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Menotti Del Picchia

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BIOGRAFIA

Menotti Del Picchia (São Paulo SP 1892 - idem 1988)

Poeta, contista, romancista, cronista, ensaísta, jornalista, autor de histórias infantis e político.

Paulo Menotti Del Picchia era filho do jornalista Luiz Del Picchia e de Corina Del Corso, iniciou os estudos em Campinas, São Paulo, concluindo-os no Ginásio Diocesano São José, em Pouso Alegre, Minas Gerais. Retornou à capital paulista e ingressa na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Estreiou na literatura com o livro Poemas do Vício e da Virtude, em 1913. No ano seguinte, passa a residir em Itapira, São Paulo, onde trabalhou como advogado e dirige os jornais Diário de Itapira e O Grito!. Publica em 1917 os poemas Moisés e Juca Mulato, este considerado sua obra-prima. Em 1919, trabalhou como redator-chefe da Tribuna de Santos, onde que permanece por um ano. Novamente na capital paulista, assume a direção do jornal A Gazeta e inicia a colaboração para o Correio Paulistano, veículo em que fará, sob o pseudônimo Hélios, uma das mais contundentes defesas do movimento modernista. Participa da Semana de Arte Moderna, em 1922, coordenando a segunda noite do evento. Nos anos seguintes integra, com o poeta Cassiano Ricardo (1985 - 1974) e o escritor Plínio Salgado (1895 - 1975), os grupos Verde-Amarelo e Anta, agremiações político-literárias de caráter nacionalista que se opunham ao movimento pau-brasil de Oswald de Andrade (1890 - 1954). Convidado por Assis Chateaubriand (1892 - 1968), assume a direção do jornal Diário da Noite em 1933. Em 1936, integra o grupo A Bandeira, movimento cultural fundado por Cassiano Ricardo, de caráter também nacionalista e responsável pela edição da revista Anhanguera. Dois anos depois, é indicado pelo governador Ademar de Barros (1901 - 1969) para a direção do Serviço de Publicidade e Propaganda do Estado de São Paulo, renomeado Departamento de Imprensa e Propaganda - DIP. Em 1942, dirige o jornal A Noite. No ano seguinte, toma posse da cadeira número 28 da Academia Brasileira de Letras - ABL. Entre 1926 e 1962, ocupa por diversas vezes os cargos de deputado estadual e federal. Na cidade de Itapira, é inaugurada, em 1987, a Casa Menotti Del Picchia, instituição responsável pela manutenção e preservação do seu acervo.

Comentário Crítico

A importância histórica de Menotti del Picchia para o Modernismo brasileiro é consensualmente reconhecida: para além de ter sido o responsável pela apresentação dos pressupostos estéticos durante a Semana de Arte Moderna, o autor militou em favor do movimento em sua coluna diária no Correio Paulistano, tornando-se assim um de seus principais cronistas.

Embora tenha atuado na linha de frente do movimento e da organização da Semana de Arte Moderna de 1922, Menotti del Picchia desenvolveu obra ainda influenciada pelas correntes estéticas com as quais o Modernismo procurou romper. Nos diversos gêneros a que se dedicou nota-se o desencontro entre sua prática literária e a revolta de forma e conteúdo por ele mesmo propagada.

O livro de estreia, Poemas do Vício e da Virtude (1913), apresenta tom grandiloquente e imagens preciosas, movendo-se ainda pela inspiração romântica, como revela o trecho de "Cantiga do Sapateiro": "Desditoso e contrafeito/ eu numa ânsia me debato:/ ela voltar, como um louco,/ nem que morra dentro em pouco,/ tiro o coração do peito/e dele faço um sapato?".

Em 1917, inaugura-se uma importante vertente na obra do autor: a dos poemas dramáticos, no seu caso dirigidos mais à leitura que à encenação. Nesse ano são publicados Moisés, cuja inspiração bíblica dará origem também a Jesus (1958), e Juca Mulato, com que se notabilizou. Este livro antecipa, apesar da persistência na idealização romântica, um dos temas centrais ao Modernismo: a busca pelo dado essencialmente nacional, revelada na figura do caboclo cuja paixão impossível pela filha da patroa se retrata em versos pitorescos e ritmados, com fluência próxima à oralidade.

A aproximação efetiva com a estética modernista se inicia com Chuva de Pedra (1925), que desmistifica a visão romântica expressa nos livros anteriores, e se consolida em República dos Estados Unidos do Brasil (1928), com versos livres em torno de assuntos nacionais. A afinidade de Picchia com autores como Mário de Andrade (1893 - 1945) e Antonio de Alcântara Machado (1901 - 1935) se faz notar em poemas como "Torre de Babel", em que canta as diferentes nacionalidades formadoras da cidade de São Paulo: "[?] Italianos joviais,/ húngaros de olhos de leopardo,/ caboclos de Tietê arrastando o caipira[?]".

No que diz respeito à obra em prosa, o autor dedicou-se a narrativas de aventura e ficção científica - esses seus escritos foram por ele mesmo considerados obras menores: sobre A República 3000 (1930), afirmou se tratar de "zona recreativa que não confina sequer com o plano da arte". O projeto do autor de atingir leitores não cultos - razão talvez para o grande sucesso popular de Juca Mulato - leva Alfredo Bosi definir o conjunto desta produção como "singular no contexto modernista, no sentido de uma descida de tom (um maldoso diria: de nível) que lhe permitiu aproximar-se do leitor médio e roçar pela cultura de massa".

Cronologia

1892 - Nasce Menotti Del Picchia em 20 de março, na cidade de São Paulo
1897 - Muda-se com a família para a cidade de Itapira, São Paulo
1900 - Inicia o curso primário no Grupo Escolar Dr. Júlio de Mesquita
1903 - Em solenidade realizada na praça central de Itapira, conhece o poeta Coelho Neto (1864 - 1934)
1904 - Muda-se, com seu irmão José Del Picchia, para Campinas, São Paulo, e ingressa no Ginásio Culto à Ciência. Publica a crônica Natal no jornal Cidade de Itapira
1906 - Transfere-se para Pouso Alegre, Minas Gerais, e se matricula no Ginásio Diocesano São José, onde conhece o poeta Guilherme de Almeida (1890 - 1969) e o escritor Plínio Salgado (1895 - 1975). Escreve os primeiros poemas, que posteriormente são publicados no livro Poemas do Vício e da Virtude, de 1913
1907 - Divulga seus primeiros poemas na folha literária O Estudo, editada no colégio, e também o Conto do Indígena, no Cidade de Itapira
1908 - Funda, com outros alunos externos do Ginásio São José, o jornal O Mandu
1909 - Em São Paulo, trabalha na secretaria do Mosteiro da Luz e matricula-se na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, formando-se em 1913
1910 - Conhece o poeta Olavo Bilac (1865 - 1918), também aluno da faculdade
1912 - Casa-se com Francisca Avelina da Cunha Salles
1914 - Muda-se para Itapira, exerce a profissão de advogado e dirige o jornal Cidade de Itapira, periódico situacionista, afinado com as idéias do Partido Republicano Paulista - PRP
1915 - Em Itapira, funda, com Antônio Carlos Chagas, o periódico O Grito!, contrário às idéias do PRP
1916 - O Grito! passa a se chamar Tribuna Itapirense
1917 - Publica o poema Juca Mulato
1918 - Muda-se para a cidade de Santos, São Paulo, onde assume o cargo de redator-chefe do jornal A Tribuna de Santos, torna-se amigo de jornalistas e poetas como Afonso Schmidt (1890 - 1964), Ribeiro Couto (1898 - 1963), Galeão Coutinho (1897 - 1951), Martim Francisco (1853 - 1927) e Vicente de Carvalho (1866 - 1924)
1919 - Conhece os escritores Oswald de Andrade (1890 - 1954) e Mário de Andrade (1893 - 1945) e o escultor Victor Brecheret (1894 - 1955), que integram o movimento modernista
1920 - Muda-se para a cidade de São Paulo, e assume a direção de redação do jornal A Gazeta, recém-adquirido pelo jornalista Cásper Líbero (1889 - 1943). Trabalha no jornal Correio Paulistano, e, por meio de suas crônicas assinadas com os pseudônimos Hélios e Aristophanes, divulga as idéias do grupo modernista. Inaugura a empresa cinematográfica Independência Filme, e ao lado de Monteiro Lobato (1882 - 1948) e Oswald de Andrade, funda a revista Papel e Tinta
1921 - Com Oswald, Salgado, Mário e Cândido Mota Filho (1897 - 1977), inicia o movimento modernista em São Paulo, no evento que ficou conhecido como Manifesto do Trianon. Pertencem ao grupo, além dos citados, Sérgio Milliet (1898 - 1966), Luis Aranha (1901 - 1987) , Brecheret, Di Cavalcanti (1897 - 1976), entre outros. Colabora no Jornal do Commercio
1922 - Integra o grupo responsável pela organização da Semana de Arte Moderna realizada no Teatro Municipal de São Paulo
1923 - Faz parte dos grupos Verde-Amarelo e Anta, em companhia dos escritores Cassiano Ricardo (1985 - 1974), Salgado, Motta Filho e Raul Bopp (1898 - 1984). Com Cassiano funda a Editora Hélios
1924 - É nomeado chefe do Ministério Público, e posteriormente presidente da Comissão de Diplomacia da Câmara Federal. É incumbido de arregimentar tropas no interior do Estado
1926 - É eleito deputado estadual
1927 - Publica com Salgado e Cassiano a coletânea de ensaios O Curupira e o Carão
1928 - Reeleito deputado estadual
1929 - Com Salgado e Ricardo, publica no Correio Paulistano o Manifesto do Verde-Amarelismo
1930 - Participa da Revolução de 1930 defendendo os propósitos reformistas do presidente do Estado de São Paulo, Júlio Prestes (1882 - 1946), e, no plano federal, a continuidade do governo Washington Luís (1869 - 1957). Os revolucionários vitoriosos invadem a sede do Correio Paulistano
1932 - Assume o cargo de secretário do governador Pedro de Toledo (1860 - 1935) e participa da Revolução Constitucionalista
1933 - Convidado por Assis Chateaubriand (1892 - 1968), passa a dirigir o Diário da Noite. Assume a direção da revista A Cigarra
1935 - Ao lado de Cassiano Ricardo, funda a revista São Paulo. Seu poema sacro, Jesus, é encenado no Teatro Municipal de São Paulo
1936 - Com os escritores Cassiano Ricardo, Mário de Andrade, Alcântara Machado (1901 - 1934), Plínio Barreto (1882 - 1958), Rubens do Amaral, Valdomiro Silveira (1873 - 1941), Afonso de Taunay (1876 - 1958), Reynaldo Silveira, Vicente Rao (1892 - 1978), Paulo Prado, Guilherme de Almeida, Paulo Setubal (1893 - 1937), Ellis Júnior (1896 - 1974), Motta Filho e Monteiro Lobato, integra o grupo cultural A Bandeira. Para divulgar suas idéias pelo Brasil, o grupo funda o jornal Anhangüera, publicado a partir de junho de 1937
1938 - No governo de Ademar de Barros (1901 - 1969), nomeado interventor do Estado por Getúlio Vargas (1882 - 1954), Del Picchia assume o cargo de diretor do Serviço de Publicidade e Propaganda do Estado de São Paulo, renomeado Departamento e Imprensa e Propaganda - DIP. Também ocupam cargos no governo o cartunista Belmonte (1897 - 1947) e o poeta Cassiano Ricardo
1939 - Colabora na revista Planalto, fundada por Cassiano Ricardo
1942 - Assume a direção do jornal A Noite
1943 - Assume a cadeira número 28 na Academia Brasileira de Letras - ABL
1945 - Dirige a seção paulista do Partido Trabalhista Brasileiro - PTB
1947 - Participa do Congresso de Escritores e Livreiros da América Latina, realizado em Buenos Aires
1948 - Ministra conferência no Clube da Poesia, presidido por Cassiano Ricardo
1950 - Elege-se deputado federal
1954 - É reeleito deputado federal
1955 - A peça A Fronteira é encenada no Rio de Janeiro
1956-1958 - A Editora Martins Fontes publica a sua obra completa, em 13 volumes
1959 - É publicada uma edição especial do livro Juca Mulato, ilustrada pelo pintor Candido Portinari (1903 - 1962)
1960 - Eleito suplente do deputado Coutinho Cavalcanti (1906 - 1960), assume o cargo de deputado federal
1962 - Encerra sua carreira política
1967 - É agraciado com o título de Cidadão Emérito de São Paulo
1969 - Recebe o Prêmio Juca Pato e o título de intelectual do ano
1979 - Ganha o Prêmio Brasília pelo conjunto de sua obra
1982 - É homenageado com o título de Príncipe dos Poetas Brasileiros e com o Troféu Francisco Matarazzo Sobrinho
1984 - Recebe o Prêmio Moinho Santista de Literatura na área de poesia
1987 - Inaugura-se em Itapira a Casa Menotti Del Picchia
1988 - Morre em 23 de agosto, na cidade de São Paulo

Obras publicadas - primeiras edições

Poesia
Poemas do Vício e da Virtude - 1913
Moisés - 1917
Juca Mulato - 1917
Máscaras - 1920 
A Angústia de D. João - 1922 
Chuva de Pedra - 1925
O Amor de Dulcinéia - 1926
República dos Estados Unidos do Brasil - 1928
O Deus sem Rosto - 1968 
Noturno - 1971

Conto
Toda Nua - s.d.
A Mulher que Pecou - 1922
O Crime daquela Noite - 1924
A Outra Perna do Saci - 1926

Romance
Flama e Argila - 1920 (publicado com o título A Tragédia de Zilda a partir da 4a edição)
Laís - 1921
O Homem e a Morte - 1922
Dente de Ouro - 1923
A República 3000 - 1930 (publicado com o título A Filha do Inca em 1949)
A Tormenta - 1932 
Kalum, o Mistério do Sertão - 1936
Kummumká - 1938 
Salomé - 1940
O Árbitro - 1958

Crônica 
O Pão de Moloch - 1921
O Nariz de Cleópatra - 1923

Memória
A Longa Viagem - 1a etapa - 1970
A Longa Viagem - 2a etapa - 1972

Infantil e juvenil
Viagens de João Peralta e Pé de Moleque - s.d.
No País das Formigas: Novas Aventuras de João Peralta e Pé de Moleque - s.d.

Teatro
A Fronteira da Carne - s.d.
O Covarde - s.d.
O Incubo - s.d.
Suprema Conquista - 1921 
Jesus, Tragédia Sacra - 1958

Ensaio
Pelo Divórcio - s.d.
Bandeirante - s.d. 
Bandeira - s.d.
O Momento Literário Brasileiro - s.d.
O Governo Júlio Prestes e o Ensino Primário - s.d.
Sob o Signo de Polimnia - s.d.
Ensaio da Expansão do Pensamento - s.d.
Soluções Nacionais - 1935
Arte Moderna - 1922
Por Amor do Brasil - 1927
A Revolução Paulista através do Testemunho do Gabinete do Governador - 1932
Despertar de São Paulo: Episódios do Séc. XVI e do XX na Terra Bandeirante - 1933

Fonte: Itaú Cultural

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