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Maria Villares

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BIOGRAFIA

Maria Villares (São Paulo SP 1940)

Pintora, desenhista, escultora, gravadora, ceramista.

Maria Diederichsen Villares estuda desenho e pintura com Nélson Nóbrega e história da arte com Gilda Seraphico, entre 1954 e 1963. Na década de 70, é aluna de Carlos Fajardo, Dudi Maia Rosa e estuda na Escolinha de Arte Brasil. Entre os anos de 1980 e 1990, faz vários cursos entre eles: cerâmica, litografia e desenho e pintura. Neste período, viaja para Itália e estuda desenho e escultura no Centro D'Arte Verrochio.

Críticas

"A poética de Maria envolve sempre o drama da matéria enquanto resistência e transformação. É no atrito entre o ser e o devir que investe sua criação.

Durante a infância das filhas, iniciou-se na cerâmica realizando objetos utilitários até que a exploração da forma escultórica se impôs. Uma botânica imaginária feita da invocação de sementes e cascas configura-se em esculturas onde cerâmica e bronze estão associados. Cápsulas em que os núcleos em barro esmaltado são envolucrados pelo metal rugoso. É o diminuto que se agiganta, livre das grandezas estabelecidas.

A passagem da cerâmica para a aquarela ocorreu após um período de intensa inquietação. Em ateliê improvisado e sem luz natural a artista dedicou-se ao desenho a carvão e grafite saindo dali para um espaço maior e a irrupção da cor em seu trabalho.

E chegamos ao aquário seco, fonte de inspiração plástica, lugar onde são metabolizadas as imagens de seus trabalhos seguintes. Maria acumulou em recipientes de vidro lembranças das praias percorridas: conchas, caramujos, seixos, gravetos, fragmentos de rocha . . . Reteve ali o encanto pelo estranhamento de formas e cores, produzindo pelo desgaste da água e do vento nos objetos recolhidos. Eis-nos diante de uma beleza arcaica.

Da contemplação deste microcosmo derivam de início aquarelas e a seguir pinturas sobre tela. Nas obras sobre papel, manchas aquareladas formam com a trama linear composições sutilmente articuladas. Nas telas, numa primeira fase, persiste o temperamento aquoso, translúcido da aquarela. Superada a transposição para a nova técnica, o campo amplia-se e o óleo impõe seu caráter. A massa pictórica ganha densidade pela sobreposição de camadas ou quando a tinta é encorpada com outros materiais. A cor percorre a escala cromática e chega a saturação. A linha, decorrente de uma gestualidade sem hesitação energiza a tela. Na produção atual, a pintura afirma sua autonomia: na materialidade - tinta e suporte - reside a substância do seu próprio vir a ser.

Em viagem ao Maranhão, a artista recolheu pedaços de madeira abandonados pela maré. Através de uma série de pequenos desenhos empreendeu o reconhecimento destes fragmentos corroídos pela água salgada, pelo roçar da areia, fustigados pelo vento. A ação agressora deixara marcas e encontrara resistências. Saliências e reentrâncias inscreveram-se nas superfícies outrora lisas transformando os volumes em formas torturadas: toda uma história ficara registrada naqueles corpos.

Retornando a São Paulo, Maria transportou algumas destas anotações para grandes dimensões sobre papel, tela ou poliester. Começa uma nova fase em sua obra.

Os detritos assumem aspecto de entidades ancestrais dramaticamente tratadas em preto, branco e gradações de cinza. Flutuam como meteoritos. Solitários ou em dupla emergem fantasmáticos do espaço vazio em lenta aproximação ou no centro de um turbilhão de luz.

A obra de Maria Villares atinge a maioridade. Transcendendo a intimidade dos pequenos formatos assume a contundência da grande escala, numa ambígua conjugação do imenso e do detalhe, da pintura e do desenho. O que se abre para a cósmico, nos dá a medida de nossa pequenez".
Maria Alice Milliet
VILLARES, Maria. Maria Villares. Sao Paulo: Galeria Nara Roesler, 1994.

Acervos

Acervo Banco Itaú - São Paulo SP
Brazilian-American Cultural Institute - Washington (Estados Unidos)
Museu de Kobe - Kobe (Japão)
Pinacoteca do Estado de São Paulo - São Paulo SP
Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto - Ribeirão Preto SP

Exposições Individuais

1994 - São Paulo SP - Primeira Individual, na Galeria Nara Roesler
1995 - Santo André SP - Gravetos com História, no Paço Municipal
1996 - São Paulo SP - Encontro com a Arte, no Espaço Indústrias Bayer S. A.
1997 - Washington (Estados Unidos) - Individual, no Brazilian-American Cultural Institute
1999 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Nara Roesler
2001 - São Paulo SP - Maria Villares: papéis 1998-2001, na Galeria Nara Roesler

Exposições Coletivas

1981 - São Paulo SP - Coletivas em cerâmica, na Galeria Toki, na Faap, na Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e outras
1989 - São Paulo SP - Coletivas em cerâmica, na Galeria Toki, na Faap, na Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e outras
1989 - São Paulo SP - Trabalhos sobre Papel, na Galeria Our Choice
1990 - São Paulo SP - Brazilian Art At Skandinavium
1990 - São Paulo SP - Coletiva, no Paço das Artes
1991 - Curitiba PR - Salão Arte 7 - 1º prêmio em escultura
1991 - São Paulo SP - 22º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1991 - São Paulo SP - Brazilian Art At Skandinavium
1991 - São Paulo SP - Cologravura, no Paço das Artes
1992 - Ribeirão Preto SP - 17º Salão de Arte Contemporânea - 1º Prêmio Cidade Ribeirão Preto
1993 - São Paulo SP - Brazilian Art At Skandinavium
1995 - Berlim (Alemanha) - Pintura, Música e Literatura no Brasil, na Gallerie Bellevue
1995 - Santo André SP - 23º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal
1995 - Santos SP - 5ª Bienal Nacional de Santos, no Centro Cultural Patrícia Galvão
1995 - São Paulo SP - 50 Anos de Hiroshima, no Sesc Pompéia
1995 - São Paulo SP - Art For Less, na Trilha Arte Contemporânea
1995 - São Paulo SP - Substâncias Visuais, na Fundação Mokiti Okada
1996 - Cidade do México (México) - Aquarela Brasil México 96, no Museo Nacional de La Acuarela
1996 - São Paulo SP - 25º Salão de Artes Plásticas Bunkyo, na Sociedade de Cultural Japonesa - medalha de ouro
1996 - São Paulo SP - Avesso do Avesso, no Paço das Artes
1997 - Saint Dézéry (França) - Le Griffon e Ponte Cultura
1998 - Belém PA - 4º Salão Unama de Pequenos Formatos, na Universidade da Amazônia. Galeria de Arte
1998 - Nurembergue (Alemanha) - Crossing the Borders, no Espaço Geis
1999 - Belém PA - 5º Salão Unama de Pequenos Formatos, na Universidade da Amazônia. Galeria de Arte
1999 - São Paulo SP - O Papel do Papel, no Espaço de Artes Unicid
2000 - São Paulo SP - O Corpo Invisível, no Sesc Vila Mariana
2000 - São Paulo SP - O Corpo Invisível II, no Espaço de Artes Unicid
2002 - São Paulo SP - Quase Desenho, na Adriana Penteado Arte Contemporânea
2003 - São Paulo SP - Atelier Piratininga, no Atelier Piratininga
2003 - São Paulo SP - Lugar de Encontros: Amélia Toledo entre nós, na Unicid
2003 - São Paulo SP - Lambe-Lambe, no Atelier Piratininga
2004 - São Paulo SP - Margot Delgado, Maria Villares e Regina Dutra, na Gravura Brasileira

Fonte: Itaú Cultural

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