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Felícia Leirner

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BIOGRAFIA

Felícia Leirner (Varsóvia, Polônia 1904 - Campos do Jordão SP 1996)

Escultora.

Muda-se para o Brasil com o marido, Isai Leirner, em 1927. Em São Paulo, estuda pintura com Yolanda Mohalyi (1909 - 1978). Inicia estudos de escultura com Victor Brecheret (1894 - 1955), em 1948. Na década de 1950, predominam em suas esculturas temáticas relacionadas à maternidade e ao universo familiar. Em 1959, realiza importante mostra retrospectiva na Galeria de Artes das Folhas. Em algumas esculturas realizadas nos anos 1960, a artista aproxima-se da abstração. Participa de diversas edições da Bienal Internacional de São Paulo, mostra em que recebe o prêmio de melhor escultor nacional, em 1963, e conta com sala especial, em 1965. Nesse ano, passa a residir em Campos do Jordão, São Paulo, onde, em 1978, é inaugurado o Museu Felícia Leirner, que apresenta cerca de 100 esculturas da artista em espaço aberto. Ela tem trabalhos expostos em espaços públicos, como a Escultura, 1973, no Jardim das Esculturas do Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP, no parque do Ibirapuera, e a obra Os Pássaros, 1978/1979, na praça da Sé, em São Paulo. Sobre sua produção são publicados os livros Felícia, pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, em 1983, e Felicia Leirner: a Arte como Missão, com texto do crítico de arte Frederico Morais, pelo Museu Felícia Leirner, em 1991.

Comentário Crítico

A produção inicial de Felícia Leirner, na década de 1950, revela afinidade com a obra de seu mestre, Victor Brecheret (1894 - 1955). Seus temas principais nesse período são a mulher, a maternidade e o universo familiar. As figuras da artista apresentam uma assimetria formal, decorrente do contraste entre o comprimento dos braços e pernas ou do volume do corpo em relação à cabeça diminuta, e aproximam-se assim de obras de Aristide Maillol (1861 - 1944) e de Henry Moore (1898 - 1986). Ela cria texturas na superfície do bronze, por meio de ranhuras, incisões e grafismos.

A artista, que inicialmente realiza figuras isoladas, passa a trabalhar com formas que se complementam. Amplia a relação entre os espaços vazios e cheios em suas composições, criando obras de maior leveza. Para o crítico de arte Mário Pedrosa (1900 - 1981), sua escultura se enriquece pela contraposição entre os planos côncavos e convexos e pela alternância entre sombra e claridade.

Alguns dos trabalhos de Leirner aproximam-se da abstração, como nas séries Cruzes, 1963 ou Estruturações, 1964/1966. Essa última, apresenta afinidade com a vertente construtiva. Já em Habitáculos, 1966/1967, ela explora o campo da arquitetura, aproximando-se de obras de Hans Arp (1886 - 1996) e François Stahly (1911). Suas esculturas da década de 1980 são constituídas por formas recortadas, projetadas para se integrarem à paisagem.

Críticas

"Embora liberta da anedota, que ainda a seduz no princípio de sua atividade artística, a escultora não se evadiu inteiramente do figurativismo. Sua emoção nasce de formas com que depara na natureza. Não as estiliza, porém usa-as como ponto de partida para a sublimação de suas emoções. E não vemos como resultado um galho de árvore ou um bicho estranho, temos um conjunto de formas e movimentos a provocar determinada impressão no espectador. O que também caracteriza a arte de Felícia é o amor à matéria. Trabalha-a com tanta sensibilidade que a torna quase pictórica, por vezes muito mais sensual, sempre rica de invenção. Irá com seu lirismo até ao abstracionismo expressionista? Talvez. É um caminho sem dúvida que apaixona. Entretanto o fundo humano parece impressioná-la demasiado para que o elimine por completo de sua obra. A escultura não é para ela um jogo, é um instrumento de expressão. Instrumento que sabe manejar e com o qual diz realmente o que tem a dizer. E tem".
Sérgio Milliet
LEIRNER, Felícia. Felícia Leirner: dez anos de escultura. São Paulo: Skultura Galeria de Arte, 1959.

"É significativo notar como esta escultora, que se inicia por uma estilização de figuras isoladas, em que o assunto predomina, chega ao grupo já de modo menos sentimental e mais desinteressado. Com o grupo de dois, mas sobretudo de três, novo elemento aparece que acentua certas predileções de direção já aparentes, desde as primeiras realizações: refiro-me aos planos côncavos e convexos que enriquecem o jogo espacial, e, tornando mais complexa a trama, já muito livre, de seus vazados e cheios, criam uma alternativa de sombras e claridades, plena de sugestões. Nesse movimento muito mais rico de planos que avançam e planos que recuam, de superfícies convexas na claridade e superfícies côncavas na obscuridade, a matéria tende a apagar as ressonâncias do bronze para volver ao orgânico. Nessa constante inclinação ao orgânico, Felícia revela sua natureza mais que feminina, maternal".
Mário Pedrosa
PEDROSA, Mário. Felícia Leirner, escultora. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 07 mar. 1961.

"O processo criador de Felícia Leirner não inclui o desenho como atividade inicial, como meio gerador da forma ou dos volumes. Ela nunca gostou de desenhar, e, assim, não prepara croquis ou esboços no papel. Iniciando-se na escultura pelo bronze, que pede antes a feitura de um molde em gesso, realizado sobre um modelo de barro, Felícia sempre foi direto ao material, como que desenhando através dele. Lidar com o barro é como reescrever a Bíblia. Afinal, antes do pneuma que o fez andar, Adão foi modelado no barro. Assim, o manuseio dessa matéria-prima original está ligado biblicamente à própria origem do homem, e é por isso que, como observa Bachelard, o verdadeiro modelador sente, por assim dizer, animar-se sob seus dedos, na massa, um desejo de ser modelado, um desejo de nascer para a forma. Mas para Felícia o que veio primeiro não foi o verbo, mas o gesto. Nem o desenho, extensão daquele, mas o barro. Este, diz a artista, ´responde à nossa mão, melhor ainda, responde à nossa imaginação. À medida que vamos amassando o barro, vemos as coisas nascerem. Minha alma é como o barro com que faço minhas esculturas. Eu a mando entrar pelos dedos e pelas mãos, pois ela pode alojar-se onde eu quero´".
Frederico Morais
MORAIS, Frederico. O processo criador: a mão sonha. In: Felicia Leirner: a arte como missão. Campos do Jordão: Museu Felicia Leirner, 1991. p. 55-57.

Exposições Individuais

1960 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no MAM/RJ
1961 - São Paulo SP - Individual, no MAM/SP

Exposições Coletivas

1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados - Prêmio Aquisição do MAM/RJ
1955 - São Paulo SP - 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações
1957 - São Paulo SP - 12 Artistas de São Paulo, na Galeria de Arte das Folhas
1959 - São Paulo SP - 5ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho
1959 - São Paulo SP - Retrospectiva Dez Anos de Felícia, na Galeria de Arte das Folhas
1960 - São Paulo SP - Contribuição da Mulher às Artes Plásticas no País, no MAM/SP
1961 - Rio de Janeiro RJ - 1ª O Rosto e a Obra, na Galeria Ibeu Copacabana
1961 - São Paulo SP - 6ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho
1963 - São Paulo SP - 7ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal - prêmio melhor escultor nacional
1965 - São Paulo SP - 8ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1966 - Brasília DF - Salão de Arte Moderna de Brasília
1967 - São Paulo SP - 9ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1971 - São Paulo SP - 11ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1973 - São Paulo SP - 12ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1978 - Penápolis SP - 3º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis
1978 - Rio de Janeiro RJ - Escultura Brasileira no Espaço Urbano: 50 anos, na Praça Nossa Senhora da Paz
1979 - São Paulo SP - 15ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1981 - Guarujá SP - Escultura ao Ar Livre, no Hotel Jequitimar
1981 - São Paulo SP - 13º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1982 - São Paulo SP - Um Século de Escultura no Brasil, no Masp
1983 - São Paulo SP - Skultura Galeria de Arte
1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal
1985 - Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1986 - São Paulo SP - Série Pássaros, na Galeria Skultura
1988 - São Paulo SP - MAC 25 anos: destaques da coleção inicial, no MAC/USP
1992 - São Paulo SP - A Sedução dos Volumes: os tridimensionais do MAC, no MAC/USP
1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal

Exposições Póstumas

1996 - São Paulo SP - 4º Studio Unesp, Sesc e Senai de Tecnologias de Imagens, no Sesc Pompéia
1996 - São Paulo SP - Arte Brasileira: 50 anos de história no acervo MAC/USP: 1920-1970, no MAC/USP
1996 - São Paulo SP - Mulheres Artistas no Acervo do MAC, no MAC/USP
1996 - São Paulo SP -  4º Studio Unesp Sesc Senai de Tecnologias de Imagens, no Sesc Pompéia 
1997 - São Paulo SP - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, no Itaú Cultural
1998 - Belo Horizonte MG - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, no Itaú Cultural
1998 - Brasília DF - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, na Galeria Itaú Cultural
1998 - Penápolis SP - Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, na Galeria Itaú Cultural
1998 - São Paulo SP - Coleção 98 Skultura, na Skultura Galeria de Arte

Fonte: Itaú Cultural

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