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Maxim Malhado

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BIOGRAFIA

Maxim Malhado (Ibicaraí  BA  1967)

Artista visual.

Maxim Pereira Malhado formou-se em educação física pela Universidade Católica do Salvador, UCSAL, Salvador, em 1988. Iniciou o curso de belas-artes na Universidade Federal da Bahia, Salvador, mas o abandona após três anos de estudo. Seu trabalho reporta-se ao pulsar do interior da Bahia, na curiosidade exploratória da infância. A redescoberta de espaços, a reinvenção de formas e modos de abordá-las são o resultado de sua pesquisa de materiais, com foco na madeira, tão repleta de memórias do Recôncavo Baiano. Seu trato com a espacialidade é um convite à redefinição de significados, como em Sobressalto, que traz a revelação do incomum da rotina urbana, do fluxo dentro/fora, processo/acabado.

Críticas

"Em seu escrito Inside the White Club, Brian O'Doherty, já em 1976, criticava o mito da neutralidade do espaço dos museus e galerias, do cubo branco, que aparece como sinônimo de uma arte norte americana/européia, que elimina todas as diferenças sociais, sexuais, religiosas, étnicas, em nome de uma autonomia estética e de uma linguagem formal universal, omitindo, assim, as condições em que se originou a arte. O espaço da galeria tinha que ser branco e limpo, para que ficasse livre de toda e qualquer experiência, que não a estética. No cubo branco, ao se despirem as obras de arte de sua historicidade, negou-se à arte o direito de participação na construção da realidade.

Sobre o pano de fundo da crítica ao cubo branco, artistas vêm, desde os anos setenta do século passado, fazendo das condições sob as quais a arte é produzida e distribuída o tema de sua arte. Assim, surgiu, no contexto dos debates sobre a apresentação da arte no cubo branco, a noção de que a estética e as instituições que a alojam são, elas próprias, parte da problemática da modernidade. Da modernidade, surgiu a modernidade crítica, que trouxe de volta para o cubo branco todos os contextos econômicos, ecológicos e sociais que dele haviam sido eliminados, possibilitando, assim, um retorno do real à arte. Com Lyotard, pode-se chamar a crítica ao cubo branco de pós-moderna, se com isso se entende o 'aprofundamento' da modernidade.

A crítica radical de Maxim Malhado é evidente. Ele rejeita o princípio ordenador do cubo branco. A sala de exposições não serve, aqui, como espaço da bela aparêcia, mas é a tela onde se projeta uma realidade construída, que se entende frágil, incompleta e em curso.

Malhado utiliza formas de expressão que o fascinaram no interior da Bahia: desenhos aparentemente sem método, para não dizer banais, feitos a giz em paredes de casas abandonadas, são por ele transportados para o ambiente urbano da sala de exposições e aplicados diretamente na parede. Sem molduras, sem estetizações que pudessem dar suporte à pretensa obra de arte. Ele mostra as coisas como elas são. No entanto, ao deslocar o contexto de origem para o espaço da galeria, ele faz com que o olhar do visitante se volte para a poesia nua do quotidiano. Coerentemente, ele desenvolve textos que devem ser entendidos menos como comentários, e mais como paráfrases das coisas reais.

Também com o segundo trabalho, Sobressalto, ele alcança uma insistência desconcertante. Um espaço que, a princípio, dá a impressão de ser intransitável, nega-se a fazer sentido. A instalação, semelhante a um canteiro de obras, torna-se acessível apenas quando o visitante transforma-se em participante, passando a explorar o novo espaço. A experiência física do labirinto, do estar-perdido no espaço, baseia-se no princípio criador do deslocamento: 'o corpo - a casa' - o confronto entre o indivíduo e a representação social, corpo e espaço, organismo e história construída - novamente, são o diálogo e a contradição que constituem o tema central deste trabalho".
Peter Anders - Diretor do Goethe Institut de Salvador, Bahia
ANDERS, Peter. [Texto de apresentação]. In: MALHADO, Maxim. Intermédio. Salvador: Instituto Cultural Brasil Alemanha, 2001. folha dobrada il. p&b. color.

"Enfim liberta da pesquisa formalista e da temática auto-referencial, a arte contemporânea permite aos seus artistas restabelecer os liames com a História, e discutir aspectos relacionados com os costumes e a cultura humana. Assim, a sexualidade, a ciência e a fé readquirem a sua importância no contexto da arte, fazendo com que se crie uma espécie de poética do sensível que mesclatécnicas e informações que refletem a perplexidade das ideologias e a inquietude do ser dos dias atuais. Com a crise das ideologias, cabe a arte resgatar o papel das utopias: o legado modernista, de indiscutível importância, indica-nos o caminho da razão como instrumento mais eficaz de superação da crise. A velocidade da informação e a globalização da cultura eliminou antigas referências sobre o centro e a periferia, criando uma diferente geografia onde cada núcleo carrega a sua própria marginalidade, metáfora de uma urbanidade que reflete cada dia mais a injustiça social de um sistema desprovido de sentido ético e caráter humanitário.

É nesse contexto conturbado do contemporâneo que a produção de Maxim Malhado se insere: as suas instalações aludem à religião, aos objetos de culto, aos tótens e, por extensão, à sexualidade e à perversão que pode ser encontrada nas garatujas infantis e no grafismo que revela uma poética de pequenas crueldades e doces belezas. Há, latente nas suas obras, uma espécie de apelo à ordem, uma organização formal que se realiza através da modulação e do ritmo. Extremamente gráfica, a obra de Maxim Malhado, em qualquer suporte, em qualquer técnica, aspira a uma espécie de serenidade atemporal, compreendendo a arte como atividade de essência do ser. Suas linhas, suas ripas, seus labirintos são metáforas de intrincado e surpreendente jogo em que se unem sensibilidade e inteligência, rigor e paixão".
Marcus de Lontra Costa
Recife, fevereiro de 2001
COSTA, Marcus de Lontra. Estranha Geografia. In: MALHADO, Maxim. Intermédio. Salvador: Instituto Cultural Brasil Alemanha, 2001. folha dobrada il. p&b. color.

Acervos

Centro Cultural Dannemann - São Félix BA
Fundação Cultural do Estado da Bahia - Salvador BA
Galeria ACBEU - Salvador BA
Instituto Cultural Brasil-Alemanha - Salvador BA
Museu de Arte Moderna - Salvador BA

Exposições Individuais

1990 - Barreiras BA - Individual, no Espaço Cultural do Country Club Rio de Ondas
1992 - Jequié BA - Individual, no Bar Prosa e Verso
1992 - Salvador BA - Individual, no Espaço Cultural Empório
1993 - Alagoinhas BA - Individual, no Mercado da Farinha
1994 - Catu BA - Individual, na Esteio Galeria de Artes
1995 - Catu BA - Individual, na Esteio Galeria de Artes
1995 - Feira de Santana BA - Individual, no Centro de Cultura Amélio Amorim
1996 - Salvador BA - Maxim Malhado: pinturas, desenhos e objetos, na Galeria ACBEU
1999 - Catu BA - Individual, na Esteio Galeria de Artes
2000 - Catu BA - Individual, na Esteio Galeria de Artes
2001 - Salvador BA - Intermédio, no ICBA

Exposições Coletivas

1990 - Salvador BA - Coletiva, na Galeria Sesc/Senac - Pelourinho
1991 - São Félix BA - 1ª Bienal do Recôncavo, no Centro Cultural Dannemann
1992 - Salvador BA - Reabertura do Museu de Arte Moderna da Bahia, no MAM/BA
1992 - Vitória da Conquista BA - 1ª Semana da Cultura de Vitória da Conquista
1993 - São Félix BA - 2ª Bienal do Recôncavo, no Centro Cultural Dannemann
1995 - Alagoinhas BA - 14º Salão Regional de Artes Plásticas da Bahia, no Centro de Cultura de Alagoinhas - menção honrosa
1995 - Catu BA - 1ª Mostra de Produtores de Coisas da Vila
1995 - Feira de Santana BA - 11º Salão Regional de Artes Plásticas da Bahia, no Centro de Cultura Amélio Amorim - menção honrosa
1997 - Alagoinhas BA - 21º Salão Regional de Artes Plásticas da Bahia, no Centro de Cultura de Alagoinhas - Prêmio Prefeitura de Alagoinhas
1997 - Catu BA - Coletiva, na Esteio Galeria de Artes
1997 - Itabuna BA - 17º Salão Regional de Artes Plásticas da Bahia, no Centro de Cultura Adonias Filho - destaque especial do júri
1997 - Juazeiro BA - 15º Salão Regional de Artes Plásticas da Bahia, no Centro Cultural João Gilberto - 1º lugar
1997 - Porto Seguro BA - 19º Salão Regional de Artes Plásticas da Bahia, no Centro Cultural de Porto Seguro - destaque especial do júri
1997 - Valença BA - 20º Salão Regional de Arte Plásticas da Bahia, no Centro de Cultura Olívia Barradas - destaque especial do júri
1998 - Salvador BA - Salões Regionais de Artes Plásticas da Bahia: mostra dos artistas premiados, no MAM/BA
1998 - São Félix BA - 4ª Bienal do Recôncavo, no Centro Cultural Dannemann
2000 - São Félix BA - 5ª Bienal do Recôncavo, no Centro Cultural Dannemann
2001 - Goiânia GO - 1º Salão Nacional de Arte de Goiás, no Flamboyant Shopping Center - 1º Prêmio Flamboyant
2001 - Salvador BA - 8º Salão da Bahia, no MAM/BA - premiado
2002 - Belém PA - 21º Salão Arte Pará, no Museu do Estado do Pará
2002 - Belo Horizonte MG - Rumos Itaú Cultural Artes Visuais. Rumos da Nova Arte Contemporânea Brasileira, na Fundação Clóvis Salgado. Palácio das Artes
2002 - Recife PE - Rumos Itaú Cultural Artes Visuais. Poéticas da Atitude: o transitório e o precário, na Fundação Joaquim Nabuco
2002 - São Paulo SP - Rumos Itaú Cultural Artes Visuais. Vertentes da Produção Contemporânea, no Itaú Cultural
2003 - Brasília DF - Desenho: traço e espaço, no Espaço Cultural Contemporâneo Venâncio
2003 - Curitiba PR - 60º Salão Paranaense, no MAC/PR
2003 - Goiânia GO - 3º Salão Nacional de Arte de Goiás, no Flamboyant Shopping Center
2004 - São Paulo SP - 26ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

Fonte: Itaú Cultural

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