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Manuel Dias de Oliveira

OBRAS DO ARTISTA

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BIOGRAFIA

Manuel Dias de Oliveira (Cachoeiras de Macacu RJ 1763 - Campos dos Goytacazes RJ 1837)

Pintor, gravador, escultor, professor, ourives.

Conhecido também como "Romano" ou "Brasiliense", ainda jovem muda-se para a cidade do Rio de Janeiro e inicia sua formação trabalhando como ourives. Viaja para Portugal e passa a residir na cidade do Porto, onde inicia estudos de pintura. Posteriormente vai para Lisboa e aperfeiçoa seus conhecimentos artísticos na Real Casa Pia, onde conhece o pintor português Domingos Antônio de Sequeira (1768 - 1837). Por ter-se destacado nos estudos, é enviado para a Accademia de San Lucca, em Roma, para freqüentar as aulas de Pompeo Batoni (1708 - 1787). Em 1798, retorna a Portugal. Sendo nomeado para o cargo de professor da aula régia de desenho e figura em 1800, transfere-se para o Rio de Janeiro, e paralelamente ministra aulas de modelo vivo em seu ateliê. Responsabiliza-se por grande parte das decorações feitas para a cerimônia de recepção da corte portuguesa, em 1808. Em 1822, o imperador Dom Pedro I (1798 - 1834), por meio de um decreto assinado em 15 de outubro, decide destitui-lo do cargo de regente da aula régia. No ano de 1831, muda-se para Campos dos Goytacazes e inaugura um colégio para meninos. Nessa cidade, em 1835, executa um auto-retrato, que é a sua última obra conhecida.

Comentário Crítico

Boa parte da obra de Manuel Dias de Oliveira encontra-se perdida. Sobre sua formação, sabe-se que, quando jovem, se fixa no Rio de Janeiro, onde exerce o ofício de ourives. Reconhecendo-lhe o talento para o desenho, um comerciante português de ourivesaria leva-o para Portugal, a fim de que realize estudos formais em artes. Ingressa nos Cursos de Arte da Real Casa Pia e na Academia do Castelo, ambas em Lisboa, onde se destaca entre os alunos da turma e por isso recebe apoio para estudar na Accademia di San Luca, em Roma. Permanece dez anos na Itália, aprimorando-se artística e culturalmente. Durante sua estada no país freqüenta as aulas de pintura de Pompeo Girolamo Battoni (1708 - 1787), um dos mestres mais influentes da Academia e que entende a arte como atividade da razão, tendo como único ideal a pintura bela. Para atingi-la, propõe a retomada do classicismo seiscentista mais por seu valor técnico do que pela recuperação de seus temas. No período romano, Dias de Oliveira passa a ser conhecido como "O Brasiliense" (note-se que no Brasil as pessoas o chamariam "O Romano").

Não se sabe ao certo os motivos que o trazem de volta ao Rio de Janeiro. O fato é que em 1800 o artista encontra-se na cidade e é nomeado pelo príncipe regente Dom João (1767 - 1826) professor régio de desenho, responsável pela "Aula Régia de Desenho e Figura". Como ocorria em Portugal, a "Aula" funcionava como uma escola destinada a artífices e pintores, mas muito distante ainda da formação estruturada instituída pelas academias de belas artes. No entanto, para o meio artístico brasileiro representa uma inovação, pois sinaliza o término da "época em que os artistas se educavam no interior dos ateliês de escultores e ourives. Reconhecia-se, afinal, o papel fundamental do desenho na prática artística e adotava-se a postura da tradição clássica européia", como observa o historiador Luciano Migliaccio.1 Sobre o método de ensino dessas aulas, alguns acreditam que Dias de Oliveira é o responsável pela introdução do estudo do desenho do natural e pela instalação das aulas de modelo vivo no Brasil, relativizando dessa forma o antigo modo de aprendizagem no qual os estudantes adquirem conhecimentos artísticos apenas por meio de cópias de quadros e estampas européias. Entre seus principais alunos encontram-se Clemente Guimarães Bastos, Francisco Pedro do Amaral (1790 - 1831) e Manuel José Gentil.

Manuel Dias de Oliveira trabalha principalmente como pintor-decorador, o que explica o desaparecimento de parcela significativa de sua produção. A maior parte das decorações para a recepção de chegada de Dom João VI e a corte portuguesa no Rio de Janeiro em 1808 é realizada por ele. Escapa da predominância da temática religiosa, característica dos pintores coloniais, trabalhando em diversos gêneros de pintura como retratos, alegorias e naturezas-mortas. Consta que tenha praticado a gravura, além da miniatura sobre marfim. Das obras restantes, podemos contemplar o quadro pintado para comemorar a coroação de Dom João VI, a alegoria Nossa Senhora da Conceição (1818), na qual o rei aparece ao lado da figura da santa, rodeados por anjos, personagens religiosos e mitológicos. Figuras mitológicas mescladas com personagens da família real e figuras características de Portugal também estão presentes na Alegoria ao Nascimento de Dona Maria da Glória (1819), pintada por ocasião do nascimento da primogênita de Dom Pedro. No gênero retrato, temos Retrato de Dom João VI e Dona Carlota (1815). Não muito hábil no desenho, suas pinturas destacam-se mais pelo colorido. Contudo, estão longe de representar os melhores exemplares da arte realizada na colônia, principalmente daquela ainda ligada aos elementos barrocos, mas já com traços neoclássicos, da passagem do século XVIII para o século XIX.

As informações sobre as relações do pintor com os artistas da Missão Artística Francesa, responsável pela criação da primeira academia de belas artes no Brasil - Academia Imperial de Belas Artes - Aiba em 1826 -, são divergentes. O crítico Quirino Campofiorito (1902-1993) afirma que os franceses se posicionam contra a Aula Régia, tornando-se Manuel Dias de Oliveira um alvo visado.2 Por sua vez, o estudioso Luciano Migliaccio diz ter o artista se renovado a partir do contato com o grupo francês, colaborando algumas vezes com Debret (1768 - 1848). O fato é que Dias de Oliveira não foi convidado a integrar o corpo docente da Aiba e, em 1822, o príncipe regente Dom Pedro (1798 - 1834) publica um decreto no qual proíbe o exercício do magistério ao artista - provavelmente para evitar conflitos com o ensino acadêmico oficial -, sendo este aposentado poucos anos depois. Cansado, desiste da profissão e, em 1831, muda-se para Campos de Goytacazes, onde abre um colégio para meninos e falece alguns anos mais tarde.

Notas
1 MIGLIACCIO, Luciano. Da Colônia à Independência. In: MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte do século XIX. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000. p.40.
2 Gonzaga Duque corrobora esta informação: "Com a chegada dos artistas franceses, da colônia Le Breton, a sua notoriedade sofreu seriamente. Também já estava cansado, velho, cheio de filhos. Desistiu da profissão ...". In: DUQUE, Gonzaga. A Arte brasileira: pintura e esculptura. Rio de Janeiro: H. Lombaerts & C., 1888. p.86-87.

Críticas

"Manuel Dias de Oliveira ficou também conhecido pelos cognomes de 'O Brasiliense', que lhe foi dado quando estudava em Lisboa, e de 'O Romano', por haver estudado em Roma. Não teve, como seria de esperar, a simpatia dos artistas que integravam a Missão Francesa chegada em 1816. Os recém-chegados eram refratários a todo resquício do velho barroco e dispunham-se a tudo começar sem o apoio de nada do que haviam encontrado. A primeira ação dos franceses foi contra a Aula Pública de Desenho e Figura, dirigida por Manuel Dias de Oliveira: consequentemente, o mestre nativo tornou-se também um alvo visado. Manuel Dias de Oliveira abre sua produção artística aos gêneros mais variados, escapando decididamente da predominância, às vezes total, da decoração religiosa que caracterizou a pintura colonial. Pratica também a composição de objetos, frutas e flores, denominada como natureza-morta. Seus quadros assim concebidos, bem como certos trabalhos ornamentais, foram muito desejados".
Quirino Campofiorito
CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983.

"(...) Na companhia de um comerciante português, que lhe notando as fortes tendências artísticas tornara-se seu protetor, seguiu para Portugal, a fim de estudar pintura no Porto. Morrendo seu protetor, transferiu-se a Lisboa e se matriculou na Real Casa Pia (...), ali se destacando de tal maneira que (...) é enviado à Itália - ao lado do célebre Domingos Antonio de Sequeira - a fim de cursar a Academia de São Lucas de Roma. (...) foi pintor de gênero, frutas e flores, retratos, temas religiosos e decorativos, além de ter praticado a miniatura sobre marfim e mesmo a gravura. (...) Sua arte é uma harmoniosa mistura de elementos já neoclássicos e de resquícios ainda barrocos (...)".
José Roberto Texeira Leite
ARAÚJO, Emanoel (org.). A mão afro-brasileira: significado da contribuição artística e histórica. São Paulo: Tenenge, 1988.

Exposições Póstumas

1879 - Rio de Janeiro RJ - 25ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1884 - Rio de Janeiro RJ - 26ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1943 - Rio de Janeiro RJ - Mostra de Pintura Religiosa, no MNBA
1948 - Rio de Janeiro RJ - Exposição Retrospectiva da Pintura no Brasil, no MNBA
1955 - Rio de Janeiro RJ - Exposição Retrospectiva da Arte Sacra Brasileira
1983 - São Paulo SP - História da Pintura Brasileira no Século XIX, no Paço das Artes
1994 - São Paulo SP - Um Olhar Crítico sobre o Acervo do Século XIX, na Pinacoteca do Estado
1998 - São Paulo SP - O Universo Mágico do Barroco Brasileiro, na Galeria de Arte do Sesi
2000 - Porto Alegre RS - De Frans Post a Eliseu Visconti: acervo Museu Nacional de Belas Artes - RJ, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli
2000 - Rio de Janeiro RJ - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Negro de Corpo e Alma, na Fundação Casa França-Brasil
2004 - Rio de Janeiro RJ - Missão Artística Francesa e as origens da coleção do Museu Nacional de Belas Artes, no MNBA

Fonte: Itaú Cultural

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