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Michel Groisman

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BIOGRAFIA

Michel Groisman (Rio de Janeiro RJ 1972)

Performer.

Gradua-se em educação artística, com habilitação em música, pela Universidade do Rio de Janeiro - Unirio, em 1996. Faz cursos de arte com o pintor, desenhista e gravador Luiz Ernesto (1955), na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, entre 1986 e 1992, e com o pintor Luiz Pizarro (1958), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ, entre 1986 e 1987. Suas primeiras performances são Cabeçânus, Somamão, Degustador e Libélula, no Teatro Sérgio Porto, Rio de Janeiro, 1996; e Trilho, com a M. Groisman Cia. de Dança, no Studio Casa de Pedra, Rio de Janeiro, 1998. Neste mesmo ano, realiza as mostras individuais Ovo Ambiente, Zíper Óculos e Chaveiro Molar, na Loja Matias Marcier, Rio de Janeiro. É convidado a participar do Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP, em outubro de 1999. Utilizando o corpo como espaço e matéria, desenvolve trabalhos que integram artes visuais e movimento através de dinâmicas lúdicas e jogos. Desde 2004, trabalha com a artista e pedagoga Gabriela Duvivier. Juntos participam de exposições e festivais por todo o mundo, como o InTransit (Alemanha), Fierce! (Inglaterra), Le Merlan e Made in Brasil (França) e Riocenacontemporanea e Festival Panorama de Dança (Brasil). Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Comentário crítico

Em 1999 Groisman realiza a performance Transferência, trazendo ao público a tônica da obra que o artista desenvolveria nos anos seguintes. Nesta obra, velas são apresilhadas em várias partes do corpo do artista que, por meio de articulações e contorções, transfere a chama de uma vela à outra. Feita a transferência, a primeira vela é apagada com um sopro, graças a um sistema de tubos também anexado ao corpo de Groisman. O crítico Fernando Cocchiarale observa que uma visão superficial dos aparelhos corporais produzidos por Groisman poderia associá-los ao tema da perversão ou à concepção do corpo como memória de dor e sofrimento. Porém, ao contrário do que esses aparelhos sugerem fora do contexto da ação do artista, a transmissão da energia luminosa remete à positividade da própria vida, do desejo, sua transmissão e corte de fluxos, que se apagam e reacendem numa seqüência de conexões sem origem ou fim.

O interesse pela interação com o público e pela investigação corporal pode ser observado em O Nascimento do Som, 1996/2001, Sirva-se, 2004 e Polvo, 2004. Estas mesmas questões estão presentes na exposição-jogo Porta das Mãos (2007/2008), que conta com 120 fotografias em preto-e-branco que mostram as mãos de Groisman compondo formas curiosas. O jogo inicia quando o visitante tenta reproduzir com suas próprias mãos uma das posições observadas nas fotos. Isso feito, o participante deverá, sem desencostar os dedos, descobrir como transformar a posição atual em uma outra, mostrada em outra foto.

Críticas

"Tema e questão central de inúmeras poéticas contemporâneas, o corpo é o foco das obras 'espaço-temporais que fazem uso do corpo como suporte' de Michel Groisman. A simples visão dos aparelhos corporais produzidos e utilizados pelo artista nessas obras poderia associá-los ao tema da perversão e ao sadomasoquismo: correias e colete de couro com fivelas, luvas e tênis articulados a tubos, fios elétricos, lâmpadas, velas e fósforos, destinados a vestir o artista seminu e sua parceria (caso da obra Criaturas), parecem, se desvinculados das performances de Groismam, extremamente agressivos . Todo esse apareto e suas obscuras evocações se transmutam e se iluminam ao longo da performance de Michel. A plasticidade da movimentação ritmada do corpo do artista resulta de um objetivo essencial - produzir a energia, pela conexão dos corpos intérpretes, para acender as lâmpadas que trazem consigo (Criaturas) ou transmitir, sucessivamente, das pernas para os braços do artista solitário (obra Transferência), a chama de velas conectadas aos seus membros. Ao contrário do que sugeriam os aparelhos corporais fora do contexto da ação de Groisman, a transmissão dessa energia luminosa celebrar a possitividade da própria vida, do desejo e sua eterna transmissão de fluxos, que se apagam e reacendem numa seqüência sem origem ou fim".
Fernando Cocchiarale
MAPEAMENTO nacional da produção emergente : 1999/2000. Apresentação Ricardo Ribenboim; texto Maria Eugênia Saturni, Angélica de Moraes, Fernando Cocchiarale, Viviane Matesco, Dodora Guimarães, Carla Zaccagnini, Marcos Hill, Jailton Moreira, Ségio Cardoso; curadoria Angélica de Moraes, Fernando Cocchiarale; apresentação José Castilho Marques Neto; texto Vitória Daniela Bousso; curadoria Vitória Daniela Bousso; texto Cláudio de La Rocque Leal, Moacir dos Anjos Júnior. São Paulo, 180 p. , 2000. (Rumos arte visuais). 85-85291-20-6. P. 147.

Exposições Individuais

1998 - Rio de Janeiro RJ - Ovo Ambiente, na Loja Matias Marcier
1998 - Rio de Janeiro RJ - Zíper Óculos, na Loja Matias Marcier
1998 - Rio de Janeiro RJ - Chaveiro Molar, na Loja Matias Marcier
1999 - Rio de Janeiro RJ - Transferência, na Galeria da EVA/Parque Lage
2000 - Rio de Janeiro RJ - Criaturas, na Galeria da EVA/Parque Lage

Exposições Coletivas

1999 - Belo Horizonte MG - Rumos Itaú Cultural Artes Visuais. Em Torno do Corpo, no Itaú Cultural
1999 - Brasília DF - Rumos Itaú Cultural Artes Visuais. Em Torno do Corpo, na Galeria Itaú Cultural
1999 - Fortaleza CE - Rumos Itaú Cultural Artes Visuais. Vertentes Contemporâneas, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
1999 - Recife PE - Rumos Itaú Cultural Artes Visuais. Vertentes Contemporâneas, na Galeria Vicente do Rego Monteiro
1999 - Rio de Janeiro RJ - 8º Panorma RioArte de Dança
1999 - São Paulo SP - 26º Panorama da Arte Brasileira, no MAM/SP
2000 - Curitiba PR - Rumos Itaú Cultural Artes Visuais. Vertentes Contemporâneas, no MAC/PR
2000 - Fortaleza CE - 26º Panorama de Arte Brasileir, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
2000 - Lima (Peru) - 2ª Bienal Nacional de Lima
2000 - Niterói RJ - 26º Panorama de Arte Brasileira, no MAC/Niterói
2000 - Penápolis SP - Rumos Itaú Cultural Artes Visuais. Em Torno do Corpo, na Galeria Itaú Cultural
2000 - São Paulo SP - Investigações. Rumos Visuais 2, no Itaú Cultural
2000 - São Paulo SP - Fim de Milênio: os anos 90 no MAM, no MAM/SP
2001 - Campinas SP - (quase) Efêmera Arte, no Itaú Cultural
2001 - Niterói RJ - O Artista Pesquisador, no MAC/Niterói
2001 - Rio de Janeiro RJ - Rumos Itaú Cultural Artes Visuais. Vertentes Contemporâneas, no MAM/RJ
2001 - Salvador BA - 8º Salão da Bahia, no MAM/BA
2001 - São Paulo SP - Trajetória da Luz na Arte Brasileira, no Itaú Cultural
2002 - Nova York (Estados Unidos) - Tempo, no MoMA
2002 - Rio de Janeiro RJ - Artefoto, no CCBB
2002 - São Paulo SP - Coletiva 2002, na Galeria Baró Senna
2002 - São Paulo SP - Coletiva AAA, na Galeria Baró Senna
2002 - São Paulo SP - Fotografias no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no MAM/SP
2003 - Brasília DF - Artefoto, no CCBB
2003 - Recife PE - Salão da Bahia 1994 - 2002, na Fundação Joaquim Nabuco
2004 - Rio de Janeiro RJ - Novas Aquisições 2003: Coleção Gilberto Chateubriand, no MAM/RJ
2005 - Rio de Janeiro RJ - Alegoria Barroca na Arte Contemporânea, no CCBB
2005 - São Paulo SP - O Corpo na Arte Contemporânea Brasileira, no Itaú Cultural

Fonte: Itaú Cultural

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