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Wladimir Fontes

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BIOGRAFIA

Wladimir Fontes (Fortaleza CE 1967)

Fotógrafo, gravador e professor.

Wladimir Augusto Evelim Romero Fontes vive em São Paulo desde 1968. Conclui em 1996 a graduação em filosofia pela Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo - FFLCH/USP e obtém o título de mestre pelo Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da mesma universidade - ECA/USP. Dedica-se à fotografia desde 1983, participando ativamente, entre 1985 e 1989, dos grupos de estudo de linguagem fotográfica do Museu Lasar Segall, em São Paulo. Realiza ainda outros cursos com fotógrafos brasileiros como João Farkas, Luís Monforte, Carlos Moreira, Claudio Feijó, Thales Trigo e Pedro Karp Vasquez  e alemães como Andreas Müller-Pohle, Joachim Schmidt e Verena Von Gagern. Entre 1998 e 2000, frequenta os ateliês de gravura do Sesc Pompeia e do Museu Lasar Segall, sendo aluno de Evandro Carlos Jardim e Claudio Mubarac. Nesse período também participa de cursos ministrados por Marcelo Grassmann, Arriet Chaim e Marco Buti. Realiza as exposições individuais Velho, 1989, Nômade, 1989, e Capharnaum, 2006/2007. Recebe o Prêmio Cidade de Santo André na primeira e na terceira edições da Bienal de Gravura de Santo André, em 2001 e 2005, respectivamente.

Comentário Crítico

No início de sua obra gráfica, no fim da década de 1990, Wladimir Fontes vale-se da figuração como instrumento de investigação da linha, do traço. É o caso de Coco, 1998, uma estampa a ponta-seca resultante da participação do artista no ateliê de gravura do Museu Lasar Segall: "Cheguei até o ateliê pela vontade de aprender outra forma de construir imagens", declara Fontes. Partindo de um tema simples, nessa obra ele cria a oportunidade de experimentar várias extensões, espessuras e profundidades da linha gráfica. Em estampa exposta um ano mais tarde, O Público do Equilibrista n° 7, 1999, essa mesma experimentação segue presente, desta vez conjugada à distorção da figura e a uma construção luminosa de dramaticidade mais acentuada. A formação de Fontes em fotografia inicia-se em 1983, também no Museu Lasar Segall, no qual vem a ser orientador e professor nessa área, em 1989.

Fontes realiza entre 2006 e 2007 a exposição Capharnaum, com fotografias e gravuras. Originalmente o nome de uma cidade bíblica, o artista lhe confere um outro significado - "o lugar onde se guardam coisas em desordem".  Este é também o título da série de cerca de 500 fotos que Fontes opta por expor não nas paredes da galeria, mas em pastas que devem ser manuseadas pelo público, como é comum no caso de coleções de gravuras. Dessa série deriva uma outra, presente na mesma exposição, intitulada Luz Lugar, com 35 fotos coloridas. Também integram a mostra duas séries de gravuras: Sete Rodas de Facas e Pictogramas. Nessas gravuras, ele elabora seu universo simbólico, buscando operações ideográficas que lhe permitam formar frases ou palavras com base em imagens recorrentes em sua obra: "Determinadas coisas ou assuntos são insistentes nos meus trabalhos: alguns pictogramas podem se repetir nas fotografias. Essa não acomodação de alguns signos, eu só consigo ver como desordem", afirma.

Críticas

"A cumplicidade do vento. Wladimir Fontes, fotógrafo ousado mas ao mesmo tempo singelo e sem medo de não ser compreendido: suas cenas mostram a interiorização de vivências cotidianas, filtradas pelo sentir e pelo fazer - não pelo racional do querer entender antes de disparar. Na simplicidade que só o domínio da técnica e do pensamento pode permitir, suas fotos nos atingem os sentidos, fazendo-nos cúmplices do vento no prazer uníssono de desvendar o caminho do autoconhecimento".
Eduardo Castanho
Texto para o catálogo da exposição Wladimir Fontes - Nômade, dezembro de 1989.

"Volta ao passado? A fotografia penetrando, a cotoveladas, num espaço nobre, o da arte, com maiúscula?
Nada disso. É fotografia (será que com maiúscula?) de linguagem amadurecida que está enfrentando as artes plásticas de igual para igual. Wladimir, durante o processo de seu trabalho, vale-se de um formulário próprio, mescla de ferramentas múltiplas: olhar, estilete, cor..., imaginação.
O suporte continua fotográfico, mas fica sujeito à intervenção: é manipulação do ´objeto´, não dentro do real, mas cativado dentro da imagem: lixa, algodão, canivete, revelador entram em ação e... revelam uma outra imagem. A fotografia de Wladimir não afirma, sugere. Recusa a nitidez não pelo desfoque mas pelo acréscimo dos elementos não fotográficos. Às vezes, o fotógrafo recorre à intervenção do outro, do fotografado. Mesmo se for criança, até melhor. Então as imaginações se confundem: o visor embutido no olhar do retratado parece observar o fotógrafo: um elemento ´picassiano´ insinua-se na imagem e nasce um portrait simultâneo, de face e perfil. A criança, desconhecendo o olhar erótico de Lewis Carrol, deixa fluir a imaginação própria, feita de inocência de traço e da cor. E, sem se preocupar com a integridade da silhueta, separa-a em fragmentos. Um corpo feito de pedaços.
A ´antifotografia´ de Wladimir não cabe no bidimensional e reivindica um novo espaço sem limites".
Stefania Bril
Texto de abertura da exposição A Deusa Fotografia, escrito em dezembro de 1990.

"O paulista Wladimir Fontes é o que parece ter um olhar mais estrangeiro. Suas fotos, como ele diz, ´são folhas soltas de um diário de bordo que contam para mim estórias de lugares desconhecidos´. Em algumas de suas imagens, o tratamento estético remete-nos à visualidade de Cartier-Bresson pela forma como organiza espacialmente os elementos dentro da imagem".
Ângela Magalhães e Nadja Peregrino
Fotografia da Geração 80 - Ângela Magalhães e Nadja Peregrino. Publicado na revista de arte e cultura Piracema nº 2, ano 2, 1994.

Acervos

Galeria Fotoptica - São Paulo SP
Escola de Artes Visuais do Parque Lage - EAV/Parque Lage - Rio de Janeiro RJ

Exposições Individuais

1989 - São Paulo SP - Velho, na Funarte
1989 - São Paulo SP - Wladimir Fontes - Nômade (foto de autor), no MIS/SP
1998 - São Paulo SP - Nuvem, no Espaço A. C. D' Ávila - ECA/USP

Exposições Coletivas

1985 - Santo André SP - 2ª Exposição de Fotografia Contemporânea em Santo André
1986 - São Paulo SP - Projeção de fotos sobre parques e praças de São Paulo, no Masp
1986 - São Paulo SP - O Cão na Fotografia - Fotógrafos Contemporâneos, na Galeria Fotoptica
1987 - São Paulo SP - Breves Comentários - Parque da Luz e Ibirapuera, com Hélcio Nagamine, no Sesc Pompéia
1987 - Rio de Janeiro RJ - Revelação - Dez Jovens da Fotografia Brasileira, na Funarte-INFoto e na Semana Paulista de Fotografia
1987 - São Paulo SP - Revelação - Dez Jovens da Fotografia Brasileira, na Funarte-INFoto e na Semana Paulista de Fotografia
1987 - São Paulo SP - Diversidade (exposição do grupo de fotografia do Museu Lasar Segall), no CCSP
1987 - São Paulo SP - Exposição com Cassio Vasconcelos, Clóvis Loureiro, Hélcio Nagamine, na Casa Rhodia
1988 - São Paulo SP - São Paulo, no Shopping Center Iguatemi
1988/1989 - São Paulo SP - O Bicho Urbano (exposição do Núcleo de Linguagem Fotográfica), no MIS/SP
1989 - Mococa SP - O Bicho Urbano, no Museu de Arte de Mococa
1989 - São Paulo SP - Ver o Invisível, Fotografia Brasileira Contemporânea, no MIS/SP
1989 - Lisboa (Portugal) - Reflexão sobre a Fotografia Brasileira Atual (exposições do acervo de Joaquim Paiva), no IADÊ
1990 - São Paulo SP - Imagens para São Paulo, no Duncan Bar e Galeria
1990/1991 - São Paulo SP - Adeus (a) Fotografia, com Claudio Feijó, Mauro Romano, na Galeria Fotoptica
1991 - Belo Horizonte MG - Mostra de Fotografia e Vídeo, 23º Festival de Inverno de Minas Gerais, no Centro Cultural da UFMG
1991 - Belo Horizonte MG - Auto-Representação em Fotografia, no Minas Cultural
1991 - São Paulo SP - Criações Instantâneas, na Galeria Fotoptica
1991/1992 - São Paulo SP - As Melhores de 81 a 91, na Galeria Fotoptica
1992 - São José dos Campos SP - Fotografia Construída - Novas Tendências, na Galeria Volpi
1993 - São Paulo SP - A Joachim Schmidt Production, participa como colaborador do projeto AAA - Art Addict Anonimous (Berlim-Alemanha)
1993 - São Paulo SP - Performance - Auto-Retrato em Fotograma a Seco - O Crucificado, no Sesc Pompéia
1993 - São Paulo SP - Fotografia Brasileira Contemporânea dos Anos 50 aos 90, no Sesc Pompéia
1993 - São Paulo SP - Fotografia Construída, no Museu Lasar Segall
1993 - Exposição do Grupo de Estudos Imagem e Ação, 1ª Semana Imagem Ação de Fotografia
1994 - São Paulo SP - Auto-Retrato em Fotograma a Seco II - Condições de Sobrevivência, Luz - Instalação e Performance, nas Oficinas Culturais Oswald de Andrade
1994 - São Paulo SP - Tubos (Grupo Artistas Associados, com participação de Inghild Karlsen e Bo Bisgard), no Galpão 16
1994/1995 - São Paulo SP - Visualidade Nascente (itinera no 1º semestre de 1995 por todos os campi da USP do interior de São Paulo), no MAC/USP
1996 - São Paulo SP - Mais ou Menos Dez, na Galeria Wizard
1996 - São Paulo SP - Autobiografias, Biografias e Personagens, Festival do Minuto 96, no CCSP. Produz catálogo e CD-ROM
1996 - Rio de Janeiro RJ - Autobiografias, Biografias e Personagens, no Museu da República
1997 - Vilnius (Lituânia) - Fotoparoda Is Brazilijos, Lenku Meno Galerija Znad Wilii
1999 - São Paulo SP - Uma Roça, Um Oásis, no Museu Lasar Segall
1999 - Rio de Janeiro RJ - Mostra Rio Gravura. São Paulo: gravura hoje, no Palácio Gustavo Capanema
1999 - Vitória ES - 1ª Mostra Internacional de Mini Gravura - Vitória 2000, no Museu de Arte do Espírito Santo
2003 - Frankfurt (Alemanha) - Art Frankfurt 2003
2004 - São Paulo SP - A Gravura Paulista, na Gravura Brasileira

Fonte: Itaú Cultural

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