados, incluindo paisagens, figuras, palhaços, cavalos e retratos, entre outros. Ao longo de sua carreira, Chanina também faz algumas incursões pela abstração lírica, em trabalhos como Abstração (1964) e O Sonho (1988). Para o ensaísta Isaías Golgher, a gama de cores presente nesses trabalhos se harmoniza com a forma, pois sua função não seria apenas decorativa. Por outro lado, o tema das cidades imaginárias, que permeia décadas da produção de Chanina - Festa em BH (1955) e Noite de São João no Interior (1999) são exemplos -, mostra os vínculos de sua pintura com a obra de Guignard, com quem estudou em 1946. Algumas lições deixadas pelo mestre marcam fortemente sua obra: o grafismo, a linha como elemento decorativo e a cor modulada nas figuras e muitas vezes na paisagem. Segundo a artista Yara Tupynambá (1932), também aluna de Guignard, é recorrente nos trabalhos de Chanina a conciliação do uso da cor homogênea, no primeiro plano, com a liberdade do traço, no fundo. Além disso, o artista retoma de Guignard o emprego da transparência nas cores, o uso dos azuis e a delicadeza dos meios tons, vazados por um lirismo onírico. A todas essas características Chanina acrescenta ainda algo da fantasia poética de Marc Chagall (1887-1985).

Críticas

"A pintura de Chanina fala. Com seus tons vivos, nítidos, inconfundíveis mas, principalmente, pela riqueza, sempre mais ou menos fantástica, do conteúdo formal. Chanina não gosta de retratar o que quer ou quem quer que seja, embora saiba fazê-lo de maneira excelente, nas poucas vezes em que concede à objetividade o privilégio de disciplinar-lhe a fantasia: seu forte é a percepção de um opulento, formidável, espantoso mundo interior que impõe sua presença, que se extravasa irresistivelmente sobre a realidade externa e a despedaça. Sua pintura, em qualquer tentativa ou fase definida, não é jamais abstrata, nem fotográfica. É sempre uma ´visão chanínica´, muito pessoal, filha de inegável originalidade artística, tesouro interior de alguém profunda, e talvez, desconcertantemente humano".
Malomar Lund Edelweiss
CAVALCANTI, Carlos; AYALA, Walmir, org. Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Apresentação de Maria Alice Barroso. Brasília: MEC/INL, 1973-1980. (Dicionários especializados, 5).

"A origem judaica, a formação e convivência em Minas, o ofício da medicina: na confluência dessas forças, o pintor Chanina realiza uma obra fortemente humanista, densa, dramática, carregada de uma sensibilidade peculiar, não se descartando de um certo lirismo que corresponde, dentro de sua visão-de-mundo, ao reconhecimento das próprias possibilidades redentoras da arte. O expressionismo que marcará toda a sua obra - figurativa ou não - tem origem nas próprias raízes culturais do artista que, como em Chagall, sobrepondo-se ao sentimento trágico da vida, há de fazer de sua pintura: poesia. Lírico, Chanina pinta com o coração, fazendo fluir, da malha de acentuados grafismos, iluminada pelo magnífico colorido, a constelação de imagens-símbolos que rompem os limites da realidade para aninhar-se nos páramos de fantásticas regiões. Suas personagens míticas - mulheres com pombas e flores, cavaleiros medievais, cavalos estelares e feiticeiros - e as suas paisagens mineiras e de outros reinos, tudo se inscreve dentro desse círculo de sonho e fantasia, que a cor e o rico tessituramento da matéria pictórica mais acentuam".
Márcio Sampaio
SAMPAIO, Márcio. Chanina. Suplemento Literário Minas Gerais, Belo Horizonte, v. 22, n. 1095, p. 3, 5 mar. 1988. Edição especial.

Exposições Individuais

1961 - Belo Horizonte MG - Individual, na União Israelita
1965 - Belo Horizonte MG - Individual, na Galeria Tijuco
1971 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Mini Gallery
1972 - Belo Horizonte MG - Individual, na Galeria Ami
1975 - Belo Horizonte MG - Individual, na Galeria Ami
1977 - Belo Horizonte MG - Individual, na Galeria Ami
1979 - Belo Horizonte MG - Individual, na Galeria Guignard
1982 - Belo Horizonte MG - Retrospectiva, no Palácio das Artes
1988 - Belo Horizonte MG - Individual, no Palácio dos Leilões
2004 - Belo Horizonte MG - Individual, no Museu da Inconfidência

Exposições Coletivas

1952 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes de Belo Horizonte
1953 - Belo Horizonte MG - 2º Salão Universitário de Arte - 1º prêmio em pintura
1954 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes de Belo Horizonte - menção honrosa em desenho
1964 - Belo Horizonte MG - Coletiva, na Galeria Guignard
1964 - São Paulo SP - Artistas Mineiros, na Galeria Atrium
1966 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes de Belo Horizonte - 1º prêmio em pintura
1966 - Brasília DF - 3º Salão de Arte Moderna de Brasília
1966 - Curitiba PR - 23º Salão Paranaense de Belas Artes, na Biblioteca Pública do Paraná
1966 - Salvador BA - 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas
1966 - Vitória ES - 1º Salão Nacional de Artes Plásticas - medalha de bronze
1967 - Belo Horizonte MG - Salão Municipal de Belas Artes de Belo Horizonte - prêmio aquisição
1967 - Curitiba PR - 24º Salão Paranaense de Belas Artes
1967 - Ohio (Estados Unidos) - Artistas Brasileiros
1967 - Rio de Janeiro RJ - 16º Salão Nacional de Arte Moderna
1967 - São Paulo SP - 9ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1968 - Rio de Janeiro RJ - 17º Salão Nacional de Arte Moderna, no MAM/RJ
1969 - Barcelona (Espanha) - Salão do 8º Prêmio Internacional de Desenho Juan Miró
1969 - Belo Horizonte MG - 1º Salão Nacional de Arte Contemporânea - referência especial
1969 - Belo Horizonte MG - Coletiva, na AIB
1969 - Rio de Janeiro RJ - 18º Salão Nacional de Arte Moderna
1969 - São Paulo SP - 1º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1970 - Barcelona (Espanha) - Salão do 9º Prêmio Internacional de Desenho Juan Miró
1970 - Ouro Preto MG - Artistas Mineiros 60/70, no 5º Festival de Inverno de Ouro Preto
1970 - Rio de Janeiro RJ - 19º Salão Nacional de Arte Moderna, no MAM/RJ
1971 - Curitiba PR - 28º Salão Paranaense, na Biblioteca Pública do Paraná
1972 - Barcelona (Espanha) - Salão do 11º Prêmio Internacional de Desenho Juan Miró
1973 - Belo Horizonte MG - Coletiva, na Galeria Guignard
1974 - Belo Horizonte MG - Coletiva, na Galeria Ami
1974 - Belo Horizonte MG - Coletiva, na Galeria Guignard
1976 - Belo Horizonte MG - Exposição dos Murais das Escolas Municipais de Belo Horizonte
1976 - Rio de Janeiro RJ - 25º Salão Nacional de Arte Moderna
1977 - Belo Horizonte MG - Coletiva, na Galeria Ami
1977 - Belo Horizonte MG - Coletiva, na Galeria Guignard
1977 - Belo Horizonte MG - Coletiva, no Palácio das Artes
1977 - São Paulo SP - 9º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1979 - Belo Horizonte MG - 2º Salão do Conselho Estadual de Cultura - premiado
1979 - Belo Horizonte MG - Coletiva, no Palácio das Artes
1979 - Belo Horizonte MG - Mostra dos Murais das Escolas Municipais
1981 - Belo Horizonte MG - 8º Salão Global de Inverno, no Palácio das Artes
1981 - Belo Horizonte MG - Alunos de Guignard, na Itaugaleria
1981 - Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Global de Inverno, no MAM/RJ
1981 - São Paulo SP - 8º Salão Global de Inverno, no Masp
1989 - Belo Horizonte MG - Caminhos da Liberdade: Bicentenário da Inconfidência Mineira e Centenário da República, na Secretaria de Estado e Cultura
1990 - São Paulo SP - Arte e Medicina, na Sadalla Galeria de Arte
1996 - Belo Horizonte MG - A Cidade e o Artista: dois centenários, no BDMG Cultural
1996 - Belo Horizonte MG - Consolidação da Modernidade, no MAP
1996 - Belo Horizonte MG - Improviso para Guignard, no Espaço Cultural Bamerindus Seguros
1997 - Contagem MG - Alunos de Guidnard em Contagem, na Casa de Cultura Nair Mendes Moreira

Fonte: Itaú Cultural

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