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Mestre Noza

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BIOGRAFIA

Mestre Noza (Taquaritinga do Norte PE 1897 - s.l. 1984)

Gravador, escultor, santeiro.

Em 1912, Inocêncio da Costa Nick muda-se para Juazeiro do Norte, Ceará, onde freqüenta a oficina do escultor José Domingos. Inicia-se na gravura executando rótulos de marcas para aguardente, além de esculpir imagens de santos. Em 1962, realiza as séries de xilogravuras Vida de Lampião e Os Doze Apóstolos, mais tarde editadas pelo Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará, Mauc. Em 1965, seu trabalho Via Sacra é publicado em Paris pelo editor Robert Morel, com apresentação de Sérvulo Esmeraldo.

Críticas

"Um metro e oitenta de altura - mais ou menos -, cara quadrada, cabeça chata, coberta de cabelos brancos. Pele queimada e ressecada pelo sol violento do Ceará. Sorriso aberto, numa boca sem dentes, que até francês já tentou falar. Rosários, bentinhos, medalhas, escapulários e patuás pendurados num pescoço magro e enrugado. Camisa desabotoada, deixando aparecer uma respeitável barriga e o cabo de um soberbo parabélum. Com a mão esquerda segurando firmemente um pedaço de umburana-de-cheiro e com a outra uma afiadíssima peixeira, lá estava ele, Inocêncio da Costa Niquel, em pé, parecendo uma estátua, despreocupado em sua tarefa de criar mais uma obra de arte. Foi assim mesmo que vi Mestre Noza pela primeira vez, naquele mirante de uma casinha situada numa rua - cujo nome esqueci - em Juazeiro do Pe. Cícero, a famosa Meca do Cariri. Ainda me lembro como se fosse hoje. De Mestre Noza se pode esperar tudo: uma palavra amiga, um gesto acolhedor, uma palestra boa, salpicada de frases picantes, estórias inventadas na hora, ou fatos ocorridos. Houve tempo em que se podia ouvir a ordem de 'Teje preso!' - ele também já foi 'tira'. Mas o ponto forte de Mestre Noza são as suas obras de arte, pois é o grande artista de todo o Vale do Cariri. Naquele justo momento, cortava um inexpressivo pedaço de madeira. Com golpes precisos, aquele pedaço disforme de umburana, segura por mãos divinas - sim, porque as mãos dos artistas são como as mãos de Deus: criam, transformam, apagam - foi tomando uma forma mais definida, bonita e suave. Foi tomando a forma de um santo. Coisa de uma hora, se tanto, Mestre Noza, que tem o poder de criar e transformar as coisas, segurava em suas mãos, não mais um simples e inexpressivo pedaço de madeira, mas a imagem de um santo, o único santo brasileiro. O santo de todos os cearenses, o meu santo favorito: Pe. Cícero Romão Batista. Sem dar a menor importância à minha presença, analisou friamente com olho crítico o resultado do seu trabalho. Estava satisfeito. Na sua cara quadrada de pele ressecada pelo violento sol do Ceará, abriu-se um sorriso largo e feliz, porque acabara de realizar mais um milagre de arte".
Floriano Teixeira
NOZA, Mestre. Os Doze apóstolos gravado por Mestre Noza, Juazeiro, CE, Brazil. Fortaleza: Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará, s.d. 18 lâms. il. p. b.

"Entre as gravuras populares destacam-se as de Mestre Noza, que só foi reconhecido no Brasil depois de expor na França. Seu trabalho prova que na gravura popular os elementos tecnicamente rudes podem se harmonizar com o refinamento e a exata adequação de meios e mensagens, para atingir níveis expressivos de fruição estética. É inevitável associar Noza aos expressionistas alemães do grupo Die Brücke (A Ponte), especialmente em cenas alegóricas como a Via Crucis. Seu traço violento e expressivo já nasce autônomo, resultado de uma técnica precisa de sulcar a madeira".
Leonor Amarante
XILOGRAVURA: do cordel à galeria. Texto Haroldo de Campos, Fábio Magalhães, Leonor Amarante. São Paulo: Metrô, 1994. 36 p. il. p&b. p. 12.

Exposições Coletivas

1975 - s.l. - 1ª Exposição de Artesanato do Nordeste - Exanor - Melhor Artesão do Nordeste

Exposições Póstumas

1984 - Curitiba PR - 6ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba. A Xilogravura na História da Arte Brasileira, na Casa Romário Martins
1984 - Rio de Janeiro RJ - A Xilogravura na História da Arte Brasileira, na Funarte. Galeria Sérgio Milliet
1985 - São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1993 - João Pessoa PB - Xilogravura: do cordel à galeria, na Fundação Espaço Cultural da Paraíba
1994 - São Paulo SP - Xilogravura: do cordel à galeria, no Metrô
1998 - São Paulo SP - Os Colecionadores - Guita e José Mindlin: matrizes e gravuras, na Galeria de Arte do Sesi
2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Arte Popular, na Fundação Bienal
2000 - São Paulo SP - Investigações. A Gravura Brasileira, no Itaú Cultural
2001 - Brasília DF - Investigações. A Gravura Brasileira, na Galeria Itaú Cultural
2001 - Penápolis SP - Investigações. A Gravura Brasileira, na Galeria Itaú Cultural
2004 - São Paulo SP - Novas Aquisições: 1995 - 2003, no MAB-FAAP
2005 - Rio de Janeiro RJ - Gravuras e Matrizes da Coleção Guita e José Mindlin, no Centro Cultural Correios

Fonte: Itaú Cultural

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