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Paulo Antunes Ribeiro

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BIOGRAFIA

Paulo Antunes Ribeiro (Rio de Janeiro RJ 1905 - s.l. 1973)

Arquiteto, urbanista. Forma-se na Escola Nacional de Belas Artes - Enba, em 1926. Recebe a medalha de ouro e o prêmio de viagem ao exterior no Salão Nacional de Belas Artes - SNBA e vai estudar no Instituto de Urbanismo da Universidade de Paris entre 1928 e 1929. Preside o Instituto dos Arquitetos do Brasil - IAB de 1953 a 1956, e como membro da instituição participa do júri do concurso público nacional de Brasília, em 1956. Ele discorda dos encaminhamentos e critérios de seleção adotados pelos arquitetos André Sive, conselheiro do Ministério da Reconstrução Francesa, William Holford, um dos responsáveis pelo plano regulador de Londres, Oscar Niemeyer e Stamo Papadaki, professor da Universidade de Nova York, da comissão julgadora, e declara seu voto em separado. Em sua declaração critica o concurso e sugere que as dez equipes selecionadas pela comissão julgadora, mais uma por ele indicada, recebam prêmio em conjunto, formando uma comissão para o desenvolvimento do plano de Brasília. Sua produção como arquiteto e urbanista engloba projetos de hotéis, escritórios, hospitais, residências, bancos, clubes, planos urbanos e de refinarias pelo país. Entre eles destacam-se os edifícios Caramuru, 1946, em Salvador - menção do júri da Exposição Internacional de Arquitetura da 1ª Bienal Internacional de São Paulo, 1951, o Hotel Amazonas, 1947, e o Hotel da Bahia, 1951, realizado com o arquiteto Diógenes Rebouças. Esses trabalhos estão publicados na revista francesa L'Architecture D'Aujourd'Hui, uma das principais divulgadoras da arquitetura moderna brasileira nos anos 1950, e no livro Modern Architecture in Brazil, 1956, de Henrique Mindlin.

Comentário crítico

Paulo Antunes Ribeiro faz parte da primeira geração de arquitetos modernos do Brasil e, apesar do reconhecimento nacional e internacional alcançado nos anos 1950, pouco se sabe de sua trajetória e obra. Entre seus projetos conhecidos destacam-se aqueles que divulgam a arquitetura moderna em outras regiões do país, fora do eixo Rio-São Paulo, como o Edifício Caramuru, 1946, o Hotel da Bahia, 1947/1951, e o Hotel Amazonas, os dois primeiros construídos em Salvador e o último em Manaus. Os três edifícios trazem a interpretação que os arquitetos brasileiros realizam da obra de Le Corbusier, a partir de meados dos anos 1930, sobretudo no modo como adotam os seus cinco pontos da arquitetura - pilotis, planta livre, fachada livre, janela corrida e terraço jardim.

A estrutura independente de concreto armado possibilita vários arranjos internos aos edifícios, a liberdade por ela garantida sendo afirmada de modo contundente no térreo e primeiro pavimento do Hotel da Bahia, onde os ambientes de convívio social - lojas, restaurante, bar, boate e salão - assumem formas variadas que extravasam o bloco superior, serpenteando a estrutura principal de desenho ortogonal. Nesse edifício, desenvolvido em coautoria com o arquiteto baiano Diógenes Rebouças, o raciocínio funcional é enfatizado pela adoção explícita de dois espaçamentos para a estrutura, um de vãos menores destinados às atividades administrativas e de serviços, e outro com vãos maiores para as atividades sociais do hotel.

A liberdade dada às fachadas pela estrutura independente ganha expressão no brise-soleil do Edifício Caramuru. Diante do duplo desafio de manter a vista da baía de Todos-os-Santos e proteger o edifício do excesso de luminosidade, Ribeiro projeta "um sistema de leves grades de ferro, de 2 por 3 metros, destacadas das fachadas e dispostas em dois planos, alternando-se em tabuleiro de xadrez, espaçadas de 25 centímetros e apoiadas em consolos de concreto salientes das lajes dos andares",1 conferindo às elevações principais uma força e um dinamismo inusitados, que lhe garantem a menção honrosa na Exposição Internacional de Arquitetura da 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951.

O destaque dado aos primeiros pavimentos no Hotel da Bahia é reforçado pelo desenho dos pilotis de dupla altura, conferindo à base do edifício graça e leveza, ao minimizar o peso do volume principal, solução adotada nos outros dois edifícios do arquiteto. No último pavimento, como coroamento dos três edifícios, a cobertura com terraço, jardim e volumes que se destacam ora pelo desenho sinuoso, ora pelo recuo em relação aos limites do volume principal, ora pelos volumes opacos das circulações verticais.

A integração entre arte e arquitetura característica da arquitetura moderna também está presente no Edifício Caramuru através da escultura de Mario Cravo Júnior e no Hotel da Bahia pelo painel do artista baiano Genaro.

Se essas características estão muito próximas da matriz corbusiana, sem nenhum demérito às inovações estéticas e construtivas dos arquitetos locais, não é possível falar o mesmo em relação à implantação e à organização dos programas de edifícios residenciais, comerciais, administrativos ou de serviços desenvolvidos no Brasil a partir da segunda metade dos anos 1930. Diferentemente do mestre franco-suíço, Ribeiro adota um partido recorrente entre os arquitetos modernos brasileiros, inserindo seus edifícios no contexto urbano existente. O térreo com pilotis, que a Le Corbusier serve a continuidade do tecido urbano e a utilização como garagem, nesses edifícios recompõe o desenho da quadra e o passeio público através da marquise e do alinhamento com as divisas do lote junto à rua. Além disso, os serviços e comércio localizados no térreo do edifício voltam-se para toda a cidade, não se destinando apenas a atender os usuários do edifício como no modelo corbusiano.

Outra obra do arquiteto destacada pela crítica é o Edifício para Exposições e Venda de Automóveis, 1952/1954 (demolida), construído no Rio de Janeiro para a empresa de tratores alemã Hanomag. De composição assimétrica, o edifício se define por uma grande abóbada recortada na elevação principal por duas linhas de janelas corridas, seguida de duas abóbadas gêmeas sustentadas por pilares em "V", cujas linhas são destacadas pela transparência dos caixilhos de piso a teto. A primeira abóbada, mais austera e marcada pelo predomínio do cheio sobre o vazio, recebe a administração do edifício, as outras duas, com desenho escultural e dinâmico, abrigam o salão de exposição dos automóveis. Para o historiador da arquitetura Yves Bruand, "a perfeita solução dada aos problemas funcionais, traduziu-se na elaboração de formas vigorosas e nítidas, de acentuado caráter geométrico, que oferecem um dos melhores símbolos do ideal racionalista brasileiro".2

Notas
1 MINDLIN, Henrique. Arquitetura moderna no Brasil. Rio de Janeiro: Aeroplano/ Iphan, 2000, p. 234.
2 BRUAND, Yves. Arquitetura contemporânea no Brasil. Tradução Ana M. Goldberger. 3ª. ed. São Paulo: Perspectiva, 1981. p. 262.

Fonte: Itaú Cultural

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