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Millôr Fernandes

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BIOGRAFIA

Millôr Fernandes (Rio de Janeiro RJ 19231 - Idem 2012)

Chargista, caricaturista, ilustrador, escritor, poeta, dramaturgo, tradutor.

Tem seu primeiro desenho publicado em O Jornal, em 1934. Aos 13 anos é contratado pela revista O Cruzeiro, onde executa tarefas variadas da produção jornalística: escreve legendas, faz paginação e realiza trabalhos de office-boy. Em busca de aprimoramento, freqüenta o Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, entre 1938 e 1943. Em 1939, após ganhar um concurso de contos promovido pela revista A Cigarra, é convidado por Frederico Chateaubriand para escrever na mesma revista. Cria, então, a seção Poste-Escrito, assinando como Emmanuel Vão Gôgo. Com o mesmo pseudônimo começa a escrever uma coluna no Diário da Noite. Posteriormente, assume por três anos a direção de A Cigarra. Dirige também O Guri, revista em quadrinhos, e O Detetive, de contos policiais. Em 1945, produz o Pif-Paf, seção humorística da revista O Cruzeiro, com textos de sua autoria assinados também como Emmanuel Vão Gôgo e ilustrados inicialmente por Péricles (1924 - 1961) e, posteriormente com ilustrações próprias. Em 1964, já afastado de O Cruzeiro, edita o periódico Pif-Paf, com somente oito edições. Entre 1964 e 1974, colabora semanalmente no jornal Diário Popular, de Portugal. De 1969 a 1975, participa do semanário carioca O Pasquim, ao lado de Jaguar (1932), Tarso de Castro, Sérgio Cabral (1937), Henfil (1944 - 1988), Paulo Francis (1930 - 1997), Ziraldo (1932), entre outros. Além de sua produção na mídia impressa, Millôr apresenta programas na TV Itacolomi, de Belo Horizonte, e, na TV Tupi, do Rio de Janeiro. Escreve poemas, textos, adaptações e traduções para o teatro e roteiros para cinema, publicando dezenas de livros.

Comentário Crítico

Com seus mais de 50 anos contínuos de produção, Milton Viola Fernandes, ou simplesmente Millôr Fernandes, tornou-se um ícone do humor brasileiro. Oriundo da geração que se sobressai nos anos 1950 em revistas como O Cruzeiro, o humor gráfico e literário de Millôr testemunha, com uma inteligência sempre afiada, as diversas mudanças culturais e políticas pelas quais passa o Brasil na segunda metade do século XX. Sua intensa verve humorística soube se expressar com maestria em diversos meios, tanto que Millôr é um dos poucos humoristas brasileiros que não se destaca apenas em uma área: ele é chargista, escritor, poeta, teatrólogo, tradutor, roteirista, compositor, editor etc.

Mas Millôr gosta de ser visto como jornalista.2 Descobre a linguagem dos quadrinhos no início dos anos 1930, particularmente com clássicos americanos do gênero como Flash Gordon, e precocemente, em 1938, inicia sua carreira como contínuo e repaginador na então pequena revista O Cruzeiro. Logo depois, ainda como estudante do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, ganha um concurso de crônicas da revista A Cigarra. Em pouco tempo está assinando a coluna de humor Poste Escrito da revista, com o pseudônimo Emmanuel Vão Gôgo. Retorna para O Cruzeiro e, em 1945, inicia a publicação de seus trabalhos na seção de humor O Pif-Paf, em parceria histórica com o humorista gráfico Péricles (1924 - 1961). Ali publica alguns de seus trabalhos mais espirituosos, como a série de poemas cinéticos, geométricos e matemáticos. Em 1949, lança Tempo e Contratempo, a primeira coletânea de seus trabalhos ainda sob o pseudônimo Emmanuel Vão Gôgo.

Em 1950, a revista começa a se destacar, antevendo o sucesso de toda a década. Esses anos são muito produtivos: em 1953, sua primeira peça, Uma Mulher em Três Atos, estréia no Teatro Brasileiro de Comédia - TBC, São Paulo. Em 1955, divide o primeiro prêmio na Exposição Internacional do Museu da Caricatura de Buenos Aires com o artista norte-americano Saul Steinberg (1914 - 1999). Nota-se que Steinberg, ao lado do francês André François (1915), exerce uma forte influência em humoristas brasileiros modernos, principalmente em Millôr Fernandes. Como o artista e caricaturista americano, Millôr entende o desenho como uma forma de pensamento em papel e com ele mistura referências da alta e da baixa cultura em suas criações. Do ponto de vista formal, o traço sintético, a linha bidimensional como estrutura da forma tridimensional e a valorização dos espaços em branco dos desenhos de Steinberg são elementos encontrados no trabalho do brasileiro, que é considerado um dos modernizadores do desenho de humor entre nós. Em 1956, Millôr passa a ilustrar todos seus textos em O Cruzeiro; em 1957, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ organiza a primeira exposição de seus desenhos e ele inicia sua série de hai-kais. No final da década de 1950, a revista O Cruzeiro atinge a tiragem de 750 mil exemplares semanais, sendo Millôr um dos responsáveis por tal sucesso.

A década de 1960 é marcada por mudanças profundas. Em 1962, passa a assinar Millôr em todos os trabalhos publicados em O Cruzeiro. Em 1963, deixa a revista em condições conflituosas. Em outubro desse ano, a própria revista publica A Verdadeira História do Paraíso, volume que reúne uma série de textos e ilustrações de Millôr criadas desde o final dos anos 1950 sobre a versão bíblica da criação do mundo. A história causa irritação a um grupo de católicos e, pressionado, o diretor Leão Gondim de Oliveira ordena a elaboração de editorial contra o artista, isentando-se da responsabilidade e alegando desconhecimento da publicação da história. Na Europa, Millôr sente-se indignado e na volta demite-se da revista, movendo ação judicial na qual sai vencedor. Importante notar que na época o fato repercute bastante no meio artístico e da imprensa, sendo organizado um jantar em solidariedade a Millôr.3 Sob o episódio, declara: "Me sinto como um navio abandonando os ratos". A partir de então, Millôr vai trabalhar nos maiores jornais e revistas do país, como Correio da Manhã, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil, O Dia, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e o português Diário Popular. Em 1964, lança o semanário de humor Pif-Paf, considerado um precursor da imprensa alternativa no Brasil, fechado por problemas financeiros após seu oitavo número. Na mesma linha, Millôr é co-fundador, em 1969, do jornal humorístico O Pasquim, cuja atuação foi uma das mais importantes na luta contra a ditadura militar.

Cada vez mais próximo do teatro, em meados da década de 1960, Millôr escreve, adapta, traduz e participa de diversas peças, por exemplo: Liberdade, Liberdade, musical em parceria com Flávio Rangel (1934 - 1988), encenado no Teatro Opinião (1965); adaptação musical só com atores negros de Memórias de um Sargento de Milícias (1966); Do Fundo do Azul do Mundo, com Elizeth Cardoso (1920 - 1990) e Zimbo Trio (1968); Momento 68, com a participação de Caetano Veloso (1942), entre outros (1968). Seu maior sucesso teatral é a peça É..., escrita para Fernanda Montenegro (1929) em 1976.

A vasta obra de Millôr é fruto de uma mente atenta aos fatos cotidianos, e pronta a interpretá-los com um humor refinado, no qual diversas vezes formas e referências literárias e fatos históricos são reinterpretados para dar vazão ao discurso humorístico. Em muitos casos, o efeito cômico é atingido pela exploração da própria língua, como no impagável O Livro Branco do Humor e na sua coleção de Perguntas Cretinas. O tempo não arrefeceu sua potência criativa e suas charges e textos continuam até hoje quase diários e podem ser conferidos no site Millôr Online, lançado em 2000, no qual se pode ter contato também com a maior parte de usa produção.

Notas
1 Millôr Fernandes nasce em 16 de agosto de 1923, contudo é registrado em 27 de maio de 1924. Por isso, em diversos lugares, o ano de nascimento aparece como 1924.
2 Em entrevista em seu site Millôr Online.
3 No jantar estão presentes figuras como Fernanda Montenegro, Glauber Rocha (1939 - 1981), Jaguar (1932), Jânio de Freitas, Mário Pedrosa (1900 - 1981), Paulo Francis (1930 - 1997), Rubem Braga (1913 - 1990), Sérgio Porto (1923 - 1968), Tom Jobim (1927 - 1994), Ziraldo (1932), entre outras.

Críticas

"O mais importante que tenho a dizer sobre Millôr Fernandes é o seguinte: sei que sua fama se construiu por sua capacidade de fazer ironia com estilo, por seus altos padrões culturais, pelo coloquialismo usado por ele e que é mais provocante para a inteligência que a linguagem morta ao gosto dos acadêmicos. Ainda assim encontro algo nele que não vejo mencionado e me parece fundamental: trata-se da revitalização da língua portuguesa resultante do seu hábito de fazer o leitor ler duas vezes a mesma palavra, aprofundando-lhe o potencial. Distraídos, alguns estudiosos dos seus textos viram neste esforço um mero gosto pelo trocadilho (forma tradicional de humor). Cometeram um erro. O trocadilho antigo é apenas uma brincadeira, um jogo superficial, e Millôr usa a releitura de uma palavra para fazer o leitor pensar. Dou como exemplo o artigo O que é O PASQUIM, onde ele fala sobre a liberdade de imprensa no Brasil na época em que O PASQUIM foi fundado: ...liberdade de imprensa - o mais forte tem todo o direito de imprensar o mais fraco".
Norma Pereira Rego
REGO, Norma Pereira. Millôr Fernandes. In: ______. Pasquim: gargalhantes pelejas. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1996. p. 89.

"Admirador de Steinberg e de André François, cujas obras apresentou a seus amigos no Brasil, Millôr desenvolveu um desenho de notável criatividade e virtuosismo que marcou profundamente todos os ilustradores e caricaturistas do país desde a década de 50".
Pedro Corrêa do Lago
LAGO, Pedro Corrêa do. Millôr. In: ______. Caricaturistas brasileiros: 1836-1999. Rio de Janeiro: Sextante Artes, 1999. p. 148.

Exposições Individuais

1957 - Rio de Janeiro RJ - Desenhos, no MAM/RJ
1961 - Rio de Janeiro RJ - Desenhos, na Petite Galerie
1975 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Graffiti

Exposições Coletivas

1955 - Buenos Aires (Argentina) - Coletiva, no Museu da Caricatura de Buenos Aires
1963 - Canadá - Salão Canadense de Humor
1977 - Belo Horizonte MG - 5º Salão Global de Inverno, na Fundação Palácio das Artes
1977 - Brasília DF - 5º Salão Global de Inverno 
1977 - Rio de Janeiro RJ - 2ª Arte Agora: visão da terra, no MAM/RJ
1977 - Rio de Janeiro RJ - 5º Salão Global de Inverno, no MNBA 
1977 - São Paulo SP - 5º Salão Global de Inverno, no Masp
1981 - Rio de Janeiro RJ - Pablo, Pablo!:uma interpretação brasileira de Guernica, na Fundação Nacional de Arte
1985 - Rio de Janeiro RJ - Velha Mania: desenho brasileiro, na EAV/Parque Lage 
1986 - Porto Alegre RS - Caminhos do Desenho Brasileiro, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli
1988 - São Paulo SP - 63/66 Figura e Objeto, na Galeria Millan
1989 - Recife PE - Jogo de Memória 
1989 - Rio de Janeiro RJ - Jogo de Memória, na Montesanti Galleria
1989 - São Paulo SP - Jogo de Memória, na Galeria Montesanti Roesler
1997 - Belo Horizonte MG - O Humor Gráfico nos Anos 30, 40 e 50, no Itaú Cultural
1997 - São Paulo SP - O Humor Gráfico nos Anos 30, 40 e 50, no Itaú Cultural
1998 - Brasília DF - O Humor Gráfico nos Anos 30, 40 e 50, na Itaugaleria 
1998 - Penápolis SP - O Humor Gráfico nos Anos 30, 40 e 50, na Itaugaleria
2001 - São Paulo SP - Caricaturistas Brasileiros, no Instituto Cine Cultural
2002 - Austin (Estados Unidos) - Brazilian Visual Poetry, no Mexic-Arte Museum
2005 - São Paulo SP - Faces de Mário, no IEB/USP

Fonte: Itaú Cultural

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