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Oscar Pereira da Silva

Oscar Pereira da Silva

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BIOGRAFIA

Oscar Pereira da Silva (São Fidélis RJ 1867 - São Paulo SP 1939)

Pintor, decorador, desenhista, professor. Entre 1882 e 1887, estuda na Academia Imperial de Belas Artes - Aiba, e é aluno de Zeferino da Costa, Victor Meirelles, Chaves Pinheiro e José Maria de Medeiros. Em 1887, torna-se ajudante de Zeferino da Costa na decoração da Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro. Conquista o último prêmio de viagem ao exterior concedido pelo imperador dom Pedro II, transferindo-se para Paris em 1889. Estuda com os pintores Léon Bonnat e Jean-Léon Gérôme. No período em que permanece na França, produz diversos estudos e telas. Retorna ao Brasil em 1896. No Rio de Janeiro, realiza uma exposição individual no salão da Escola Nacional de Belas Artes - Enba, onde são apresentados 33 trabalhos feitos na Europa. No mesmo ano, transfere-se para São Paulo. Leciona no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo - Laosp e no Ginásio do Estado, e ministra também aulas particulares em seu ateliê. Em 1897, funda o Núcleo Artístico, que, mais tarde, se transforma na Escola de Belas Artes, onde dá aulas. Entre 1903 e 1911, trabalha na decoração do Theatro Municipal de São Paulo, elaborando três murais: O Teatro na Grécia Antiga, A Dança e A Música. Entre 1907 e 1917, realiza pinturas para Igreja de Santa Cecília. Como pensionista do Governo do Estado de São Paulo, viaja a Paris em 1925.

Comentário Crítico

Autor de pintura histórica, retratos, temas religiosos, cenas de gênero, naturezas-mortas e paisagens, Oscar Pereira da Silva é também grande copista. Na cidade de São Paulo estão seus principais trabalhos, entre os quais se destacam Escrava Romana, ca.1882, Infância de Giotto, 1895, e Fundação da Cidade de São Paulo, 1909, pertencentes à Pinacoteca do Estado de São Paulo - Pesp; Desembarque de Cabral em Porto Seguro, 1922, e O Príncipe Regente D. Pedro, Jorge Avilez ao lado da Fragata União, do Museu Paulista da Universidade de São Paulo - MP/USP. A experiência na Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, como auxiliar de Zeferino da Costa, gera frutos em São Paulo, onde realiza a decoração da Igreja de Santa Cecília. Na cúpula, estão retratados os evangelistas; nas capelas, a Imaculada Conceição e os Esponsais de São José. Completando o conjunto, figuram em friso ao redor da nave diversos retratos de clérigos. No início do século XX, em São Paulo, diversas capelas coloniais são substituídas por edifícios neogóticos ou neocoloniais, abrindo-se uma frente de trabalho para artistas decoradores, como Oscar Pereira da Silva e Benedito Calixto. Além da Igreja de Santa Cecília, ambos atuam nas igrejas de Santa Ifigênia, da Consolação e do Rosário. Pereira da Silva realiza também trabalhos decorativos para a Igreja de Nossa Senhora da Conceição.

Em Paris, realiza seu aprimoramento artístico nos ateliês de pintores conservadores, não se interessando pelo realismo e muito menos pelo impressionismo. Em grande parte pela formação acadêmica que recebe, não se deixa influenciar pela pintura moderna, preferindo continuar numa linha tradicional, que trabalha com grande qualidade técnica.

Cultiva o assunto bíblico e histórico, temas que já não interessam à maioria dos pintores de sua época. São exemplos dessa tendência Salomé, 1913, Lídia, Escrava Romana, telas de figuras femininas que revelam o apego às tradições acadêmicas e que parecem anacrônicas para seu tempo. Suas obras revelam desenho minucioso e perfeito, à semelhança do mestre Zeferino da Costa. Alguns trabalhos, principalmente as cenas de gênero, de que são exemplos Criação da Vovó, 1890, Consertador de Porcelanas, 1894, Cozinha na Roça e Canto Íntimo parecem menos severamente pautados pela estética tradicional, revelando alguma ousadia mais na temática do que no tratamento pictórico.

Suas laboriosas composições são características da expansão da pintura que predomina no meio artístico brasileiro no início da República, o que explica tanto sua alta produtividade e aceitação no período quanto as críticas de que foi alvo posteriormente. Pereira da Silva insere-se com sucesso num contexto em que o ensino artístico e as encomendas oficiais são as principais fontes de atividades para os artistas. Exerce, então, a atividade de professor e é bastante solicitado a realizar obras para instituições ligadas ao governo.

Realiza também algumas paisagens, mas a principal tarefa por ele assumida consiste em recriar, em grandes composições, episódios da história nacional ou paulista. O melhor exemplo é certamente o Desembarque de Cabral em Porto Seguro. A tela ganha tal notoriedade, servindo de iconografia para livros escolares e outras publicações, que até hoje figura como a mais popular representação da chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil. É interessante considerar que a obra é realizada para as comemorações do centenário da Independência do Brasil, em 1922, no mesmo ano que a Semana de Arte Moderna agita o ambiente cultural paulista. Outra importante tela histórica é Sessão das Cortes de Lisboa em 9 de maio de 1822, episódio em que diversos deputados brasileiros, liderados por Antonio Carlos de Andrade e Silva, defenderam na corte portuguesa que um único soberano deveria governar os reinos de Portugal e do Brasil. Assim como O Desembarque, a tela é encomendada pelo historiador e diretor do Museu Paulista, Afonso d'Escragnolle Taunay, para ocupar os espaços do recém-criado museu. A eleição de determinados momentos históricos faz parte do projeto de construção e elaboração da identidade e memória nacionais.

Pode-se criticar Oscar Pereira da Silva pela repetição das fórmulas e a impermeabilidade às novas tendências pictóricas em voga internacionalmente. No fim da vida, passa a produzir uma quantidade maior de marinhas, paisagens, naturezas-mortas e aquarelas. Autor de uma produção numerosa, porém desigual, quase sempre pautada na estética tradicional, considerado por alguns críticos como um pintor fraco e demasiadamente elogiado,1 pauta sua obra, como afirma o crítico Quirino Campofiorito, "na convicção de que era inadmissível a um artista deformar, para, deste modo, melhor expressar".2

Notas
1 BARATA, Mário. Pintura e escultura: posições do academismo e tentativas do simbolismo. In: ZANINI, Walter (org). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Instituto Walther Moreira Salles, Fundação Djalma Guimarães, 1983. p. 443.
2 CAMPOFIORITO, Quirino. A Proteção do Imperador e os pintores do Segundo Reinado: 1850 - 1890. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983. (História da pintura brasileira no século XIX, 4). p. 50.

Críticas

"Como os artistas entregues à disciplina do ensino na École Nationale des Beaux-Arts, negou-se a admitir algum interesse pelos movimentos artísticos renovadores desde o realismo audacioso de Courbet, passando pela libertação técnica e inspirativa do romantismo de Delacroix e muito menos então o impressionismo, já vitorioso fora das fronteiras da arte oficial. E como tal havia nosso pintor de pautar sua obra, o que fez por toda sua longa existência, na convicção de que era inadmissível a um artista deformar, para, deste modo, melhor expressar. Era o postulado até mesmo respeitado pela crítica reacionária aos movimentos renovadores, de que um artista só pode conceber formas belas e assuntos nobres, e que lhe compete desenhar com exatidão e embelezar até mesmo o mais cruento realismo que a vida demonstre. (...) Com tais convicções artísticas prosseguiu (...) quando o movimento desencadeado pela Semana de Arte Moderna de 1922 já mudara o semblante de nossa arte mais representativa e esta se confirmava no apoio que lhe assegura a geração que se notabiliza nos anos trinta. (...) Sem ter revelado impulsos vigorosos que lhe evidenciassem poder emotivo, Oscar Pereira da Silva soube manter no transcorrer de bem cinquenta e sete anos de produção permanente e intensa, desde que retornou ao país, em 1896, todo o cuidado de um desenho severamente elaborado, sem num só instante voltar-se para o novo semblante que a pintura adquiria nessa transposição de tempo".
Quirino Campofiorito
CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983.

Acervos

Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo (SP)
Igreja da Consolação - São Paulo SP
Museu Mariano Procópio - Juiz de Fora MG
Museu Nacional de Belas Artes - MNBA - Rio de Janeiro RJ
Museu Paulista da Universidade de São Paulo - MP/USP - São Paulo SP

Exposições Individuais

1896 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Enba
1898 - São Paulo SP - Individual, no Banco União de São Paulo
1898 - São Paulo SP - Individual, no Banco Construtor

Exposições Coletivas

1884 - Rio de Janeiro RJ - 26ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1890 - Rio de Janeiro RJ - Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1894 - Rio de Janeiro RJ - 1ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1896 - Rio de Janeiro RJ - 3ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1897 - Rio de Janeiro RJ - 4ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1898 - Rio de Janeiro RJ - 5ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1902 - São Paulo SP - Exposição de Belas Artes Industriais
1904 - Saint Louis (Estados Unidos) - Exposição de Saint-Louis
1904 - São Paulo SP - Exposição de Saint-Louis
1907 - Rio de Janeiro RJ - 14ª Exposição Geral de Belas Artes
1907 - Rio de Janeiro RJ - 14º Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1908 - Rio de Janeiro RJ - Exposição Comemorativa da Abertura dos Portos
1912 - São Paulo SP - 2ª Exposição Brasileira de Belas Artes, no Liceu de Artes e Ofícios
1914 - Rio de Janeiro RJ - 21ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1922 - São Paulo SP - 1ª Exposição Geral de Belas Artes, no Palácio das Indústrias
1928 - São Paulo SP - Grupo Almeida Júnior, no Palácio das Arcadas
1934 - São Paulo SP - 1º Salão Paulista de Belas Artes, na Rua 11 de Agosto
1935 - São Paulo SP - 2º Salão Paulista de Belas Artes
1935 - São Paulo SP - 3º Salão Paulista de Belas Artes
1936 - São Paulo SP - Individual, no Palácio das Arcadas
1937 - São Paulo SP - 5º Salão Paulista de Belas Artes
1939 - São Paulo SP - 6º Salão Paulista de Belas Artes

Exposições Póstumas

1940 - São Paulo SP - Exposição Retrospectiva: obras dos grandes mestres da pintura e seus discípulos
1944 - São Paulo SP - 10º Salão Paulista de Belas Artes, na Galeria Prestes Maia
1946 - São Paulo SP - 12º Salão Paulista de Belas Artes, na Galeria Prestes Maia
1948 - Rio de Janeiro RJ - Retrospectiva da Pintura no Brasil, no MNBA
1950 - Rio de Janeiro RJ - Um Século da Pintura Brasileira: 1850-1950, no MNBA
1954 - São Paulo SP - Salão Paulista de Belas Artes, na Galeria Prestes Maia
1970 - São Paulo SP - Pinacoteca do Estado de São Paulo 1970, no MAB/Faap
1976 - São Paulo SP - O Retrato na Coleção da Pinacoteca, na Pinacoteca do Estado
1980 - São Paulo SP - A Paisagem Brasileira: 1650-1976, no Paço das Artes
1981 - São Paulo SP - Quatro Grandes Pintores em São Paulo, na Fundação Bienal
1982 - Rio de Janeiro RJ - 150 Anos de Pintura de Marinha na História da Arte Brasileira, no MNBA
1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal
1985 - São Paulo SP - 100 Obras Itaú, no Masp
1986 - São Paulo SP - Dezenovevinte: uma virada no século, na Pinacoteca do Estado
1991 - São Paulo SP - O Desejo na Academia: 1847-1916, na Pinacoteca do Estado
1991 - São Paulo SP - Oscar Pereira da Silva: aquarelas, no Renato Magalhães Gouvêa Escritório de Arte
1994 - São Paulo SP - Um Olhar Crítico sobre o Acervo do Século XIX, na Pinacoteca do Estado
1998 - Rio de Janeiro RJ - Marinhas em Grandes Coleções Paulistas, no Espaço Cultural da Marinha/Museu Naval
1998 - São Paulo SP - Iconografia Paulistana em Coleções Particulares, no Museu da Casa Brasileira
2000 - Caxias do Sul RS - Mostra Itinerante do Acervo do Margs
2000 - Passo Fundo RS - Mostra Itinerante do Acervo do Margs
2000 - Pelotas RS - Mostra Itinerante do Acervo do Margs
2000 - Porto Alegre RS - De Frans Post a Eliseu Visconti: acervo Museu Nacional de Belas Artes - RJ, no Margs
2000 - Rio de Janeiro RJ - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Carta de Pero Vaz de Caminha, no Museu Histórico Nacional
2000 - Santa Maria RS - Mostra Itinerante do Acervo do Margs
2000 - São Paulo SP - A Figura Humana na Coleção Itaú, no Itaú Cultural
2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento, no Fundação Bienal
2001 - São Paulo SP - Coleção Aldo Franco, na Pinacoteca do Estado
2002 - Brasília DF - Barão do Rio Branco: sua obra e seu tempo, no Ministério das Relações Exteriores. Palácio do Itamaraty
2003 - São Paulo SP - Pintores do Litoral Paulista, na Sociarte
2004 - São Paulo SP - O Preço da Sedução: do espartilho ao silicone, no Itaú Cultural

Fonte: Itaú cultural

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