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João Timótheo da Costa

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BIOGRAFIA

João Timótheo da Costa (Rio de Janeiro RJ 1879 - idem 1932)

Pintor, decorador, gravador.

Em 1894, inicia seu aprendizado artístico na Casa da Moeda do Rio de Janeiro, onde conhece o diretor Enes de Souza, que se torna seu protetor. Paralelamente matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes - Enba, onde estuda desenho com Bérard, pintura com Rodolfo Amoedo e freqüenta as aulas com modelo vivo ministradas por Zeferino da Costa. Parte em 1910 para Paris. Trabalha junto ao grupo de artistas brasileiros contratados pelo governo para executar a decoração do Pavilhão Brasileiro na Exposição Internacional de Turim, ocorrida nesta cidade italiana em 1911. Realiza em 1920 com seu irmão Arthur Timótheo da Costa o primeiro de uma série de painéis decorativos para o Fluminense Futebol Clube, terminando sozinho a encomenda deste trabalho no ano de 1924. Em 1925, executa cinco painéis abobadados para a ornamentação do Salão Nobre da Câmara dos Deputados, atual Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e neste mesmo ano realiza mais uma série de painéis decorativos para o Salão do Copacabana Palace. Tendo participado de diversas edições do Salão Nacional de Belas Artes, recebe a pequena medalha de ouro em 1926. Em 1930 interna-se no Hospício dos Alienados, na cidade do Rio de Janeiro, onde morre dois anos depois.

Comentário crítico

João Timótheo da Costa é de família humilde. Trabalha, desde 15 anos, como aprendiz na Casa da Moeda do Rio de Janeiro, instituição que emprega e incentiva outros jovens artistas, entre eles seu irmão Arthur Timótheo da Costa, Rodolfo Chambelland e Eugênio Latour. Paralelamente, matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes - Enba, onde estuda desenho com Bérard, a disciplina de modelo vivo com Zeferino da Costa e pintura com Rodolfo Amoedo. Em 1910 integra o grupo de artistas brasileiros que na cidade de Paris fica responsável pela decoração do pavilhão da Exposição de Turim, na Itália, realizada no ano seguinte. Esse trabalho lhe permite visitar os museus europeus, onde conhece obras impressionistas e divisionistas, além das pinturas decorativas do artista francês Puvis de Chavannes (1824 - 1898), que marcam sua carreira.

Estrutura as composições por meio da cor, em pinceladas largas, onde se percebe a gestualidade do artista. Trabalha as cores tanto com a espátula quanto com o pincel, obtendo fortes empastamentos. Seus quadros, principalmente as marinhas, destacam-se pela luminosidade sutil, muito controlada. Em Porto (1920) revela sensibilidade no uso da cor, sua pincelada sugere volumes e distâncias, e explora o jogo entre as formas sólidas (barcos, construções) e seus reflexos coloridos na água. Em algumas obras, aproxima-se do enquadramento fotográfico, como em Recanto de Atelier (1926) ou em Portal (s.d.). Em Retrato de Artur (s.d.) representa o irmão pintando ao ar livre, com grande simplificação formal. A figura do retratado parece recortada do plano de fundo, no qual a natureza é apenas sugerida em pinceladas soltas. As pinturas de João Timótheo apresentam afinidades com as realizadas por seu irmão, nos temas e também na fatura, porém revelam, em relação a esse, tendência a conferir às tintas os valores de espontaneidade do esboço.

Vencendo as dificuldades enfrentadas por tantos pintores negros ou de ascendência negra, João Timótheo recebe várias encomendas de pinturas decorativas. Nas decorações emprega o princípio das cores fragmentadas e da justaposição de cores, inspirado em Georges Seurat (1859 - 1891). O emprego rítmico das linhas e da paleta de tons rebaixados revela a apreciação da obra de Puvis de Chavannes. Algumas de suas pinturas decorativas não foram preservadas.

A insanidade do irmão, falecido precocemente em 1920, e a morte da filha, aos 6 anos de idade, causam duros golpes ao artista, dos quais nunca se recupera totalmente, e morre, como o irmão, no Hospício dos Alienados, em 1932. Trabalhando no início do século XX, sua obra revela, como a de outros artistas contemporâneos, a atmosfera eclética causada pelo impacto tardio de tendências estéticas como o impressionismo e o pós-impressionismo. A produção de João Timótheo apresenta grande qualidade artística, e abrange todos os gêneros da pintura: retratos, pintura histórica, cenas de costumes e sobretudo paisagens, que têm um sentido particularmente poético.

Acervos

Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo/Brasil - São Paulo SP
Fundação Museu Carlos Costa Pinto - Salvador BA
Fundação Casa de Rui Barbosa - Rio de Janeiro RJ
Museu Nacional de Belas Artes - MNBA - Rio de Janeiro RJ

Críticas

"João Timotheo da Costa foi um artista de exceção. Sua pintura impressiona pela certeza do traço, pela solidez da construção. Sabe ver e realiza conscientemente. Bastante lido e conhecedor do meio, expende as idéas com audácia e convicção".
Carlos Rubens
RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Nacional, 1941.

"O pintor João Timotheo costuma traçar a diretriz da sua existência dentro do lema da arte para a arte, muito embora a afeição sentimental do seu espírito, sem ele se aperceber, desvie-o, constantemente, dessa justa medida e direção. E dizemos sem ele se aperceber porque, no íntimo, o Sr. João Timotheo gostaria de ser assim, embora contrariamente se defina a quem lhe perscruta a intimidade aparecendo como a natureza o formou, pouco modificada pelos fatores sociais. Verdadeiramente esse belo artista, que às vezes procura parecer cético, é, na verdade, um homem que vive pelo coração, que se consagrou na juventude, ao culto efetivo do irmão e hoje tem cabelos brancos, pela saudade da filha. É, desta maneira, um sentimental em luta com diversos fatores morais, uma individualidade muito diferente da que se julga, sendo que esta diferença é constituída por certa soma de beleza, que o torna um artista querido - entre os seus companheiros de arte. É um temperamento onde há incongruências, no sentido elevado da expressão. É sincero na exposição do seu pensamento, às vezes displicente, incapaz porém de feloniar".
Angione Costa
PRIMORES da pintura no Brasil. Francisco Acquarone; A. de Queiroz Vieira. 2. ed. Rio de Janeiro, s. ed. , 1942.

Exposições Coletivas

1905 - Rio de Janeiro RJ - 12ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1906 - Rio de Janeiro RJ - 13ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba - menção honrosa
1907 - Rio de Janeiro RJ - 14ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba - menção honrosa
1908 - Rio de Janeiro RJ - 15ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1911 - Turim (Itália) - Exposição Internacional de Turim
1912 - Rio de Janeiro RJ - 19ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1913 - Rio de Janeiro RJ - 20ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1918 - Rio de Janeiro RJ - 25ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1919 - Rio de Janeiro RJ - 26ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1919 - Rio de Janeiro RJ - Exposição Carioca de Gravura e Água-Forte
1920 - Rio de Janeiro RJ - 27ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1921 - Rio de Janeiro RJ - 28ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1923 - Rio de Janeiro RJ - 30ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1926 - Rio de Janeiro RJ - 33ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1926 - Rio de Janeiro RJ - Salão de Outono - medalha de ouro
1927 - Rio de Janeiro RJ - 34ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1928 - Rio de Janeiro RJ - 35ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1929 - Rio de Janeiro RJ - 36ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

Exposições Póstumas

1979 - Rio de Janeiro RJ - Quadros Oitocentistas Brasileiros e Europeus, na Maurício Pontual Galeria de Arte
1983 - São Paulo SP - História da Pintura Brasileira no Século XIX, no Paço das Artes
1988 - São Paulo SP - A Mão Afro-Brasileira, no MAM/SP
1989 - Fortaleza CE - Arte Brasileira dos Séculos XIX e XX nas Coleções Cearenses, no Espaço Cultural da Unifor
1993 - São Paulo SP - Pintores negros do Século XIX, na Pinacoteca do Estado
2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento, na Fundação Bienal
2012 - São Paulo SP - Os dois irmãos João e Arthur Timótheo da Costa: pré-modernistas brasileiros, Museu Afro Brasil

Fonte: Itaú Cultural

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