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Macaparana

OBRAS DO ARTISTA

Macaparana - S/T


S/T

Técnica: óleo sobre placa
Data: 1984
Medida: 40 x 80
Comentários: Esta obra participou da exposição de 4 a 30 de março de 1985 no Museu de Arte Brasileira FAAP

Preço: Sob Consulta

BIOGRAFIA

Macaparana (PE 1952)

Pintor, desenhista e escultor. Autodidata.

José de Souza Oliveira Filho iniciou sua carreira como pintor figurativo. Realiza sua primeira mostra individual em Recife, em 1970, na Galeria da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur). Em 1972, muda-se para o Rio de Janeiro e em 1973 para São Paulo, onde se instala definitivamente. Durante cerca de 10 anos expõe nas duas cidades trabalhos que tematizam o ex-voto. Em 1983, o contato com Willys de Castro (1926-1988), expoente do neoconcretismo e decisivo para a mudança de seu trabalho. Participa da 21ª Bienal Internacional de São Paulo em 1991. Suas exposições, individuais e coletivas, já estiveram em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Brasília, México, Japão, Nova York e Londres. Em 2009 realiza exposição individual de esculturas, pinturas e desenhos na Galeria Cayon, em Madri, e participa da coletiva Materia Gris, na mesma galeria.

Comentário Crítico

No início de sua trajetória artística, nos anos 1970, Macaparana realiza pinturas voltadas para a aridez de sua região natal - o sertão pernambucano. Posteriormente, ganha força em sua pintura o tema do ex-voto. Este objeto de devoção, porém, não é tomado como metáfora da religiosidade nordestina, nem mesmo como manifestação do comportamento arcaico brasileiro, como aponta o crítico Olívio Tavares de Araújo, mas sim como um volume de madeira cujas texturas encantam o artista. Gradativamente, o tema do ex-voto é abandonado e Macaparana passa a reproduzir na tela somente as texturas da madeira, num processo crescente de geometrização. Ao mesmo tempo, surge seu interesse em construir volumes usando sobras desse material. Em relação a essas obras, o crítico Frederico Morais avalia que o artista logra retirar da pobreza do material toda sua força poética e construtiva, trabalhando com tapumes, restos de construção e móveis deteriorados. Ao juntar esses fragmentos ou lascas de madeira em uma nova ordem, ele mantém as cores e texturas originais, o que sobra de velhas camadas de tinta, as irregularidades e estragos, como se quisesse captar uma dimensão temporal nesses resíduos de uma arqueologia urbana. O encontro com a obra de Willys de Castro (1926-1988) representa uma inflexão na obra do artista pernambucano. Inicia-se assim uma nova fase em sua carreira, de franco diálogo com o neoconcretismo, na qual predominam os segmentos de retas e as formas mais elementares, tais como, o triângulo, o retângulo e o quadrado. Mantendo-se no campo da geometria, Macaparana amplia o leque de materiais utilizados ao trabalhar com poliestireno, acrílico e aço, a partir dos anos 2000.

Críticas

"Ex-votos de madeira, imitados à perfeição. O fundo desses quadros também aparentava placas de madeira com suas ranhuras, veios e nódulos. Era uma pintura ao mesmo tempo requintada (na técnica) e bárbara na expressão. Agora (...) já não há ex-votos nem qualquer outra figura nos quadros de Macaparana. (...) As pinturas são construções geométricas, estruturadas com rigor e visando um jogo de planos e níveis determinado pela variação tonal das cores. Os tons em geral são frios e soturnos, em contraste com outros de cor mais vibrante. A textura ainda induz à imitação da madeira, embora sem a preocupação imitativa da fase anterior. Os relevos são feitos em madeira mesmo, restos de obras, lascas, fragmentos, às vezes com a cor que tinham no tapume ou no objeto desfeito".
Ferreira Gullar
GULLAR, Ferreira. Reencontro com a infância: Macaparana. Isto É, São Paulo, 8 maio 1985.

"Macaparana (1952, Pernambuco) fez um percurso completo e pertinente com a evolução da arte contemporânea. Mas experimentou esse caminho em si mesmo e em poucos anos. Ele surgiu como um delicadíssimo pintor de paisagens agrestes e, depois, de figuras agrestes. Os únicos seres a povoarem esta pintura de desolação eram seres sem vida. A morte habitava a sua pintura através de personagens artificiais ou em desintegração. Destes personagens em paisagens desoladas, o artista concentrou-se na figura do ex-voto. Ele deu ao ex-voto o duvidoso papel de personagem inorgânico e sem vida. Macaparana pintou o Nordeste como um mundo despido de possibilidades vitais. Tudo se metamorfoseava em vivência sofrida e despida de existência vital. Destes ex-votos, matéria inorgânica e bela, Macaparana organizou, com a composição do trabalho, uma delicada rede construtiva para, atualmente, torná-la a própria essência da pintura. Um construtivismo delicado, inovador, pleno de invenção e de memórias. E esta construção sim, pela primeira vez, plena de vida".
Jacob Klintowitz
KLINTOWITZ, Jacob. O ofício da arte: a pintura. São Paulo, SESC, 1987.

Acervos

Museu de Arte Brasileira (MAB/Faap) - São Paulo SP
Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP) - São Paulo SP
Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) - São Paulo SP
Museu de Arte Moderna (MAM/SP) - São Paulo SP
Pinacoteca do Estado (Pesp) - São Paulo SP

Exposições Individuais

1970 - Recife PE - Individual, Galeria Empetur
1971 - Recife PE - Individual, Galeria Empetur
1972 - Rio de Janeiro RJ - Individual, Galeria Velha Mansão
1974 - Recife PE - Individual, Galeria Nega Fulô
1975 - São Paulo SP - Individual, Galeria Portal
1979 - São Paulo SP - Individual, Centro Campestre do Sesc
1979 - São Paulo SP - Individual, Museu de Arte de São Paulo
1980 - São Paulo SP - Individual, Galeria Seta
1983 - Rio de Janeiro RJ - Macaparana: pinturas, Galeria Bonino
1983 - São Paulo SP - Individual, Galeria Mônica Filgueiras de Almeida Galeria de Arte
1985 - Rio de Janeiro RJ - Macaparana: pinturas e relevos, Galeria Bonino
1985 - São Paulo SP - Individual, Museu de Arte Brasileira
1986 - São Paulo SP - Individual, Mônica Filgueiras de Almeida Galeria de Arte
1987 - Rio de Janeiro RJ - Macaparana: esculturas e relevos, Galeria Bonino
1987 - São Paulo SP - Individual, Sesc Pompéia
1988 - São Paulo SP - Macaparana - Pinturas Recentes, Mônica Filgueiras de Almeida Galeria de Arte
1989 - São Paulo SP - Individual, Sala Mira Schendel  
1991 - São Paulo SP - Individual, Museu de Arte de São Paulo
1994 - São Paulo SP - Individual, Pinacoteca do Estado
2000 - São Paulo SP - Macaparana: obras recentes, Dan Galeria
2002 - Campinas SP - Macaparana: desenhos e pinturas, Galeria de Arte Unicamp/IA
2004 - Rio de Janeiro RJ - Individual, Galeria Arte em Dobro
2004 - São Paulo SP - Individual,  Dan Galeria
2009 - Madri (Espanha) - Individual, Galería Cayón
2010 - São Paulo SP - Macaparana: formas cortadas, Dan Galeria
2010 - Buenos Aires (Argentina) - Individual, Jorge Mara-La Ruche
2011 - Paris (França) - Individual, Galerie Denise René

Exposições Coletivas

1972 - Londres (Reino Unido) - Coletiva, Portal Gallery
1973 - Londres (Reino Unido) - Coletiva, Willians & Son Gallery
1973 - São Paulo SP - 10 Artistas de Tendência Fantástica, No Sobrado Galerias de Arte
1984 - Cidade do México (México) - 4ª Bienal Ibero-Americana de Arte - artista convidado
1984 - São Paulo SP - Coletiva, Fundação Mokiti Okada
1985 - São Paulo SP - Coletiva, Museu de Arte de São Paulo
1985 - Tóquio (Japão) - 7ª Exposição de Belas-Artes Brasil-Japão, Fundação Mokiti Okada
1986 - São Paulo SP - 4º Salão Paulista de Arte Contemporânea, Fundação Bienal
1986 - São Paulo SP - Coletiva, Museu de Arte de São Paulo
1987 - Brasília DF - Paulistas em Brasília, Museu de Arte de Brasília
1987 - São Paulo SP - 18 Contemporâneos, Dan Galeria
1987 - São Paulo SP - O Ofício da Arte: pintura, Sesc
1988 - São Paulo SP - MAC 25 Anos: aquisições e doações recentes, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo
1991 - São Paulo SP - 21º Bienal Internacional de São Paulo, Fundação Bienal
1996 - Rio de Janeiro RJ - Tendências Construtivas no Acervo MAC USP: construção, medida e proporção, Centro Cultural Banco do Brasil
1996 - São Paulo SP - Mostra do Acervo, Sudameris Galleria
1997 - La Paz (Bolívia) - Arte Brasileira Contemporânea, Espaço Simón I. Patiño
1997 - Quito (Equador) - Arte Brasileira Contemporânea, Fundação das Artes Kingman
1997 - São Paulo - SP - Dimensões da Arte Contemporânea, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo
1997 - São Paulo SP - Acervo Contemporâneos na Pinacoteca, Pinacoteca do Estado
1998 - São Paulo SP - 2ª Eletromídia de Arte: exposição virtual, Avenida Cidade Jardim x Avenida Brigadeiro Faria Lima
1998 - São Paulo SP - Doações Recentes 97/98, no Museu de Arte Moderna
1998 - São Paulo SP - Obras em Destaque, Dan Galeria
2003 - Rio de Janeiro RJ - Projeto Brazilianart, Almacén Galeria de Arte
2003 - São Paulo SP - Arteconhecimento: 70 anos USP, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo
2004 - São Paulo SP - Brasileiro, Brasileiros, Museu Afro-Brasil
2005 - Curitiba PR - Arte em Metrópolis, Museu Oscar Niemeyer
2005 - São Paulo SP - Arte em Metrópolis, Instituto Tomie Ohtake
2006 - São Paulo SP - Brasiliana Masp: moderna contemporânea, Museu de Arte de São Paulo
2009 - Madri (Espanha) - 28ª  Arco
2009 - Madri (Espanha) - Materia Gris, Galería Cayón
2009 - São Paulo SP - 40ª Chapel Art Show, Escola Maria Imaculada - Chapel School
2009 - São Paulo SP - Branco & Preto, Galeria Daslu
2010 - São Paulo SP - 6ª sp-arte, Fundação Bienal
2011 - São Paulo SP - 7ª SP-Arte, Pavilhão da Bienal

Fonte: Itaú Cultural

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