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Manoel Martins

OBRAS DO ARTISTA

Manoel Martins - Casarios

Casarios

óleo sobre tela
40 x 50 cm
ass. inf. dir.


Preço: Sob Consulta
Manoel Martins - Retirantes

Retirantes

óleo sobre tela
1971
46 x 61 cm
ass. inf. dir.
Reproduzido no livro "Arte Brasil Hoje, 50 anos depois", Roberto Pontual, editora Collectio, na pág. 266.

Preço: Sob Consulta

BIOGRAFIA

Manoel Martins (São Paulo SP 1911 - idem 1979)

Ilustrador, pintor, desenhista, gravador, escultor e ourives.

Inicia-se na carreira artística em 1924 exercendo o ofício de ourives. Em 1927, se dedica à relojoaria, e posteriormente passa a trabalhar no comércio. Em paralelo a essa atividade, volta a se dedicar às artes e, a partir de 1931, freqüenta as aulas ministradas pelo escultor Vicente Larocca (1892 - 1964). Como forma de continuar os seus estudos, freqüenta alguns cursos oferecidos pela Sociedade Pró-Arte Moderna - Spam, situada em uma rua próxima ao Edifício Santa Helena. Em 1936, passa a dividir o ateliê com Mario Zanini (1907 - 1971) e conhece os demais integrantes do Grupo Santa Helena. No ano seguinte, integra a Família Artística Paulista - FAP. Em 1939, freqüenta, com outros artistas, as reuniões do Grupo Cultural Musical, promovidas pelo médico Afonso Jagle, e instala seu ateliê na rua Bittencourt Rodrigues. Em 1942, freqüenta as reuniões culturais promovidas por Osório César e participa, com alguns trabalhos, da publicação do álbum 35 Litografias de Sete Artistas. Em 1944, viaja à Salvador e ilustra o livro Bahia de Todos os Santos, escrito por Jorge Amado (1912 - 2001), e responsabiliza-se, com o jornalista Odorico Tavares (1912 - 1980), pela realização da primeira exposição de arte moderna nessa cidade.

Comentário Crítico

Manoel Martins, filho de imigrantes portugueses, cresce no Brás, bairro industrial da cidade de São Paulo. Dedica-se, a partir de 1924, ao ofício da ourivesaria. Inicia, em 1931, seus estudos artísticos com o escultor Vicente Larocca (1892 - 1964). Freqüenta, em seguida, a Escola de Belas Artes. Começa a fazer parte do Grupo Santa Helena em 1935, com Alfredo Volpi (1896 - 1988), Francisco Rebolo (1902 - 1980), Fulvio Pennacchi (1905 - 1992), entre outros. Divide ateliê com Mario Zanini (1907 - 1971). Participa, em 1937, de exposições da Família Artística Paulista - FAP.

Escolhe a pintura como forma expressiva e, no fim da década de 1930, começa a fazer gravuras em linóleo e madeira. Sua obra apresenta grande preocupação social. Dedica-se, entre outras, a temáticas ligadas ao cotidiano das classes mais pobres e à vida do trabalhador. Pinta paisagens do centro e arredores de São Paulo e é visto pela crítica como repórter da vida paulistana. Apresenta diversos perfis da cidade, em cenas imaginárias recriadas em seu ateliê. Registra as modificações da metrópole, em crescimento veloz durante as décadas de 1930 e 1940, com o surgimento de arranha-céus, como em Praça da Sé, ca.1940. O artista, por vezes, mescla imagens da cidade atual com outras, de uma São Paulo antiga e pacata vivenciada em sua infância. Em telas e gravuras, representa o homem anônimo, cuja figura é muito reduzida em relação aos prédios.

Durante os anos da Segunda Guerra Mundial, realiza obras que enfocam cidades bombardeadas. Da guerra decorrem ainda outros temas, como o torpedeamento de navios, representados na litografia Náufragos (1942). Nessas obras são observadas incidências surreais e, principalmente, o diálogo com o expressionismo e com a obra de Lasar Segall (1891 - 1957).

Nos anos 1960, começa a trabalhar com gravura em metal. Manoel Martins, entre os integrantes do Grupo Santa Helena, é o mais voltado à atividade gráfica. Paralelamente ao ofício de pintor, realiza a ilustração de livros, como O Cortiço, de Aluísio de Azevedo (1857 - 1913), e Bahia de Todos os Santos, de Jorge Amado (1912 - 2001), e revistas. O crítico Mário Schenberg destaca que, em sua trajetória, o artista foi capaz de manter a pureza de visão primitivista, da qual resulta o grande encanto de suas paisagens.

Críticas

"O grande encanto das paisagens de Manoel Martins resulta da sua capacidade de ter desenvolvido a sua arte sem haver perdido uma pureza de visão primitivista, que conservou mais do que os seus companheiros do Santa Helena, mesmo Rebolo. Na sua pintura vemos a transformação radical da paisagem paulistana, captada sempre pela mesma visão da década de 30. Há assim na paisagem de Martins um sutilíssimo efeito de coexistência do momento atual com uma visão subjetiva de outra época. Há por vezes uma combinação da paisagem atual com cenas recordadas da sua infância nas vilas do Brás, então o bairro industrial de São Paulo, em que ressoa discretamente uma tristeza pela desumanização crescente da nossa paisagem urbana. Entre as pinturas recentes de Martins encontramos algumas paisagens de beira-mar baseadas em recordações de outros tempos, que impressionam pela sua vitalidade e alegria, assim como pela riqueza de sua composição em vários planos sucessivos. Paradoxalmente, essas paisagens evocadas pela memória do artista transmitem vigorosamente vivências de aqui-agora. A riqueza dos problemas da vivência do tempo é certamente o aspecto mais original e fascinante da pintura de Manoel Martins".
Mário Schenberg
MANOEL Martins. Apresentação de Mario Schenberg. São Paulo: Centro de Artes Shopping News, 1978.

"A caracterização da arte paulista do fim do decênio de 30 e do seguinte reúne artistas sob o nome Grupo Santa Helena; apaga-se, com isso, qualquer produção que se distancie da pintura paulista ao ar livre, como a gravura de Manoel Martins. Tanto críticos da época quanto historiadores mais recentes destacam como temática daqueles artistas, que provinham de profissões artesanais, a paisagem dos arredores de São Paulo, objetivando, certamente, distanciá-los do aprendizado escolar, na valorização da pintura de livre observação como espontaneidade. Sabe-se, entretanto, que essa prática começa em São Paulo já no início do século XX, e que a pintura de observação não era, para eles, motivo único. Manoel Martins é exemplo disso: suas pinturas interpretam a Cidade no Ateliê, mas suas gravuras o fazem ainda mais, pois são sínteses gráficas de cidades imaginárias".
Mayra Laudanna, maio de 2000
GRAVURA: arte brasileira do século XX. Apresentação Ricardo Ribenboim; texto Leon Kossovitch, Mayra Laudanna, Ricardo Resende. São Paulo: Itaú Cultural : Cosac & Naify, 2000. p.200.

"Manoel Martins consegue distrair o espectador com sua ingenuidade quase pueril e com suas tiradas de críticas urbanas. Mas a crítica sabe que, por baixo dos 'tobogãs', dos amontoados fabris e das construções (demolições) do metrô, há um rico exercício de composição, infelizmente ocultado, mais tarde, pelas pinceladas multicoloridas. Permanece, sempre, a pureza desse artista, que não soube lançar mão do artifício de deixar transparecer também aos leigos as preciosas estruturas desenhadas, assim como não colore com malícia para criar climas de luzes e reflexos, mas, tão somente, para personalizar, pela cor, cada personagem de sua 'história pintada'".
Paulo Maranca, 2 de outubro de 1978
GRAVURA: arte brasileira do século XX. Apresentação Ricardo Ribenboim; texto Leon Kossovitch, Mayra Laudanna, Ricardo Resende. São Paulo: Itaú Cultural : Cosac & Naify, 2000. p.200.

Acervos

Coleção Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - São Paulo SP

Exposições Individuais

1948 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Itapetininga
1963 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Selearte
1978 - São Paulo SP - Individual, no Centro de Artes Shopping News

Exposições Coletivas

1937 - São Paulo SP - 1º Salão da Família Artística Paulista, no Esplanada Hotel de São Paulo
1938 - São Paulo SP - 1º Salão de Maio
1938 - São Paulo SP - 4º Salão do Sindicado dos Artistas Plásticos, no Automóvel Clube
1939 - São Paulo SP - 2º Salão da Família Artística Paulista, no Automóvel Clube
1939 - São Paulo SP - 2º Salão de Maio
1939 - São Paulo SP - 5º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos
1940 - Porto Alegre RS - Salão de Belas Artes
1940 - Rio de Janeiro RJ - 46º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA - menção honrosa
1940 - São Paulo SP - 3º Salão da Família Artística Paulista
1941 - Rio de Janeiro RJ - 47º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA - medalha de bronze
1941 - São Paulo SP - 1º Salão de Arte da Feira Nacional de Indústrias, no Parque da Água Branca
1942 - Rio de Janeiro RJ - Salão de Arte da Liga da Defesa Nacional
1942 - São Paulo SP - 7º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos, na Galeria Prestes Maia
1942 - São Paulo SP - Salão Feira Nacional das Indústrias
1944 - Belo Horizonte MG - Exposição de Arte Moderna, no Edifício Mariana
1944 - Londres (Inglaterra) - Salão de Artistas
1944 - Londres (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Royal Academy of Arts
1944 - Norwich (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Norwich Castle and Museum
1944 - Rio de Janeiro RJ - 50º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA - medalha de prata
1944 - São Paulo SP - Exposição de Pintura Moderna Brasileira-Norte-Americana, na Galeria Prestes Maia
1945 - Bath (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Victory Art Gallery
1945 - Bristol (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Bristol City Museum & Art Gallery
1945 - Edimburgo (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na National Gallery
1945 - Glasgow (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Kelingrove Art Gallery
1945 - Manchester (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Manchester Art Gallery
1946 - Santiago (Chile) - Coletiva de Pintores Brasileiros
1946 - São Paulo SP - Salão de Arte Moderna
1948 - São Paulo SP - Salão de Arte Moderna
1949 - Rio de Janeiro RJ - 55º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA
1951 - São Paulo SP - 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon
1952 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Nacional de Arte Moderna
1953 - Rio de Janeiro RJ - 2º Salão Nacional de Arte Moderna
1954 - Goiânia GO - Exposição do Congresso Nacional de Intelectuais
1958 - Rio de Janeiro RJ - 7º Salão Nacional de Arte Moderna, no MNBA
1958 - São Paulo SP - 7º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia
1962 - São Paulo SP - 11º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia - prêmio aquisição
1963 - Rio de Janeiro RJ - 12º Salão Nacional de Arte Moderna
1964 - São Paulo SP - 13º Salão Paulista de Arte Moderna - medalha de bronze
1966 - São Paulo SP - Gravadores de São Paulo, na Galeria 4 Planetas
1966 - São Paulo SP - O Grupo do Santa Helena, Hoje, na Galeria 4 Planetas
1967 - Dresden (Alemanha) - 3ª Exposição de Arte Moderna
1967 - São Paulo SP - 16º Salão Paulista de Arte Moderna - prêmio aquisição
1967 - São Paulo SP - A Família Artística Paulista: 30 Anos Depois, no Auditório Itália
1967 - São Paulo SP - A Família Artística Trinta Anos Depois, no Auditório Itália
1968 - São Paulo SP - 17º Salão Paulista de Arte Moderna - prêmio aquisição
1972 - São Paulo SP - 2ª Exposição Internacional de Gravura, no MAM/SP
1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, Galeria da Collectio
1975 - São Paulo SP - 40 Anos - Grupo Santa Helena, no Paço das Artes
1976 - São Paulo SP - Os Salões: da Família Artística Paulista, de Maio e do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo, no Museu Lasar Segall
1977 - São Paulo SP - Grupo Seibi - Grupo do Santa Helena: década 35 a 45, no MAB/Faap
1978 - Penápolis SP - 3º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis

Exposições Póstumas

1979 - São Paulo SP - 11º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1979 - São Paulo SP - O Grupo Santa Helena, na Uirapuru Galeria de Arte
1980 - Penápolis SP - 4º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis
1980 - São Paulo SP - Imagens da Dança, no Paço das Artes
1981 - São Paulo SP - 2ª Salão Paulista de Artes Plásticas e Visuais, no Paço das Artes
1982 - São Paulo SP - Do Modernismo à Bienal, no MAM/SP
1982 - São Paulo SP - O Trabalho na Pintura Popular, no Museu da Casa Brasileira
1985 - São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1987 - São Paulo SP - Individual, na Bemge Galeria
1995 - São Paulo SP - O Grupo Santa Helena, no MAM/SP
1996 - Rio de Janeiro RJ - O Grupo Santa Helena, no CCBB
1998 - São Paulo SP - São Paulo em Gravuras de 1950, na Biblioteca Municipal Mário de Andrade
1998 - São Paulo SP - Iconografia Paulistana em Coleções Particulares, no Museu da Casa Brasileira
2000 - São Paulo SP - Grupo Santa Helena, na Jo Slaviero Galeria de Arte
2000 - São Paulo SP - Investigações: A Gravura Brasileira, no Itaú Cultural
2001 - Brasília DF - Investigações. A Gravura Brasileira, na Galeria Itaú Cultural
2001 - Penápolis SP - Investigações. A Gravura Brasileira, na Galeria Itaú Cultural
2002 - São Paulo SP - Modernismo: da Semana de 22 à seção de arte de Sérgio Milliet, no CCSP
2002 - São Paulo SP - Operários na Paulista: MAC-USP e os artistas artesãos, na Galeria de Arte do Sesi
2003 - São Paulo SP - Pintores do Litoral Paulista, na Sociarte
2004 - São Paulo SP - Gabinete de Papel, no CCSP
2004 - São Paulo SP - Novas Aquisições: 1995 - 2003, no MAB/Faap

Fonte: Itaú Cultural

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