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Trindade Leal

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BIOGRAFIA

Trindade Leal (Santana do Livramento RS 1927 - Porto Alegre RS 2013)

Gravador, desenhista, ilustrador e pintor.

Geraldo Trindade Leal estuda no curso livre de desenho do Instituto de Belas Artes, em Porto Alegre. Em 1953 vai para a Bahia, onde pesquisa a arte africana e desenvolve estudos sobre Pablo Picasso e o cubismo. Volta, em 1954, para Porto Alegre e inicia-se em xilogravura no ateliê de Francisco Stockinger. Convive com artistas da Sociedade Amigos da Arte, como Rubens Cabral, Joaquim Fonseca, Zorávia Bettiol e outros. Na segunda metade dos anos 50, realiza ilustrações para contos de Edgar Allan Poe e lança um álbum de xilogravuras intitulado O Lobisome. 

Críticas

"O desenho e a pintura, desenvolvidos com autodidatismo a partir de fins da década de 40, introduziram o artista no circuito produtivo de artes e o direcionaram à freqüência de cursos livres no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre. A partir de 1957 apresenta sua produção gráfica com uma opção pela figura, decorrência da utilização de temas como o pampa, o gaúcho, a figura do lobisomem. Os trabalhos receberam um tratamento plástico que incorpora componentes expressivos, característicos da xilogravura, a aspectos de um fabulário popular, mesclados a elementos oníricos. Em seus desenhos, Trindade Leal desenvolve uma forma não-rebuscada, objetiva, simplificada e lírica. O pampa, o gaúcho e suas relações podem ser percebidas de maneira leve e poética, como pode ser observado no trabalho do artista, premiado na exposição do 1º Jovem Desenho Nacional. Mantém-se fiel a seus princípios orientadores, mesmo quando opta por tema diverso aso já detectados em seu universo visual, como por exemplo a série 'Caça Submarina' que incorpora novos elementos temáticos, desenvolvendo-os com a mesma desenvoltura e leveza. Também em suas pinturas posteriores ocorre o desenvolvimento de temas e idéias abordando lembranças da infância em terras gaúchas, e o artista permanece em seu caminho de busca da simplicidade. Utiliza, para isto, cores e símbolos que integram o mágico mundo infantil, trabalhando com cores primárias, o que possibilita uma exacerbação do poder de visualização de suas propostas".
Marcos José Santos de Moraes
O que faz você agora Geração 60? Jovem arte contemporânea dos anos 60 revisitada. São Paulo : MAC/USP, 1992. s.n.

"Em (Trindade Leal), temas como o regionalismo perdem a moldura incômoda da tradição sem criação, sendo esta reconstruída poeticamente de forma a fazer do artista um tipo ideal para análises de arte e cultura, ligadas à construção de um imaginário sulino. (...) Abordar questões de regionalismo no Rio Grande do Sul - inalienáveis ao retomar as questões dos anos 50 e 60 - importa em esclarecer a situação específica das artes visuais. Ao contrário de outras linguagens mais próximas a um ethos rural como a música ou a literatura épica ou de crônica, a questão do gaúcho nas artes plásticas não foi envolvida pelo tom heróico do cancioneiro guasca. (...) (Trindade Leal) veio a se definir cedo por uma visão antropológica de arte, em que é capaz de sintetizar nas formas uma concepção atualizada e singularíssima dos emblemas da cultura rural como temática referida à região e em especial por uma iconografia gaúcha própria ao pampa. Ele é dos que procuram elucidar nas formas uma questão mais do que pertinente a essa fase de nosso processo de modernidade: atualização com identidade. O encontro definitivo das opções não-acadêmicas, a ruptura e as descobertas de novas possibilidades dão-se quando de sua estada na Bahia ao longo de um ano, em 1953. (...) Pesquisa então arte negra africana, buscando afinidade também com Picasso (...) e o cubismo, numa fusão adequada de modelos essenciais. Nesse convívio, descobre a si mesmo e suas possibilidades. Segundo palavras do artista, ao fixar os temas baianos, dá-se conta do manancial do sul e sua contrapartida. De volta, em 1954, tomado pela euforia das vivências primordiais, reencontra a disponibilidade dos pagos e os signos visuais retraçados e internos a eles. "Me tranquei na fazenda feito louco, desenhando, pintando e trabalhando no campo..." numa gradativa adequação da experiência do norte por matrizes locais substitutas, a traduzir sua visão desse mundo e dessas formas. (...) Na técnica gráfica da xilogravura, introduz-se, nesse mesmo ano (1957), no ateliê de Xico Stockinger, dilatando sua absorção e resolução das formas de temática popular, de acordo com a simplicidade do corte de cordel. Executa aí a série O Lobisome. (...) No desenho, mais tarde, são reaproveitadas as filigranas do corte em fio da gravura. As acumulações da linearidade gráfica, ao longo da linguagem, são capazes de criar um campo de tensões que foi real, e é cultural, e é plástico-visual como formante específico, capaz de amarrar homem, céu e terra, aproximando-os com a mesma finura de arabescos que os envolve sempre, entre si e mais uma vez com artistas modernos de sua afinidade. Trindade (retoma) a problemática do Clube de Gravura nos anos 50, com relação ao regional, ampliando-a e dando-lhe novas possibilidades, ao admitir que o tema deve passar pela linguagem (pensamento plástico) e pelo fazer estético, de criá-la e de recriá-la sem travas (autonomia). Desde o início de sua obra, Trindade Leal passa a encampar a temática gaúcha. Parece-nos que, a partir da conscientização dessa síntese entre o espaço rural e a linha lúdica, ele se firma na qualidade dos anos 70".
Marilene Burtet Pieta
PROJETO "Caixa Resgatando a Memória". Texto Marilene Burlet Pieta, Paulo Gomes, Susana Gastal; apresentação Marisa Veeck; design gráfico Mário Röhnelt; versão em inglês Brigitta Struck; versão em espanhol Eva Maria Fayos Garcia; apresentação Sérgio Cutuolo dos Santos. Porto Alegre : Caixa Econômica Federal, 1998. p. 61-68.

Exposições Individuais

1953 - Salvador BA - Primeira individual, na Galeria Oxumaré
1953 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Ibeu Copacabana 
1954 - Porto Alegre RS - Trindade Leal: produção baiana, na Galeria do ICBNA
1955 - Porto Alegre RS - Trindade Leal: fase picasseana, na Galeria do ICBNA
1956 - Santana do Livramento RS - Individual, no Clube Comercial
1957 - Porto Alegre RS - Trindade Leal: xilogravura, na Galeria do CATC-IBA
1958 - Florianópolis SC - Individual, no Masc
1960 - São Paulo SP - Individual, na Galeria São Luís
1962 - São Paulo SP - Individual, na Galeria São Luís
1964 - Porto Alegre RS - Individual, no Margs
1966 - São Paulo SP - Trindade Leal: retrospectiva, no Masp
1976 - Porto Alegre RS - Trindade Leal: desenhos, pinturas e aguadas, na Galeria IAB/RS
1978 - Porto Alegre RS - Trindade Leal: desenhos, aquarelas e pinturas, na Galeria Independência
1978 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Paulo Prado
1980 - Porto Alegre RS - Trindade Leal: pinturas e aguadas, no Cambona Centro de Artes
1996 - Porto Alegre RS - Trindade Leal: desenho, xilogravura, pintura, no Conjunto Cultural da Caixa
1996 - Porto Alegre RS - Trindade Leal: desenho, xilogravura, pintura, na Bolsa de Arte de Porto Alegre
1997 - Bagé RS - Trindade Leal: xilogravura, no Museu da Gravura Brasileira
1997 - Passo Fundo RS - Trindade Leal: desenho, xilogravura, pintura, no Museu de Artes Visuais Ruth Schneider
1997 - Pelotas RS - Trindade Leal: desenho, xilogravura, pintura, no Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo
1997 - Porto Alegre RS - Projeto Presença, no Margs

Exposições Coletivas

1951 - São Paulo SP - 1º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia
1952 - São Paulo SP - 2º Salão Paulista de Arte Moderna, na na Galeria Prestes Maia - prêmio aquisição em pintura
1955 - Porto Alegre RS - Arte Brasileira Contemporânea, no Margs
1957 - Porto Alegre RS - 9º Salão de Arte da Associação Francisco Lisboa - Prêmio Aleijadinho em xilogravura
1957 - Rio de Janeiro RJ - Salão para Todos, no MEC
1960 - São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Folha de São Paulo - 1º Prêmio Leirner em xilogravura
1962 - São Paulo SP - 11º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia
1963 - São Paulo SP - 1ª Exposição do Jovem Desenho Nacional, na Faap
1963 - São Paulo SP - 7ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1964 - Belo Horizonte MG - 1ª Exposição do Jovem Desenho Nacional, no MAP
1964 - Paris (França) - Salon Comparaisons, no Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris
1964 - Roma (Itália) - Salon Comparasions
1964 - Salzburgo (Áustria) - Salon Comparasions
1965 - Bristol (Inglaterra) - International Exhibition of Graphic Art
1965 - Leeds (Inglaterra) - International Exhibition of Graphic Art
1965 - Manchester (Inglaterra) - International Exhibition of Graphic Art
1965 - Newcastle (Inglaterra) - International Exhibition of Graphic Art
1965 - Edimburgo (Escócia) - International Exhibition of Graphic Art
1965 - Cardiff (País de Gales) - International Exhibition of Graphic Art
1965 - Liubliana (Iugoslávia - atual Eslovênia) - 6ª Bienal Internacional de Gravura, na Moderna Galerija Ljubljana
1965 - Porto Alegre RS - Coletiva de artistas gaúchos, na Galeria da AFL
1966 - Ribeirão Preto SP - 40 Gravuras Nacionais e Estrangeiras do Acervo do MAC, na Escola de Artes Plásticas de Ribeirão Preto
1966 - São Paulo SP - 40 Gravuras Nacionais e Estrangeiras do Acervo do MAC, no MAC/USP
1968 - Piracicaba SP - 40 Gravuras Nacionais e Estrangeiras do Acervo do MAC, na USP. Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz
1970 - Olinda PE - 40 Gravuras Nacionais e Estrangeiras do Acervo do MAC, no MAC/Olinda
1970 - Penápolis SP - 40 Gravuras Nacionais e Estrangeiras do Acervo do MAC
1971 - São Paulo SP - 3º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1973 - São Paulo SP - 3ª Esposição de Artes Plásticas, no Clube Pinheiros - medalha de ouro
1974 - São Paulo SP - 4ª Esposição de Artes Plásticas, no Clube Pinheiros - medalha de ouro
1979 - São Paulo SP - Coleção Theon Spanudis, no MAC/USP
1984 - Ribeirão Preto SP - Gravadores Brasileiros Anos 50/60, na Galeria Campus - USP - Banespa
1985 - São Paulo SP - Semana Surrealista. A Arte do Imaginário, na Galeria Encontro das Artes
1987 - São Paulo SP - O Ofício da Arte: pintura, no Sesc
1991 - São Paulo SP - O Que Faz Você Agora Geração 60?: jovem arte contemporânea dos anos 60 revisitada, no MAC/USP
1993 - João Pessoa PB - Xilogravura: do cordel à galeria, na Funesc
1994 - São Paulo SP - Xilogravura: do cordel à galeria, no Metrô
1998 - São Paulo SP - Os Colecionadores - Guita e José Mindlin: matrizes e gravuras, na Galeria de Arte do Sesi
1999 - Porto Alegre RS - Garagem de Arte: mostra inaugural, na Garagem de Arte
2000 - São Paulo SP - Investigações. A Gravura Brasileira, no Itaú Cultural
2001 - Brasília DF - Investigações. A Gravura Brasileira, na Galeria Itaú Cultural
2001 - Penápolis SP - Investigações. A Gravura Brasileira, na Galeria Itaú Cultural
2001 - Porto Alegre RS - Coleção Liba e Rubem Knijnik: arte brasileira contemporânea, no Margs
2002 - Porto Alegre RS - Desenhos, Gravuras, Esculturas e Aquarelas, na Garagem de Arte

Fonte: Itaú Cultural

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