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Raul Pederneiras

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BIOGRAFIA

Raul Pederneiras (Rio de Janeiro RJ 1874 - Idem 1953)

Caricaturista, chargista, professor, pintor, escritor e dramaturgo. Forma-se em direito. Inicia a carreira de caricaturista em 1898, no diário em cores O Mercúrio, do Rio de Janeiro. Nessa época, começa também a publicar textos, como os versos Com Licença, em 1899, e Versos Líricos, em 1900. Desde então, não para de colaborar, com ilustrações e textos, em diversos periódicos de várias partes do país, como a Revista da Semana, O Tagarela, D. Quixote, O Malho e Jornal do Brasil, todos no Rio de Janeiro; Correio Paulistano, de São Paulo; e Eco do Sul, do Rio Grande do Sul. Em 1916, participa do 1º Salão dos Humoristas, no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. Em 1918, torna-se professor de anatomia artística na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), na mesma cidade, cargo que abandona em 1938 pelo de professor de direito internacional na Faculdade Nacional de Direito da antiga Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e que exerce até sua aposentadoria. Em 1924, reúne em um álbum suas caricaturas Cenas da Vida Carioca. Faz uma única individual de pintura, sobretudo aquarela, em 1926, no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. Publica obras diversificadas, como os desenhos Figurações Onomásticas e a comédia A Boa Haidéa, ambos de 1928. Do mesmo ano é sua conferência ilustrada sobre A Caricatura no Brasil, também impressa. O segundo álbum das Cenas da Vida Carioca sai em 1934. Seguem-se a ele, ainda nos anos 1930, dois livros jurídicos de sucesso.

Comentário Crítico

Raul Pederneiras integra, com J. Carlos (1884 - 1950) e K. Lixto (1877 - 1957), o trio mais conhecido da caricatura brasileira do início do século XX. Inicia sua carreira sob a influência do caricaturista Julião Machado (1863 - 1930). É este quem, segundo o próprio Raul, introduz no país o desenho de contorno sem sombreado e um humor mais espirituoso1. Essas duas características são mantidas na produção de Raul, ou Luar, O.I.S. (Oh! Yes!), Oscar, J., Xisto e Pan, seus pseudônimos. Os críticos sempre ressaltam em seu traço a espontaneidade, a ingenuidade, a clareza, a precisão, a leveza e a elegância2. Seus personagens possuem uma graça que é sua marca registrada. Suas charges e desenhos não passam da ironia ou do humorismo, não têm maldade3. Fazem rir, mas não são agressivos, o que combina com seu gosto e talento para o trocadilho, que pratica tanto no trabalho quanto na vida. Seu tema preferido, a cidade do Rio de Janeiro, com seus tipos e costumes, é adequado ao exercício desse humor. Em suas caricaturas e charges, Pederneiras explora da alta sociedade aos tipos de rua, como o mascate, o doceiro, o baleiro e tantos outros. Seu dois livros intitulados Cenas da Vida Carioca são os mais importantes de sua produção diversificada e volumosa. A única crítica que costuma receber refere-se às poucas mudanças de seu estilo4. Com aproximadamente 50 anos de atividade, não houve grande alteração em seu traço, enquanto a moda, a vida e tudo o mais no Rio de Janeiro muda.

Notas
1 LIMA, Herman. História da caricatura no Brasil. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1963, vol. 3, p. 963.
2 Idem, p. 990 e FONSECA, Joaquim da. Caricatura. Porto Alegre: Artes e Ofício, 1999, p. 224.
3 LIMA, Herman, op. cit., p. 1.012.
4 Idem, p. 998.

Fonte: Itaú Cultural

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