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George Leuzinger

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BIOGRAFIA

George Leuzinger (Cantão de Glaris, Suíça 1813 - Rio de Janeiro RJ 1892)

Fotógrafo.

Vem para o Brasil, fixa-se no Rio de Janeiro em 1832. É proprietário da Casa Leuzinger, adquirida em 1840 como papelaria, que depois funciona como oficina de gravura, tipografia e litografia, e onde a partir da metade da década de 1860 instala um ateliê fotográfico. Realiza uma série de fotografias da cidade e das regiões serranas da província do Rio de Janeiro. A Casa Leuzinger destaca-se como centro de divulgação de um repertório de paisagens do país, em gravura e fotografia. Leuzinger ilustra, com Auguste Stahl (1824 - 1877) e Hunnewell, o livro Viagem ao Brasil, 1865-1866, de Louis Agassiz e Elizabeth Cary Agassiz, em 1866. O estabelecimento de Leuzinger tem importância também como casa editorial, que publica, entre outros, o Catálogo da Exposição de História do Brasil, realizada na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, entre 1881 e 1882. Leuzinger participa de quatro edições da Exposição Nacional, no Rio de Janeiro, e das Exposições Universais de Viena, em 1873, de Antuérpia, em 1885, e de Paris, em 1867 e 1887. Sua produção é analisada nos livros Fotógrafos Pioneiros no Rio de Janeiro: Victor Frond, George Leuzinger, Marc Ferrez e Juan Gutierrez, de Pedro Karp Vasquez (1954), publicado pela editora Dazibao, em 1990, e O Rio de Janeiro do Fotógrafo Leuzinger: 1860-1870, de Maria Lucia David de Sanson, Mario Aizen e Pedro Karp Vasquez, publicado pela editora Sextante, em 1998.

Comentário Crítico

George Leuzinger é um dos primeiros fotógrafos a realizar uma coleção de vistas do Rio de Janeiro e de Niterói e também das cidades das regiões serranas fluminenses no século XIX. Como nota a pesquisadora Maria Inez Turazzi, os panoramas do Rio de Janeiro foram elogiados na imprensa francesa por sua qualidade e pela novidade em termos de abordagem. Na opinião do estudioso de fotografia Pedro Karp Vasquez (1954), Leuzinger revela-se um fotográfo atento às possibilidades plásticas da paisagem. Em O Dedo de Deus, em Teresópolis, 1867, enfatiza os volumes das montanhas no plano de fundo e o jogo de luz e sombra no espaço vazio em primeiro plano, criando uma imagem de composição moderna. Já em Ilha das Cobras e em Porto do Rio de Janeiro, ambas de 1867, seguindo uma tradição de pintura de paisagem, adota o procedimento recorrente de colocar em primeiro plano um elemento importante, para acentuar a impressão de profundidade.

Na fotografia Igreja de Santa Luzia, 1867, o enquadramento supreende pelo fato de a construção estar situada à extrema direita do observador, destacando-se o mar que banha toda a frente da Igreja. Em sua produção, Leuzinger mantém diálogo com a pintura do período: essa mesma vista fora mostrada por Hildebrandt (1818 - 1869) em telas de 1844. Já em Arcos, Santa Tereza e Glória, ca.1865, apresenta uma imagem registrada anteriormente também por Victor Frond (1821 - 1881) e pintada por muitos artistas, entre os quais Agostinho da Motta (1824 - 1878).

Realiza também as fotografias de espécies da flora brasileira, que ilustram o livro de Agassiz, intitulado Viagem ao Brasil: 1865-1866. Como nota ainda Pedro Karp Vasquez, essas fotos de plantas, altamente despojadas, como exige a ilustração científica, adquirem atualmente uma intrigante modernidade fotográfica.

Críticas

"Ele empolgou-se depois pela fotografia, atividade em que sua casa realizou talvez a sua mais notável obra iconográfica, ao lado da infinidade de livros que simplesmente imprimiu e muitas vezes mesmo editou. Contribuiu para a representação brasileira nas exposições universais de Paris de 1867 e 1889, na primeira com livros para escrituração e fotografias (panoramas e vistas do Rio e Niterói) e na segunda com encadernações, livros para escrituração, litografias e cromolitografias, nesta classe concorrendo com Lombaerts e Robin. Disse em 1870, em anúncio de seu ateliê de fotografia no Almanak Laemmert, que na primeira dessas exposições ´alcançou a única distinção conferida ao Brasil por esta arte´".
Orlando da Costa Ferreira
Ferreira, Orlando da Costa. Imagem e letra: introdução à bibliologia brasileira: a imagem gravada. 2. ed. p. 396.

"Existe uma tendência em considerar Leuzinger apenas como o comandatário das fotografias que saíam de sua oficina. Porém, o depoimento de seus familiares afirma o contrário. Além disso, existe na produção da Casa Leuzinger um grupo significativo de imagens identificadas como sendo de autoria de G. Leuzinger, enquanto outros ostentam unicamente o nome da empresa... Inclinamo-nos portanto a acreditar que Leuzinger foi também fotógrafo, e escolhemos as imagens aqui produzidas somente entre aquelas que ostentam a inequívoca menção ´Photographia G. Leuzinger´".
Pedro Vasquez
Vasquez, Pedro. Mestres da fotografia no Brasil: Coleção Gilberto Ferrez.

"Os panoramas do Rio de Janeiro de George Leuzinger, premiados na exposição, foram elogiados na imprensa francesa, espantando os críticos especializados pela qualidade que demonstravam, sobretudo porque essa qualidade não era esperada, pois vinha de um artista completamente desconhecido no meio europeu. Particularmente dos trópicos, distantes e exóticos, esperava-se a projeção de um outro gênero de imagens: a fotografia etnográfica. Em 1867, em Paris, George Leuzinger surpreendeu os europeus com seus panoramas de amplo formato, seus pontos de vista inóspitos e exuberantes, suas belas composições. Mas foi também através da Casa Leuzinger que se consagrou pela primeira vez o consumo de imagens de tipos indígenas do Brasil, tão ao sabor da voga de estudos etnográficos e da curiosidade etnocêntrica da sociedade européia do século XIX. Em 1867, foram apenas algumas fotos de indígenas da Região Amazônica registradas pelo alemão A. Frisch. Menos de vinte anos mais tarde, na Exposição Universal de Paris de 1889, já havia um pavilhão inteiro dedicado à Amazônia..."
Maria Inez Turazzi
Turazzi, Maria Inez. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839-1889. p. 137.

Acervos

Acervo MAM/RJ - Rio de Janeiro RJ
Acervo Museu Imperial - Rio de Janeiro RJ
Acervo Biblioteca Nacional - Rio de Janeiro RJ
Coleção Gilberto Ferrez - Rio de Janeiro RJ
Coleção Dom Pedro de Orleans e Bragança - Petrópolis RJ

Exposições Coletivas

1866 - Rio de Janeiro RJ - 2ª Exposição Nacional do Rio de Janeiro - medalha de prata
1867 - Paris (França) - Exposição Universal de Paris - menção honrosa
1873 - Rio de Janeiro RJ - 3ª Exposição Nacional do Rio de Janeiro - medalha de prata
1873 - Viena (Áustria) - Exposição Universal de Viena - medalha de mérito
1875 - Rio de Janeiro RJ - 4ª Exposição Nacional do Rio de Janeiro
1885 - Antuérpia (Bélgica) - Exposição Internacional da Antuérpia
1887 - Paris (França) - Exposição Universal de Paris

Exposições Póstumas

1985 - Rio de Janeiro RJ - Dom Pedro II e a Fotografia no Brasil, na Casa do Bispo
1986 - Paris (França) - La Photographie Brésilienne au Dix-Neuvième Siècle, Mois de la Photo à Paris
1988 - Texas (Estados Unidos) - Brazilian Photography in the Nineteenth Century, no Houston Foto Fest
1988 - Novo México (Estados Unidos) - Brazilian Photography in the Nineteenth Century, no Maxwell Museum of Anthropology
1992 - Genebra (Suíça) - Exposição Années 1860, un Suisse au Brésil, no Centre de la Photographie
1992 - Rio de Janeiro RJ - Rio de Janeiro: retratos da cidade 1840/1992, no CCBB
1993 - Madri (Espanha) - Canto a la Realidad. Fotografia Latinoamericana, 1860-1993, na Casa da América
1993 - Petrópolis RJ - A Cidade e a Serra: memória de todos nós, no Museu Imperial
1993 - São Paulo SP - A Fotografia no Brasil do Século XIX : 150 anos do fotógrafo Marc Ferrez 1843/1993, na Pinacoteca do Estado
1995 - Rio de Janeiro RJ - Mestres da Fotografia no Brasil: Coleção Gilberto Ferrez, no CCBB
1997 - Rio de Janeiro RJ - A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX, no CCBB
1997 - São Paulo SP - A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX, na Pinacoteca do Estado
1999 - Rio de Janeiro RJ - Rio de Janeiro 1862-1927: imagens da formação da cidade, no  Instituto Moreira Salles
2000 - Belo Horizonte MG - Rio de Janeiro 1862-1927: imagens da formação da cidade, no  Instituto Moreira Salles
2000 - Brasília DF - O Século XIX na Fotografia Brasileira: coleção Pedro Corrêa do Lago, no Ministério das Relações Exteriores. Palácio do Itamaraty
2000 - Poços de Caldas MG - Rio de Janeiro 1862-1927: imagens da formação da cidade, na Casa da Cultura
2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento, na Fundação Bienal
2000 - São Paulo SP - Rio de Janeiro 1862-1927: imagens da formação da cidade, no Instituto Moreira Salles
2002 - Rio de Janeiro RJ - Arquipélagos: o universo plural do MAM, no MAM/RJ

Fonte: Itaú Cultural

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