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Maurício Salgueiro

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BIOGRAFIA

Maurício Salgueiro (Vitória ES 1930)

Escultor e professor.

Maurício Salgueiro Felisberto de Sousa mudou-se ainda jovem, com a família, para o Rio de Janeiro. Em 1949, ingressa na Escola Nacional de Belas Artes - Enba, onde inicia estudos universitários e, mais tarde, os de pós-graduação. Estuda na Académie du Fue, em Paris, e na Bromlay Art School, em Londres, especializando-se em metais. É um dos precursores da arte cinética no Brasil pela utilização da luz, som, movimento, e pela execução de múltiplos a partir da década de 60. Leciona no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ; no Instituto de Arte e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense; na Pontifícia Universidade Católica - PUC; e a partir de 1989, na Universidade Santa Úrsula. Executa os troféus Coruja de Ouro, em 1969, e Humberto Mauro, em 1971, para o Instituto Nacional de Cinema, e Copa Brasil, em 1975, para o Campeonato Brasileiro de Futebol.

Críticas

"Seus trabalhos acham-se unidos por uma reflexão estética e ética bem timbrada, tanto em relação à problemática orientadora quanto à temática assumida. Maurício Salgueiro filia-se aos escultores coletâneos que levantam da sucata de uma era mecanicista e dramaticamente materialista o assim chamado lixo da civilização (resto e partes de máquinas, ferramentas desgastadas, fragmentos de instrumentos, etc. ) - com o que reconstrói o humanismo e a sua espiritualidade. Repare-se, nesses trabalhos, como as partes compositivas continuam identificáveis em suas respectivas definições, como essas unidades se levantam de uma realidade empírica para atingir uma realidade estética. Outros escultores usam de sucata a serviço de uma construção abstracionista, lírica, anulando a veracidade e o teor humanístico dos objetos, para entregá-los à porta mais modesta, senão anódina, da estética, que é a função decorativa. Não se tratando, pois, de um processo narrativo, não se comprometendo a um texto discursivo, essas figuras exercem sobre o observador um poderoso e iniludível impacto, uma visão direta e imediata do conflito entre materialização e espiritualização, facultando entretanto, a esse mesmo observador, suceder à primeira e brutal visão por uma série de percepções inerentes da qualidade plástica do procedimento artesanal e dos demais valores como escultura".
Clarival do Prado Valladares
Valladares, Clarival do Prado. In: Salgueiro, Maurício. Maurício Salgueiro. n. p.

"Maurício Salgueiro monta suas esculturas com uma constância feroz do instante triturador da vida moderna. Transforma em objetos de reflexão artística todos os danos do progresso, todos os sons e atitudes que constituem a fobia mais ou menos consciente da massa em fuga para parte alguma. Há contudo a nobreza, nessas análises, que a matéria bruta não incluía. A nobreza e a independência, como se essas agressivas lâminas deformantes, movidas ao som de um rugido de atropelamento e degolação, se transformassem nos animais pré-históricos que os milênios encerram para descanso de nossa vida diuturna. E de repente nos vem o terror, a certeza de que estamos ameaçados novamente, e nus nesta selva cheia de sombras e pesadelos. Só que nesta nova pré-história nos compete premer o botão que move o monstro, ainda que fatal seja seu aparecimento na vereda do nosso dia. Premer o botão e ver o indesejado, eis o dilema que nos propõe Maurício Salgueiro com sua escultura de participação, com sua paixão de animizar as formas esmagadoras da paisagem urbana. Esse sinal de comando, proporcionado pelo artista, é que ainda nos salva".
Walmir Ayala
Ayala, Walmir. [Maurício Salgueiro]. In: Paço das Artes. n. p.

"Formado pela Escola Nacional de Belas Artes, com especializações em Londres e Paris (onde expôs individualmente, apresentado por Pierre Restany, e fez grande sucesso na Bienal de Jovens), Maurício Salgueiro destaca-se entre nossos escultores pela falta de timidez e pela complexidade de seus projetos, em que a tecnologia se faz sempre presente. Num país onde escasseia a escultura - que exige ateliês espaçosos e recursos financeiros, e que ainda não conseguiu conquistar os colecionadores - é sempre bom poder saudar uma exposição de um escultor (...). Desde o início de sua carreira, Maurício Salgueiro revelou essa preocupação ´futurista´ com a máquina, isto é, compreendeu que o alargamento da nossa percepção dependerá do tipo de relacionamento que estabelecermos com as máquinas que envolvem nossa existência cotidiana. Se a arte é um poderoso instrumento de aprofundamento no ser humano, sua prática não pode ser entendida como fabricação de objetos ornamentais para embelezar nosso décor cotidiano. Produzir arte é produzir conceitos. Portanto, se excluirmos a produção inicial característica dos momentos de formação, ainda sob o influxo das lições escolares e das influências bem ou mal assimiladas, podemos dizer, sem erro, que o binômio cidade/máquina foi, sempre, a preocupação de Maurício Salgueiro como escultor".
Frederico Morais
Morais, Frederico. Luminosas, uivantes, tátil-olfativas, pulsantes: eis as esculturas de Maurício Salgueiro. O Globo.

Exposições Individuais

1963 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Vila Rica
1964 - Belo Horizonte MG - Individual, na Galeria Guignard
1964 - Lima (Peru) - Individual, na Galeria Candido Portinari
1964 - Nova Friburgo RJ - Individual, no Centro de Artes
1964 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Macunaíma
1965 - Rio de Janeiro RJ - Exposição mais votada no Resumo JB, na Petite Galerie - Prêmio Ducal
1965 - Vitória ES - Individual, na Fundação Cultural do Espírito Santo
1966 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no MAM/RJ
1969 - Assunção (Paraguai) - Individual, na Galeria da Missão Cultural do Brasil
1970 - Vitória ES - Individual, na Capela Santa Luzia - Museu de Arte e História da Ufes
1974 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Grupo B
1975 - Vitória ES - Individual, na Fundação Cultural do Espírito Santo
1976 - Niterói RJ - Individual, no Centro Cultural Paschoal Carlos Magno
1994 - Vitória ES - Maurício Salgueiro. Sólido Insólito, na Galeria Homero Massena do Departamento Estadual de Cultura do Estado do Espírito Santo, na Galeria de Arte e Pesquisa da Ufes, no Espaço Cultural Consultime, no Espaço Cultural Yázigi, no Shopping Vitória e na Galeria Arteaparte

Exposições Coletivas

1953 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA - medalha de prata
1960 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Belas Artes - prêmio viagem ao exterior
1964 - Brasília DF - 1º Salão de Arte Moderna do Distrito Federal - prêmio nacional em escultura
1964 - Filadélfia (Estados Unidos) - Brasilian Art, no Commercial Museum
1964 - Rio de Janeiro RJ - O Nu na Arte Contemporânea, na Galeria Ibeu Copacabana
1964 - Rio de Janeiro RJ - 2ª O Rosto e a Obra, na Galeria Ibeu Copacabana
1964 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Arte Moderna
1965 - Lisboa (Portugal) - Arte Brasileira Contemporânea, na Fundação Calouste Gulbenkian
1965 - New Orleans (Estados Unidos) - Brazilian Art, no Isaac Delgado Museum
1965 - Paris (França) - 4ª Bienal de Paris
1965 - Paris (França) - Salon Comparaisons
1965 - Rio de Janeiro RJ - 14º Salão Nacional de Arte Moderna
1965 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Esso de Artistas Jovens, no MAM/RJ - 1º prêmio
1965 - Rio de Janeiro RJ - Resumo JB, no MAM/RJ - melhor exposição do ano
1965 - São Paulo SP - 8ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1965 - São Paulo SP - 1º Salão Esso de Artistas Jovens, no MAC/USP
1965 - Washigton (Estados Unidos) - Salão Esso Panamericano de Artistas Jovens
1966 - Buenos Aires (Argentina) - Artistas Brasileños Contemporâneos, no Museo de Arte Moderno
1966 - Montevidéu (Uruguai) - Artistas Brasileños Contemporáneos
1966 - Rio de Janeiro RJ - Artistas Brasileiros de Vanguarda, na Galeria Ibeu
1966 - Salvador BA - 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas - prêmio aquisição
1967 - México - Escultura Moderna del Brasil, na Casa de la Paz
1967 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Arte Moderna
1967 - São Paulo SP - 9ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1970 - São Paulo SP - 10 Escultores Brasileiros de Vanguarda, na Praça Roosevelt
1971 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Nacional da Eletrobrás, no MAM/RJ
1971 - Rio de Janeiro RJ - Domingo da Criação: O Som do Domingo, no MAM/RJ
1971 - Rio de Janeiro RJ - Pregão do MAM: 50 Anos de Arte Brasileira, no MAM/RJ
1971 - São Paulo SP - 10 Artistas Nacionais, no Paço das Artes
1971 - São Paulo SP - 11ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1971 - São Paulo SP - Coletiva, no Masp
1972 - São Paulo SP - 4º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1972 - São Paulo SP - Plástica 72, na Fundação Bienal
1973 - Bruxelas (Bélgica) - Images du Brésil
1975 - São Paulo SP - 13ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1975 - São Paulo SP - 7º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1976 - São Paulo SP - Contrastes: 5 artistas brasileiros, no Paço das Artes
1977 - Rio de Janeiro RJ - Arte Brasileira, no MIS/RJ
1977 - Rio de Janeiro RJ - Escultura ao Ar Livre, na Galeria de Arte Sesc Tijuca
1977 - São Paulo SP - Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1978 - Rio de Janeiro RJ - Escultura Brasileira no Espaço Urbano: 50 anos, na Praça Nossa Senhora da Paz
1978 - São Paulo SP - 10º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1981 - Rio de Janeiro RJ - A Escola de Belas Artes e o Carnaval, no Museu D. João VI da UFRJ
1982 - Rio de Janeiro RJ - Universo do Futebol, no MAM/RJ
1982 - São Paulo SP - Um Século de Escultura no Brasil, no Masp
1984 - Rio de Janeiro RJ - Madeira Matéria de Arte, no MAM/RJ
1985 - São Paulo SP - 16º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1988 - Rio de Janeiro RJ - Ponte para XXI, no Rio Design Center
1992 - Rio de Janeiro RJ - ECO 92 - Mostra Brasileira de Arte: Trabalho e Meio Ambiente, Secretaria de Trabalho e Ação Social - Governo do Estado
1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal
1997 - São Paulo SP - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, no Itaú Cultural
1998 - Belo Horizonte MG - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, no Itaú Cultural
1998 - Brasília DF - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, na Galeria Itaú Cultural
1998 - Penápolis SP - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, na Galeria Itaú Cultural
1999 - São Paulo SP - Cotidiano/Arte. A Técnica, no Itaú Cultural
2001 - São Paulo SP - Trajetória da Luz na Arte Brasileira, no Itaú Cultural
2002 - São Paulo SP - A Forma e a Imagem Técnica na Arte do Rio de Janeiro: 1950-1975, no Paço das Artes
2003 - Rio de Janeiro RJ - Fiat Lux: a luz na arte, no Centro Cultural da Justiça Federal

Fonte: Itaú Cultural

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