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Valle Júnior

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BIOGRAFIA

Valle Júnior (Pirassununga SP 1889 - São Paulo SP 1958)

Pintor e desenhista.

Paulo do Valle Júnior ingressa no  Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo - Laosp em 1902, onde estuda com Oscar Pereira da Silva (1867 - 1939) e permanece até 1906. Nesse ano viaja para Paris, com bolsa de estudo concedida pelo governo do Estado de São Paulo, frequenta a Académie Julian e é aluno dos pintores Marcel André Baschet (1862 - 1941), Jean-Paul Laurens (1838 - 1921) e Henri Paul Royer (1869 - 1938).  O Estado de São Paulo lhe concede mais uma bolsa de estudo, em 1913, e Valle Júnior vai para a Europa, e lá fica até 1915. Em 1920, faz uma exposição individual no Clube Comercial, com boa recepção da crítica. Tem uma relevante participação no processo de profissionalização dos artistas em São Paulo, na criação da Sociedade Paulista de Belas Artes, em 1924, no debate sobre a criação do Departamento Histórico e Artístico do Estado de São Paulo e na fundação do Sindicato dos Pintores de São Paulo, primeiro do gênero no Brasil. Integra a mostra do Grupo Almeida Júnior, organizada por Torquato Bassi (1880 - 1967), em 1928. Entre 1937 e 1954, ocupa a presidência do Salão Paulista de Belas Artes e participa da comissão organizadora e do júri de seleção de várias edições do evento. Entre 1948 e 1952, passa nova temporada na Académie Julian, com apoio de Irene e Freddy Keller, seus parentes, que recebem parte da sua produção do período pelo custeio da viagem. Valle Júnior influencia a produção de artistas como Nicola Petti (1904 - 1984) e José Marques Campão (1892 - 1949). Apresenta uma retrospectiva na Galeria Prestes Maia, em São Paulo, em 1956.

Comentário Crítico

O impacto da formação no Liceu de Artes e Ofícios sobre os artistas da virada do século XIX ainda é um assunto pouco estudado, mas sabe-se que alguns dos que obtêm reconhecimento no ambiente artístico paulistano na época provêm de seus bancos de estudo. No Laosp, como aluno de Oscar Pereira da Silva (1867 - 1939), Valle Júnior dá os primeiros passos num campo artístico em transformação. De contornos acadêmicos, esse percurso passa por uma temporada de estudos no exterior, trazendo sucesso e certo grau de reconhecimento das instâncias acadêmicas estrangeiras, como atesta a menção feita ao seu trabalho pela revista da Académie Julian em 1909, e a posterior aclamação quando, de volta ao Brasil, em 1911, consegue uma segunda bolsa de estudo.

Essa formação acadêmica, longe de ser uma tradição rigidamente imutável e tradicional, vem assimilando elementos de inovação artística desde meados do século XIX. No caso francês, por exemplo, com a incorporação da luminosidade específica da Escola de Barbizon ou, posteriormente, com alguns elementos da paleta clareada dos impressionistas. Tais características notadas na obra de Pereira da Silva são também incorporadas por Valle Júnior. A herança do ensino de Pereira da Silva faz-se notar na ausência de um modelado tradicional, pois Valle Júnior não desenha contornos nem se utiliza do preto para fazer o sombreamento dos objetos. Ele faz uso frequente de empastamentos nas zonas mais iluminadas da tela, trabalhando as cores claras com espátula a fim de conseguir um efeito de volume, que produz mais densidade luminosa. Esse recurso, que Pedro Alexandrino (1856 - 1942) utiliza sobretudo na representação dos metais em suas naturezas-mortas, Valle Júnior usa em retratos, como o Retrato de Noemia Valle, 1924, ou em paisagens como O Sobrado Colonial, 1926, ambos pertencentes à Pinacoteca do Estado de São Paulo - Pesp.

Na primeira obra, elementos de "modernidade" podem ser observados, desde a postura e os trajes da jovem de cabelos curtos até suas características formais, seja pela combinação de cores, obtida diretamente sobre a tela (sobretudo no rosto, feito de rosa, vermelho, ocre, azul e verde), seja pelo aspecto do inacabado, que se aproveita da superfície crua da tela para trabalhar texturas e profundidades. As pinceladas visíveis ora acompanham o entorno da figura, ora cruzam-na perpendicularmente. O empastamento da tinta vermelha sobre os lábios acrescenta uma sensualidade que contrasta com a austeridade do olhar, feito de toques secos do pincel.

Críticas

"(...) tem-se dedicado à paisagem. Sua fatura é larga e cheia, feita com empastamentos a espátula nos zonas iluminadas. A cor, geralmente alegre, demonstra bastante sensibilidade na maneira de combinar os tons das luzes com as sombras".
Regina Liberalli Laemmert
PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969.

Exposições Individuais

1906 - São Paulo SP - Individual
1923 - São Paulo SP - Individual

Exposições Coletivas

1916 - Rio de Janeiro RJ - 23ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba - medalha de bronze
1917 - Rio de Janeiro RJ - 24ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba - medalha de prata
1922 - São Paulo SP - 1ª Exposição Geral de Belas Artes, no Palácio das Indústrias
1928 - São Paulo SP - Grupo Almeida Júnior, no Palácio das Arcadas
1928 - São Paulo SP - Salão de Belas Artes Muse Italiche, no Palácio das Indústrias
1930 - Nova York (Estados Unidos) - The First Representative Collection of Paintings by Brazilian Artists, no Nicholas Roerich Museum
1937 - São Paulo SP - 5º Salão Paulista de Belas Artes - grande medalha de ouro e 1º Prêmio Prefeitura de São Paulo
1937 - São Paulo SP - Grupo Almeida Júnior, no Palácio das Arcadas
1939 - São Paulo SP - 6º Salão Paulista de Belas Artes
1940 - São Paulo SP - 7º Salão Paulista de Belas Artes, no Salão de Arte Almeida Júnior da Prefeitura Municipal de São Paulo 
1940 - São Paulo SP - Exposição Retrospectiva: obras dos grandes mestres da pintura e seus discípulos
1947 - São Paulo SP - 13º Salão Paulista de Belas Artes, na Galeria Prestes Maia
1950 - Rio de Janeiro RJ - Um Século da Pintura Brasileira: 1850 - 1950, no MNBA
1954 - Rio de Janeiro RJ - Salão Preto e Branco
1954 - São Paulo SP - Salão de Belas Artes 3º Centenário
1955 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão Nacional de Belas Artes
1956 - São Paulo SP - 50 Anos da Paisagem Brasileira, no MAM/SP
1956 - São Paulo SP - Retrospectiva, na Galeria Prestes Maia
1956 - São Paulo SP - 20º Salão Paulista de Belas Artes
1957 - Curitiba PR - 14º Salão Paranaense de Belas Artes - medalha de prata
1957 - Rio de Janeiro RJ - 6º Salão Nacional de Belas Artes
1957 - São Paulo SP - 21º Salão Paulista de Belas Artes - medalha honra

Exposições Póstumas

1958 - São Paulo SP - 23º Salão Paulista de Belas Artes - artista homenageado
1976 - São Paulo SP - O Retrato na Coleção da Pinacoteca, na Pinacoteca do Estado
1980 - São Paulo SP - A Paisagem Brasileira: 1650-1976, no Paço das Artes
1981 - São Paulo SP - Quatro Grandes Pintores em São Paulo, na Fundação Bienal
1985 - São Paulo SP - 100 Obras Itaú, no Masp
1986 - São Paulo SP - Dezenovevinte: uma virada no século, na Pinacoteca do Estado
1998 - Rio de Janeiro RJ - Marinhas em Grandes Coleções Paulistas, no Museu Naval e Oceanográfico. Serviço de Documentação da Marinha
2000 - São Paulo SP - 7º Salão de Arte e Antiguidades, em A Hebraica
2003 - São Paulo SP - Pintores do Litoral Paulista, na Sociarte

Fonte: Itaú Cultural

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