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Jules Le Chevrel

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BIOGRAFIA

Jules Le Chevrel (França ca.1810 - Rio de Janeiro RJ 1872)

Pintor, desenhista e professor.

Jean Jules Le Chevrel frequentou a École des Beaux-Arts [Escola de Belas Artes] de Paris entre 1840 e 1845. Ao final desse período, muda-se para o Brasil, residindo no Rio de Janeiro. Participa de várias edições das Exposições Gerais de Belas Artes, realizadas pela Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), sendo premiado em 1847 com a medalha de ouro. Em 1850, é homenageado com o título de Cavaleiro da Imperial Ordem do Rosa. É contratado, em 1864, para substituir Pedro Américo (1843-1905), na cadeira de desenho na Aiba. Em 1868, substitui Victor Meirelles (1832-1903) na cadeira de pintura histórica na mesma instituição.

Comentário Crítico

O pintor Jules Le Chevrel dedica-se à retratística, destacando-se em sua produção os retratos de D. Pedro II, ca.1862 e de Domingos Custódio Magalhães, 1860. No retrato de D. Pedro II, na caracterização e no ambiente que cerca o imperador, com a mesa e a cortina no plano de fundo, o artista evoca a tradição da pintura de retratos, dentro da qual, desde o fim do século XVI, são apresentadas as figuras políticas proeminentes, como príncipes e imperadores. D. Pedro II é apresentado bastante jovem, em um retrato de corpo inteiro, e apóia levemente a mão em uma mesa na qual está depositada a coroa, atributo do poder. O artista enfatiza os detalhes da vestimenta, explorando toda a variedade de texturas e a riqueza dos ornamentos dos tecidos. A figura do imperador é levemente alongada e estilizada, e ele parece voltar os olhos ao observador, mantendo, entretanto, um ar pensativo. 

Já no retrato de Domingos Custódio Magalhães, o artista, como nota o historiador Laudelino Freire, representa o futuro Barão do Rio Negro, elegantemente vestido. A pose e a ambientação são convencionais, mas o artista confere à cena certa descontração, dada pela pose do modelo, que não parece tão rígida, pelo rosto jovial da figura, e pelo brinquedo infantil colocado na meia-coluna onde está apoiado o vaso com flores. A luz diagonal, utilizada pelo artista, destaca o personagem em primeiro plano, em relação à vegetação disposta em segundo plano. O artista emprega uma paleta restrita, com uma gama cromática bem controlada, na qual predominam variações de ocre e bege. A maioria dos estudiosos do período, como Laudelino Freire, enfatizam que, em quadros como esse, podemos perceber a qualidade técnica do trabalho do artista, que obtém em suas obras bons efeitos pictóricos e de atmosfera.
Chevrel realiza ainda pintura de história, da qual são representativas as composições Paraguaçu e Diogo Alvarez Correia, s.d. e Sócrates Afastando Alcebíades do Vício, s.d.

Críticas

"Não tendo se destacado como seria de esperar, dado às premiações que possuía em seu curso na École des Beaux-Arts de Paris, Jules Le Chevrel fez sua notoriedade como dedicado professor da Academia de Belas Artes. (...) Como normalmente sucedia a todos os seus colegas e compatriotas, foram aos gêneros do retrato e da composição histórica que serviram seus pincéis. Nada de sua sensibilidade artística destinou à vida cotidiana que o envolvia, desde a paisagem aos costumes populares, que lhe devem ter parecido tão originais e pitorescos. Mas a rígida formação acadêmica inibia para qualquer temática exótica e vulgar. Preferiu satisfazer aos admiradores que conhecia e que lhe facilitariam até mesmo a função didática que tanto estimou, a dedicar, um pouco que fosse, de sua habilidade de pintor a fixar temas que (...) hoje teriam uma função tão mais apreciável que as enfáticas composições e retratos a que se aplicou".
Quirino Campofiorito
CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983.

Exposições Coletivas

1847 - Rio de Janeiro RJ - 8ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba - medalha de ouro
1848 - Rio de Janeiro RJ - 9ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1849 - Rio de Janeiro RJ - 10ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1850 - Rio de Janeiro RJ - 11ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba - condecoração de Cavaleiro da Ordem Imperial da Rosa
1852 - Rio de Janeiro RJ - 12ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1862 - Rio de Janeiro RJ - 15ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1864 - Rio de Janeiro RJ - 16ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba - medalha de ouro
1865 - Rio de Janeiro RJ - 17ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1866 - Rio de Janeiro RJ - 18ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1867 - Rio de Janeiro RJ - 19ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1868 - Rio de Janeiro RJ - 20ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1870 - Rio de Janeiro RJ - 21ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba

Exposições Póstumas

1891 - Rio de Janeiro RJ - Exposição Geral da Aiba
1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal

Fonte: Itaú Cultural

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