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Teresa D'Amico Fourpome

OBRAS DO ARTISTA

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BIOGRAFIA

Teresa D'Amico Fourpome (São Paulo SP 1914 - Idem 1965)

Escultora, desenhista e pintora.

Estuda na Escola de Belas Artes de São Paulo, com o professor Nicola Rollo (1889-1970). Entre 1941 e 1948, reside em Nova York, onde frequenta a Rockfeller Foundation e o International Education Institute. Aperfeiçoa-se em escultura com Ossip Zadkine (1890-1967). Estuda com William Zorach (1887-1966) e Stanley William Hayter (1901-1988). Expõe com o grupo de alunos do Ateliê 17, no Museu de Arte Moderna (MoMA). Entre 1957 e 1958, colhe farto material na Bahia, buscando no folclore a fonte de inspiração para o seu trabalho. Na Sociedade Pró-Arte Moderna (Spam), obtém o segundo prêmio Governo do Estado (1952 e 1956), prêmios de aquisição (1954 e 1956), de viagem pelo país (1959), pequena medalha de ouro em escultura (1963) e grande medalha de prata em arte decorativa (1954). Conquista ainda pequena medalha de ouro e prêmio de aquisição no Salão Paulista de Belas Artes (SPBA) de 1954.

Comentário Crítico

A obra de Teresa D'Amico é comumente associada a termos como realismo fantástico, realismo mágico ou, ainda, como escreve o crítico Mário Schenberg, arte mágica. Porém, observando as obras desta artista paulistana, nota-se que estes termos não são muito precisos para descrevê-la. O realismo fantástico propõe a combinação de um realismo minucioso com a fantasia e a imaginação do mundo dos contos de fadas. O realismo mágico, por sua vez, abarca diversos tipos de pintura em que os objetos são representados com naturalismo, mas que, devido a elementos paradoxais ou justaposições inesperadas, veiculam uma atmosfera de irrealidade, infundindo mistério ao corriqueiro. Exemplo desse estilo são as pinturas do belga René Magritte (1898 - 1967). Na obra Orixá (1961), por exemplo, percebe-se que a artista não teve nenhuma intenção realista ao figurar essa divindade. D'Amico reúne materiais diversos - penas, sementes e espinha de peixe - e provavelmente tem o propósito de dotar sua assemblage de algo do mistério que naturalmente se associa ao tema escolhido, os orixás. Mas não se trata do mesmo sentimento de mistério pretendido por um Magritte ou um Giorgio de Chirico (1988 - 1978), sentimento este que adviria muito mais da composição que do tema em si, tais como justaposições incongruentes, pintura dentro da pintura, mesclas do erótico com o ordinário e rupturas de escala e perspectiva.

Mário Schenberg, por sua vez, não chega a definir o termo arte mágica, porém dá a entender que o associa a ideias como religiosidade, misticismo, lendas e ritos, ligados a determinada concepção de uma natureza pujante, misteriosa e fascinante.

Críticas

"(...) nas montagens, ela senta-se na sala de jantar colonial do passado no degrau do terraço baiano, no portal das sacristias do Recôncavo ou de Pirapora, e, armada de tesoura, cola, conchas, plumas, borboletas, papéis de seda, grampos fotografias, postais, imagens, breves e folhas de catecismo, donairosamente confecciona essas montagens líricas, inefáveis, de cromatismo ingênuo, e assim organiza, qual coleções de insetos e flores, histórias gráficas e plásticas de Omulu, de papagaios, de retábulos, de altares, de palas barrocas, de biombos litúrgicos, de fundos de oratórios, de nesgas de armários, de caixas reluzentes cujas molduras são conchas, plumagens, fiapos, cabelos, retroses, linhas, painas, pétalas, sementes, estrelas, areia e luz. 
Evidentemente, nenhum artista brasileiro, mesmo aqueles que conhecem a arte religiosa popular castelhana, jamais se serviu desses motivos como agora está fazendo Teresa D´Amico. Reputo sua exposição um acontecimento lírico de alto arrebatamento. A alma popular voa através de tudo aquilo, como aqueles papagaios de cores concretistas e como aquelas bicicletas de meninos descendentes de Alain Fournier para uma excursão pelo céu-dossel de imenso oratório que tem a beleza populista dum arremedo ingênuo da Capela Sistina na mente em febre duma criança-anjo (...)".
José Geraldo Vieira
Vieira, José Geraldo. [texto]. In: D'AMICO, Teresa. Teresa D´Amico: retrospectiva. Texto de José Geraldo Vieira. São Paulo: Paço das Artes, 1972.

"Artista formada na tradição cubista, suas primeiras esculturas evocam aquelas estátuas que silenciosamente atravessam o tempo. Esta tendência de trabalhar com os atributos do mundo feminino começa com Teresa de maneira difusa, inconsciente. Nas esculturas prevalecem os dorsos, as maternidades. Nos seus desenhos fantásticos as divindades femininas ocupam lugar preponderante. Aos poucos, libertando-se do longo aprendizado do artista e identificando-se com a mulher popular, ela chega a uma linguagem própria. A partir daí, não só os motivos representados (as pastoras, as loucas, as beatas, as deusas) mas também os materiais empregados (papel, rendas, contas, arminhos, plumas) caracterizam uma expressão feminina de inspiração popular, tipicamente brasileira. 
Na continuidade de seu trabalho, Teresa D´Amico amplia o regionalismo brasileiro desdobrando-se na questão feminina universal. A concha, a folha, o fruto não são mais uma representação: constituem os próprios elementos femininos. É o óvulo, o útero, o filho. A semente não é material de trabalho da mulher, é material de travalho do grande feminino: a terra. E desta forma a artista transpõe para a arte o corpo da mulher".
Renée Fourpone e Ivo Mesquita
Fourpone, Renée e Mesquita, Ivo. O mundo feminino na obra de Teresa D´Amico. D'AMICO, Teresa. O mundo feminino na obra de Teresa D'Amico. São Paulo: Galeria de Arte do Sesi, 1981.

"Teresa d'Amico tem na sua geração uma importância comparável a de Tarsila do Amaral e Anita Malfatti na geração da Semana da Arte Moderna. Como elas, Teresa teve uma profunda formação de arte de vanguarda internacional, mas posteriormente sentiu a necessidade de uma fixação mais profunda de suas raízes na vida e na paisagem do Brasil. (...) Desde a sua volta ao Brasil, Teresa começou a receber uma ação profunda da nossa Natureza, com influências mágicas diretas sobre a sua criação artística,(...) Essas vivências levariam aos seus extraordinários desenhos fantásticos e posteriormente às colagens e montagens, que continuariam as outras duas formas básicas da sua arte mágica profundamente feminina.(...) Na sua arte mágica conseguiu também uma transformação alquímico-espiritual do Surrealismo e de algumas influências, recebidas em Nova York e também em São Paulo, que nos deram as suas geniais colagens e montagens. A viagem de Teresa para a Bahia em 1957 exerceu uma influência fundamental em toda a fase final de sua trajetória artística. Conseguiu ali não só a identificação maior com a terra brasileira, tanto no plano naturalista como no mágico-espiritual, mas isso foi completado por uma integração nova na vida do povo e na sua cultura baiana tão integrada e maravilhosa. 
A viagem à Bahia deu a Teresa também a oportunidade de descobrir o mundo mágico das religiões africanas e afro-brasileiras, implantado na soberba arquitetura colonial da Bahia e no seu catolicismo, e integrado na intensidade incomparável da sua atmosfera popular, então ainda livre das profanações das demolições do turismo e da industrialização. Haviam-se reunido todas as condições para que Teresa encontrasse toda a sua realização cósmica-técnica-mágico-espiritual-artística. Nasceu assim a sua extraordinária arte mágica, com uma explosão inacreditável da fantasia e criatividade".
Mário Schenberg
SCHENBERG, Mario. A arte mágica de Teresa D´Amico. In: ______. Pensando a arte. São Paulo: Nova Stella, 1988. p.155-156.

"Numa exposição, cujo contexto das obras evidencia a invariável procura de traços de brasilidade, não se poderia deixar de incluir algumas das obras da pintora Teresa D´Amico. Seu trabalho recupera mitos e ritos africanos, o misticismo, a forte religiosidade de um povo que devota sua energia ao trabalho. É forte e indissociável o vínculo que a nossa gente mantém com a natureza, o que demonstra o conjunto das obras aqui reunidas".
Lourdes Cedran
Brasiliana: o homem e a terra. Apresentação de Bete Mendes e Lourdes Cedran. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1988.

Exposições Individuais

1957 - Salvador BA - Individual, na Galeria Oxumaré
1958 - São Paulo SP - Individual, na Galeria de Arte das Folhas
1958 - São Paulo SP - Individual, no MAM/SP
1958 - São Paulo SP - Individual, no Masp
1962 - São Paulo SP - Individual, na Casa do Artista Plástico
1964 - Roma (Itália) - Individual, na Galeria Sistina

Exposições Coletivas

1951 - São Paulo SP - 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon
1952 - São Paulo SP - 2º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia
1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados
1954 - São Paulo SP - 3º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - grande medalha de prata em arte decorativa e prêmio aquisição
1954 - São Paulo SP - 19º Salão Paulista de Belas Artes, na Galeria Prestes Maia - pequena medalha de ouro e prêmio aquisição
1955 - Genebra (Suíça) - 1ª Exposição Internacional de Cerâmica Moderna
1955 - Paris (França) - Salão Comparações
1955 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Arte Moderna
1955 - São Paulo SP - 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações
1955 - São Paulo SP - 4º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia (São Paulo, SP)
1956 - São Paulo SP - 5º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - 2º Prêmio Governo do Estado e prêmio aquisição
1959 - São Paulo SP - 5ª Bienal Internacional de São Paulo, no - Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho
1959 - São Paulo SP - 8º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - prêmio viagem pelo país
1960 - São Paulo SP - Contribuição da Mulher às Artes Plásticas no País, no MAM/SP
1960 - São Paulo SP - 9º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia
1961 - São Paulo SP - 6ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho
1963 - Campinas SP - Pintura e Escultura Contemporâneas, no Museu Carlos Gomes
1963 - São Paulo SP - 7ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1963 - São Paulo SP - 12º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - pequena medalha de ouro
1964 - Córdoba (Argentina) - 2ª Bienal Americana de Arte

Exposições Póstumas

1965 - Lisboa (Portugal) - Pintura e Escultura de Artistas Brasileiros Contemporâneos, na Fundação Calouste Gulbenkian
1965 - México - Pintura y Grabado del Brasil
1965 - Paris (França) - 11º Salon Comparaisons
1965 - Paris (França) - Oito Pintores Ingênuos Brasileiros, na Galeria Jacques Massol
1965 - São Paulo SP - 8ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1966 - Europa - Artistas Primitivos Brasileiros - itinerante
1966 - União Soviética - Artistas Primitivos Brasileiros - itinerante
1966 - Países orientais - 12 Pintores Brasileiros de Inspiração Popular
1966 - Polônia - 12 Pintores Brasileiros de Inspiração Popular
1966 - Rússia - 12 Pintores Brasileiros de Inspiração Popular
1972 - São Paulo SP - Retrospectiva, no Paço das Artes
1975 - São Paulo SP - Santeiros Imaginários, no Paço das Artes
1979 - São Paulo SP - Novos Caminhos da Arte Fantástica, no Paço das Artes
1980 - São Paulo SP - 10 Anos do Paço das Artes
1980 - São Paulo SP - 1ª Mostra de Colagem, no Paço das Artes
1981 - São Paulo SP - O Mundo Feminino na Obra de Teresa d'Amico, na Galeria de Arte do Sesi
1982 - São Paulo SP - 2ª Mostra de Colagem, no Paço das Artes
1982 - São Paulo SP - O Brasil Visto pelos Pintores Populares, no Centro Campestre do Sesc
1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal
1985 - São Paulo SP - A Arte do Imaginário, na Galeria Encontro das Artes
1987 - São Paulo SP - 19ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1988 - São Paulo SP - Brasiliana: o homem e a terra, na Pinacoteca do Estado
1996 - São Paulo SP - O Mundo de Mario Schenberg, na Casa das Rosas

Fonte: Itaú Cultural

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