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Hildebrandt

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BIOGRAFIA

Hildebrandt (Dantzig, Prússia, atual Alemanha 1818 - Berlim, Prússia 1869)

Aquarelista e pintor.

De 1838 a 1840, Eduard Hildebrandt foi aluno em Berlim do pintor Wilhem Krause. Participa das exposições da Academia de Berlim. Em 1840, viaja pela Escandinávia, Inglaterra e Escócia. Em 1842, estuda em Paris com o pintor Eugène Isabey. Expõe no Salão de Belas Artes de 1842 e 1843, ano em que ganha medalha. De volta a Berlim, conhece o naturalista Alexander von Humboldt, que o indica ao rei da Prússia, Frederico-Guilherme IV. Este o patrocina em viagens a vários continentes.

Chega ao Brasil em março de 1844, percorrendo os estados do Rio de Janeiro, da Bahia e de Pernambuco. Participa da Exposição Geral de Belas Artes (EGBA) do Rio de Janeiro. Louis Auguste Moreaux (1818 - 1877) faz um retrato seu. Recebe de d. Pedro II o título de Cavaleiro da Ordem da Rosa. Em junho, vai para os Estados Unidos, lá ficando até 1845. Volta à Europa, tornando-se, em seguida, membro da academia de Berlim.

Em 1847, viaja para Escócia, Ilhas Canárias, Espanha e Portugal. No mesmo ano, tem uma aquarela exposta no Brasil, na EGBA. Em 1850, recebe medalha de ouro em exposição de Berlim, além do título de Cavaleiro da Águia Vermelha da Prússia. A partir de 1851, visita Itália, Egito e Grécia. Em 1854, torna-se Cavaleiro da Ordem de Christo de Portugal. Ainda expondo por vários anos no Salão de Paris, recebe medalha em 1855.

No de 1859, apresenta 38 aquarelas e recebe menção positiva na apreciação do crítico e poeta Charles Baudelaire. Faz uma viagem ao redor do mundo entre 1860 e 1862. Em 1867, publica o álbum Viagem ao Redor da Terra, editado por Ernst Kossak. Morre em 1869. Em 1881, um retrato que faz de Humboldt (em 1845) é apresentado na Exposição de História do Brasil. Sua obra é, por anos, ignorada pelos brasileiros, sendo redescoberta pelo embaixador do Brasil Joaquim de Sousa Leão, em acervos da Alemanha, pouco antes da Segunda Guerra Mundial. É trazido à luz novamente por Gilberto Ferrez (1908-2000), em coletânea de trabalhos do artista, publicada em 1987.

Comentário crítico

Eduard Hildebrandt é um artista viajante por excelência. Em sua obra, quase totalmente formada por paisagens feitas em aquarela e desenho em grafite, coexistem sempre uma técnica precisa e uma grande sensibilidade para a síntese dos elementos que observa em cada parada que realiza ao redor do mundo.

Com relação às imagens que produziu no Brasil quando da sua estada em 1844, àquelas duas características são somadas ainda uma terceira: o artista não se interessa apenas pela paisagem natural do país (motivo que atrai a maioria dos viajantes do período), mas revela fascínio pelas pessoas, sobretudo pelos escravos; indivíduos que, durante todo o século XIX, foram muito pouco representados por artistas brasileiros.

O interesse que despertam em Hildebrandt faz com que ele os foque ora mais de perto, revelando um evidente apelo psicológico (por meio do retrato), ora mais de longe, revelando o seu cotidiano e tarefas diárias.

É de fato nesse último enfoque que surgem as imagens mais interessantes do artista. Em vistas urbanas, como Praça no Rio de Janeiro, suas aquarelas sugerem um tom teatral, visualmente "cenográfico", obtido pelo forte contraste das figuras representadas no primeiro plano, por cores terrosas (elementos arquitetônicos mais próximos, massas de pessoas etc.) e outras figuras bem mais claras, em segundo e último planos. Essa tensão entre massas coloridas cria, de início, um forte movimento em suas imagens, o que é realçado em seguida pela profusão de figuras humanas aglomeradas (escravos), representadas realizando suas atividades diárias.

Críticas

"Dos pintores que nos visitaram no século passado, foi sem favor Eduard Hildebrandt o mestre do tropicalismo realístico, jamais superado por outro artista no Brasil, não só pela arte de captar as cores e os contrastes de luz, sem olvidar o detalhe arquitetônico, como por ter escolhido ângulos não aproveitados pelos demais".
Gilberto Ferrez
FERREZ, Gilberto. O Brasil de Eduard Hildebrandt. Joaquim de Sousa Leão. Rio de Janeiro, Record, s.d. Bibliografia.

"Suas Pinturas orientam-se a partir de algumas regras básicas de composição, entre as quais se destacam a incisão de focos de luz dirigidos, iluminando os pontos que concentram a narrativa da pintura, e a conseqüente submersão em zonas de profunda sombra das outras áreas da paisagem. Sobre tudo parece pairar uma atmosfera densa que dilui o contorno das formas, como que deformando a visão do observador. O predomínio das tonalidades quentes acentuam ainda mais a sensação de calor que impregna suas paisagens do Oriente ou dos trópicos. Hildelbrandt constrói assim paisagens grandiloquentes, quase épicas, em que se movimentam personagens comuns, tomados de maneira aparentemente casual e corriqueira, dispostos em uma desordem pitoresca (de que temos bons exemplos nas cenas de rua do centro do Rio de Janeiro). (...) O gosto pelo exótico e a afinidade com a pintura orientalista dão o tom característico da obra de Hildelbrandt, resultado de seu contato com a escola romântica francesa e, em especial, com o pintor Eugene Isabey".
Valéria Piccoli
MARTINS, Carlos (org. ). Revelando um acervo : coleção brasiliana. Texto Carlos Martins, Valéria Piccoli; produção gráfica Américo Freiria, Francisco Jaime Borges. São Paulo : BEI Comunicação, 2000. 190 p. il. color. (Brasiliana). p. 78.

Acervos

Acervo da Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro.
Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo/Brasil
Biblioteca Estadual do Patrimônio Cultural Prussiano, em Berlim (Kupferstichakabinett da Staatsbibliothek Preussischer Kulturbesitz)
Galeria de Arte de Hamburgo

Exposições Individuais

1859 - Paris (França) - Croquis e aquarelas de suas viagens
1866 - Londres (Inglaterra) - Croquis e aquarelas de suas viagens
1868 - Londres (Inglaterra) - Croquis e aquarelas de suas viagens

Exposições Coletivas

s.d. - Amsterdã (Holanda) - Exposição de Amsterdã - medalha de ouro
1838 - Berlim (Alemanha) - Salão da Academia de Berlim
1847c. - Berlim (Alemanha) - Salão da Academia de Berlim
1842 - Paris (França) - Salão de Paris
1843 - Paris (França) - Salão de Paris - medalha de ouro
1844 - Rio de Janeiro RJ - 5ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1847 - Rio de Janeiro RJ - 8ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba
1856 - Bruxelas (Bélgica) - Exposição de Bruxelas - premiado

Exposições Póstumas

1881 - Rio de Janeiro RJ - Exposição de História do Brasil, no MNBA
1959 - Berlim (Alemanha) - Individual com as obras realizadas no Brasil
1979 - Rio de Janeiro RJ - Mostra Artistas Alemães na América Latina, no Instituto Ibero-Americano
1989 - Rio de Janeiro RJ - O Rio de Janeiro de Machado de Assis, no CCBB
1994 - São Paulo SP - O Brasil dos Viajantes, no Masp
1998 - São Paulo SP - Brasil Século XIX: Uma Exuberante Natureza: Coleção Brasiliana, na Fundação Maria Luisa e Oscar Americano
1999 - Rio de Janeiro RJ - O Brasil Redescoberto, no Paço Imperial
2000 - Rio de Janeiro RJ - Visões do Rio na Coleção Geyer, no CCBB
2000 - São Paulo SP - Coleção Brasiliana, na Pinacoteca do Estado
2000 - São Paulo SP - Brasil +  500 Mostra do Redescobrimento, na Fundação Bienal
2000 - Rio de Janeiro RJ - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Negro de Corpo e Alma, na Fundação Casa França-Brasil
2001 - São Paulo SP - Trajetória da Luz na Arte Brasileira, no Itaú Cultural 
2002 - Niterói RJ - Arte Brasileira sobre Papel: séculos XIX e XX, no Solar do Jambeiro

Fonte: Itaú Cultural

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