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Mônica Nador

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BIOGRAFIA

Mônica Nador (Ribeirão Preto SP 1955)

Pintora, desenhista, gravadora.

Forma-se na Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado, Faap, São Paulo, em 1983. Dois anos depois, Mônica Panizza Nador freqüenta o curso de gravura planográfica com Regina Silveira (1939) na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, ECA/USP. Realiza sua primeira exposição individual no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP em 1983. Em 1994, recebe uma bolsa de estudos da Mid-America Alliance e viaja para os Estados Unidos. De volta ao Brasil, recebe em 1999, a Bolsa Vitae de Artes, na área de artes visuais com o projeto Paredes Pinturas. Neste mesmo ano, desenvolve em conjunto com os moradores da Vila Rhodia, em São José dos Campos, São Paulo, o projeto Paredes Pintadas, que consiste na criação de desenhos em máscaras de acetato que são pintados nas casas do bairro. No ano seguinte obtém o título de mestre pela ECA/USP, com a dissertação Paredes Pinturas, sob orientação de Regina Silveira.

Comentário Crítico

Em pinturas do início da década de 1980, Mônica Nador produz telas de grandes dimensões, nas quais apresenta listras que se justapõem umas às outras sobre o campo da tela, empregando constantemente tons rebaixados. O observador percebe pequenas nesgas de luz na trama escura das tintas, provenientes do branco do tecido, que a artista deixa à mostra algumas vezes. Assim, explora não apenas as relações entre áreas de cor, mas também um jogo de relações entre figura e fundo. A partir da metade dessa década, sua paleta se amplia e se aclara. A artista passa a acoplar, às suas telas, outras telas (mais claras, com listras mais esgarçadas), criando espaços ilusórios e discutindo procedimentos e possibilidades da pintura.

Como nota o historiador da arte Tadeu Chiarelli, Mônica Nador passa a trabalhar a cor como espaço, em telas que apresentam, além das pinceladas livres, áreas intensamente ornamentadas com arabescos, como na série Para Orar (1989). Nas obras dessa época, passa a evocar um sentido místico para a arte. Já em Mergulhe (1991) e outras obras da década de 1990, emprega a palavra como sugestão de caminho pelo qual o observador alcança a fruição da obra de arte.

A partir de 1999, Mônica Nador praticamente abandona a produção de trabalhos de arte tradicionais e se volta para a produção de grandes pinturas murais, em comunidades carentes, onde passa a residir. Desenvolve pinturas em fachadas de residências, em trabalho conjunto com seus moradores, partindo de motivos decorativos. A artista obtém grande motivação da população, partindo da transformação da realidade do lugar, e explorando o potencial transformador da arte, como no projeto Paredes Pinturas, realizado em São José dos Campos, São Paulo.

Críticas

"(...) nas telas de Mônica, em formatos minimalistas, retangulares, trapezóides, etc. de grandes dimensões, sobre as quais uma cerrada trama pictórica de tons intensos, o negro dominante, é elaborada obsessivamente com uma caligrafia controlada e regular. Uma pintura que não se oferece, mas antes solicita do espectador uma entrada em sintonia para sua sensibilização, inclusive ótica, para sua percepção. E, nessa aproximação do observador, um desvendar de espaços, através de frestas de luz, em delicadezas cromáticas no esgarçar da trama pictórica, se constitui em descobertas de deleite dirigido puramente visual".
Aracy Amaral 
SEIS artistas. São Paulo: MAC/USP, 1985.

"(...) De um lado, há as pinturas e desenhos resultantes de uma gestualidade presumidamente expressiva, convertida, entretanto, em operação monótona e quase mecânica (...) mas de outro há também as telas que recorrem à representação a partir de uma posição "fria", enquanto citação, a partir da inescapável bidimensionalidade da pintura, enfim. Alguns desses exemplares são, assim, indicadores de que a obra da artista vem se constituindo e afirmando sua importância ao longo dos anos 80, situando-se, inclusive, numa posição extremamente singular, caso se leve em conta a dominante neo-expressionista de grande parte da pintura nesta década. (...) O interesse mais imediato nesta obra da coleção do MAC reside no formato da tela, que parece impor à artista um fascínio maior enquanto forma do que como superfície de recobrimento da cor. Aqui a espessa trama em negro insistentemente reposta é o que reforça e identifica a investigação dos formatos. Trata-se talvez de uma expansão da superfície pictórica em direção a uma arquitetura do espaço na qual o objeto estético inevitavelmente se inscreve, um procedimento que leva o observador a hesitar entre os limites ideais do ´quadro´ e a captura integral de todas as relações que imediatamente se estabelecem no espaço e que lhe impõem uma nova escala".
Marco Antonio Tabet/Sônia Salzstein Goldberg 
AMARAL, Aracy A. (org.). Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo: perfil de um acervo. São Paulo: Techint Engenharia: Ex Libris, 1988.

Exposições Individuais

1983 - São Paulo SP - Desenhos, no MAC/USP
1987 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
1988 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
1990 - São Paulo SP - Arte Engajada, na Galeria Casa Triângulo
1994 - Dekalb (Estados Unidos) - Individual, na School's of Art Gallery, Northern Illinois University (em colaboração com James Lax)
1994 - Philadelphia (Estados Unidos) - Individual, na Nexus Foundation for Today's Art (em colaboração com James Lax)
1994 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina
1995 - Brasília DF - Individual, na Casa Thomas Jefferson (em colaboração com James Lax)
1995 - Curitiba PR - Individual, na Fundação Cultural de Curitiba (em colaboração com James Lax)
1995 - São Paulo SP - Individual, no CCSP (em colaboração com James Lax)
1996 - São Paulo SP - Parede para Nelson Leirner, no MAM/SP
2003 - São Paulo SP - Observações Sobre o Espaço e o Tempo, na Unicsul

Exposições Coletivas

1983 - São Paulo SP - 17ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1983 - São Paulo SP - Outdoor Piscada, no Projeto Arte na Rua 1, organizado pelo MAC/USP
1984 - Rio de Janeiro RJ - Como Vai Você, Geração 80?, na EAV/Parque Lage
1985 - Belo Horizonte MG - Brasil Desenho, no Paço das Artes
1985 - Campinas SP - Brasil Desenho, no MACC
1985 - Porto Alegre RS - Brasil Desenho, no Margs
1985 - Ribeirão Preto SP - Desenhar, na Itaugaleria
1985 - Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1985 - Rio de Janeiro RJ - Brasil Desenho, na Funarte
1985 - Rio de Janeiro RJ - Caligrafia e Escrituras, na Funarte
1985 - São Paulo SP - 3º Salão Paulista de Arte Contemporânea, na Fundação Bienal
1985 - São Paulo SP - Coletiva, no MAC/USP
1985 - São Paulo SP - E o Desenho? e Gráfica Contemporânea, na Galeria Humberto
1986 - Cáli (Colômbia) - 5ª Bienal Americana de Artes Gráficas, no Museu de Arte Moderna de La Tertúlia
1986 - Fortaleza CE - Imagine: o planeta saúda o cometa, na Arte Galeria
1986 - São Paulo SP - 4º Salão Paulista de Arte Contemporânea, na Fundação Bienal
1986 - São Paulo SP - Coletiva, no MAC/USP
1988 - Berlim (Alemanha) - Workshop Berlim/São Paulo, na Kunsthalle Berlim
1988 - São Paulo SP - Ação no MAM, no MAM/SP
1988 - São Paulo SP - Coleção Particular de Eduardo Brandão, na Galeria Casa Triângulo
1988 - São Paulo SP - MAC 25 Anos: aquisições e doações recentes, no MAC/USP
1988 - São Paulo SP - Workshop Berlim/São Paulo, no Masp
1989 - Porto Alegre RS - Arte Híbrida, no Espaço Cultural BFB
1989 - Rio de Janeiro RJ - Arte Híbrida, na Fundação Nacional de Arte. Centro de Artes
1989 - São Paulo SP - 20º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1989 - São Paulo SP - Arte Contemporânea São Paulo - Perspectivas Recentes, no CCSP
1989 - São Paulo SP - Arte Híbrida, no MAM/SP
1989 - São Paulo SP - O Pequeno Infinito e o Grande Circunscrito, na Arco Arte Contemporânea Galeria Bruno Musatti
1990 - Brasília DF - Prêmio Brasília de Artes Plásticas, no MAB/DF
1990 - São Paulo SP - 21º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1991 - São Paulo SP - 21ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1991 - São Paulo SP - BR/80 Pintura Brasil Década 80, na Itaugaleria
1991 - São Paulo SP - Programa de Exposições de Artes Plásticas, no CCSP
1992 - Poços de Caldas MG - Arte Moderna Brasileira: acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, na Casa da Cultura
1992 - São Paulo SP - Coletiva, no MAC/USP
1992 - São Paulo SP - Programa Anual de Exposições de Artes Plásticas 91, na Fundação Bienal 
1992 - São Paulo SP - Um Olhar Sobre o Figurativo, na Galeria Casa Triângulo
1993 - Washington (Estados Unidos) - Brazil Images of the 80th & 90th, no Art Museum of the Américas
1994 - Rio de Janeiro RJ - Brasil: imagens dos anos 80 e 90, no MAM/RJ
1994 - San Juan (Porto Rico) - Pequeno Formato Latino-americano 94, na Galeria Luigi
1994 - São Paulo SP - Brasil: imagens dos anos 80 e 90, na Casa das Rosas
1994 - São Paulo SP - Marinhas, na Galeria Nara Roesler
1995 - Curitiba PR - Gravuras em Colaboração com James Lox, no Museu da Gravura
1995 - Rio de Janeiro RJ - Anos 80: o palco da diversidade, no MAM/RJ
1995 - São Paulo SP - 1ª United Artists, na Casa das Rosas
1995 - São Paulo SP - Anos 80: o palco da diversidade, na Galeria de Arte do Sesi
1995 - São Paulo SP - Programa Anual de Exposições de Artes Plásticas, no CCSP 
1995 - Uberlândia MG - Arte na Cidade, na Universidade Federal de Uberlândia
1996 - São Paulo SP - 15 Artistas Brasileiros, no MAM/SP
1996 - São Paulo SP - Arte Brasileira Contemporânea: doações recentes/96, no MAM/SP
1997 - São Paulo SP - Ao Cubo, no Paço das Artes
1997 - São Paulo SP - Arte Suporte Computador, na Casa das Rosas
1997 - São Paulo SP - Brito Cimino Arte Contemporânea: mostra inaugural, na Galeria Brito Cimino
1997 - São Paulo SP - Catálogo: Artistas Representados e Acervos
1998 - São Paulo SP - O Moderno e o Contemporâneo na Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand - MAM/RJ, no Masp
1998 - São Paulo SP - O Museu de Arte Moderna de São Paulo, no Banco Safra
1999 - São Paulo SP - 26º Panorama de Arte Brasileira, no MAM/SP
2000 - Belo Horizonte MG - Investigações. São ou Não São Gravuras?, no Itaú Cultural
2000 - Brasília DF - Investigações. São ou Não São Gravuras?, na Galeria Itaú Cultural 
2000 - Curitiba PR - 12ª Mostra da Gravura de Curitiba. Marcas do Corpo, Dobras da Alma
2000 - Fortaleza CE - 26º Panorama de Arte Brasileira, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
2000 - Havana (Cuba) - 7ª Bienal de Havana, no Centro de Arte Contemporáneo Wifredo Lam
2000 - Niterói RJ - 26º Panorama de Arte Brasileira, no MAC/Niterói
2000 - São Paulo SP - Diálogo: arte contemporânea Brasil/Equador, no Memorial da América Latina. Galeria Marta Traba 
2001 - São Paulo SP - 27º Panorama de Arte Brasileira, no MAM/SP
2001 - Washington (Estados Unidos) - Virgin Territory: women, gender, and history in contemporary brazilian art, no The National Museum of Women in the Arts
2002 - Londrina PR - São ou Não São Gravuras?, no Museu de Arte de Londrina
2002 - Rio de Janeiro RJ - 27º Panorama de Arte Brasileira, no MAM/RJ
2002 - Salvador BA - 27º Panorama de Arte Brasileira, no MAM/BA
2002 - São Paulo SP - A Linha Como Estrutura da Forma, no MAM/SP
2003 - São Paulo SP - 2080, no MAM/SP
2003 - São Paulo SP - Meus Amigos, no MAM/SP
2003 - São Paulo SP - Ocupação Prestes Maia, na Av. Prestes Maia, 853
2004 - Rio de Janeiro RJ - Onde Está Você, Geração 80?, no CCBB

Fonte: Itaú Cultural

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