Bernard Bouts

Obras disponíveis

Bernard Bouts - Mulher

Mulher

óleo sobre placa
40 x 34 cm
Bernard Bouts - Figura Feminina

Figura Feminina

óleo sobre placa
74 x 60 cm
assinatura sup. dir.

Biografia

Bernard Bouts (1909, 1986)

Bernard Bouts nasceu em 2 de dezembro de 1909 no nº6 da Praça Edouard de la Boulet em Versalhes. Descendente de holandeses, foi por volta do final do século XVII ou começo do século seguinte que um de seus antepassados emigrou da Flandres para a França. Desse remoto bisavô flamengo, provêm todos os que têm esse nome na terra francesa. Dentre seus antepassados está o pintor Thierry Bouts que se tornou célebre.

Tinha apenas nove anos de idade quando seu pai, Maurice Bouts, mudou-se para a Bretanha. Foi lá que fez seu curso de humanidades, assim como o início do encantamento de Bernard Bouts pelo Mar.

Os anos decisivos de seus estudos transcorreram na França. Em 1929, aos vinte anos de idade, ele inicia um curso com Henri Charlier. Ele recebeu dele até 1939 os princípios básicos que julgava importante para sua formação artística sobre a qualidade e o significado das formas e das cores, sobre a supressão do claro-escuro e da terceira dimensão, bem como no que diz respeito à adoção de uma rítmica livre. Princípios estes que o acompanharam até o fim de sua vida, ficando imortalizados em sua obra.

Em virtude dos acontecimentos trágicos da segunda Grande Guerra, Bernard Bouts foi obrigado a abandonar a França em 1942. Encaminhou-se para a Argentina com a esposa e dois filhos pequenos. Viveram lá durante dois longos decênios. Também continuou pintando, embora fizesse em Buenos Aires poucas exposições, a primeira em 1943. A segunda somente seria apresentada, oito anos depois, ou seja em 1951, pela "Galeria Wildenstein" de Buenos Aires. Durante este período Bouts teve a oportunidade de viajar para outros países da América do Sul onde ele encontrou uma grande riqueza de formas e cores.

O artista

Durante três anos, Bouts frequentou e ministrou na França cursos de filosofia da arte.
Procurou desse modo encontrar seu próprio caminho, do qual não se afasta. Só o grande artista paga o alto preço dessa intransigente fidelidade a si mesmo, até porque só ele, pacientemente, harmoniosamente, é capaz de aliar os mais sólidos conhecimentos artesanais e técnicos à mais requintada linguagem pictórica. Compreende-se assim que, desde cedo - a partir de seu decisivo encontro com Henri Charlier - Bouts se tenha revelado dócil ao apelo dos essenciais e estritos valores da pintura e da escultura, embora também atento a seus elementos e aspectos decorativos que merecem sempre ser considerados, pois ao contrário do que alguns pensam, não diminuem os méritos de nenhum trabalho artístico, precisamente por serem oriundos da própria beleza e encantamento plásticos de toda autêntica obra de arte. Seria também importante observar que jamais seria um artísta engajado! Tanto em relação à política, como a esta ou àquela corrente da suposta vanguarda de seus tempos de mocidade ou da precária vanguarda atual, Bouts se manteve sempre um artista independente. É como homem - não como artista que teve posições políticas, filosóficas ou religiosas. Ninguém o arredava da trilha que escolheu, desdenhoso ao extremo não só de capelas artísticas, de apreciações e juízos críticos, como de exposições e salões oficiais. Foi inconformista por natureza. Não se interessava nunca pelo que o público pudesse pensar a respeito da arte, tanto a dos outros como a sua. Permaneceu até o final de sua vida fiel ao itinerário que escolheu na juventude.

Bernard Bouts sempre esteve em uma posição solitária em relação à pintura e às outras artes visuais.
Ele se insurgiu com ironia ou desprezo contra as modas e as escolas, contra todos os ismos e movimentos artísticos que se desenrolaram no velho mundo, principalmente ao longo deste século. Combateu a Escola de Paris e as mudanças incessantes, sucessivas, massacrantes - e para ele de todo injustificáveis da arte submetida à tirania do mercado na sociedade de consumo. É sempre instigante, nessa matéria, nadar ou, como na caso de Bouts, navegar contra maré. Em vez de buscar inspiração no cubismo, no surrealismo e em outras manifestações da arte conteporânea, para exercer seu admirável poder criador ele prefere voltar-se para a pintura rupestre, para as formas dos cântaros antigos, para as realizações dos artistas da velha China, do Egito, da Grécia arcaica, de Bizâncio, da Idade Média do século XIII e de outros tempos. Este é de fato um comportamento sui-generis. Tem o propósito de retornar às constantes dos períodos, para ele, decisivos da história da arte, levado pelas características de seu espírito e por estudos especializados. Bernard Bouts não via sentido em se preocupar com períodos ou fases distintas em sua obra , pois sempre trabalhou num mesmo sentido. Não era raro fazer simultaneamente três quadros de temáticas diferentes e em técnicas diversas.

A relação com o mar

Para que possamos compreender melhor a vida e a obra de Bernard Bouts devemos conhecer um pouco de sua ligação com o mar, cuja vida muito lhe marcou desde a sua juventude na Bretanha , navegando ao longo de suas praias. Ele amava a civilização marítima e toda a sua cultura oriunda do tempo dos fenícios, tornado-se para Bouts uma segunda profissão, complementando e enriquecendo sua Arte e seu pensamento.

Na América do Sul, Bouts começou a navegar em 1954 com o veleiro chamado o Andariego. Ele gostava de velejar, com a sua esposa e o seu filho (sua filha já falecera aos 7anos de idade em Buenos Aires), ao léu da aventura ou dos ventos, que sopram sempre caprichosamente. Em seu texto manuscrito, encontrado no seu livro, Bouts compara sua prática de navegante a seus trabalhos de pintor. Equipara assim a atividade do velejador ao seu ofício de artísta plástico. O confronto é sugestivo e não deixa de ter singularidade em nosso país. Esta é outra das originalidades do pintor.

A permanência da família Bouts na Argentina foi interrompida em 1954. Esta parte para o Brasil a bordo de seu barco o Andariego dando início a inúmeras viagens pela América do Sul.

Em visita à Bahia Bernard Bouts se depara com uma escuna que o deixa fascinado. Ele pediu a um amigo que a adquirisse para ele, se por acaso ela fosse posta à venda, em sua ausência. Fora feliz, pois logo ela ficara disponível. Foi assim que em 1º fevereiro de 1961 ele comprou o CISNE, a sua bela escuna, na qual viveu e pintou. Trabalhou e percorreu desse modo, durante dez anos, toda a enorme costa do Brasil, desde o Oiapoque ao Chuí. Desta vida no mar, Bouts destina às marinhas um dos principais objetos de seu trabalho.

Fonte: Site do artista

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