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Paulo Garcez

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BIOGRAFIA

Paulo Garcez (Rio de Janeiro RJ 1945 - idem 1989)

Pintor, gravador, desenhista, artista intermídia.

Em 1970, Paulo Moacir Mário Gomes Garcez estuda no Centro de Pesquisa de Arte, no Rio de Janeiro, com Bruno Tausz (1939) e Ivan Serpa (1923 - 1973), de quem recebe convite para trabalhar e estudar em seu ateliê, entre 1971 e 1972. Nesse ano participa da exposição 11º Premi Internacional Dibuix Joan Miró, em Barcelona, Espanha. Recebe uma bolsa de estudo do governo alemão, por meio do Deutscher Akademischer Austauschdienst [Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico] (Daad), para frequentar, no biênio 1975 - 1976, a Escola de Arte de Hamburgo, onde estuda com Almir Mavignier (1925). Realiza sua primeira exposição individual, na Galeria Bonino, no Rio de Janeiro, em 1975, no mesmo ano participa da exposição coletiva, na Crearco Gallery, em Lausanne, Suíça.  Expõe na Bienal de Veneza, em 1978 e, no ano seguinte, no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). Postumamente, em 1993, ocorre a mostra Visions from Brazil: The Drawings of Paulo Gomes Garcez, no The Lowe Art Museum, em Coral Gables, Miami, Estados Unidos.

Comentário Crítico

A obra de Paulo Garcez propõe a aproximação entre desenho e escrita, ao mesmo tempo que apresenta uma reflexão sobre a representação. Suas pequeninas figuras desenhadas em sequência, em escala digital, remetem a antigos hieróglifos, dotadas porém de humor e malícia. Ao contrário do alfabeto latino, em que cada letra representa um som, os hieróglifos são ideográficos, ou seja, pretendem ligar de maneira sintética o sinal gráfico àquilo que representa. Garcez, desse modo, joga com um duplo mimetismo: o relativo à representação do homem e o da escrita, pois é uma espécie de escrita que suas pequenas figuras tentam forjar. Por isso, ao olhar um de seus desenhos ou uma obra como Ritmo, 1980, o espectador é levado a proceder como se estivesse diante de um texto escrito, "lendo" o desenho da esquerda para a direita, tentando agrupar as figuras em unidades semânticas que confiram sentido ao conjunto, quando combinadas. É também por mimetizar a escrita que, nessas obras, o plano pictórico não tem nenhuma hierarquia espacial: o que está escrito (ou desenhado) acima ou no centro não apresenta maior peso visual do que o que está posto abaixo ou nas laterais.

Críticas

"Mesmo enquanto trabalhava só nos desenhos, Paulo Gomes Garcez nunca se preocupou em afinar a sua obra com as tendências dominantes daquele momento. Assim, quando, no final da década de 70, a maioria dos artistas procurava resolver questões mais racionais, ele simplesmente desenhava as cartas cifradas e fazia figuras bem realistas (...). Ele trabalha com bastões de tinta a óleo, faz várias camadas superpostas e dissolve as figuras no meio dessas névoas delicadas de cores que se confundem. Na pintura ele só trabalha com áreas de cor e matéria, não existem sequer linhas de contorno, pois as pequenas figuras que ainda surgem se esfumaçam e se integram, não havendo primeiros planos ou a divisão de um espaço da tela. (...) Ao mesmo tempo que são imagens de atualidade, onde a economia de formas valoriza o valor corpóreo das áreas de cor, é impossível não associá-las com formas arcaicas - tecidos antigos, iluminuras, pintura mural, afrescos de cavernas perdidas. Tais ambiguidades enriquecem a atração por essas pinturas mas são um espelho direto da própria formação de Paulo Gomes Garcez e do que ele se propôs a fazer como arte".
Casimiro Xavier de Mendonça
GARCEZ, Paulo. Personagens e ritmos. São Paulo: Paulo Figueiredo Galeria de Arte, 1986.

Exposições Individuais

1975 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1978 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1979 - São Paulo SP - Individual, no Masp
1979 - Curitiba PR - Individual, na Fundação Cultural
1980 - Roma (Itália) - Individual, na Galeria Casa do Brasil
1980 - Bari (Itália) - Individual, na Centrosei-Arte Contemporânea
1981 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino
1981 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Sérgio Milliet
1982 - São Paulo SP - Individual, na Paulo Figueiredo Galeria de Arte
1984 - Londres (Inglaterra) - Individual, no Brazilian Centre
1986 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Saramenha
1986 - São Paulo SP - Personagens e Ritmos
1988 - São Paulo SP - Individual, na Paulo Figueiredo Galeria de Arte
1988 - Nova York (Estados Unidos) - Individual, na Mary-Anne Martin/Fine Arts

Exposições Coletivas

1970 - Rio de Janeiro RJ - 2º Salão de Verão, no MAM/RJ
1971 - Rio de Janeiro RJ - 3º Salão de Verão, no MAM/RJ
1971 - Campinas SP - 7º Salão de Arte Contemporânea - menção especial
1972 - Barcelona (Espanha) - 11º Premi International Dibuix Joan Miró
1976 - Lausanne (Suíça) - Coletiva, na Crearco-Galeria
1978 - Veneza (Itália) - Bienal de Veneza
1979 - Nova York (Estados Unidos) - Coletiva, na Nobé Gallery
1979 - Rio de Janeiro RJ - 2º Salão Nacional de Artes Plásticas, no  MAM/RJ - prêmio viagem ao exterior
1979 - Curitiba PR - 1ª Mostra do Desenho Brasileiro - Prêmio INAP/Funarte
1980 - Santa Mônica (Estados Unidos) - Coletiva, na Universidade de Santa Mônica
1980 - Los Angeles (Estados Unidos) - Coletiva, na Zero Zero Gallery
1981 - Paris (França) - Coletiva, na Galerie NRA
1981 - Nova York (Estados Unidos) - Coletiva, no Alternative Museum
1983 - São Paulo SP - 17ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1983 - Nova York (Estados Unidos) - Coletiva, na Mary-Anne Martin/Fine Arts
1983 - Rio de Janeiro RJ - 6º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1984 - São Paulo SP - 15º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1984 - Niterói RJ - 12 Desenhistas Brasileiros: um traço em comum, na Galeria de Artes UFF
1984 - Rio de Janeiro RJ - Viva a Pintura, na Petite Galerie
1985 - Rio de Janeiro RJ - Velha Mania: desenho brasileiro, na EAV/Parque Lage
1985 - São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1985 - Penápolis SP - 6º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis/Funepe. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis
1986 - Toronto (Canadá) - Coletiva, na Del Bello Gallery
1986 - Ontário (Canadá) - Coletiva, na Del Bello Gallery
1986 - Havana (Cuba) - 2ª Bienal de Havana - artista convidado
1986 - Rio de Janeiro RJ - Território Ocupado, na EAV/Parque Lage
1986 - Porto Alegre RS - Caminhos do Desenho Brasileiro, no MARGS
1987 - São Paulo SP - 18º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1987 - Rio de Janeiro RJ - Território Ocupado, na EAV/Parque Lage
1987 - São Paulo SP - Palavra Imágica, no MAC/USP
1989 - São Paulo SP - Coletiva, no MAM/SP
1989 - Rio de Janeiro RJ - Coletiva, no MNBA
1989 - Belo Horizonte MG - Coletiva, no Centro Cultural UFMG
1989 - Ouro Preto MG - Coletiva, na Casa da Baronesa
1989 - Juiz de Fora MG - Coletiva, no Museu Mariano Procópio

Exposições Póstumas

1989 - São Paulo SP - O Pequeno Infinito e o Grande Circunscrito, na Arco Arte Contemporânea Galeria Bruno Musatti
1992 - Curitiba PR - 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba/Mostra América, no Museu da Gravura
1992 - Rio de Janeiro RJ - Natureza: quatro séculos de arte no Brasil, no CCBB
1992 - Rio de Janeiro RJ - 1ª A Caminho de Niterói: Coleção João Sattamini, no Paço Imperial
1993 - São Paulo SP - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Galeria de Arte do Sesi
1993 - Rio de Janeiro RJ - O Papel do Rio, no Paço Imperial
1993 - Rio de Janeiro RJ - Brasil, 100 Anos de Arte Moderna, no MNBA
1994 - Rio de Janeiro RJ - O Desenho Moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateubriand, no MAM/RJ
1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal
1995 - São Paulo SP - Artistas Colecionistas, na Valu Oria Galeria de Arte
1998 - São Paulo SP - O Moderno e o Contemporâneo na Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand - MAM/RJ, no Masp
1998 - Niterói RJ - Espelho da Bienal, no MAC/Niterói
2002 - Rio de Janeiro RJ - Caminhos do Contemporâneo 1952-2002, no Paço Imperial
2003 - São Paulo SP - Um Difícil Momento de Equilíbrio, no MAM/SP - Espaço MAM - Villa-Lobos
2005 - Belo Horizonte MG - 40/80: uma mostra de arte brasileira, no Léo Bahia Arte Contemporânea

Fonte: Itaú Cultural

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