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Wega Nery

Wega Nery

OBRAS DO ARTISTA

Wega Nery - Sinfonia

Sinfonia

nanquim sobre papel
1957
52 x 38 cm
ass. inf. dir.
Participou da exposição "Panorama de Arte Atual Brasileira", no Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM-SP.

Preço: Sob Consulta

Leilão de Artes Online

BIOGRAFIA

Wega Nery (Corumbá MT 1912 - Guarujá SP 2007)

Pintora, desenhista, poeta e professora.

Nos anos 1930, Wega Nery Gomes Pinto publica poemas na revista O Malho (Parnaso Feminino), como "Vera Nunes". De 1946 a 1949, estuda desenho e pintura na Escola de Belas Artes, em São Paulo. Na década de 1950, tem aulas com Joaquim da Rocha Ferreira (1900-1965) e Yoshiya Takaoka (1909-1978), com quem participa do Grupo Guanabara (1950-1959). Em 1953, freqüenta o Atelier-Abstração, de Samson Flexor (1907-1971), e produz as primeiras pinturas abstratas, de tendência geométrica. Em 1955, expõe desenhos no Museu de Arte de São Paulo (Masp). Participa de várias edições da Bienal Internacional de São Paulo, é premiada como melhor desenhista nacional em 1957 e recebe sala especial em 1963, 1973 e 1989. Ainda em 1963, leciona desenho e pintura na Sociedade Cívica Feminina de Santos, São Paulo. Na mesma década, cria as primeiras "paisagens imaginárias", que pintará até fins de 1980. Expõe obras em diversos Panorama da Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), a partir do primeiro, em 1969. Em 1975, o crítico de arte Geraldo Ferraz (1905-1979), companheiro da pintora, lança Wega Liberta em Arte: 1954-1974. Em 1993, a Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pesp) realiza uma individual da artista e, no ano seguinte, uma retrospectiva é mostrada no Centro Cultural São Paulo (CCSP).

Comentário crítico

Quando é conferida a Wega Nery sala especial na 7ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1963, ela opta por mostrar pinturas. Em Paisagem Lunar (1963), Campo de Papoulas (1963) e Paisagem Verde, entre outras, estão presentes as características que permearão todo o trabalho da artista daí em diante: são pinturas gestuais, expressivas, que obedecem tanto a algo ocasional, como a uma composição previamente articulada. Pinceladas vigorosas, que atravessam horizontalmente a tela, são entrecortadas por outras verticais. Muitas vezes entrevêem-se referentes possíveis, como barcos e casas, ou elementos da natureza - um rio, o mar revolto, a lua -; também objetos dos títulos das obras.

Em fins da década de 1960 e 1970, os títulos das pinturas passam a sugerir elementos fantásticos, como as chamadas "Paisagens Imaginárias".

A obra da artista pode ser vista na chave expressionista abstrata, informal ou, ainda, abstrato-lírica - termos importantes para o debate da abstração nos anos 1960, por meio dos quais a crítica opõe artistas de tendência geométrica aos de orientação gestual. No trabalho destes últimos, entendia-se que a expressão efetivava-se por meio do gesto e, por isso, era valorizada a criação individual. No entanto, para Nery, a presença da gestualidade não descarta por completo a existência de um projeto.

Críticas

"Românticas, também, mas de maneira mais tradicional, são as pinturas expressionistas da brasileira Wega, cujas explosões selvagens de energia visual assumem a forma de paisagens transcendentes, entrecortadas, de montes evanescentes, induzindo à vista uma arrancada de interpretações, a desfazer, pouco a pouco, o nosso senso de realidade visual. Seu dinamismo pictórico, embora tome a forma tradicionalista, é tão convincente quanto qualquer ensaio adrede previsto para provocar estados emocionais".
Geraldo Ferraz
FERRAZ, Geraldo. Wega liberta em arte: 1954-1974. São Paulo: Edição do autor, 1975, p. 68.

Depoimentos

"Desde criança eu tinha mania por desenho e por pintura. Aos 8 anos, na escola, fiz o retrato de uma freira que acabou mandando o desenho para minha casa com um recado para minha mãe: achava que eu devia estudar pintura. Mas em casa queriam que eu fosse pianista. Desde os 5 anos fizeram-me estudar piano. Quanto a mim, embora gostasse muito de pintar, também escrevia poesias e não sabia bem qual caminho escolher. Foi só depois de casada que, estimulada por meu marido, resolvi matricular-me na Escola de Belas Artes. Foi um dia de grande felicidade para mim. (...) Ao mesmo tempo, procurei um professor particular: Renée Lefèvre. Estudei depois com o professor Rocha Ferreira. E começou depois a fase em que eu passava o dia inteirinho pintando, ou no atelier ou nos arredores de São Paulo. Pegava o meu cavalete e as minhas tintas e ia para o Canindé. Levava lanche e ficava lá o dia inteiro. Voltava só à noite. Pintava também na Vila Maria, em Santos, Bertioga, e em todo o litoral. (...) Foi quando conheci o grande Takaoka. Ele achou que eu sabia pintar mas que não conhecia o aproveitamento das cores. E então começou para mim uma fase importante, onde aprendi a desenhar tirando tudo da linha, realçando a linha, sentindo a figura. E aprendendo a usar as cores. Foram aulas formidáveis as que tive com Takaoka. (...) Mas foi Sérgio Milliet que fez com que eu resolvesse dedicar-me à pintura, e só a ela. Resolvi levar um dia alguns desenhos e também minhas poesias para que ele os visse. E perguntei qual o caminho que, achava, eu deveria seguir. Sérgio respondeu-me que eu transmitia mais pelos desenhos do que pelas poesias. E daí por diante abandonei a literatura e fiquei só com a pintura. Não senti falta da poesia porque a pintura, para mim, tem muito de poesia e muito de música. (...). Comecei depois a estudar com Flexor. No atelier dele, desde o primeiro desenho me senti livre, na criação. Por outro lado, Flexor começou a organizar-me, comecei a sentir a disciplina do desenho. Expus com o Grupo Abstração pouco tempo depois, também no Instituto dos Arquitetos. Mas não demorou muito tempo a que eu me desinteressasse pela disciplina do abstracionismo da mesma forma como me havia desinteressado pelo figurativismo. Queria pintar coisas absolutamente livres".
Wega Nery
NERY, Wega. [Depoimento. Arte pela arte]. In: O TRAJETO abstrato de Wega Nery: críticas e depoimentos. São Paulo: MAC/USP, 1994, p. 41-42. Trecho de entrevista originalmente publicada em A Gazeta, São Paulo, 24 set. 1955.

Exposições Individuais

1955 - São Paulo SP - Wega Nery: desenhos, no Masp
1957 - São Paulo SP - Wega Nery: desenhos, na Petite Galerie
1957 - São Paulo SP - Wega Nery: desenhos, no MAM/SP
1959 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Adorno
1960 - Campinas SP - Individual, na Galeria Aremar
1964 - Rio de Janeiro RJ - Wega Nery: pinturas, na Galeria Bonino
1964 - São Paulo SP - Pinturas de Wega, na Galeria Solarium
1965 - Buenos Aires (Argentina) - Individual, na Galeria Lascaux
1965 - Montevidéu (Uruguai) - Wega Nery: óleos y gouaches, no Centro de Artes y Letras
1965 - Rio de Janeiro RJ - Wega Nery: pinturas e desenhos, no MAM/RJ
1966 - Porto Alegre RS - Individual, na Galeria Leopoldina
1966 - Porto Alegre RS - Wega Nery: óleos e guaches, na Galeria Leopoldina
1966 - Santos SP - Individual, no Clube de Arte
1966 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Cosme Velho
1967 - Distrito de Colúmbia (Estados Unidos) - Wega Nery of Brazil Oils, no Pan American Union Gallery
1967 - Nova York (Estados Unidos) - Wega Nery: imaginary landscapes, na Galerie Foussats
1967 - Punta del Este (Uruguai) - Individual, no Hotel Cantegril
1967 - Washington D. C. (Estados Unidos) - Wega Nery of Brazil Oils, na Pan American Union Gallery
1968 - Paris (França) - Wega Paisagens Imaginárias, na Galerie Debret
1968 - Rio de Janeiro RJ - Wega Nery: pinturas, na Galeria Bonino
1969 - Campo Grande MS - Individual
1969 - Corumbá MS - Individual
1969 - Cuiabá MT - Individual
1969 - Munique (Alemanha) - Wega Nery: brasilien abstrakte gemälde, na Galeria Schumacher
1970 - Estados Unidos - Individual, na sala de exposições da embaixada do Brasil
1970 - Londres (Inglaterra) - Wega Nery: imaginary landscapes, na Embaixada do Brasil na Inglaterra
1970 - Santos SP - Individual, no Centro Cultural Brasil Estados Unidos
1970 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Cosme Velho
1970 - Washington D.C. (Estados Unidos) - Wega Nery: imaginary landscapes, Embaixada do Brasil
1971 - Campinas SP - Paisagens Imaginárias de Wega Nery, na Galeria Girassol
1971 - Guarujá SP - Wega Paisagens Imaginárias, no Clube Samambaia
1971 - Londres (Inglaterra) - Individual, na Drian Gallery
1971 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1971 - Rio de Janeiro RJ - Wega Nery: pinturas, na Galeria Bonino
1972 - São Paulo SP - Wega Paisagens Imaginárias, na Documenta Galeria de Arte
1973 - Brasília DF - Wega: 20 paisagens imaginárias, na Galeria Mainline Hotel Nacional
1975 - São Paulo SP - Wega Nery: 30 paisagens imaginárias, na Documenta Galeria de Arte
1976 - Brasília DF - Wega Nery: 30 paisagens imaginárias, na Oscar Seraphico Galeria de Arte
1978 - São Paulo SP - Wega Nery: desenhos e pinturas, na Documenta Galeria de Arte
1979 - Brasília DF - Individual, na Fundação Cultural do Distrito Federal
1981 - Santos SP - Individual, na Galeria do Banco do Brasil
1983 - Santos SP - Individual, no Centro Cultural Brasil Estados Unidos
1985 - São Paulo SP - Wega Nery: passagens e paisagens, no Masp
1986 - São Paulo SP - Wega Nery: pinturas, no Subdistrito Comercial de Arte
1989 - Campo Grande MS  - Individual
1989 - São Paulo SP  - Wega Nery: pinturas, no Escritório de Arte São Paulo
1989 - São Paulo SP - Wega Nery: pinturas, na Galeria de Arte São Paulo
1993 - Brasília DF - A Ilha Verde de Wega, na MAB/DF
1993 - São Paulo SP - Individual, na Pinacoteca do Estado
1994 - São Paulo SP - 20 Obras do Trajeto Abstrato de Wega Nery, no MAC/USP
1994 - São Paulo SP - Individual, no CCSP
2005 - Brasília DF - Individual, no MAB/DF

Fonte: Itaú Cultural

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