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Franco Velasco

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BIOGRAFIA

Franco Velasco (Salvador BA 1780 - idem 1833)

Pintor, professor.

Antonio Joaquim Franco Velasco, autor de diversos retratos e pinturas decorativas para igrejas na cidade de Salvador. No início da década de 1810, realiza trabalhos para a Matriz de Santana, por volta de 1813 produz pinturas para o teto da nave e em 1814 é incumbido de fazer o painel da pia batismal. Entre 1818 e 1820, executa a pintura do forro e de sete painéis retratando os passos da Paixão de Cristo para os altares da Igreja do Senhor do Bonfim, além do douramento da capela-mor, de altares, tribunas, púlpito e coro. É também autor da pintura do forro da capela-mor da Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento de Itaparica. Em 1821, é nomeado docente substituto da cadeira pública de desenho de Salvador, possivelmente por incentivo de dom João VI (1767 - 1826), em agradecimento aos dois quadros que lhe são presenteados por Velasco. Em 1825 é efetivado na função. São seus alunos Capinam (1791 - 1874) e José Rodrigues Nunes (1800 - 1881). Velasco obtém reconhecimento como retratista e recebe diversas encomendas, produzindo não só na Bahia, mas também para outros Estados e para Portugal. Em 1831, é confiada a ele a pintura do forro da nave e o douramento da capela-mor da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, em Salvador. Morre antes da conclusão dos trabalhos, que ficam a cargo de José Rodrigues Nunes.

Comentário Crítico

Franco Velasco realiza sua formação em Salvador, tendo sido discípulo do pintor José Joaquim da Rocha (1737 - 1807). Apesar de inserir-se na tradição artística característica da Bahia, conhecida como Escola Baiana de Pintura, que começa a ser criada em meados do século XVIII com José Joaquim da Rocha, sua produção difere significativamente da do mestre, um virtuoso da pintura perspectivista, de temática bíblica. 

Velasco volta-se com especial interesse para o retrato e a figura humana. Segundo o historiador José Roberto Teixeira Leite, sua pintura, estilisticamente, mistura elementos setecentistas herdados de seus mestres e novos ingredientes neoclássicos, em voga em princípio do século XIX.

Entre os diversos retratos de sua autoria, Velasco realiza um retrato de dom João VI (1767 - 1826), em 1826, de acordo com Laudelino Freire. Outras fontes, como Walmir Ayala, mencionam um provável retrato de dom Pedro I (1798 - 1834) feito por ocasião de uma visita do imperador a Salvador. Que se tenha notícia, nenhuma dessas obras, contudo, chega aos dias atuais.

É sabido que faz o retrato de dom Marcos de Noronha e Brito, o oitavo conde dos Arcos, vice-rei do Brasil e governador e capitão-general da Capitania da Bahia em 1817. A tela é queimada em praça pública em 1821, num período de agitações políticas precedentes à independência do Brasil. De sua autoria há também retratos de dom Romualdo Antônio de Seixas, arcebispo da Bahia, João Ladislau de Figueiredo e Mello e Pedro Gomes Ferrão.

Segundo a pesquisadora Marieta Alves, entre as diversas obras pertencentes à coleção do médico inglês Jonathan Abbott (1796 - 1868), compradas pelo governo da província da Bahia em 1871 para constituir uma galeria no Liceu de Artes e Ofícios, constam pinturas de Velasco que, possivelmente, estão entre as obras do artista pertencentes ao acervo do Museu de Arte da Bahia - MAB. No museu encontram-se os estudos realizados por ele para os painéis que retratam a Paixão de Cristo, pintados para a Igreja do Nosso Senhor do Bonfim.
A Fundação Castro Maya tem duas obras de Velasco, Retrato de Senhora e Menino com Cachorro, ambas de 1817.

Críticas

"(...) Igualmente consta do arquivo da mesma igreja ele ter pintado o teto da nave, na qual representa uma cena de naufrágio e o pagamento de uma promessa ligada a ele, usando nesta pintura, segundo a tradição oral, pela primeira vez na Bahia, modelos femininos, costume anteriormente proibido."
Carlos Ott
OTT, Carlos. A Escola bahiana de pintura: 1764-1850. São Paulo: MWM-IFK, 1982.

"Parece que se enganaram os estudiosos de sua obra que aceitam admitir alguma influência neoclássica em seus últimos trabalhos. Sucede, isso sim, que sua pintura, como seu desenho, apresentam uma robustez de tratamento que o diferencia de seus contemporâneos, saídos das aulas de José Joaquim da Rocha. Essa robustez é justamente o fruto do que soube aprender na força que seu mestre também revelava. Franco Velasco, porém, escapa aos envolvimentos tonais e faz mais nítidas suas figuras e respectivos acessórios, não disfarçando os contornos. (...) dos discípulos de José Joaquim da Rocha, foi o que menos tempo teve de aprendizado com o mestre, (...) certo distanciamento do que uniformizava o restante da pintura baiana terá feito surgir essa opinião injustificada sobre a influência sofrida pela moda dominante no Rio de Janeiro, sob diretriz dos artistas franceses da Missão. E isso se diz mais particularmente com relação aos retratos que passaram a predominar em sua produção, desde que o gênero ganha maior demanda (...)."
Quirino Campofiorito
CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983.

Exposições Póstumas

1948 - Rio de Janeiro RJ - Exposição Retrospectiva da Pintura no Brasil, no MNBA com as telas Retrato de uma Senhora e Menino com Cachorro 
1994 - São Paulo SP - Um Olhar Crítico sobre o Acervo do Século XIX, na Pinacoteca do Estado
2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento, na Fundação Bienal
2004 - Salvador BA - Mestres da Pintura Baiana, no Museu de Arte da Bahia

Fonte: Itaú Cultural

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