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Hipólito Boaventura Caron

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BIOGRAFIA

Hipólito Boaventura Caron (Resende RJ 1862 - Juiz de Fora MG 1892)

Pintor, decorador.

Aos 18 anos, ingressa na Academia Imperial de Belas Artes - Aiba. Dois anos depois, é admitido como professor de desenho elementar no curso profissional do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. Realiza sua primeira individual em 1883, no Salão da Câmara Municipal de Juiz de Fora, Minas Gerais, e, no ano seguinte, deixa a Aiba para ligar-se ao Grupo Grimm, liderado pelo pintor Georg Grimm (1846 - 1887), que conhece em 1882. Participa da 26ª Exposição Geral de Belas Artes com obras como Praia da Boa Viagem, 1884, pela qual recebe medalha de ouro. Em 1885, viaja à França para estudar, e conhece vários outros países. Retorna ao Rio de Janeiro em 1888. Em 1890, muda-se definitivamente para Minas Gerais. No mesmo ano, expõe na sede do jornal O Pharol, de Juiz de Fora, com Castagneto (1851 - 1900), que ele traz à cidade. Decora o antigo Teatro de Juiz de Fora.

Comentário Crítico

Com intensa atividade artística desde seu ingresso na Academia Imperial de Belas Artes - Aiba, Caron realiza retratos, decorações, mas destaca-se como pintor de paisagens, tendo aperfeiçoado seu talento no Grupo Grimm. As paisagens pintadas por Caron no início de sua trajetória assemelham-se às de Georg Grimm (1846 - 1887). Segundo o historiador Carlos Roberto Maciel Levy, do Grupo Grimm "foi Caron o artista que mais de perto cultivou alguns problemas estéticos análogos àqueles que transformariam a arte internacional na virada do século XIX".1

A pintura de Caron é marcada por planos definidos, pelo naturalismo da imagem, refinamento técnico no uso da cor e pela extrapolação do caráter documental da pintura de paisagens oitocentista, como nas obras Praia da Boa Viagem, 1884, e Praia Formosa, 1888. A primeira pintada por Caron aos 22 anos, apresenta as principais características de sua obra, como a delimitação dos planos e o tratamento dado aos céus "(..) amplos, movimentados, cheios de uma infinidade de planos".2 A segunda apresenta o amadurecimento da poética do artista.

Notas
1 LEVY, Carlos Roberto Maciel. O Grupo Grimm: paisagismo brasileiro no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1980.

2 Ver trecho de depoimento de Antônio Parreiras (1860 - 1937), também integrante do Grupo Grimm, citado em: LEVY, Carlos Roberto Maciel. O Grupo Grimm: paisagismo brasileiro no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1980. p. 45.

Críticas

"(...) De todos os artistas que receberam ensinamentos de Grimm, sem dúvida Caron foi o que manteve maior estabilidade e constância em sua produção. Após uma primeira fase em que seus trabalhos apresentavam estrita semelhança com as pinturas do professor, como de resto ocorria com os demais colegas (...), chegou a rapidamente definir uma conformação própria para uma modalidade de paisagismo inconfundível em suas propriedades técnicas e formais. (...)"
Carlos Roberto Maciel Levy
LEVY, Carlos Roberto Maciel. O Grupo Grimm: paisagismo brasileiro no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1980.

"(...) cedo se tornou uma individualidade. Os quadros que produziu não podem confundir com os de nenhum outro, são positivamente dele. Parecem pintados com um só pincel largo e chato, fortemente embebido de tinta. Modelava com extrema simplicidade e coloria ainda com maior espontaneidade. Os céus das suas paisagens são amplos, movimentados, cheios de uma infinidade de planos. A distribuição das massas é sempre feita rigorosamente e com justeza de valor (...). A cor sentida, justa, forte, vibrante, macia, delicada, transparente como na soberba paisagem pintada na Normandia, uma das mais belas que conheço entre tantas mil que tenho visto".
Antônio Parreiras
LEVY, Carlos Roberto Maciel. O Grupo Grimm: paisagismo brasileiro no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1980.

Exposições Individuais

1883 - Juiz de Fora MG - Primeira individual, no Salão da Câmara Municipal de Juiz de Fora
1883 - Rio de Janeiro RJ - Mostra, na Casa de Wilde
1889 - Rio de Janeiro RJ - Mostra, na Casa de Wilde
1889 - Rio de Janeiro RJ - Mostra, no Atelier Moderno
1890 - Juiz de Fora MG - Individual, na redação do jornal O Farol

Exposições Coletivas

1884 - Rio de Janeiro RJ - 26ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba - medalha de ouro
1885 - Rio de Janeiro RJ - Loja Laurent de Wilde: mostra inaugural, na Loja Laurent de Wilde
1890 - Rio de Janeiro RJ - Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

Exposições Póstumas

1948 - Rio de Janeiro RJ - Retrospectiva da Pintura no Brasil, no MNBA
1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados
1961 - Rio de Janeiro RJ - O Rio na Pintura Brasileira, na Biblioteca Estadual da Guanabara
1977 - Rio de Janeiro RJ - Aspectos da Paisagem Brasileira: 1816-1916, no MNBA
1978 - Rio d Janeiro RJ - Artistas de Juiz de Fora, no MNBA
1978 - São Paulo SP - A Paisagem na Coleção da Pinacoteca, na Pinacoteca do Estado
1980 - Rio de Janeiro RJ - O Grupo Grimm - paisagismo brasileiro no século XIX, na Acervo Galeria de Arte
1980 - São Paulo SP - A Paisagem Brasileira: 1650-1976, no Paço das Artes
1982 - Rio de Janeiro RJ - 150 Anos de Pintura de Marinha na História da Arte Brasileira, no MNBA
1984/1985 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal
1986 - São Paulo SP - Dezenovevinte: uma virada no século, na Pinacoteca do Estado
1989 - Rio de Janeiro RJ - O Rio de Janeiro de Machado de Assis, no CCBB
2000 - Porto Alegre RS - De Frans Post a Eliseu Visconti: acervo Museu Nacional de Belas Artes - RJ, no Margs
2001 - São Paulo SP - Coleção Aldo Franco, na Pinacoteca do Estado
2001 - São Paulo SP - Trajetória da Luz na Arte Brasileira, no Itaú Cultural
2002 - São Paulo SP - Imagem e Identidade: um olhar sobre a história na coleção do Museu de Belas Artes, no Instituto Cultural Banco Santos

Fonte: Itaú Cultural

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