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Jean-Pierre Chabloz

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BIOGRAFIA

Jean-Pierre Chabloz (Lausanne, Suíça 1910 - Fortaleza CE 1984)

Pintor, desenhista, crítico de arte, músico, professor e publicitário.

Entre 1929 e 1932, estuda na Escola de Belas Artes de Genebra, Suíça. Forma-se em 1938 pela Accademia Belle Arti di Brera, Milão. Em 1940, por causa da guerra, transfere-se para o Rio de Janeiro com a família. Freqüenta o núcleo artístico da Pensão Mauá, localizada em frente à casa de seus sogros. Expõe no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em 1943, é convidado a trabalhar em Fortaleza, na campanha da borracha, parte do esforço de guerra. Expõe no 1º Salão de Abril e, em seguida, organiza uma mostra individual. Participa da Associação Cultural Franco-Brasileira do Ceará e da Sociedade Cearense de Artes Plásticas - SCAP. Incentiva os artistas locais e publica uma coluna cultural no jornal cearense O Estado. Faz recitais de violino e dá aulas de música. Em 1945, volta ao Rio de Janeiro e expõe na galeria Askanasy com artistas cearenses, inclusive Chico da Silva (1910 - 1985), pintor que Chabloz descobre e divulga. Em 1948, novamente em Fortaleza, expõe no 4º Salão de Abril. Depois parte para a Europa e só retorna a Fortaleza em 1960. Vive em Niterói a partir de 1970. Morre em Fortaleza, durante uma estada na cidade. Seu acervo é doado ao Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará - MAUC e à Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. Em 2003, a Galeria Multiarte, Fortaleza, expõe pinturas e desenhos seus.

Comentário crítico

Chabloz pinta e desenha principalmente paisagens e retratos, com preferência pelos últimos. Os temas são aqueles do seu ambiente: no Ceará, a natureza ou as cidades e os tipos que considera locais. É sempre figurativo. O crítico Ruben Navarra, seu contemporâneo, diz que o pintor não se preocupa em parecer moderno,1 característica que hoje nos salta aos olhos.

Em um artigo sobre Chabloz publicado por ocasião da exposição individual do pintor na Galeria Casa e Jardim, São Paulo, em 1942, o crítico e historiador Lourival Gomes Machado afirma que a característica primordial de Chabloz é ser um pintor que pensa, sugerindo provavelmente que ele foi mais intelectual do que pintor.2 E, de fato, sua trajetória no Brasil não poderia se resumir apenas à sua produção artística. Chabloz, em seus escritos e palestras, se mostra duro crítico do academicismo e dos estilos que o Brasil importa. Em artigo que publica na revista Clima,3 ele expõe as causas do que identifica como um problema na pintura brasileira. Uma dessas causas, além dos fatores naturais e psicológicos, é a adoção do neoclassicismo da Missão Artística Francesa, que ele explica em parte por uma falta de confiança dos artistas em si mesmos.

Mas o racionalismo é apenas parte da atividade extra-artística de Chabloz. Sua principal contribuição é de ordem mais prática. Em primeiro lugar, produz cartazes publicitários, nos quais alia um desenho que tende ao art déco a um preenchimento de cor claramente não industrial, seja lápis, pastel ou pintura.4 O fato de não expor esse trabalho, separando-o de sua produção artística, mostra um apego à hierarquização acadêmica dos gêneros, minimizando seu antiacademicismo. Em segundo lugar e mais fundamentalmente, Chabloz incentiva o encontro entre artistas, promove exposições, palestras e recitais, desenvolvendo a vida cultural, principalmente de Fortaleza. Nessa cidade, conhece Mário Barata (1915 - 1983), Aldemir Martins (1922 - 2006), Antônio Bandeira (1922 - 1967), Raimundo Cela (1890 - 1954) e outros artistas que participam da Sociedade Cearense de Artes Plásticas - SCAP e dos Salões de Abril. É um dos expositores, junto com Inimá de Paula (1918 - 1999), Raimundo Feitosa e Antônio Bandeira, na galeria Askanasy do Rio de Janeiro, em 1945, onde apresenta os primeiros guaches de Chico da Silva (1910 - 1985), pintor que ele em seguida divulga pela Europa.

Notas
1 CHABLOZ, Jean-Pierre. Jean-Pierre Chabloz; pinturas e desenhos. Rio de Janeiro: Edições Pinakotheke, 2003. pp.11-12.
2 MACHADO, Lourival Gomes. As intenções de Chabloz. Clima, São Paulo, n. 9, 1942.
3 CHABLOZ, Jean-Pierre. O Brasil e o Problema Pictural. Clima, São Paulo, n.º 8, 1942. Chabloz desenvolve suas idéias também em outros escritos e, particularmente, em seu livro Revelação do Ceará. Fortaleza: Secretaria da Cultura e Desporto do Estado do Ceará, 1993.
4 GONÇALVES, Adelaide; EYMAR, Pedro. Mais Borracha para a Vitória. Fortaleza: Edições Nudoc, 2008.

Exposições Individuais

1934 - Florença (Itália) - Individual
1936/1939 - Lausanne (Suíça) - Individual
1940/1942 - Rio de Janeiro RJ - Individual
1942 - São Paulo SP - Individual
1945 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Askanasy
1946 - Genebra (Suíça) - Individual, no Musée d'Art et d'Histoire
1951 - Lisboa (Portugal) - Individual, na Secretaria Nacional de Informação e Cultura
1952 - Berna (Suíça) - Individual, na Galeria Atelier Theatre
1956 - Suíça - Individual, na Galerie Arts et Letters
1968 - Campina Grande PB - Individual, no Teatro Municipal

Exposições Coletivas

1942 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Belas Artes
1943 - Fortaleza CE - 1º Salão de Abril
1945 - Rio de Janeiro RJ - Grupo Cearense, na Galeria Askanasy
1946 - Genebra (Suíça) - Coletiva, no Musée d'Art et d'Historie
1951 - Lisboa ( Portugal) - Coletiva, na Secretaria Nacional de Informação e Cultura
1967 - Fortaleza CE - Exposição Inaugural da Casa Raimundo Cela
1969 - Fortaleza CE - 2º Salão Nacional de Artes Plásticas
1970 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA - menção honrosa
1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Hotel Internacional, na Galeria de Arte Banerj
1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Pensão Mauá, na Galeria de Arte Banerj
1991 - Fortaleza CE - Scap: 50 anos, no Imperial Othon Palace Hotel

Exposições Póstumas

1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Hotel Internacional, na Galeria de Arte Banerj
1986 - Rio de Janeiro RJ - Tempos de Guerra: Pensão Mauá, na Galeria de Arte Banerj
1991 - Fortaleza CE - Scap: 50 anos, no Imperial Othon Palace Hotel

Fonte: Itaú Cultural

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