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João Augusto Cerqueira de Moraes

OBRAS DO ARTISTA

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BIOGRAFIA

João Augusto Cerqueira de Moraes (Salvador BA 1933)

Pintor, desenhista e cenógrafo.

Viaja para a Europa em 1957. Fixa residência em Paris, onde integra o grupo de pintores abstratos do qual faz parte Antônio Bandeira e Camille Bryen. Em 1958 muda-se para Veneza e freqüenta o ateliê de Vedova. Retorna a Paris no mesmo ano, permanecendo até 1979. Durante esse período realiza exposições em diversas cidades européias como Genebra, Saint-Tropez, Roma, Veneza, Paris. Retorna ao Brasil freqüentemente para expôr suas obras. Em 1975 executa, em Salvador, um painel em poliéster de 40 m2, na Associação Atlética Bahia. Em 1979 volta para o Brasil e fixa-se em São Paulo. Em 1982 constrói um móbile de 4 m2 na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Atualmente vive em Salvador e dirige o Museu do Objetivismo Imaginário fundado por ele em 1997.

Críticas

"Ao deixar o país em busca de novos experimentos, João Augusto deixou também, atrás de si, uma pintura que valorizava os pontos de luz, dispostos em quadriculados, aparecendo e desaparecendo como se estrelas fossem de uma constelação microscópica. Ao retornar dos Estados Unidos, esses pequeninos quadrados cresceram, explodiram em pigmentação e luz.

A resposta emocional que a pintura ocasiona em trabalho abstrato substitui os sentimentos de empatia que as pinturas narrativas engendram no observador. Nos trabalhos abstratos não somos obrigados a ver árvores verdes, céus azuis. Emoções primárias como alegria, melancolia, ansiedade ou tranqüilidade estão entre os sentimentos destacados por João Augusto, nessas verdadeiras plantas-baixas ou mapas da cidade de Nova York, agora, nessa exposição revisitada. Quem não conhece Nova York talvez não perceba a cidade nesses delicados pigmentos que, muitas vezes, engole luz ao invés de refleti-la. Necessitando assim ser espalhado por uma área relativamente grande para conseguir a densidade desejada pelo autor.

Luz, forma, saturação, ilusão espacial, tudo parece ser inato à cor. Percebemos a cor agindo livremente no contexto de uma forma estável, neutra, tal como o quadrado de João Augusto. A cor pode ainda dotar aquela forma (quadrado) de luz, profundidade, energia, espaço e movimento. A linha, porém, circunscreve ou delineia a forma. Linha, entretanto, não é forma e, no geral, não contém a cor. As atuais telas de João Augusto procuram justamente esse equilíbrio entre linha e cor. A grande importância de Matisse como colorista deve-se ao fato de ter liberado a linha para operar com a cor em toda sua profundidade e pureza.

É nesse momento que na obra de João Augusto aparece a tela como pauta musical, resultado do equilíbrio que se propõe entre o gestual, o espontâneo dos gestos ao redor da estrutura principal do quadro e a rigidez disciplinada do seu mapa interior da cidade de Nova York. Para isso foi necessário abrir espaços em telas cada vez maiores, e devido aos intervalos de cores a imagem não é percebida como um todo, mas há uma leitura em forma de tempo musical, uma evolução da cor que parece querer seguir até o infinito. Um infinito, uma dimensão interior, uma forma maior de alcançarmos o devaneio".
Alberto Beuttenmüller
BEUTTENMÜLLER, Alberto. In RENATO MAGALHÃES GOUVÊA ESCRITÓRIO DE ARTE. João Augusto: catálogo. São Paulo, 1979.

Depoimentos

"Quase dois anos me distanciaram da individual realizada na Galeria Documenta, somando experiências e vivências de Europa e São Paulo. A de agora, que chamo Transições é igualmente soma de outras vivências e experiências acumuladas e sentidas dentro de uma nova atmosfera: civilização e cultura norte-americanas, acrescidas de uma readaptação às minhas origens e referências, Bahia, São Paulo, Bahia, três meses chegado.

Da excitação de Nova York no Soho e posteriormente no Fulton Fish Market, com gaivotas voando baixo à temperatura de 30 graus negativos, próximo também de uma China Town, tudo cinzento, de repente um pequeno verde nasce, a gaivota voa mais longe, o cinza fica menos cinza, os quadrados, os retângulos e outras formas imperceptivelmente geométricas tomam conta do meu espaço crescendo comigo e depois de mim. Também em outro tempo pouco antes, formas e cores surgiam diante da sonoridade de folhas caindo. Em outra época menos remota a musicalidade do encontro de flocos de neve provocava intensamente o nascimento de outros traços ora mais ora menos sinuosos. Esses fenômenos estimulam minha mente, em todos eles o graffiti passeia vigorosa e desordenadamente sobre a tela, manifestando a vida, mundo interior agitado, bem mais forte que a realidade objetiva, tudo é só verdade, liberdade, é o sonho.

Dentro da opção definitiva, cada etapa é vivida no maior respeito, dou o melhor de mim, e a entrega é total e absoluta, é física e espiritual, é absurda, somando sempre versatilidade, numa tentativa de inspirar e sensibilizar os mais poetas, é a eterna busca da aproximação, da comunicação, da comunhão subjetiva.

Aos intranqüilos, aos inquietos, a qualquer que se proponha caminhar junto comigo e depois de mim, as cores e formas de mais este momendo de Transições".
João Augusto
AUGUSTO, João. In RENATO MAGALHÃES GOUVÊA ESCRITÓRIO DE ARTE. João Augusto: catálogo. São Paulo, 1979.

Acervos

Museu de Arte da Bahia - Salvador BA
Museu de Arte Moderna - MAM/SP - São Paulo SP
Ministério da Cultura - Paris (França)
Embaixada de Israel - Brasília DF
Universidade de Jerusalém - Jerusalém (Israel)

Exposições Individuais

1958 - Roma (Itália) - Individual, na Galeria 88
1958 - Veneza (Itália) - Individual, na Galeria Hotel Lido
1970 - Salvador BA - Individual, na Cia. Valença Industrial
1971 - Crans sur Sierre (Suíça) - Individual, na Galerie des Neiges
1971 - Genebra (Suíça) - Individual, na Galerie Michel Guenat (Galerie PUB)
1972 - Marseille (França) - Individual, na Galerie Michel Chappaz
1972 - Paris (França) - Individual, na Embaixada da Suécia
1972 - Paris (França) - Individual, na Galerie Conte D'Artois
1972 - Paris (França) - Individual, na Société des Amis de L'Art
1972 - Saint-Tropez (França) - Individual, na Galerie Talian
1973 - Genebra (Suiça) - Individual, no Hotel Intercontinental
1977 - Salvador BA - Individual, no Museu de Arte da Bahia
1977 - São Paulo SP - Individual, na Documenta Galeria de Arte
1979 - Nova York (Estados Unidos) - Individual, no National Art Center
1979 - Salvador BA - Individual, na Galeria Grossmann
1979 - São Paulo SP - Individual, no Renato Magalhães Gouvêa Escritório de Arte
1980 - Porto Alegre RS - Individual, no Margs
1980 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Anna Maria Niemeyer Galeria de Arte
1981 - Salvador BA - Individual, no Museu de Arte da Bahia

Exposições Coletivas

s.d. - Nice (França) - Salão Grand Prix International Baie du Anges
s.d. - Paris (França) - Salão Peintres Temoius de Leur Temps
s.d. - Paris (França) - Salão de Maio
s.d. - Paris (França) - Salon d'Automne
s.d. - Paris (França) - Salon International du Beaux-Arts
1958 - Roma (Itália) - Mostra Livre da Via Margutta
1960 - Paris (França) - Coletiva, na Galerie Jeanne Boucher
1971 - Paris (França) - Coletiva, na Galerie de Seine
1971 - Madri (Espanha) - Coletiva, na Galeria Grosvenor
1972 - Paris (França) - Coletiva, na Galerie Hervé Odermatt
1972 - Saint-Tropez (França) - Coletiva, na Galerie Biblos
1972 - Cannes (França) - Coletiva, na Galerie 65
1972 - Principado de Mônaco - Coletiva, na Galerie Michel Ange
1975 - São Paulo SP - Coletiva, em A Galeria
1976 - Belo Horizonte MG - Coletiva, na Galeria Ami
1976 - São Paulo SP - Coletiva, em A Galeria
1980 - São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Trilha
1980 - Rio de Janeiro RJ - Coletiva, na Galeria Amniemeyer
1996 - Salvador BA - 2° Festival de Artes Visuais do Pelourinho Pinte no Pelô

Fonte: Itaú Cultural

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