Gerda Brentani

OBRAS DO ARTISTA

Gerda Brentani - Mar

Mar

óleo sobre madeira
1942
38 x 43 cm
assinatura inf. dir.
Etiqueta do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Participou da exposição "Gerda Brentani", no Museu de Arte Moderna de São Paulo, 1977, citado no catálogo da mostra.

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BIOGRAFIA

Gerda Brentani (Trieste, Itália 1908 - São Paulo SP 1999)

Pintora, caricaturista, desenhista, gravadora, ilustradora.

Muda-se para São Paulo, com o marido e dois filhos, em 1939. É quando conhece Rossi Osir (1890 - 1959) e Ernesto de Fiori(1884 - 1945), que se torna seu professor de pintura. Entre 1940 e 1941, Gerda pinta azulejos para a Osirarte, onde também realiza pinturas a óleo e participa da 1ª Exposição da Osirarte, em 1941. É cofundadora do Clube dos Artistas e Amigos da Arte de São Paulo - o Clubinho - em 1945, ano de sua primeira exposição individual, no Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). Realiza a exposição individual A Criação do Mundo, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), em 1950. Participa da 8ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1963, e, no ano seguinte, integra a Comissão de Reestruturação do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). Inicia a prática de gravura em metal em 1968, com orientação de Marcelo Grassmann (1925). O MAM/SP dedica-lhe uma mostra retrospectiva com desenhos, gravuras e pinturas, em 1977, e é homenageada no 15º Salão de Humor de Piracicaba, em 1998. Em 2004, a Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pesp) apresenta 150 trabalhos da artista, na exposição Desenhos de Gerda Brentani, Mil e Uma Histórias, com curadoria de Vera d'Horta.

Comentário Crítico

Elegendo o desenho a nanquim como sua técnica preferida, Gerda Brentani constrói um universo muito particular, povoado de seres tão humanos quanto insólitos. Com base na observação do real, a artista processa o que vê através da fineza de seu humor e de seu traço, e passa então a uma dimensão fantasiosa. É assim que, em 1961, após conhecer o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZ/USP), Gerda elabora uma série de mais de 100 desenhos em que onças, cobras, passarinhos e insetos sempre deixam entrever num olhar, num gesto, algum traço do caráter humano.

A delicadeza da linha com que a artista cria os desenhos e a composição sucinta realçam a agudeza dos comentários acerca dos comportamentos, hábitos e convenções do homem. Por diversas vezes a linha apresenta-se de forma quase ininterrupta, com bico-de-pena, se afasta da superfície do papel somente quando é completada a figura. Essa segurança na fatura do desenho deixa a artista à vontade para, em várias obras, brincar com os meios-tons de cinza que recobrem a superfície das figuras - a capa de São Jorge, as escamas do dragão, o corpete da bailarina.

Na década de 1960, ainda usando os animais como tema e com marcado lirismo, Gerda escolhe o pincel para aplicar o nanquim em algumas obras (por influência do sumiê) e, em outras, acrescenta ao preto-e-branco pequenos detalhes coloridos que aos poucos vão ganhando espaço. A cor encontra-se plenamente afirmada na década de 1980, com a série São Paulo: Casas e Fachadas, na qual retrata antigos casarões paulistanos.

Críticas

"(...) Seus interesses costumam mesmo ser duradouros, o que explica a presença de alguns temas recorrentes em sua obra, constituindo verdadeiras séries. Quando um assunto se impõe - como é o caso, por exemplo, dos bichos - ele é tratado num primeiro momento de forma caligráfica, com traços espontâneos que situam uma certa atmosfera geral. À medida que a atenção da artista se demora sobre o assunto escolhido, vai surgindo uma fatura amorosa, desdobram-se possibilidades técnicas mais sofisticadas, são introduzidos rendilhados a bico de pena, sombras com pincel e nanquim aguado, e nos trabalhos mais recentes, principalmente dos anos 70, a cor surge para ficar. (...) Gerda é esse amálgama peculiar de mordacidade implacável e extremo carinho pelas coisas, pelos bichos, pelas pessoas, pelo mundo. Ela descobre o ridículo para em seguida afagá-lo. Crítica como a marginalidade lhe permite ser, ela a seguir se coloca no interior desse mundo onde estamos todos nós. Ela mostra que a vida é incapaz de caber nos moldes dos conceitos social e historicamente impostos. Sua rebeldia a leva desde a graça obrigatória de uma bailarina até o respeito social que certas vestimentas pretendem impor, ou a pompa forçada de que se revestem as autoridades. De cima do muro onde se colocou, ela joga nos conceitos estabelecidos a saudável bomba do seu humor iconoclasta. E se diverte vendo a explosão. E é do seu canto, onde reinam em liberdade total a inteligência e o espírito, que ela vem para nos dizer que a vida vale a pena".
Vera D´Horta
O RISCO arisco de Gerda Brentani. Apresentação de Vera d´Horta. São Paulo: Museu Lasar Segall, 1986. (IX Mostra do Ciclo Momentos da Pintura Paulista).

Exposições Individuais

1945 - São Paulo SP - Individual, no IAB
1949 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Domus
1950 - São Paulo SP - A Criação do Mundo, no Masp
1957 - São Paulo SP - Individual, no Clube dos Artistas
1958 - Madri (Espanha) - Individual, no Instituto de Cultura Hispânica
1958 - Roma (Itália) - Individual, na Galeria De Arte Il Torcoliere
1959 - São Paulo SP - Individual, na Associação dos Amigos do MAM/SP
1962 - São Paulo SP - Individual, na Galeria São Luiz
1964 - São Paulo SP - Individual, na Galeria São Luiz
1966 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Astréia
1968 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Astréia
1972 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Astréia 
1976 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Bonfiglioli
1977 - São Paulo SP - Individual, no MAM/SP
1979 - São Paulo SP - Desenhos de Gerda Brentani, na Grifo Galeria de Arte
1982 - São Paulo SP - Individual, organizada por Fábio Magalhães, com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura, na Pinacoteca do Estado
1983 - São Simão SP - Individual, na Casa de Cultura Marcelo Grassmann
1988 - São Paulo SP - Individual, no Paço das Artes
1991 - São Paulo SP - Individual, no Gabinete 144
1997 - São Paulo SP - Desenhos: Gerda Brentani, no MAC/USP

Exposições Coletivas

1941 - São Paulo SP - 1º Salão Osirarte, na Rua Barão de Itapetininga, 124
1944 - São Paulo SP - 9º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo, na Galeria Prestes Maia
1954 - São Paulo SP - 3º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia 
1954 - São Paulo SP - 5 Desenhistas, no MAM/SP
1955 - São Paulo SP - 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações  
1958 - Bordighera (Itália) - Concorso Internazionale della Caricatura
1959 - São Paulo SP - Prêmio Leirner de Arte Contemporânea, na Galeria de Arte das Folhas
1959 - São Paulo SP - 5ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho 
1960 - Rio de Janeiro RJ - Salão dos Humoristas, no MNBA
1962 - São Paulo SP - Seleção de Obras de Arte Brasileira da Coleção Ernesto Wolf, no MAM/SP
1963 - São Paulo SP - 7ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1967 - São Paulo SP - 9ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal 
1968 - São Paulo SP - Retrospectiva 1941-1968, na Galeria de Arte Tema
1969 - Salvador BA - Bienal Nacional de Artes Plásticas
1969 - São Paulo SP - 10ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal 
1969 - São Paulo SP - 1º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1969 - Telavive (Israel) - Contemporary Brazilian Art, na The Modern Art Gallery Ltd.
1970 - São Paulo SP - Antonio Henrique Amaral, Odetto Guersoni, Tomie Ohtake, Pedro Tort, Gerda Brentani, na Galeria de Arte Alberto Bonfiglioli
1970 - São Paulo SP - Pré-Bienal de São Paulo, na Fundação Bienal
1971 - São Paulo SP - 3º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1974 - São Paulo SP - 6º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1975 - Gabrovo (Bulgária) - Coletiva The Second International Biennial of Cartoons and Small Satirical Sculptures
1976 - São Paulo SP - Homenagens aos Imigrantes, no Masp
1978 - Penápolis SP - 3º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras 
1978 - Rio de Janeiro RJ - 18ª Exposição Arte e Pensamento Ecológico, na Biblioteca Euclides da Cunha 
1978 - São Paulo SP - 16º Arte e Pensamento Ecológico, na Cetesb 
1980 - Penápolis SP - 4º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras 
1980 - Santos SP - 5 Tendências, na Galeria de Arte Centro Cultural Brasil-Estados Unidos
1980 - São Paulo SP - 12º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1981 - São Paulo SP - Exposição em homenagem a Cicillo Matarazzo, na Secretaria de Estado da Cultura
1985 - Penápolis SP - 6º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras
1985 - São Paulo SP - Osirarte: pinturas sobre azulejo de Volpi, Zanini, Hilde Weber e Gerda Brantani, na Pinacoteca do Estado
1986 - São Paulo SP - Expo Brasil-Itália, no Anhembi
1986 - São Paulo SP - Homenagem ao aniversário da artista, no Museu Lasar Segall
1987 - São Paulo SP - 18º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1988 - São Paulo SP - MAC 25 Anos: aquisições e doações recentes, no MAC/USP
1990 - São Paulo SP - 21º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1992 - São Paulo SP - Polaridades/Perspectivas, no Paço das Artes
1994 - São Paulo SP - Bandeiras: 60 artistas homenageiam os 60 anos da USP, no MAC/USP
1996 - São Paulo SP - Bandeiras, na Galeria de Arte do Sesi
1998 - São Paulo SP - Os Colecionadores - Guita e José Mindlin: matrizes e gravuras, na Galeria de Arte do Sesi

Exposições Póstumas

2004 - São Paulo SP - Gabinete de Papel, no CCSP
2004 - São Paulo SP - Individual, na Pinacoteca do Estado

Fonte: Itaú Cultural

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