Poty Lazzarotto

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BIOGRAFIA

Poty Lazzarotto (Curitiba PR 1924 - idem 1998)

Gravador, desenhista, ilustrador, muralista e professor.

Napoleon Potyguara Lazzarotto mudou-se para o Rio de Janeiro em 1942 e estudou pintura na Escola Nacional de Belas Artes (Enba). Freqüenta curso de gravura com Carlos Oswald (1882-1971) no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. Em 1946, viaja para Paris, onde permanece por um ano. Estuda litografia na École Supérieure des Beaux-Arts, com bolsa do governo francês. Em 1950, funda, juntamente com Flávio Motta (1916), a Escola Livre de Artes Plásticas, na qual leciona desenho e gravura. Nessa época organiza o primeiro curso de gravura do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). Organiza, ao longo da década de 1950, cursos sobre gravura em Curitiba, Salvador e Recife. Desde os anos 1960 tem destaque como muralista, com diversas obras em edifícios públicos e particulares no país e no exterior. Tem relevante atuação como ilustrador de obras literárias como as de Jorge Amado, Graciliano Ramos, Euclides da Cunha e Dalton Trevisan, entre outros. É autor dos livros A Propósito de Figurinhas, de 1986, e Curitiba, de Nós, de 1989, em parceria com Valêncio Xavier Niculitcheff. Executa diversos murais, como o da Casa do Brasil, em Paris, 1950, e o painel para o Memorial da América Latina, São Paulo, 1988. A partir dos anos 1980 são lançadas várias publicações sobre sua produção, entre elas: Poty Ilustrador, de Antônio Houaiss (1915-1999), em 1988; Poty: Trilhos, Trilhas e Traços, de Valêncio Xavier Niculitcheff, em 1994, e Poty: o lirismo dos anos 90, de Regina Casillo, em 2000.

Comentário Crítico

Poty possui uma extensa obra gráfica, tendo realizado inicialmente diversas histórias em quadrinhos e ilustrado livros de diversos autores nacionais e estrangeiros. Grande propagador da gravura, atua como professor em diversas cidades brasileiras. A ele se deve uma das primeiras apropriações artísticas conhecidas da litografia: pedras litográficas previamente usadas na impressão de rótulos industriais são re-trabalhadas pelo artista que mantém traços das gravações anteriores.

Por vezes seu desenho busca na estilização das formas o efeito da xilogravura. Entretanto, pode também alternar-se entre a mancha e o traço, aproximando-se, por exemplo, da obra de Aldemir Martins (1922-2006) e de outros artistas da geração de 1940 e 1950.  Em 1968, o artista é convidado pelos sertanistas Orlando Villas Boas e Noel Nütels para uma estada no Parque Nacional do Xingu, durante a qual realiza cerca de 200 desenhos sobre os hábitos e costumes dos indígenas. Para a crítica de arte Nilza Procopiak, nesses trabalhos, o artista demonstra notável domínio da forma e da técnica, tanto na gradação entre as espessuras das linhas, como nos planos, contornos, na observação dos motivos geométricos presentes na cestaria e na cerâmica.

Poty dedica-se também à realização de obras monumentais em madeira, concreto e cerâmica. Seus murais, vitrais e painéis apresentam ampla relação com a sua atividade de gravador, principalmente pela aproximação à visualidade da xilogravura. Para o estudioso Orlando DaSilva, um elemento em comum em sua produção é o vigor presente no traço dos desenhos, no corte decisivo e profundo da madeira para a gravura, assim como  na talha e nos murais.

Críticas

"Ao analisar o conjunto da obra gravada de Poty temos que tomar conhecimento, nem que seja numa olhada panorâmica, de seus trabalhos em outras técnicas. Temos que conhecer o artista gravador, desenhista, ilustrador, muralista, decorador, escultor e isso se transforma em um desafio. Como conciliar seu trabalho mural, especialmente quando em concreto, com as obras gráficas em metal, madeira ou pedra; por que a linha decorativa, quase sempre presente em suas xilos, raramente aparece em suas calcogravuras? 
Na sua xilo muitas vezes encontramos vinculações com o mural, mesmo porque em inúmeros casos o material usado é o mesmo, a madeira. 
Mas há uma linha comum que une toda a sua obra: é o vigor, quer no traço enérgico de seus desenhos lançados rápida e nervosamente no papel, quer no corte decisivo e fundo na madeira para a xilo, a talha ou o mural; é a tinta engordurando a pedra nas suas litos e criando contrastes marcantes; é o relevo acentuado de seus murais de concreto; é a ferida profunda causada pela ponta-seca ou ácido nas gravuras em metal. 
Sabendo de sua personalidade só nos é possível compreender o decorativismo de seus murais e xilos, não só através do estudo do material empregado, mas tomando conhecimento também de sua facilidade e habilidade manual, somando ainda a memória visual, que lhe facilita a linha simplificada e corrida. Essa convivência fácil com a técnica, sem necessidade de evidenciá-la, faz com que encontremos Poty em toda a sua obra, mesmo sendo esta expressa com linguagens diversas. 
Percorrendo seus trabalhos vamos nos deter com um pouco mais de atenção nas suas gravuras em metal, que proporcionam chão firme para o estudo que ora fazemos. Elas nos facilitam a compreensão das outras obras suas com técnicas diferentes, mostram-nos seu início, com o artista apresentando-se totalmente despido do ensino escolarizante, que por vezes afoga a personalidade pessoal do aluno.  A gravura em metal, dentre todos os trabalhos de técnicas diversas que pratica, é a que melhor deixa revelar o desenhista que, por sua vez, é quem melhor divulga o seu 'eu'. Queremos acentuar aqui que, antes de tudo, Poty é um desenhista".
Orlando DaSilva
DASILVA, Orlando. Poty, o artista gráfico. Curitiba: Fundação Cultural Curitiba, 1980.

"A Poty se deve uma das primeiras apropriações artísticas conhecidas da pedra litográfica usada industrialmente na impressão de rótulos, latas, e outros, que encontram ecos ulteriores em Lotus Lobo e João Câmara: usando as de Ciccillo Matarazzo, com as quais a indústria deste imprimia latas, generalizou o uso artístico delas, o que também fez na Bahia, pondo a serviço dos artistas, aos quais ensinou litografia, as pedras que imprimiam selos de charuto. O trabalho gráfico de Poty é monumental, tanto nos pequenos formatos, como vinhetas e ilustrações de livros da editora José Olympio, onde ilustra, entre outros, Guimarães Rosa e Mário Palmério, quanto nos grandes, em que a mesma limpeza estilizada dos pequenos se estampa, o mais das vezes ritmicamente. Em Poty, a estilização do desenho pode buscar o efeito da xilogravura, pois, muito estilizado no cortante e nos cheios alternados com vazios, vai ao essencial: essencialista, a obra de Poty em todas as técnicas, excetuando-se, genericamente, o metal, tende a mimetizar a xilogravura, decerto na talha, mas também no vitral e no painel de concreto. Seu desenho, entretanto, pode alternar o borrão e o traço, como Aldemir Martins em outra chave, ambos se encontrando na conjugação da mancha abertíssima e da linha muito marcada, traço corrente nos anos 40 e 50".
Leon Kossovitch e Mayra Laudanna
GRAVURA Brasileira: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 2000. p. 32-33.

Exposições Individuais

1943 - Curitiba PR - Individual, no Cine Palácio
1943 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Enba
1944 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no IAB/RJ
1946 - São Paulo SP - Individual, na Biblioteca Municipal
1948 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Enba
1949 - Curitiba PR - Individual, no Cine Broadway
1950 - Salvador BA - Individual, no Teatro Guarany
1951 - Salvador BA - Individual, no Teatro Castro Alves
1953 - Salvador BA - Individual, na Galeria Oxumaré
1955 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Biblioteca Nacional
1957 - Curitiba PR - Individual, na Biblioteca Pública do Paraná
1963 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1969 - Bruxelas (Bélgica) - Xingu: índios e mitos
1969 - Curitiba PR - Individual, na Galeria Paulo Valente
1969 - Washington (Estados Unidos) - Individual, no Brasilian-American Cultural Institute
1973 - Rio de Janeiro RJ - Garagem do Edifício do Artista, na Rua Senador Vergueiro, 66/702
1974 - Curitiba PR - Poty: 50 anos, no Badep
1974 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no Centro Cultural Lume
1982 - Curitiba PR - Individual, na Galeria de Arte Banestado
1982 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria de Arte Banerj
1982 - Salvador BA - Poty: desenhos, gravuras, tapeçarias, madeiras entalhadas, no Desenbanco. Núcleo de Artes
1983 - Curitiba PR - 40 Anos de Trabalho, no Museu da Gravura
1984 - Curitiba PR - Poty: desenho e gravura, na Galeria de Arte Banestado
1986 - Londrina PR - Poty: desenho, na Galeria de Arte Banestado
1988 - Curitiba PR - Poty e a PUC, na PUC/PR
1988 - Curitiba PR - Poty e o Cinema, no MIS/PR
1988 - Curitiba PR - Poty Ilustrador, no Espaço Cultural IBM
1988 - Rio de Janeiro RJ - Poty Ilustrador, no MNBA
1988 - Brasília DF - Poty Ilustrador, no MAB/DF
1989 - São Paulo SP - Poty Ilustrador, no Museu Lasar Segall
1990 - Curitiba PR - Poty e a Ponta Seca, no Museu da Gravura
1990 - Curitiba PR - Poty Lazzarotto, no Studio R. Krieger
1990 - Curitiba PR - Poty: desenho, na Galeria de Arte Banestado
1993 - Curitiba PR - Poty Lazzarotto e os 300 Anos, na Sala de Pedra - FCC
1994 - Curitiba PR - 40 Desenhos de Poty, na Biblioteca Pública do Paraná
1994 - Curitiba PR - Individual, out-doors espalhados na cidade de Curitiba 
1994 - Curitiba PR - Individual, no Museu Metropolitano de Curitiba
1994 - Curitiba PR - Individual, na Associação Cultural Solar do Rosário
1994 - Florianópolis SC - Individual, no Masc
1994 - São Paulo SP - Individual, no Memorial da América Latina
1997 - Curitiba PR - Poty e o Livro, no Museu de Arte do Paraná
1997 - Curitiba PR - Poty: novas gravuras, na Associação Cultural Solar do Rosário
1998 - Curitiba PR - A Obra Monumental de Poty, no Conjunto Cultural da Caixa - itinerante
1998 - Curitiba PR - Individual, na Livraria Curitiba

Exposições Coletivas

1942 - Londres (Inglaterra) - Exposição em Homenagem à RAF
1942 - Rio de Janeiro RJ - 48º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA - menção honrosa em desenho
1943 - Londres (Inglaterra) - Exposição em Homenagem à RAF
1943 - Rio de Janeiro RJ - 49º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA - medalha de prata em desenho e artes gráficas
1944 - Belo Horizonte MG - Exposição de Arte Moderna, no Edifício Mariana 
1944 - Londres (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Royal Academy of Arts
1944 - Rio de Janeiro RJ - 50º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA - medalha de prata em desenho
1945 - Rio de Janeiro RJ - 51º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA - medalha de bronze em gravura e pintura
1946 - Rio de Janeiro RJ - Os Pintores Vão à Escola do Povo, na Enba
1948 - Ponta Grossa PR - Arte do Paraná
1949 - Curitiba PR - 6º Salão Paranaense de Belas Artes, no Instituto de Educação - medalha de prata
1949 - Rio de Janeiro RJ - 55º Salão Nacional de Belas Artes - Divisão Moderna, no MNBA - prêmio viagem ao país
1949 - Salvador BA - 1º Salão Baiano de Belas Artes, no Hotel Bahia
1950 - Curitiba PR - 1º Salão de Maio, no Centro Cultural Inter Americano
1950 - Curitiba PR - 7º Salão Paranaense de Belas Artes, no Instituto de Educação
1950 - Rio de Janeiro RJ - 56º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA - medalha de ouro em desenho
1950 - Salvador BA - 2º Salão Baiano de Belas Artes, no Belvedere da Sé - medalha de ouro em gravura
1951 - Curitiba PR - 8º Salão Paranaense de Belas Artes, no Departamento de Cultura
1951 - Salvador BA - 3º Salão Baiano de Belas Artes, no Belvedere da Sé
1951 - São Paulo SP - 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon
1952 - Curitiba PR - 9º Salão Paranaense de Belas Artes, no Departamento de Cultura - medalha de ouro
1952 - Feira de Santana BA - 1ª Exposição de Arte Moderna de Feira de Santana, no Banco Econômico
1952 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Nacional de Arte Moderna, na Funarte
1952 - Rio de Janeiro RJ - Exposição de Artistas Brasileiros, no MAM/RJ
1953 - Salvador BA - Poty, Carlos Bastos e Raimundo Oliveira, na Galeria Oxumaré
1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados
1954 - Genebra (Suíça) - Gravadores Brasileiros, no Museu Rath
1954 - São Paulo SP - Arte Contemporânea: exposição do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no MAM/SP
1955 - Curitiba PR - 1º Salão da Cidade, na Câmara Municipal - como homenagem dos organizadores ao artista, são expostas, fora de concurso, cinco gravuras
1955 - Salvador BA - 5