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Ramón Cáceres

OBRAS DO ARTISTA

Ramón Cáceres - Sem Título

Sem Título

óleo sobre tela
2008
80 x 100 cm
ass. inf. dir.

Preço: Sob Consulta

BIOGRAFIA

Ramón Cáceres (Quilndy - Paraguai, 31/08/1944)

Pintor, escultor, restaurador e cantor.
Atualmente assina Cáceres, assinava Ramonchi (até 1984).

Ramón Cáceres nasceu em 1944, em Quiindy, Paraguai. Depois de estudar pintura e música na Escola de Belas Artes da Universidade Nacional do Paraguai, em Assunção, emigrou para o Brasil, em 1970, fixando residência em São Paulo, onde desenvolveu sua carreira artística. 

Ramón participou de numerosas exposições coletivas no Brasil e no exterior, e realizou sete exposições individuais no Brasil, uma delas no MASP – Museu de Arte de São Paulo, sendo apresentado por seu então diretor P. M. Bardi. 

Paralelamente desenvolveu carreira como restaurador e como cantor, transformando-se, na expressão do maestro Hermínio Gimenez, “num dos mais altos expoentes, como intérprete, da bela música paraguaia”. 

Inicialmente figurativa, a pintura de Ramón Cáceres tendeu para a abstração geométrica. Sua pintura construtiva remete com freqüência a bandeiras. 

No prefácio do catálogo de sua última mostra individual, ocorrida em 2007 no Espaço Cultural do BNP PARIBAS, em São Paulo, o crítico de arte Enock Sacramento afirmou que, “dentre os artistas originários do construtivismo como um todo e do concretismo em particular, no Brasil, Ramón Cáceres ocupa um lugar especial por sua sensibilidade refinada e por sua notável qualidade de harmonizar formas, cores e ritmos na 

Histórico

O paraguaio restaurador de obras de arte Ramón Cáceres, radicado desde 1970 em São Paulo, é uma figura bem conhecida nos ambientes artísticos brasileiros, porém, além de sua atividade como restaurador, ele exerce a profissão de pintor livre e criativo. 

1971 a 1978 - Estudou restauração e praticou com Dona Luciana Pellizzi Battioli. No campo da restauração, são inumeráveis as obras de grande valor artístico e histórico que passaram pelas suas mãos, como painéis de Portinari do Banco do Brasil, Di Cavalcanti e Clóvis Graciano da Secretaria de Transportes, a coleção do espólio do conde Matarazzo e outras grandes coleções particulares.
1984 - Exposição individual no MASP a convite do professor Pietro Maria Bardi
1985 - Exposição individual Galeria Art Selection
1987 - Exposição individual Galeria Espaço 1030, em São Paulo
1989 - Exposição individual Galeria de Arte Denis Perri, São Paulo
Exposição individual FIEO – Fundação Instituto de Ensino para Feira internacional de Artes Plásticas, Porto, Portugal
Exposição individual Galeria de Arte 245, porto, Portugual
1992 - Uma obra de sua autoria é incorporada ao acervo do Museo Nacional do Paraguai
1993 - Participa da coletiva "Eram brasileiros os que ficaram", na Pinacoteca do Estado, em São Paulo, SP
Participa da FACC - Feira de Arte Contemporânea de Coimbra, Portugal
Participa da FIAP - Feira Internacional de Artes Plásticas, Porto, Portugal
Participa da FIAP - Feira Internacional de Artes Plásticas, na Galeria de Arte do Cassino Espinho, Portugal
Participa de coletiva na Galeria de Arte 245, Porto, Portugal
Participa da mostra coletiva Arte Brasil 1993, no Edifício Chiado, Coimbra, Portugal
Participa da mostra coletiva "Primavera no Capitólio", Porto, Portugal
Participa de coletiva no Museu Municipal de Lausanne, Suíça
1994 - Exposição individual "Bandeiras de Cáceres" no Espaço Mário de Andrade, Memorial da América Latina, São Paulo, SP
1996 - Ramón Cáceres recebe da Municipalidade de Luque, Paraguai, Medalha de Ouro de reconhecimento por seu importante trabalho cultural no campo da música e das artes plásticas
2000 - Participa do "Remate de Arte Latino-americano" realizado no Memorial da América Latina, São Paulo, SP
2005 - Exposição individual no Espaço Euroart, em São Paulo
2007 - Exposição individual no Espaço Cultural do BNP P ARIBAS, São Paulo, SP
2008 - Exposição coletiva "Nova Realidade", MACA - Museu de Arte Contemporânea de Americana, SP
2009 - Exposição coletiva “Madeira Malta Artes Plásticas Lusófonas”, organizada pela Bienal Internacional de Artes da Madeira na Galeria Casa das Mudas, Centro de Artes da Calheta, Ilha da Madeira, Portugal
Participa da Bienal Internacional de Artes de Malta, República de Malta, recebendo prêmio de Pintura
Exposição coletiva, Espaço Cultural do Clube Paulistano, São Paulo, SP
2011 - Exposição individual na Galeria Sergio Caribé
2012 - Exposição individual "Curvas e Retas na Arte de Ramón Cáceres" no Salão de Exposições do Paço de Santo André
Exposição coletiva “Diálogos Latino Americanos” parte da Semana de Olhares para África e América Latina na UnB - Universidade de Brasília
Lançamento do livro "Arte de Ramón Cáceres" na Galeria Sérgio Caribe
Citado nas obras: Louzada, Júlio, Artes Plásticas, Brasil 87, vol. 2, p. 1991-2; Martins, Narcizo, Art Trade Internacional, Adrian Publishers, Lisboa, p.443-4.

Textos Críticos
A pintura de Ramón Cáceres

Algumas exposições e edições de livros importantes sobre o assunto despertaram, nos últimos anos, o interesse do público para a arte concreta brasileira. A mostra ”Arte Construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner“ (1998), no MAM/SP e o lançamento do livro de mesmo nome, coordenado por Aracy Amaral, foi um marco neste processo de revival. Três anos depois saiu o livro Sacilotto, de nossa autoria sobre aquele que Waldemar Cordeiro considerou ”a viga-mestra da arte concreta“ brasileira. O ciclo de exposições ”Arte Concreta Paulista“, apresentado pelo Centro Universitário Maria Antonia, em 2002, acompanhada do lançamento de cinco livros sobre o assunto, pela Cosac & Naify, comemorou o cinqüentenário da exposição ”Ruptura“, marco zero do concretismo nacional, que reuniu obras de Anatol Wladislaw, Geraldo de Barros, Kajmer Fejer, Leopoldo Haar, Lothar Charroux, Luiz Sacilotto e Waldemar Cordeiro. As recentes comemorações do cinqüentenário da I Exposição Nacional de Arte Concreta, em São Paulo e no Rio de Janeiro, entre as quais se destaca a mostra ”Concreta 56: A Raiz da Forma“ realizada em 2006 no MAM/SP, e a publicação do livro de mesmo nome, de autoria de Lorenzo Mammi, João Bandeira e André Stolarski, aumentaram significativamente o interesse por este movimento singular da cultura brasileira.

Vários participantes da I Exposição Nacional de Arte Concreta, tais como Lygia Clark, Hélio Oiticica, Lygia Pape, Sacilotto, Cordeiro, Amilcar de Castro, já vinham atraindo fortemente, nos últimos anos, a atenção de estudiosos e colecionadores em função de avaliações muito favoráveis de suas obras ao nível nacional e internacional. O interesse voltou-se também para as obras de Ivan Serpa, Franz Weissmann, Fiaminghi, Judith Lauand, Maurício Nogueira Lima, Antonio Maluf, Rubem Ludolf e outros concretistas históricos, atingindo também pintores que desenvolveram na época ou um pouco depois uma produção dentro da vertente construtivista.

O concretismo deu origem, em fins dos anos 50, ao neo-concretismo, localizado, sobretudo no Rio de Janeiro, mas com alguns adeptos em São Paulo, tais como Hércules Barsotti e Willys de Castro. O concretismo reuniu não apenas artistas plásticos, mas também poetas e outros profissionais da criação artística, o que o torna um movimento abrangente e de importância fundamental para a cultura brasileira no século XX. O poeta Theon Spanudis, que se tornou posteriormente mais conhecido como crítico de arte e colecionador, foi um dos teóricos que chamaram a atenção para as obras de alguns concretistas históricos e de outros que comungavam ideais construtivistas, tais como Volpi (participante da I ENAC), Arnaldo Ferrari, Waldeir Maciel, Jandira Waters, Ramón Cáceres e outros.

O paraguaio Ramón Cáceres, com estudos nas áreas de artes visuais e canto em Assunção, chegou a São Paulo no início dos anos 70, dirigindo-se inicialmente para a área da restauração de obras de arte (trabalhou com Luciana Batiolli) e do canto (formou o conjunto musical “Los Tres de Luque”). Aos poucos foi atraído pela pintura de configuração construtivista, que impressionou o diretor do MASP, P. M. Bardi. Este programou uma individual de sua obra no museu, em 1984, assinando o texto introdutório do catalogo.

Spanudis, que foi um dos primeiros defensores da obra de Volpi, tomou-a, mais de uma vez, como referência na análise de outros artistas construtivos. Analisando a pintura de Ramón Cáceres, assim se expressou: “... Ramon Cáceres enveredou para um construtivismo muito pessoal e sui generis, explorando o tema das bandeiras. Não se trata das bandeirinhas de Alfredo Volpi, que são formas pontudas e agudas, mas sim das bandeiras comuns dos navios e das nações desfraldadas na horizontalidade, levemente onduladas e sulcadas pelo vento”. E, mais adiante: “As últimas obras de Ramón pessoalmente nos empolgam e entusiasmam, como acontecia na década de 50 com os trabalhos de Volpi que adquiríamos diretamente no Cambuci. Em ambos os casos, uma criatividade inesgotável e uma argúcia discernidora muito aguda que sabe escolher os coloridos significativos, seja nos diálogos ou nas polifonias cromáticas ora mais amenas, ora suaves, ora mais firmes... Quem gosta de coloridos puros, eloqüentes, líricos e poéticos encontrará em Ramón uma fonte inesgotável de prazeres e deleites estéticos”.

O entusiasmo de Spanudis é justificável. Com efeito, Ramón Cáceres tomou a forma da bandeirinha ondulada como ponto de partida para o desenvolvimento de uma obra rica e única, tanto do ponto de vista formal como do colorístico, utilizando-a como pattern em composições formalmente simétricas - mas não de formas “rebatidas” - sobre fundos chapados, sem o rigor de algumas soluções do concretismo ou da op art. A curva é uma das responsáveis pela leveza das obras de Ramón Cáceres. Ela dialoga harmoniosamente tanto com outras curvas, como também com a reta, geralmente vertical, mas também oblíqua e, mais raramente, horizontal. Em alguns casos, Ramón trabalhou diretamente com o padrão da bandeira paulista.

Se Ramón produziu uma extensa série de pinturas em que as suas bandeirolas tremulavam em mastros constituídos por finas retas verticais, conferindo uma graça, uma leveza e um clima de festa a suas composições ondulantes, são também notáveis as obras formadas por poucas bandeiras, às vezes duas, às vezes uma ou ainda apenas parte de uma, identificada pela curva ondulante. Curiosamente, estas reduções ou aproximações permitem diálogos entre linhas, campos de cor ou de pretos e brancos, conferindo uma força plástica inusitada a estas composições e mostrando que o todo pode estar na parte e que esta pode ser tão eloqüente, ou mais, quanto o todo.

Dentre os artistas originários do construtivismo como um todo e do concretismo em particular, no Brasil, Ramon Cáceres ocupa um lugar especial por sua sensibilidade refinada e por sua notável qualidade de harmonização de formas, cores e ritmos na superfície plana.
Enock Sacramento

Ramón Cáceres no MASP

O MASP apresenta um paraguaio, a um só tempo cantor e pintor: Ramón Cáceres. Completou seus estudos em Luque, conhecida como a “cidade da música”, aperfeiçoando-se na Escola Nacional de Canto com a reconhecida e famosa lírica Sofia Mendonça, sendo distinguido como vencedor do Festival Nacional de Folclore do Paraguai, gravando vários discos.

Simultaneamente cursou a Escola de Belas Artes tornando-se pintor, aderindo às tendências que se alternam entre o Geometrismo e o Surrealismo, num figurativo de singular comunicação.

Nosso público vai assim ver a exposição do jovem pintor e apreciar seu canto. O Masp hospeda um artista da nação amiga, permitindo que se conheça um elemento considerado em sua pátria como um dos mais ativos e representativos.
P. M. Bardi - Diretor do Museu de Arte de S. Paulo - Março de 1984 

O trabalho de Ramón Cáceres

O paraguaio Ramón Cáceres tem uma dupla profissão. Ele é restaurador e conservador de obras de arte, de muito sólida formação, e pintor criativo ao mesmo tempo. Vamos examinar sua pintura e analisar os seus componentes.

Com sua dupla profissão, assim sua pintura caracteriza-se por um duplo caminho. Um é um caminho estrutural-construtivo. O outro, um caminho onírico, algo surreal e romântico. Aquilo que une os dois, estes diversos caminhos é a sua aguda sensibilidade, a sua emotividade diferenciada, a sua veia poética. 

Examinemos primeiro o seu caminho estrutural-construtivo. Ele explora o assunto das bandeiras imaginárias que são ordenadas geometricamente no espaço da tela. Coloridos oníricos e fluentes caracterizam a temática das bandeiras. Uma poesia lírica emana destas estruturas, um lirismo puro e singelo. No outro caminho, o surreal e mágico, ele explora o assunto das árvores. Ele cria relevos com os galhos das árvores de uma dramaticidade e telurismo substancial. Bandeiras e árvores são os dois elementos figurais prediletos. As bandeiras (com sua ordenação geométrica) abrem espaços poéticos, com as árvores entre a substancialidade maciça, a dramaticidade corpórea, o magismo telúrico do mundo vegetal. Dois caminhos diferenciados, porém ambos expressivos de uma alma enraizada no cosmo, uma alma telúrica, cheia de magismo do vivo.

Ramón ama a sutiliza, seja no onirismo das bandeiras seja na dramaticidade das árvores. Ele festeja o vivo em sua transposição estética. Sem imitar outros, absolutamente original, ele inventou estes dois símbolos da sua crença metafísica e ontica. Um belo trabalho que se caracteriza pela sua pureza e singeleza. Uma verdadeira poesia de transfiguração artística. Uma sincera voz autônoma dentro do panorama atual da criatividade pictórica brasileira. Um sincero sonhador e cantador do vivo.
Theon Spanudis (maio de 1985)

O paraguaio restaurador de obras de arte Ramón Cáceres, radicado desde 1970 em são Paulo, é uma figura bem conhecida nos ambientes artísticos brasileiros, porém, além de sua atividade como restaurador, ele exerce a profissão de pintor livre e criativo.

A sua pintura, que começou no Paraguai, era escura, telúrica, girando em torno das formas vegetais e como assunto principal os mistérios da fecundação e da germinação.

Aqui no Brasil a sua pintura começou a clarear e nos últimos anos( ele é um admirador e estudioso de Joaquim Torres Garcia) Ramón enveredou para um construtivismo muito pessoal e sui generis, explorando o tema das bandeiras. 
Theon Spanudis(São Paulo, 1987)

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