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Marcos Santilli

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BIOGRAFIA

Marcos Santilli (Assis SP 1951)

Fotógrafo, curador e produtor cultural.

No início da década de 1970, José Marcos Brando Santilli abandonou o curso de artes e arquitetura da Universidade de Brasília - UnB para atuar como fotojornalista nos periódicos Diário de Brasília e Jornal de Brasília. Estuda fotografia na escola Agfa Gevaert, em 1973, em Londres, e de volta ao Brasil, entre 1974 e 1978, fotografa para a sucursal da Editora Abril em Brasília. Paralelamente, inicia projeto de documentação audiovisual e fotográfica das transformações sociais e ambientais em Rondônia e no Acre. No começo dos anos 1980, transfere-se para São Paulo e trabalha no Instituto de Documentação e Artes da Prefeitura Municipal. Empenhado na melhoria das condições de trabalho dos fotógrafos, em 1977 e 1978, torna-se vice-presidente da União dos Fotógrafos de Brasília e, de 1981 a 1982, da União dos Fotógrafos de São Paulo, e é um dos membros-fundadores do Núcleo dos Amigos da Fotografia - NAFoto. De 1998 a 2003, dirige o Museu da Imagem e do Som de São Paulo - MIS/SP. No decorrer de sua carreira, recebe diversas bolsas de estudo nas áreas de fotografia, cinema, vídeo e informática, entre as quais se destacam as concedidas pela John Simon Guggenheim Memorial Foundation, em 1981, pela Fundação Vitae, em 1988, e pela The Fulbright Commission, em 1989. É autor dos livros Are, 1987; Madeira-Mamoré Imagem e Memória, 1987; e Amazon - A Young Reader's Look at the Last Frontier, 1991.

Comentário crítico

Fotojornalista com experiência em importantes jornais e revistas do Brasil, Marcos Santilli destaca-se no cenário da fotografia documental com ensaios sobre as transformações ambientais e sociais ocorridas no Acre e em Rondônia nos últimos 30 anos. Nesse período, registra em fotos e vídeos as mudanças e os conflitos provocados pela instalação de madeireiras e indústrias de extração mineral na Região Amazônica. Nas imagens, é possível acompanhar a devastação da floresta, a degradação da paisagem provocada pelos garimpos, o processo de aculturação de tribos indígenas, a miscigenação e a urbanização das comunidades campesinas. Santilli descreve o trabalho dos garimpeiros, seringueiros, as atividades de subsistência dos índios e documenta o envelhecimento das populações locais fotografando os mesmos indivíduos em diferentes períodos. A importância de seu trabalho consiste, sobretudo, em contar a história recente da região. Do ponto de vista formal, o trabalho chama atenção pela saturação de cores, pelo equilíbrio e pela simetria dos enquadramentos.

Envolvido com a criação de diversas associações de fotógrafos, além de ter dirigido o Museu da Imagem e do Som de São Paulo - MIS/SP por cinco anos, Santilli é conhecido também por sua atuação como incentivador da fotografia em instituições culturais, e como defensor de condições de trabalho justas para o fotógrafo profissional no Brasil.

Críticas

"O material fotográfico obtido tem tal eloqüência que, com ele, Marcos Santilli consegue articular um discurso sobre a colonização da Rondônia, praticamente sem lançar mão do recurso da palavra, a não ser para localizar as fotos no tempo e no espaço. As imagens são precisas em sua intenção antropológica, acompanhando minuciosamente todo o processo de obtenção do ouro no garimpo, o trabalho do seringueiro, o processamento da mandioca pelos índios, ou os vários métodos de desmatamento. O fotógrafo disseca a região com o olhar de um analista, busca os detalhes significantes, examina o rosto de um ex-ferroviário parte por parte, observa a miscigenação de uma família imigrante ao longo das sucessivas gerações".
Arlindo Machado
Machado, Arlindo. O rigor e a emoção do olhar. Folha de S. Paulo. Ilustrada, p. 74.

"(...) O espectador segue a saga dos índios, ferroviários, seringueiros, garimpeiros, colonos. Acompanha, através dos rostos, a caminhada irreversível do tempo. E agora, já dono das imagens, que por sua vez cativou, fica com vontade irresistível de, tantos quilômetros e imagens percorridos, tomar o caminho de volta, mais uma vez. E, junto com o fotógrafo, abraçar a imensidade do espaço, apanhar o sol, mergulhá-lo de novo no rio e aconchegar as vidas dentro da luminosidade do ar, transparência da água e calor do sol. E preservá-las assim, para sempre".
Stefania Bril
Bril, Stefania. Santilli: o documento feito poesia. O Estado de S. Paulo. p. 15.

Acervos

Acervo The John Simon Guggenheim Memorial Foundation - Nova York (Estados Unidos)
Acervo do Museu da Imagem e do Som - MIS/SP - São Paulo SP
Acervo do Museu de Arte de São Paulo - Masp - São Paulo SP
Coleção Pirelli/Masp de Fotografias - São Paulo SP
Casa de Las Americas - Havana (Cuba)
Acervo Smithsonian Institution - Washington (Estados Unidos)
Acervo FotoFest International - Houston (Estados Unidos)

Exposições Individuais

1980 - São Paulo SP - Índios, na Galeria Fotoptica
1981 - São Paulo SP - Fazendas de Café do Vale do Paraíba, no MIS/SP
1981 - São Paulo SP - Bixiga, uma Pesquisa Urbana, no MIS/SP
1983 - São Paulo SP - Iniciativa Planetária, no Congresso Nacional
1985 - São Paulo SP - Nharamaã, a Pré-História de um Estado, no CCSP
1989 - Rio de Janeiro RJ - Madeira-Mamoré, na Galeria Funarte
1993 - São Paulo SP - Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, uma Aventura Fotográfica, no MIS/SP

Exposições Coletivas

1975 - Brasília DF - Expoarte, na UnB
1976 - Brasília DF - Fotógrafos de Brasília, na Fundação Cultural do Distrito Federal
1976 - São Paulo SP - Bienal Nacional 76, na Fundação Bienal
1977 - Brasília DF - Conversas sobre Fotografia, na Aliança Francesa
1978 - Brasília DF - Conversas sobre Fotografia, na Aliança Francesa
1979 - Rio de Janeiro RJ - 1ª Mostra de Fotografia, na Funarte. Galeria de Fotografia
1980 - Caracas (Venezuela) - Conselho Venezuelano de Fotografia
1980 - Rio de Janeiro RJ - Mostra de Fotografia 6: Classe Média Brasileira, na Funarte
1981 - Nova York (Estados Unidos) - The New York Botanic Garden, no The Peabody Museum
1984 - Havana (Cuba) - 3º Colóquio Latino-Americano de Fotografía, na Casa de Las Americas
1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: auto-retrato do brasileiro, na Fundação Bienal
1986 - Brasília DF - 9º Salão de Artes Plásticas - Centro-Oeste, no Museu de Arte de Brasília
1986 - Washington (Estados Unidos) - Tropical Rainforests - A Disappearing Treasure, Smithsonian Institution Traveling Exhibition Service
1988 - Brasil - Cenários e Personagens, exposição itinerante do INFoto/Funarte
1989 - Angola (Luanda) - Festival Nacional de Cultura de Angola
1991 - São Paulo SP - 1ª Coleção Pirelli/Masp de Fotografias, no Masp
1992 - São Paulo SP - 4 Elementos, na Casa Fuji de Fotografia
1992 - Zurique (Suíça) - Brasilien: entdeckung und selbstentdeckung, na Kunsthaus Zürich
1993 - Salvador BA - 2º Salão de Arte Fotográfica da Bahia
1994 - Houston (Estados Unidos) - FotoFest'94. The Fifth International Festival of Photography The Global Environment
1998 - São Paulo SP - Amazônicas, no Itaú Cultural
1999 - Wolfsburg (Alemanha) - Brasilianische Fotografie 1946 bis 1998, no Kunstmuseum Wolfsburg
2002 - São Paulo SP - México Imaginário: o olhar do artista brasileiro, na Casa das Rosas
2002 - São Paulo SP - Ópera Aberta: celebração, na Casa das Rosas
2002 - São Paulo SP - Visões e Alumbramentos: fotografia contemporânea brasileira da coleção Joaquim Paiva, na Oca

Fonte: Itaú Cultural

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